Transcendências

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Email -- Filament.io 0 Flares ×

 

No inicio, o homem criou o computador à sua imagem e semelhança.

Todo o processo partindo de um mesmo princípio:

Impulso elétrico = 1

Sem impulso elétrico = 0

Impulso elétrico computacional = sinapse mental

Com esta simples afirmação, estão abertas as portas para uma nova percepção.

Por meio da nossa criatura, o computador, podemos começar a entender  nossa origem e nossa criação.

 

 

Introdução

Meu objetivo não é discutir em profundidade as crenças das pessoas. Nenhuma delas em especial, nem todas elas em geral.

Meu objetivo é propor algo diferente. É construir uma ponte de entendimento para as pessoas de diversas crenças, inclusive aquelas com nenhuma crença.

Uma ponte que cria aceitação, entendimento e que abre possibilidades.

Uma ponte feita de ISTO E AQUILO, para que passemos acima e além dos muros feitos de ISTO OU AQUILO.

 

Onde não há matéria, não precisa haver escolha.

 

Onde não há matéria, não existem as limitações das leis da física.

Não há a limitação nem necessidade da escolha. Não existe OU. Tudo é, ou pode ser, ao mesmo tempo, no mesmo espaço.

Mas vamos tratar isso de modo bem simples e objetivo:

Onde há matéria física, a escolha é indispensável: você está numa sala escura, com a luz apagada, por exemplo. Pode acender a luz, e a sala ficará clara. Imediatamente, todos na mesma sala, anteriormente escura, passarão a estar numa sala clara. A sala está clara ou escura, para todos ao mesmo tempo, no mundo físico.

Num mundo não-físico, não há necessidade de escolher: numa sala de bate papo virtual, por exemplo, qual é a realidade objetiva? Que aspecto tem a sala? A luz está acesa?

Isso depende apenas da sua vontade e da sua interpretação. Numa mesma sala virtual, dez pessoas podem conceber dez versões diferentes da mesma sala. Podem representar essa visão em suas telas. Todas essas visões do mesmo espaço são individualmente válidas e verdadeiras ao mesmo tempo. Ainda assim, todas as dez pessoas estão na mesma sala, trocando idéias ao mesmo tempo. Qual é a sala real? A sala real é composta apenas de energia elétrica mantendo impulsos digitais. A sala real é apenas um constructo digital. Mas ela não é menos real por ser virtual. As pessoas naquela sala podem fechar negócios. Podem propor casamento. Podem trocar de emprego. Podem mudar suas vidas.

O que elas fazem e vivem ali é absolutamente real, embora estejam dentro de um ambiente diferente do mundo físico material.

Agora imagine que duas daquelas dez pessoas na sala querem se conectar de modo diferente. Querem compartilhar algo apenas entre elas. Então elas escolhem ver a sala do mesmo modo. Com a mesma luz. Escolhem falar, ao invés de teclar. E elas podem permanecer na mesma sala – mas estarão invisíveis aos demais oito ocupantes da sala – apenas porque escolheram isso.

Isso significa o fim do OU. Isso é o início do E.

Isto E aquilo. Claro E escuro. Cheio E vazio.

Isso é uma realidade que nós construímos. Nós, os seres que segundo nossas próprias estimativas, usamos de dez a vinte por cento de nossa capacidade mental, no máximo.

Agora permita-me passar do virtual ao transcendente:

Porque a vida transcendente, aquela que acontece fora da matéria física, deveria ser de um modo OU de outro?

Sim: este é o ponto. Não precisa, e não é.

A vida fora da matéria É de muitos modos, ao mesmo tempo. Todos verdadeiros e válidos.

E qual é a vida fora da matéria que é REAL? Assim como a sala virtual REAL é apenas energia elétrica mantendo impulsos digitais; a vida fora da matéria é feita apenas de energia mantendo processos.

A nossa sala, no alem – tem exatamente as mesmas características que usei para descrever a nossa sala virtual. Ela é, ao mesmo tempo, clara E escura. Tem inúmeros ocupantes, mas nem todos se vem. E nem por isso é menos real.

