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Como funciona a reencarnação?

Muitas religiões falam da evolução espiritual: de que voltaremos a viver novas vidas, com corpos diferentes, sexo diferente e até orientação sexual diferente. Algumas falam que já vivemos como animais – outras até falam que a forma mais pura do ser é finalmente encarnar um animal.

Mas como escolher quem você vai ser na próxima vida? Como funciona a dinâmica complexa do voltar a viver num mundo totalmente diferente? Se o propósito é a evolução da nossa consciência, como sabermos que vida viver?

No espiritismo é explicado que planejamos nossa vida futura com outros seres divinos, mas como saber em que família nascer, que experiências teremos para evoluir e qual a melhor estratégia de eventos em nossa vida fará com que haja desafios não tão fáceis assim a ser conquistados em prol da evolução pessoal?

No outro mundo (céu), o espiritual – ou na outra dimensão, como alguns costumam dizer – teria que ter uma espécie de computador que praticamente tocasse o tecido do universo. Seus circuitos seriam o próprio mundo ou tudo seria feito a partir da própria consciência em contato com o todo, pois nenhuma máquina conseguiria calcular tantas coisas a não ser que ela   

Saberíamos dizer que tipo de família nos daria amor – ou traumas. Que tipo de família nos incentivaria ou, simplesmente, que tipo de família nos esqueceria.

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A vida é sorte ou azar?

Sim e não, mas com ênfase no não. Estamos sujeitos ao acaso, somos criações das probabilidades, mas não quer dizer que somos resultado do acaso, mas de uma série infinita de ações, que ainda não terminou, desde a criação do universo.

O micróbio virou alga, que virou peixe, que virou anfíbio, que virou réptil e mamíferos e somos o resultado de milhões de anos de resultados probabilísticos.

E quando me perguntam se a vida é sorte ou azar, tenho que me esforçar em tentar explicar como funciona o universo e explicar primeiramente porque o universo não vai favorece-lo só porque você quer, ou por mais que você se ache merecedora de um destino divino ele não irá te ajudar (intencionalmente).

Devo falar que há sim estudos com relação a orações e o resultado prático disso, e tudo sugere que há efeito positivo, mas isso é algo a parte.

A questão de sorte ou azar implica que há ou não benefício para uma das partes ou se espera que aconteça algo, bom ou ruim para um indivíduo, um grupo de indivíduos ou mesmo objetos, astros, ou seja, qualquer coisa.

Allan Fred Wolf disse nos anos 80 que a mente consegue interferir na matéria, disse isso pois o experimento quântico de fenda dupla altera seu resultado quando há um observador, alguém olhando, uma consciência. E essa frase distorcida anos depois criou a religião do The Secret, um pseudo documentário, digno do history channel. Nesse movimento criado era divulgado que você poderia ficar rico se quiser, basta mentalizar, o que não é verdade.

Há estudos que provam que mentalizar afeta as chances de algo acontecer, mas de forma muito sutil, nada como uma intervenção divina, divisão do mar vermelho e etc.

Fazemos parte do universo, nossos pensamentos também, e o universo está todo conectado, mas são tantas as variantes que é melhor agir do que mentalizar, mas claro, também é um bucado mais difícil, e todo mundo quer o jeito mais fácil de resolver as coisas.

Existe gente que é mais “sortuda” na vida, claro, mas isso é a gente que coloca uma qualidade, esperando que haja significado nessa sorte ou azar, mas as coisas não tem esse tipo de qualidade, pelo menos do jeito científico de olhar a vida, e isso me leva a um outro ponto.

A questão de sorte ou azar no mundo espiritual, na organização sutil do universo, invisível aos olhos “normais”, vamos falar sobre isso.

No espiritismo se acredita que nossos espíritos planejam a vida que teremos encarnado, pois ele sabe que qualidades devemos trabalhar, e isso leva em consideração sucessos e falhas, seja elas uma vez ou que dure anos, como vemos na novela ” além do tempo” de forma brilhante. Quem não viu, assista.

Não importa o que você acredita tenha algo em mente, nada é por acaso, seja ela resultado de um plano divino, seja ela resultado de uma série praticamente infinita de ações conjuntas que resultou no dia de hoje.

Somos o resultado de muito trabalho, de muita história, mas o destino a gente sabe que não é escravo, todo plano mesmo que divino pode falhar, ou melhor, seguir pela menor probabilidade, então é você que faz a sua vida ter sucesso ou não.

E não, você não vai ter sucesso 100% do tempo, se não há dificuldade não há como você se conhecer, e ser o melhor que pode ser.

*Dedicado a Aline vieira

10 coisas que nós acreditamos que nos farão felizes porém não fazem


As dez coisas que nós acreditamos que nos farão felizes, porém não fazem, é um texto do famoso monge budista francês Matthieu Ricard – que, para quem não se lembra, já foi apresentado como “o homem mais feliz do mundo” e já foi palestrante do TED sobre felicidade. Se a gente olhar bem e for sincero, vamos perceber que todos buscamos algo que está nessa lista, estamos perseguindo algo que fatidicamente não nos tornará feliz – e muitos de nós estamos atrás de mais de um dos itens (e é um pouco assombroso pensarmos que podem existir pessoas perseguindo todos esses itens).

