0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Email -- Filament.io 0 Flares ×


É óbvio que se 50% mais um votarem nulo a eleição não será anulada. Alguém achou que o sistema abriria uma brecha dessas? Não votamos nulo para anular uma eleição, isso apenas adiaria a escolha de um representante, votamos nulo porque não acreditamos neste sistema e não queremos tomar parte dele, existem propostas melhores do que a política representativa, como a democracia direta e a auto-gestão.

Desde pequenos somos educados nas escolas e igrejas que votar é exercer nosso papel como cidadão. Ensinam-nos a respeitar os limites políticos, a nação, a pátria e todos seus símbolos como bandeira e hino, a respeitar a figura do soldado e a do policial de modo que passamos a ver nosso país como algo “sagrado”, um senso comum que raras pessoas ousam questionar. Mesmo quando as coisas não vão bem, quando há corrupção, ainda assim os valores nacionalistas implantados falam mais alto, fazendo com que toda a revolta do povo seja amenizada ou redirecionada aos líderes e representantes. Então vem a idéia: vamos livrar nossa pátria amada dos terríveis corruptos, vamos reformular todas as leis e tornar nossa nação um lugar melhor. Essa é a idéia de muitos que acreditam estar lutando por uma revolução, mas existe uma grande diferença entre revolução e reforma!

O problema não são os corruptos, o problema é a nação, é a pátria, é o sistema! O nacionalismo é um modo astuto de manter o sistema de pé, ele faz com que acreditemos que não existe outra forma de viver senão seguindo uma nação, senão elegendo um representante. Isso foi muito bem arquitetado pelo sistema e é deste modo que eles te manipulam a acreditar que seu papel nesta sociedade se resume em votar e policiar os candidatos para ver se eles fazem tudo que prometeram. Nem se eles fizessem tudo que prometem, um candidato pertence a um partido, defende interesses de uma parte da população, não da população, mesmo se exercer um bom papel de representante, não representa a todos! É um sistema de luta e embate, um sistema onde partidos batalham pelo poder, um sistema onde a vontade de um grupo tenta massacrar a vontade de outro grupo e o seu voto é a força motriz das engrenagens deste sistema podre!

É natural querer achar um remendo ou uma reforma para o sistema ao invés de ir mais além e imaginar um novo sistema! É confortável deixar de acreditar em um líder e passar a acreditar em outro, abandonar um partido e partir para outros, ainda mais quando temos partidos tão bem articulados com discursos revolucionários, mas no final a ação deles é a mesma: conquistar o poder e te governar. Hoje os militantes revolucionários que enfrentam a polícia são os candidatos de amanhã e talvez, num futuro próximo, os prefeitos, governadores e políticos que vão mandar a polícia para cima de novos militantes revolucionários. E a pior parte é que a cada vez que você acredita na reforma do sistema, cada vez que um “ficha limpa” é aprovado, cada vez que um candidato que se diz revolucionário é eleito, o povo se acalma, adiando desta forma a necessária ruptura com o sistema representativo.

O voto nulo sozinho não muda nada, ele é um medidor da nossa insatisfação, não serve para medir a insatisfação com este ou aquele político, ou a insatisfação com este ou aquele partido, serve para medir nossa insatisfação com todo o sistema, serve para acordar os que ainda acreditam no estado, serve para que possamos sugerir novas idéias como a autogestão e a democracia direta. Para o estado, ele não serve de nada, mas nem poderia servir, pois o voto nulo é de certo modo uma forma sutil de desobediência civil, que dentro da nossa atual conjuntura é muito bem justificada. Eles sempre se defenderão, dizendo que o voto é um “direito conquistado’, dizendo que é “seu papel como cidadão”, dizendo que se você não escolher pelo menos o “menos pior” as coisas permanecerão as mesmas. Mas perceba que o voto não é um direito, mas sim uma forma de fazer com que acreditemos que temos algum direito, seu papel de cidadão é ser responsável pelas decisões de sua comunidade e votar só faz com que fiquemos alheios a comunidade, passamos a bola para outra pessoa e depois ligamos o “fod#-se”, é um modo de irresponsabilidade, escolher o menos pior não muda nada e fazendo isso o sistema continuará o mesmo e aí sim as coisas permanecerão as mesmas!
Vamos abandonar a idéia de reformismo, vamos abraçar a idéia de uma real revolução! Não eleja ninguém, algumas coisas só a gente pode fazer. Mudanças são arriscadas e demora a acontecer, o dia que muitos votarem nulo, saberemos que estamos preparados para elas, ajudem-nos a trazer esta mudança para perto, não peço isso por um interesse pessoal, afinal de contas, se eu tivesse algum interesse pessoal, seria um político e estaria pedindo que votassem em mim!