Ela é, isto sim, imaterial, não-física. E por isso está alem do OU, alem da escolha e dos limites. Mas é absolutamente real, tanto quanto nossa sala virtual.

Agora, vamos nos provocar mais um pouco: algumas pessoas nunca estiveram numa sala virtual. Não sabem o que é. Não conseguem imaginá-la. Não podem conceber um lugar ao mesmo tempo claro para uns e escuro para outros.

Em suma, elas não acreditam na existência da sala virtual.

E agora? Você já esteve numa sala virtual. Você sabe que ela existe. Você inclusive fechou um trabalho ali, pelo qual foi pago. Mas de nada adianta apresentar o recibo do trabalho. Ele não prova a existência da sala virtual. Aliás, se amanhã o provedor mudar ou fechar aquela sala, como você provaria que esteve na sala que você descreveu?

Outras pessoas estiveram lá. Mas para elas, a sala era outra, diferente. E de fato, isso é verdade.

Bem, você pode falar com a pessoa que contratou seu serviço, e ela testemunharia que vocês estiveram na sala virtual. Mas qualquer um poderia continuar não acreditando. Pensando que você e seu parceiro se falaram, na verdade, por telefone ou fax. Por fim, por que você se ocuparia com isso? Você sabe que a sala existe. Você esteve lá. Mas não existe uma prova material incontestável disso. Esse jogo poderia continuar pela eternidade, mas você não se interessaria por ele.

Porque, acima de qualquer discussão, você ESTEVE lá.

 

Esferas e freqüências

Há muito tempo  sabemos que na verdade não existe apenas um mundo. Há muitos mundos no nosso mundo, mesmo no material. O mundo de alguém de alto poder aquisitivo que vive em Manhattan não tem a menor semelhança com o mundo habitado por um índio isolado na Amazônia. Parecem dois planetas distintos. Mas são ambos reais, partes do mesmo mundo material.

Você sabe, eu escrevi este texto em São Paulo, num computador criado na Califórnia e construído com peças vindas do oriente. E você talvez o esteja lendo em outro lugar muito distante. E pode ter pago por ele com seu cartão de crédito, através de um site de compras na internet. O dinheiro eventualmente foi transferido para a minha editora, que depositou uma parte na minha conta. Talvez a sua copia seja digital, jamais torne-se papel. E eu usei o dinheiro que recebi pela sua compra do meu livro para adquirir um casaco, que comprei com o meu cartão.

Tudo muito corriqueiro, hoje em dia. Mas completamente imaterial. Todas as transação aconteceram, no caso do livro digital, sem que houvesse um único produto material a ser vendido ou comprado. E no caso dos pagamentos com cartões e transferências, nenhum dinheiro material. Apenas Dígitos sendo transferidos de um lado para outro, até que finalmente eles se materializaram no meu casaco.

Agora me diga: como é que eu explico isso para um índio isolado da Amazônia? Ele sequer sabe muito bem porque nós consideramos que algumas Cédulas de papel pintado podem valer mais que um peixe de verdade que pode virar comida em sua panela.

Este é um exemplo das muitas esferas que existem no nosso mundo material. Para o índio, tudo que eu e você fizemos nessa transação não tem o menor sentido, ele não pode entender. Está alem daquilo que ele pode considerar verdade. Por isso, ele não acredita.

Esse jogo, também, poderia continuar pela eternidade, mas não temos interesse por ele. Porque, acima de qualquer discussão, nós sabemos o que fizemos, pelo que, e como pagamos.

 

Negação

Enfim, para terminar:

Nós criamos este mundo virtual composto de fios, cabos, impulsos elétricos e endereços de internet.

Nós criamos um mundo real e verdadeiro que não existe de fato na matéria.

Nós criamos uma realidade imaterial, na qual muitas vezes não precisamos optar entre uma coisa OU outra. No qual é Possível que uma sala seja CLARA E Escura, ao mesmo tempo.

Nós fomos capazes de fazer isso.