PhD em Genética Molecular no Instituto Pasteur, Matthieu Ricard não se dedica mais à vida acadêmica, é hoje tradutor francês do XIV Dalai Lama, membro do Mind & Life Institute, dedicado a pesquisas para a compreensão científica da mente, e é o principal coordenador da Associação Karuna-Shechen, dedicada à educação e serviços de cuidado para as pessoas mais velhas. As dez coisas que nós acreditamos que nos farão felizes, mas que não fazem, segundo Matthieu Ricard, são:
1. Ser rico, poderoso e famoso.
2
. Tratar o universo como se fosse um catálogo de pedidos para os nossos caprichos e desejos
3
. Desejar a “liberdade” para fazer tudo o que vem à mente. (Isto não é ser livre, mas escravos de nossos pensamentos).
4
. Buscar constantemente nossas sensações prazerosas, uma após a outra. (as sensações de prazer rapidamente se desfazem e se tornam até chatas ou desconfortáveis).
5
. Querer nos vingar de forma maldosa de qualquer pessoa que tenha nos ferido. (ao fazer isso nós nos tornamos tão ruins quanto eles, e envenenamos nossas mentes).
6
. “Se eu tivesse tudo, certamente ficaria feliz”, ou “Se eu tiver isto ou aquilo, eu posso ser feliz.” (tais previsões não são geralmente corretas).
7
. Querer sempre ser lisonjeado e nunca enfrentar qualquer tipo de crítica. (o que não nos ajudará a progredir).
8
. Eliminar todos os seus inimigos. (A animosidade nunca nos trará a felicidade).
9
. Nunca enfrentar as adversidades. (Isto nos faz fracos e vulneráveis).
10
. Enfocar os nossos esforços em apenas cuidar de nós mesmos. (o amor altruísta e compaixão são as raízes da verdadeira felicidade).

Veja também esse outro vídeo incrível dele.

TO GO WITH AFP STORY IN FRENCH BY ANNE-MARIE LADOUES: "Matthieu Ricard: la magnificence des JO contraste avec la terreur au Tibet"-French buddhist monk and writer Matthieu Ricard poses on August 9, 2008 in Paris. Matthieu Ricard, who is also the French interpreter of the Dalai Lama, was born in 1946 in Paris. The Dalai Lama kicks off Tuesday an 11-day visit to France that threatened to spark a crisis between Paris and Beijing, until President Nicolas Sarkozy quashed speculation he would meet the Tibetan spiritual leader. AFP PHOTO OLIVIER LABAN-MATTEI (Photo credit should read OLIVIER LABAN-MATTEI/AFP/Getty Images)

_____ Fonte: Fluindo

Existe vida fora da Terra? Tudo que você precisa saber sobre vida no Universo

Quando você está em algum lugar propício para admirar as estrelas, e se a noite estiver especialmente boa para vê-las, é incrível olhar para cima e se deparar com algo semelhante à imagem acima.

Algumas pessoas ficam impressionadas pela beleza do céu, ou se deslumbram com a vastidão do universo. No meu caso, eu passo por uma leve crise existencial, e depois ajo bem estranhamente por meia hora. Cada um reage de um jeito diferente.

O físico Enrico Fermi também reagia diferente, e se perguntou: “cadê todo mundo?”

Os números

Um céu estrelado parece imenso, mas tudo o que estamos vendo é a nossa vizinhança. Nas melhores noites estreladas, nós podemos ver até 2.500 estrelas (mais ou menos um centésimo de milionésimo do total de estrelas em nossa galáxia). Quase todas estão a menos de mil anos-luz de nós (ou 1% do diâmetro da Via Láctea). Então, na verdade estamos olhando para isto:

DivulgaçãoNosso céu noturno é formado por uma pequena parte das estrelas próximas e mais brilhantes dentro do círculo vermelho.

Quando somos confrontados com o assunto de estrelas e galáxias, uma questão que atormenta a maior parte dos humanos é: “há vida inteligente lá fora?” Vamos colocar alguns números nessa questão; se você não gosta de números, pode ler só o negrito.

Nossa galáxia tem entre 100 bilhões e 400 bilhões de estrelas; no entanto, este é quase o mesmo número de galáxias no universo observável. Então, para cada estrela da imensa Via Láctea, há uma galáxia inteira lá fora. No total, existem entre 10^22 e 10^24 estrelas no universo. Isso significa que para cada grão de areia na Terra, há 10.000 estrelas no universo.

O mundo da ciência não está em total acordo sobre qual porcentagem dessas estrelas são parecidas com o Sol (similares em tamanho, temperatura e luminosidade). As opiniões tipicamente vão de 5% a 20%. Indo pela mais conservadora (5%) e o número mais baixo na estimativa total de estrelas (10^22), isso nos dá 500 quintilhões, ou 500 bilhões de bilhões de estrelas similares ao Sol.

Também há um debate sobre qual porcentagem dessas estrelas similares ao Sol poderiam ser orbitadas por planetas similares a Terra (com condições parecidas de temperatura, que poderiam ter água líquida e que poderia sustentar vida similar à da Terra). Alguns dizem que é até 50%, mas vamos ficar com os conservadores 22% que apareceram em um recente estudo no PNAS. Isso sugere que há um planeta similar à Terra, potencialmente habitável, orbitando pelo menos 1% do total de estrelas do universo: um total de 100 bilhões de bilhões de planetas similares à Terra.

Então existem 100 planetas parecidos com a Terra para cada grão de areia do mundo. Pense nisso na próxima vez que for à praia.

Daqui para a frente, nós não temos outra escolha senão sermos especulativos. Vamos imaginar que, depois de bilhões de anos de existência, 1% dos planetas parecidos com a Terra tenham desenvolvido vida (se isso for verdade, cada grão de areia representaria um planeta com vida). E imagine que em 1% desses planetas avance até o nível da vida inteligente, como aconteceu na Terra. Isso significaria que teríamos 10 quatrilhões, ou 10 milhões de bilhões de civilizações inteligentes no universo observável.

Voltando para a nossa galáxia e fazendo as mesmas contas usando a estimativa mais baixa de estrelas na Via Láctea, estimamos que existem 1 bilhão de planetas similares à Terra, e 100 mil civilizações inteligentes na nossa galáxia. (A Equação de Drake traz um método formal para esse processo limitado que estamos fazendo).

A SETI (Busca por Inteligência Extraterrestre, na sigla em inglês) é uma organização dedicada a ouvir sinais de outras vidas inteligentes. Se nós estivermos certos e houver 100 mil ou mais civilizações inteligentes na nossa galáxia, uma fração delas estaria emitindo ondas de rádio, ou raios laser, ou qualquer coisa para realizar contato. Então os satélites da SETI deveria estar recebendo sinais de todo tipo, certo?