Texto de: Cesar Felix postado, no grupo OCUPA POA (facebook).

SEGUE ABAIXO UM COMENTÁRIO MEU – Edu Zurc (Contribuinte do DDD), FEITO NO MESMO POST, QUE ABRANGE A QUESTÃO DE UMA FORMA MAIS GENERALISTA, LEVANDO- NOS A UMA REFLEXÃO MAIS PROFUNDA!

Concordo Cesar Felix, com o que escreveste, este é um importante passo coletivo que nós indivíduos precisamos dar, aceita a obsolência dessa política representativa (mente social) e desse modelo de economia monetária (corpo social). Às vezes eu me questiono sobre o que é causa e o que é sintoma. Percebo que por um lado os corruptos, a nação, a pátria, o sistema, o nacionalismo são sintomas de um causa maior. Os nossos valores morais individuais, a nossa ética, entre outras palavras o nosso entendimento sobre o que somos realmente como espécie, como indivíduos e como sociedade (coletivo). No entanto esses fatores são representados por aquela imagem – a cobra que devora a si mesmo.

A humanidade representa isso no meio ambiente que vive – na simbiose dos sistemas planetários, e enquanto a HUMANIDADE, não perceber que um sistema que “represente” o corpo social (economia) não for compreedido como um sistema VIVO nessa simbiose planetária, nunca haverá sustentabilidade, então continuaremos representando aquela imagem da cobra insustentável que devora a si mesmo refletindo toda desigualdade que há na comunidade humana e todo desequilíbrio sócio-ambiental, criando um sistema de cultura e tradição (ensino) com valores morais obsoletos, que são repassados hereditariamente, de pai para filho, classes sociais para as mesmas classes sociais, mantendo assim outros sintomas insustentáveis como a hierarquia, o sentimento de independência, a necessidade de posse, propriedade, conquista, competição, embate, luta, que por sua vez refletem outros sintomas como a formação de grupos antagônicos que relativamente cooperam ainda assim competindo internamente entre si (indivíduos contra indivíduos…) e competindo vorazmente contra os grupos antagônicos a si. Os recursos naturas nesse caso são apenas munição nesse embate, motivo para guerras.

Por isso eu falava, não lute, promova um movimento de conscientização pacífico, mas para parecer menos presunçoso hoje eu digo… NÃO LUTE, PROMOVA UM MOVIMENTO DE REFLEXÃO PACÍFICO… pois quem luta, só encontra escombros de si mesmo, e afinal, o que realmente necessitamos é da união da espécie, não a perpetuação de grupos antagônicos.

Se muito antigamente na origem da humanidade o ego originava-se do instinto de sobrevivência, preservação individual, hoje é sabido que na teoria dos sistemas vivos, o todo é mais importante que as partes. Como as partes refletem o todo, nossa sociedade humana – a humanidade está refletindo uma atitude antípoda a seu desejo de preservação. Individualmente como vivemos um período muito pequeno nesse sistema – humanidade, acabamos por não levar em consideração as nossas atitudes em longo prazo. E esse se torna o nosso maior desafio como humanidade; compreender que só encontraremos, ENTENDEREMOS nossa finalidade (TELEOLOGIA, não confunda com teologia) quando não haver mais BARREIRAS INVISÍVEIS… quando refletirmos a INTERDEPENDÊNCIA colaborativa no nosso todo social.

Entendo que sustentabilidade é a capacidade de satisfazer as necessidades de TODOS os organismos sem comprometer o funcionamento do meio em que se encontram. Ou seja, a satisfação de TODOS deve ser atendida sem prejudicar NENHUMA fonte de recurso. E essa perspectiva precisa levar em conta e garantir a mesma condição para TODOS aqueles que ainda virão a necessitar dos mesmos recursos.

Obrigado Edu Zurc pela colaboração.