Negar a possibilidade de um mundo real, porém imaterial, no qual as coisas podem ser ISTO E AQUILO ao mesmo tempo, é negar aquilo que nós mesmos criamos, e sabemos que pode ser feito.

Já não podemos negar essa possibilidade, se quisermos ter um mínimo de coerência e de pensamento inteligente.

Muita gente pode continuar não acreditando na existência e negando a possibilidade.

Esse é um jogo que também pode continuar para sempre. Mas porque teríamos interesse nele?

Acima de qualquer discussão, nós sabemos, não somente, que é possível.

Nós sabemos que é real. Nós fizemos.

Paulo Ferreira, 2012. (autorizada a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte)

6 Comments

  1. Para os amigos que tiverem interesse, escrevi um livro que está em processo final de preparação e será editado em breve. Mandem um e-mail para [email protected] e eu os incluirei na mailing list para serem avisados assim que estiver liberado para publicação. Gratidão! AUM.

  2. Gosto de pensar que existe diversos momentos em que nós, mesmo pensadores, devemos não acreditar em diversas coisas, como o índio não entende uma cédula de papel. É como a pessoas que afirmam o seu conhecimento sobre Deus. Ora, sinceramente não vejo que temos a menor capacidade de compreender Deus e tantos outros mistérios, pela simples falta de capacidade mental, por isso criamos historinhas, aí fica fácil de compreender e relatar, ou melhor, se apropriar. Aliás, quer algo mais virtual que Deus?
    Abs.

  3. Questionar, questionar, questionar.

    SEMPRE, TUDO, O TEMPO TODO.

    Perguntar o POR QUE de tudo, sempre.

    Ouvir as respostas que vem de DENTRO de VOCÊ.

    Poque essas, sim, são as SUAS RESPOSTAS.

    AUM

  4. OiPaulo! Muito interessante seu texto! Somente acho que a divisão entre mundo material e mundo imaterial muito rígida, principalmente no que diz respeito a questão do OU e do E. Em vez de questionar aqui seu escrito, gostaria de indicar caminhos de leituras interessantes, que fazem muito próximo do que o que você fez, mas inverte a direção de suas reflexões. O Filósofo frances Deleuze fala também do virtual, e de como ele “existe” tanto como o real. Entretanto, ele não precisa supor uma dimensão de transcendência para explicar esse virtual, ele o faz na dimensão da imanência, e fala também sobre a conectividade do devir em termos de E, não de OU. O devir é virtualizante, mas não transcendental, ele se da na imanência da vida. A filosofia francesa do século XX, sobretudo Deleuze e Merleau-Ponty, fizeram o que chamamos de encarnação do espírito, e acho que as corrente que hoje discutem sobre esse universo “transcendente” tem muito a ganhar ao ler tais filosofias, e perceber que ele não é outro, mas é parte do nosso.

    Temos que diferenciar o que é o mundo material do que é a teoria sobre o mundo material. Tantos as filosofas modernas quanto as correntes místicas sempre colocaram essa discrepância entre corpo e matéria, mas vemos que muitas delas mostram uma união não-contraditória entre elas. Será que o que chamamos hoje de matéria não é somente o constructo de uma teoria que há muito está em vias de cair, mesmo com a física quântica, que virtualiza o átomo na função partícula-onda?

    É necessário vermos um acordo, um conjunto, uma mistura indissolúvel entre matéria e espírito, e compreender que o parentesco entre eles é maior do que o que nossa filosofia consegue compreender ainda…

  5. Vitor: agradeço seu bem elaborado comentário. No que se refere a uma divisão, como você cita – ela existe no texto apenas para facilitar o entendimento do que está ali proposto. Não há linha divisória válida, desde E=mc2, pelo menos. E haveria menos sentido ainda, considerando o quanto a materialidade é ilusória, tanto do ponto de vista transcendente quanto daquele da física quantica. Que, aliás, tornam-se a cada dia mais semelhantes, até o ponto futuro (fartamente previsto no passado) no qual vai, efetivamente, unificar-se.

  6. Brilhante, simples e didático! Adorei!

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Email -- Filament.io 0 Flares ×