Mas não está. Nunca recebeu.

Cadê todo mundo?

 

Tipos de civilização

E tudo fica mais estranho. Nosso Sol é relativamente jovem em relação ao universo. Há estrelas muito mais velhas, com planetas muito mais velhos e semelhantes à Terra, o que em teoria representaria civilizações muito mais avançadas que a nossa. Por exemplo, vamos comparar nossa Terra de 4,54 bilhões de anos com um hipotético planeta X, com seus 8 bilhões de anos.

Divulgação

Se o planeta X tiver uma história similar a da Terra, vamos olhar para onde sua civilização estaria hoje:

DivulgaçãoHoje, o Planeta X estaria a 3,46 bilhões de anos de desenvolvimento além do que temos hoje.

A tecnologia e o conhecimento de uma civilização mil anos à nossa frente poderia ser tão chocante quanto nosso mundo seria para uma pessoa medieval. Uma civilização um milhão de anos à frente poderia ser tão incompreensível para nós quanto a cultura humana é para chimpanzés. E o planeta X está a 3.4 bilhões de anos à frente de nós…

Existe algo chamado de Escala Kardashev, que nos ajuda a agrupar civilizações inteligentes em três grandes categorias, de acordo com a quantidade de energia que usam:

  • uma Civilização Tipo I tem a habilidade de usar toda a energia de seu planeta. Nós não somos exatamente uma Civilização Tipo I, mas estamos perto (Carl Sagan criou uma fórmula para essa escala que nos coloca como uma Civilização Tipo 0,7);
  • uma Civilização Tipo II pode colher toda a energia de seu sistema solar. Nosso débil cérebro Tipo I mal consegue imaginar como alguém faria isso, mas nós tentamos nosso melhor, imaginando coisas como a Esfera de Dyson.
  • uma Civilização Tipo III ultrapassa fácil as outras duas, acessando poder comparável ao da Via Láctea inteira.

Se esse nível de avanço parece difícil de acreditar, lembre-se do planeta X e de seus 3,4 bilhões de anos de desenvolvimento além do nosso (cerca de meio milhão de vezes mais do que o tempo que a raça humana existe). Se uma civilização no planeta X for similar à nossa e foi capaz de sobreviver até chegar no Tipo III, é natural pensar que a essa altura eles provavelmente já dominaram a viagem interestelar, possivelmente até mesmo colonizando a galáxia inteira.

Como essa colonização galáctica teria acontecido? Uma hipótese: cria-se um maquinário que pode viajar para outros planetas, passam-se uns 500 anos se auto-replicando usando os materiais que encontrarem no novo planeta, e então enviam-se duas réplicas para fazerem a mesma coisa.

Mesmo sem alcançar nada perto da velocidade da luz, esse processo colonizaria a galáxia inteira em 3,75 milhões de anos, relativamente um piscar de olhos quando estamos falando de uma escala de bilhões de anos:

Divulgação

Nesta evolução exponencial, a galáxia estaria completamente colonizada em 3,75 milhões de anos. Fonte: J. Schombert, U. Oregon

Continuando a especular, se 1% da vida inteligente sobreviver tempo suficiente para se tornar uma colonizadora de galáxias Civilização Tipo III em potencial, nossos cálculos acima sugerem que haveriam mil Civilizações Tipo III só em nossa galáxia. Dado o poder de tal civilização, sua presença provavelmente seria fácil de se notar. E, ainda assim, nós não vemos nada, não ouvimos nada e não fomos visitados por ninguém.

Então cadê todo mundo?

Sejam bem-vindos ao Paradoxo de Fermi.

Ainda não há uma resposta para o Paradoxo de Fermi. O melhor que podemos fazer é conseguir “explicações possíveis”. E se você perguntar a dez cientistas diferentes qual o palpite deles sobre a explicação correta, você terá dez respostas diferentes. Sabe quando humanos de antigamente discutiam se a Terra era redonda, ou se o Sol girava em torno da Terra, ou achavam que os raios aconteciam por causa de Zeus? Por isso, hoje eles parecem primitivos e ignorantes; no entanto, esse é mais ou menos o ponto em que estamos neste assunto.

Ao analisar as hipóteses mais discutidas sobre o Paradoxo de Fermi, vamos dividi-las em duas grandes categorias: as explicações que supõem que não há sinal de Civilizações Tipo II e III porque elas não existem; e as explicações que sugerem que elas estão lá, só que não estamos vendo ou ouvindo nada por outros motivos.

Grupo 1 de Explicações: não há sinais de civilizações superiores (Tipos II e III) porque elas não existem.

Aqueles que acreditam em explicações do Grupo 1 recusam qualquer teoria do tipo “existem civilizações maiores, mas nenhuma delas fez qualquer tipo de contato conosco porque todas _____”. O pessoal do Grupo 1 vê os números, entende que deveria haver milhares (ou milhões) de civilizações superiores, e intui que pelo menos uma delas deveria ser a exceção à regra. Mesmo se uma teoria abarcasse 99,99% das civilizações superiores, o 0,001% restante se comportaria de alguma outra forma e nós perceberíamos sua existência.

Por isso, dizem as explicações do Grupo 1, não entramos em contato com civilizações superavançadas porque porque não existem. Como a matemática sugere que existem milhares delas só na nossa galáxia, alguma outra coisa deve estar acontecendo.

Essa “outra coisa” é o Grande Filtro.

A teoria do Grande Filtro diz que, em algum ponto entre o início da vida e a inteligência Tipo III, há uma barreira. Há algum estágio naquele longo processo evolucionário que é improvável ou impossível de ser atravessado pela vida. Esse estágio é chamado de O Grande Filtro.

DivulgaçãoAs linhas amarelas mostram saltos evolucionários comuns de serem alcançados. A linha vermelha é o Grande Filtro. A linha verde representa uma espécie que, passando por eventos extraordinários, consegue ultrapassar o Grande Filtro.

Se essa teoria for real, a grande questão é: quando acontece o Grande Filtro na linha do tempo?

Acontece que, quando o assunto é o destino da humanidade, essa questão é muito importante. Dependendo de quando O Grande Filtro ocorre, sobram para nós três possíveis realidades: nós somos raros; nós somos os primeiros; ou nós estamos ferrados.

1. Nós somos raros (já passamos do Grande Filtro)

Uma esperança é que já tenhamos passado do Grande Filtro. Nós conseguimos atravessá-lo, portanto é extremamente raro que a vida alcance nosso nível de inteligência. O diagrama abaixo mostra apenas duas espécies passando por ele; nós somos uma delas.

Divulgação

Esse cenário explicaria por que não existem Civilizações Tipo III… mas isso também poderia significar que nós podemos ser uma das exceções, já que chegamos até aqui. Isso significaria que há esperança para nós. Superficialmente, isso parece com as pessoas de meio século atrás, sugerindo que a Terra é o centro do universo. Sugere que nós somos especiais.

Mas se nós somos especiais, quando exatamente nos tornamos especiais? Isto é, qual passo nós superamos, apesar de quase todo mundo ficar preso nele?

Uma possibilidade: o Grande Filtro pode estar no comecinho de tudo; pode ser incrivelmente raro que a vida comece. Esse é um candidato porque demorou um bilhão de anos para a vida na Terra finalmente acontecer, e porque nós tentamos exaustivamente replicar esse evento em laboratórios e jamais conseguimos. Se este é mesmo o Grande Filtro, isso significaria que não deve existir vida inteligente lá fora – pode simplesmente não haver vida.

Outra possibilidade: o Grande Filtro pode ser o salto de células procariontes simples para células eucariontes complexas. Após o surgimento das procariontes, elas permaneceram dessa forma por quase dois milhões de anos antes de darem o salto evolucionário para se tornarem complexas e ganharem um núcleo. Se esse é o Grande Filtro, isso significaria que o universo está repleto de células procariontes simples e quase nada além disso.

Há outras possibilidades. Alguns acham até que nosso salto evolucionário mais recente, alcançando nossa inteligência atual, é um candidato a Grande Filtro. Ainda que o salto de vida semi-inteligente (chimpanzés) até a vida inteligente (humanos) a princípio não pareça um passo miraculoso, Steven Pinker rejeita a ideia de que a “escalada ascendente” da evolução seja inevitável:

Uma vez que a evolução apenas acontece, sem ter um objetivo, ela usa a adaptação mais útil para um certo nicho ecológico. O fato que, na Terra, até hoje isso levou a inteligência tecnológica apenas uma vez, pode sugerir que essa consequência da seleção natural é rara e, consequentemente, não é um desenvolvimento infalível da evolução de uma árvore da vida.

A maioria dos saltos não se qualifica como candidatos a Grande Filtro. Qualquer Grande Filtro possível deve ser algo que só acontece uma vez em um bilhão, onde uma ou mais anomalias devem ocorrer para proporcionar uma enorme exceção.

Por esse motivo, algo como pular de uma vida unicelular para uma multicelular está fora de questão como filtro, porque isso aconteceu pelo menos 46 vezes em incidentes isolados, só no nosso planeta. Pela mesma razão, se nós encontrarmos uma célula eucarionte fossilizada em Marte, ela iria tirar o salto “de-célula-simples-para-complexa” da lista de possíveis Grandes Filtros (assim como qualquer outra coisa que esteja antes desse ponto na cadeia evolucionária). Se isso aconteceu tanto na Terra quanto em Marte, claramente não é uma anomalia.

Se nós formos mesmo raros, isso pode ser por causa de um acidente biológico, mas isso também pode ser atribuído ao que se chama de Hipótese da Terra Rara. Ela sugere que, ainda que existam muitos planetas similares a Terra, as condições particulares do nosso planeta o tornam tão conveniente à vida — sejam as relacionadas a seu sistema solar, seu relacionamento com a Lua (uma lua tão grande é incomum para um planeta tão pequeno, contribuindo para as condições peculiares de nosso clima e nosso oceano), ou algo sobre o planeta em si.

2. Nós somos os primeiros

DivulgaçãoA civilização humana é representada pela linha laranja.

Para pensadores do Grupo 1, se já não tivermos passado pelo Grande Filtro, nossa única esperança é que, do Big Bang até hoje, as condições no universo estão alcançando um nível que permita o desenvolvimento de vida inteligente. Nesse caso, nós podemos estar a caminho da super inteligência, mas isso ainda não aconteceu. Por acaso, nós estaríamos na hora certa para nos tornarmos uma das primeiras civilizações super inteligentes.

Um exemplo de um fenômeno que poderia tornar isso realístico é o predomínio de explosões de raios gama, detonações absurdamente imensas que observamos em galáxias distantes. Levou algumas centenas de milhões de anos para que os asteróides e vulcões se acalmassem e a vida se tornasse possível.

Da mesma forma, pode ser que o começo das existências no universo esteja cheio de eventos cataclísmicos, como explosões de raios gama que incinerariam tudo à sua volta de tempos em tempos, evitando que qualquer vida se desenvolva a partir de um certo estágio. Talvez estejamos agora no meio de uma fase de transição astrobiológica, e essa seja a primeira vez que qualquer vida tenha sido capaz de se desenvolver ininterruptamente por tanto tempo.

3. Nós estamos ferrados (o Grande Filtro está chegando)

Divulgação

O Grande Filtro é representado pela linha vermelha.

Se nós não somos nem raros nem pioneiros, os pensadores do Grupo 1 concluem que O Grande Filtro deve estar no nosso futuro. Isso implicaria que a vida frequentemente evolui até onde estamos, mas alguma coisa impede, em quase todos os casos, que a vida vá muito adiante e alcance a inteligência avançada — e dificilmente nós seremos uma exceção.

Um possível Grande Filtro seria algum evento cataclísmico que ocorra regularmente, como as já mencionadas explosões de raio gama. Só que ela ainda não teria ocorrido e, infelizmente, é uma questão de tempo até que ela acabe com toda a vida na Terra. Outra candidata é a destruição possivelmente inevitável que quase todas as civilizações inteligentes acabariam trazendo para si mesmas, uma vez atingido certo nível de tecnologia.

É por isso que o filósofo Nock Bostrom, da Universidade de Oxford, diz que “boa novidade é não haver novidade“. Se descobrirem vida em Marte, mesmo que simples, isso seria devastador, porque eliminaria diversos potenciais Grandes Filtros no passado. E se encontrarmos fósseis de vida complexa em Marte, Bostrom diz que “seria a pior notícia já impressa em uma primeira página de jornal”, porque significaria que o Grande Filtro está quase que definitivamente à nossa frente, condenando toda nossa espécie de uma vez. Bostrom acredita que, quando se trata do Paradoxo de Fermi, “o silêncio do céu noturno é ouro”.

Grupo 2 de Explicações: civilizações inteligentes dos Tipos I e II existem, mas há razões lógicas para que não tenhamos ouvido falar delas.

As explicações do Grupo 2 abandonam qualquer ideia de que nós somos raros, especiais ou qualquer coisa parecida. Pelo contrário, elas acreditam no Princípio da Mediocridade: ou seja, até que se prove o contrário, não há nada de especial ou incomum em nossa galáxia, sistema solar, planeta ou nível de inteligência. Além disso, elas são mais cautelosas antes de assumir que, se não há evidências de uma inteligência superior, ela não existe. Elas enfatizam o fato de nossas buscas por sinais só alcançarem mais ou menos até 100 anos-luz de nós (0,1% da galáxia) e só terem ocorrido há menos de uma década, o que é pouquíssimo tempo.

Pensadores do Grupo 2 têm uma ampla gama de possíveis explicações para o Paradoxo de Fermi. A seguir, eis as nove mais discutidas:

Possibilidade 1: a vida superinteligente pode ter visitado a Terra antes de estarmos aqui. Humanos sencientes só estão por aí há uns 50 mil anos, um piscar de olhos se comparado à existência do universo. Se o contato ocorreu antes disso, deve ter assustado alguns patos e só. Além disso, nossa história documentada só vai até uns 5.500 anos atrás. Por isso, talvez tribos humanas de caçadores-coletores pode ter passado por algumas experiências loucas com aliens, mas não tinham como contá-las para as pessoas do futuro.

Possibilidade 2: a galáxia foi colonizada, mas nós moramos em uma área despovoada. As Américas podem ter sido colonizadas pelos europeus muito antes de qualquer um daquela pequena tribo Inuit ao norte do Canadá ter percebido o ocorrido. Pode haver um elemento de urbanização nas moradias estelares das espécies mais avançadas: todos os sistemas solares de uma certa área são colonizados e estão em comunicação, mas seria pouco prático e inútil pra qualquer um deles vir até o canto distante e aleatório em que vivemos.

Possibilidade 3: todo o conceito de colonização física é comicamente atrasado para uma espécie mais avançada. Uma Civilização Tipo II consegue usar toda a energia de sua estrela. Com toda essa energia, eles podem ter criado um ambiente perfeito para eles, satisfazendo todas as suas necessidades. Eles podem ter meios hiperavançados de reduzir a necessidade de recursos, e interesse zero em deixar sua utopia feliz para explorar um universo frio, vazio e pouco desenvolvido.

Uma civilização ainda mais avançada poderia ver todo o mundo físico como um lugar horrivelmente primitivo, tendo há muito dominado sua própria biologia e feito upload de seus cérebros para uma realidade virtual, um paraíso da vida eterna. Viver em um mundo físico de biologia, morte, desejos e necessidades pode soar para eles da mesma forma como nos soam as espécies primitivas vivendo no oceano escuro e gelado.

Possibilidade 4: há civilizações predatórias e assustadoras lá fora, e as formas de vida mais inteligentes sabem que não devem transmitir sinais e divulgar sua localização. Essa é uma ideia desagradável, mas que ajudaria explicar a falta de sinais recebidos pelos satélites SETI. Ela também significaria que, ao transmitir nossos sinais lá pra fora, estamos sendo novatos inocentes e descuidados. Há um debate envolvendo METI (Mensagem às Inteligências Extraterrestes na sigla em inglês; o inverso de SETI, que só escuta). Basicamente, deveríamos mesmo enviar mensagens para o universo? A maioria das pessoas diz que não.

Stephen Hawking adverte: “se aliens nos visitarem, o resultado pode ser parecido com a chegada de Colombo nas Américas, que não terminou bem para os nativos”. Mesmo Carl Sagan, que geralmente acredita que qualquer civilização avançada o bastante para viagens interestelares seria altruísta, não hostil, diz que a prática de METI é “profundamente imprudente e imatura“, e recomendou que “as crianças mais novas de um cosmo estranho e incerto deveriam ouvir em silêncio por um longo tempo, aprendendo pacientemente e tomando notas sobre o universo, antes de gritar para uma selva desconhecida que não conseguimos compreender”. Assustador.

Possibilidade 5: existe apenas uma única inteligência superior, uma civilização “superpredadora” (mais ou menos como os humanos aqui na Terra) que é muito mais avançada que todas as outras e mantém as coisas assim, exterminando qualquer civilização que ultrapasse um certo nível de inteligência. Isso seria um saco. Poderia funcionar se o extermínio de todas as inteligências emergentes fosse um desperdício de recursos, já que a maioria se mata sozinha. Mas, ultrapassado um certo ponto, esses super seres agiriam porque, para eles, uma espécie inteligente emergente se tornaria um vírus, conforme começasse a crescer e se expandir. Essa teoria sugere que a vitória é de quem foi o primeiro a alcançar a inteligência superior. Ninguém mais tem chance. Isso explicaria a falta de atividade lá fora, porque o número de civilizações superinteligentes seria 1.

Possibilidade 6: há muito barulho e atividade lá fora, mas nossas tecnologias são muito primitivas e nós estamos procurando pelas coisas erradas. É como entrar em um prédio de escritórios, ligar um walkie-talkie (que ninguém mais usa) e, ao não ouvir nada, concluir que o prédio está vazio. Ou talvez, como apontou Carl Sagan, pode ser que nossas mentes trabalhem exponencialmente mais rápido ou mais lentamente do que a de qualquer outra forma de vida lá fora. Ou seja, eles levam 12 anos pra dizer “oi” e, quando nós ouvimos essa comunicação, isso parece apenas ruído.

Possibilidade 7: civilizações mais avançadas sabem sobre nós e estão nos observando, mas se ocultam de nós (a “Hipótese do Zoológico”). Até onde sabemos, civilizações super inteligentes existem em uma galáxia controlada rigidamente, e nossa Terra é tratada como parte de um safári amplo e protegido, e planetas como o nosso estão sob uma estrita regra de “olhe, mas não toque”. Nós não estamos cientes deles porque, se uma espécie muito mais inteligente quisesse nos observar, ela saberia como fazer isso sem nos deixar saber. Talvez haja uma regra similar à “Primeira Diretriz” de Jornada nas Estrelas, que proíbe seres super inteligentes de fazerem qualquer contato aberto com espécies inferiores como a nossa, ou de se revelarem de qualquer forma, até que a espécie inferior alcance um certo nível de inteligência.

Possibilidade 8: civilizações superiores existem à nossa volta, mas somos primitivos demais para percebê-las. Michio Kaku resumiu isso assim:

Digamos que há um formigueiro no meio da floresta. Ao lado do formigueiro, estão construindo uma super autoestrada de dez faixas. E a questão é, “as formigas seriam capazes de entender o que é uma super autoestrada de dez faixas? Elas seriam capazes de entender a tecnologia e as intenções dos seres construindo a autoestrada a seu lado?”

Então não é que, usando nossa tecnologia, não sejamos capazes de receber os sinais do planeta X. É que nós não conseguimos sequer entender o que são os seres do planeta X, ou o que eles estão tentando fazer. É tão além de nós que mesmo se eles quisessem nos esclarecer, seria como tentar ensinar às formigas sobre a internet.

Seguindo essa linha, essa pode ser uma resposta para “se existem tantas exuberantes Civilizações Tipo III, por que ainda não entraram em contato conosco?”. Para responder isso, vamos nos perguntar: quando Pizarro chegou ao Peru, ele parou um tempo em um formigueiro e tentou se comunicar com ele? Ele foi magnânimo, tentando ajudar as formigas? Ele foi hostil e atrasou sua missão original só para esmagar e destruir o formigueiro? Ou, para Pizarro, o formigueiro era completa e absoluta e eternamente irrelevante? Essa pode ser a nossa situação nesse caso.

Possibilidade 9: nós estamos completamente enganados sobre nossa realidade. Há muitas maneiras pelas quais nós podemos estar totalmente iludidos em tudo que pensamos. O universo pode parecer ser de um jeito e ser de outro completamente diferente, como um holograma. Ou talvez nós sejamos os alienígenas e fomos plantados aqui como um experimento. Há até mesmo a chance de que sejamos parte de uma simulação de computador de algum pesquisador de outro mundo, e outras formas de vida simplesmente não foram programadas na simulação.

Conclusão

Conforme continuamos em nossa possivelmente inútil busca por inteligência extraterrestre, eu não tenho certeza o que queremos encontrar. Francamente, tanto faz saber se estamos oficialmente sozinhos no universo ou se estamos oficialmente na companhia de outros, ambas são opções assustadoras. É um tema recorrente em todos os enredos surreais acima: qualquer que seja a verdade, ela é de enlouquecer.

Além de seu chocante ingrediente de ficção científica, o Paradoxo de Fermi também me deixa profundamente humilde. Não só lembra que sou microscópico e minha existência dura uns três segundos, algo que me vem à cabeça sempre que penso sobre o universo. O Paradoxo de Fermi traz à tona uma humildade mais mordaz, mais pessoal, do tipo que só acontece depois de passar horas de pesquisa ouvindo os mais renomados cientistas de nossa espécie apresentando as teorias mais insanas, mudando de ideia e contradizendo um ao outro freneticamente. Ele nos faz lembrar que as futuras gerações olharão para nós da mesma forma que nós olhamos para os antigos, que tinham certeza que as estrelas estavam sob o domo do céu; no futuro, lembrarão de nós dizendo “uau, eles não tinham ideia nenhuma do que estava acontecendo”.

E ainda temos mais outro golpe à autoestima com todo esse assunto de Civilizações Tipos II e III. Aqui na Terra, nós somos os reis de nosso pequeno castelo, comandando os rumos do planeta mais do que qualquer outra espécie. Nessa bolha, sem competição e sem ninguém para nos julgar, é raro que sejamos confrontados com a ideia de sermos uma espécie inferior a qualquer outra. Mas não somos nem uma Civilização Tipo I!

Dito isso, toda essa discussão é maravilhosa para mim. Sim, tenho minha perspectiva de que a humanidade é uma órfã solitária em uma pequena rocha no meio de um universo solitário. Mas as hipóteses apontam que provavelmente não somos tão espertos como pensamos. Além disso, muito do que temos certeza pode estar errado. Tudo isso me deixa esperançoso em conhecer e descobrir mais, nem que seja um pouquinho, porque existem muito mais coisas do que nós temos consciência.

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Os “vingadores online” estão de olho em você. Entenda como comentários preconceituosos podem destruir sua vida

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Milhares de pessoas mundo sofrem comentários homofóbicos, xenofóbicos ou simplesmente ofensivos todos os dias, e uma grande parte delas não sabe o que fazer ou como reagir, perpetuando assim uma cultura negativa e de certa forma facilitando ações e pensamentos preconceitosos.

Em 2013, uma mulher chamada Justine Sacco antes de pegar um voo muito longo dos EUA até a África do Sul, fez o seguinte comentário no Twitter: –“Going to Africa. Hope I don’t get AIDS. Just kidding. I’m white!”, traduzindo seria- “Indo pra Africa, espero não pegar AIDS, Brincadeira, eu sou branca!

E esse comentário foi retwitado por um escritor de um site famoso de tecnologia, Sam Biddle, e isso virou assunto na internet rapidamente, sendo que já estavam pedindo pra alguém tirar uma foto dela quando ela chegasse no solo, pois tudo isso aconteceu enquanto ela estava no avião, ou seja, ela nem sabia que tinha virado simbolo de preconceito e humor negro.

Ela acabou perdendo seu emprego e namorado, tudo isso por causa de um comentário, um outro caso um pouco diferente, mas que envolve uma vingança online é o de uma menina que jogava online e foi ameaçada de estupro pelos jogadores, ela fez o que ninguém pensaria, achou as mães dos jogadores e as notificou dos comentários infelizes de seus filhos, uma vingança do bem?

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O homem que viveu 256 anos

Li Ching-Yun se exercitava todos os dias e se alimentava em horários regulares

Li não consumia bebidas alcoólicas e nem fumava (Foto: Reprodução)

O chinês Li Ching-Yuen, também conhecido como Li Ching-Yun, possivelmente foi o homem que viveu mais tempo na Terra, chegando aos 256 anos. Ao longo da vida, perdeu 23 esposas e supera de longe a francesa Jeanne Calment que morreu com 122 anos e 164 dias, considerada a pessoa que mais viveu.

Li-Ching era de Qi Jiang Xian, na província de Szechuan, e de acordo com alguns registros, o chinês nasceu em 1677. Sobre a longevidade de Yun, descobriram que ele era um médico especialista em ervas medicinais, mestre de qigong e consultor tático. Dizia que o segredo para uma vida longa é manter o coração calmo, sentar como uma tartaruga, andar alegre como um pombo e dormir como um cão. A frase jamais foi esquecida por Wu Pei-Fu, um senhor da guerra chinês que teve grande influência no país entre 1916 e 1927.

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Envelhecer, e o Espaço Insuficiente

A memória humana é registrada de várias maneiras, mas todas envolvem os sentidos. Sentimos o cheiro de cachoeira e lembramos aquela em que fomos aos 8 anos com a família em uma cidade já esquecida do interior, um dia sentindo o sol forte do meio dia lembramos dos dias em que jogávamos o dia inteiro sem pensar no amanhã em algum lugar com os amigos.

Eu, por ter um irmão gêmeo, posso ainda acrescentar algo muito palpável a como a memória funciona. Já que a memória funciona através de sentidos e sentimentos, logo as pessoas que tiveram as sensações parecidas ao passar por um mesmo cheiro, ou situação por exemplo, iria lembrar das mesmas coisas se elas tivessem tido a mesma experiência lembrada, como no programa infantil Bananas de Pijama, quando o B1 perguntava para o B2 se ele estava pensando o mesmo que ele. Isso realmente acontece em gêmeos, pois são tantas as memórias que se tem parecidas, por crescereem juntos e acaba que suas lembranças são as mesmas em muitas ocasiões.

Outro fato relevante é ver como esquecemos memórias recém adquiridas de coisas que fazemos todos os dias como por exemplo trancar a porta de casa, fechar o carro, puxar o freio de mão, e por aí vai.

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O que é a vida? – parte 2

Desculpem a demora, mas vamos continuar a falar sobre o que é a vida, segundo o livro do Capra. Segundo ele, para haver vida deve haver três critérios fundamentais:

  • Padrão de organização: Mais do que os materiais que a compõe, o que importa é o padrão de organização dos elementos. Pensem por exemplo em uma cadeira. Ela pode ser feita de vários materiais, e pode ter design diferentes, mas ainda possui um certo padrão comum. O padrão de organização da vida é chamado de autopoiese. a palavra poiese significa criação. Ou seja, os processos que definem a vida são processos de auto-criação. Esse padrão se dá em rede, ou seja, cada componente participa da criação dos outros. a rede de processos celulares, por exemplo, atua na produção de substâncias que vão colaborar para a continuidade dos processos vitais da própria célula;
  • Estrutura: O sistema vivo é composto pelo que se chama estruturas dissipativas. Elas são baseadas na sintropia, a teoria de Prigogine, tal como discutimos no post anterior (para ver, clique aqui). Tais estruturas são fluidas, mais ou menos constantes, e dependem de um constante fluxo de matéria e energia para se manterem. Já ouviram falar que cada célula se reconstrói constantemente, e que renovamos parte dos materiais que compõe nosso corpo? Com o tempo ingerimos água e nutrientes, e eliminamos o que não é mais necessário, as células renovam suas substâncias. é como se cada dia fossemos uma pessoa diferente, mas nossa estrutura se mantém mais ou menos constante.
  • Processo vital: Capra reconhece junto com os teóricos que aborda que a vida, enquanto sistema dinâmico, e um processo de cognição, ou seja, de conhecimento. A cognição e a incorporação de um padrão autopoiético em uma estrutura dissipativa.

Creio que o sentido do que eu disse acima ficou meio complicado. Vamos dar um exemplo. Pegue várias fotos antigas de você, desde bebê até agora. coloque-as em ordem cronológica. Você é um organismo vivo, cresceu muito com o tempo. Mas se olhar bem, notará a permanência de algum padrão. O rosto, por exemplo. Se se lembrar de seu comportamento, vera que mantém alguns trejeitos desde a infância. Como isso acontece? Com o tempo, as moléculas que compunham seu corpo mudaram,e mesmo a organização dele mudou. As mudanças não são totalmente aleatórias, elas seguem um padrão, que não está totalmente pronto desde o início, mas um padrão que se recria com o tempo. É assim também que conhecemos as coisas. Vocês, por exemplo, poderiam ter chegado a esse texto procurando exatamente tais teorias, mas pode ter chegado aqui através de uma série de “acidentes”. Você poderia estar à toa no Facebook, visto algum comentário sobre a postagem e resolvido entrar. Mas isso não e totalmente aleatório, pois esse assunto talvez faça parte dos seus interesses. Você logo se sentiu atraído pelo tema.

Ou seja, há um padrão cognitivo, uma rede de informações que se recria e que a cada momento. Para Capra, baseando-se de cientistas como Maturana e Bateson, a vida é o próprio processo de cognição. Cognição é o processo de conhecimento. Conhecer não é apenas ver um mundo, mas criá-lo. Por exemplo, parem um momento de ler esse texto, olhem em volta e fixem seu olhar em um determinado objeto. Qual é seu tamanho? Você pode comparar as medidas usando uma escala universal, como o metro, ou medi-la comparando com outro objeto, ou com alguma parte de seu corpo, medindo em palmos, por exemplo. O objeto pode ser conhecido, e ter uma função comum (usado para escrever – caneta, para se tomar líquido – um copo, o que quer que seja). quanto mais olhamos para o objeto, vemos que nunca teremos uma visão pura deste, mas que  a percepção dele depende também de nosso corpo, da forma como somos compostos enquanto seres vivos. Temos boa acuidade visual, então nossa percepção desse objeto acaba sendo basicamente visual. a sensação de peso, as cores, a temperatura, tudo, todas as sensações não são objetivas, elas dão mais que o objeto para nós, elas dão também uma noção de como somos. Ou seja, em parte, criamos o objeto. É assim que acontece também no reino animal.

Os filósofos citam como exemplar dessa questão da construção do mundo pelo ser vivo o carrapato. Ele possui órgãos sensoriais para somente três coisas: a variação de luz, a temperatura e o odor do animal. Ele recria um mundo único para sua espécie a partir dessas três sensações. Nada fora disso o afeta (claro que podemos pegá-lo e espremê-lo entre os dedos, mas esse fato não conta diretamente em seu mundo, não existe para seu mundo). ser vivo é cognição, ou seja, nas palavras de Capra, “autogeração e autoperpetuação de redes autopoiéticas”.

Um exemplo: a célula absorve nutrientes e expele toxinas, cria e recria substâncias que lhe são necessárias, readapta-se quando sobre danos, regenera-se quando o dano não é grave, se duplica, e tem certo poder de adaptação a mudanças ambientais. Está ai o que Capra quis dizer nesse trecho.

Compreender a vida dessa maneira é mudar totalmente o paradigma pelo qual compreendemos nossa forma de viver. Somos seres vivos, e estamos, juntos com os outros animais e plantas, conectados a uma gigante rede autopoiética, Gaia. a hipótese Gaia sugere que todos os seres vivos do planeta compõem um ser maior, e que as redes de relações entre todos são responsáveis pela manutenção da vida em todo o planeta. Logo, se Gaia é um Imenso organismo, e o homem poderia ser considerado um tipo de célula inserida nesse processo, só podemos chegar a conclusão de que Gaia está com câncer, e que este somo nós. Crescemos desordenadamente e absorvemos recursos de forma descontrolada, desequilibrando tudo. que essas novas concepções possam servir de aviso a todos, pois assim podemos nos enxergar como parte de todo um conjunto  interdependente entre si.

 

O que é a vida? – parte 1

Olá a todos, peço desculpas pois dessa vez vou me meter a falar um pouco sobre biologia. Espero que os biólogos leitores possam contribuir com a discussão, e apontar os erros, inconsistências e mesmo discordâncias. Na verdade, não vou aqui definir o que é a vida, mas falar de um conjunto de teorias muito interessantes que, além de esclarecerem aspectos interessantes sobre o que define a vida, contribuem muito para a psicologia, mesmo que não haja muitos estudos nesse sentido. Como sempre, não consigo fazer textos muito curtos, então dividi o tópico em partes.

Muita gente conhece Fritjof Capra, físico que escreveu “O ponto de Mutação” e “O Tao da Física”, que falam principalmente da influência das filosofias orientais na ciência ocidental. Mas pouco ouvi na internet se falar do seu livro “A teia da Vida” (para ler, clique aqui), que mostra diversas pesquisas e teorias importantes sobre como definir isso que chamamos de vida, cujo surgimento fez de nosso planeta algo raro no universo (claro que há aqui controvérsias, para quem estuda sobre vidas extra-terrenas. Mas  mesmo que haja muita vida fora daqui sua ocorrência ainda é muito pequena, dada a imensidão do universo). ele nos mostra uma nova compreensão dos processos inerentes à vida.

Quando Vemos uma célula em funcionamento, percebe-se que nela ocorrem várias reações químicas. Por muito tempo a vida foi compreendida como sendo na verdade um conjunto de reações físicas e químicas, e que era só compreender essas que entenderíamos o que era a vida. Mas estudos mostraram que as leis de causa e efeito, que se percebe nas reações químicas, não são suficientes para compreendermos a vida.

Pensem na Segunda lei da termodinâmicaque diz que a entropia de um sistema tende a um valor máximo. Entropia significa a forma como a energia e a matéria se encontram distribuídas em um sistema. Um aumento da entropia, até seu desequilíbrio, indica um aumento da “desordem” do sistema, ou seja, aumenta-se o nível de energia que não pode ser mais convertida em trabalho, e o sistema entra em equilíbrio. Quando eu jogo uma bolinha para o alto, ela está carregada de energia potencial, que é convertida em cinética. Ao cair, parte da energia vira reação ao choque, outra parte barulho, outra parte calor, até que a bolinha para. O sistema está em equilíbrio, e se deixarmos el lá, nada acontecerá, a não ser que outra força aja sobre ela.

Na química também é assim, o sistema tende para uma maior entropia, até que a reação cessa. Dessa forma, a entropia não permitiria a formação da vida. a célula mantém reações químicas constantes, necessita de uma grande entrada de energia no sistema, mas consegue por si própria “buscar” essa energia no ambiente e manter suas reações.

Segundo o químico ganhador do Nobel Ilya Prygogine, além da entropia existe a sintropia, princípio oposto, no qual determinado sistema, se energizado, tende a níveis de organização mais complexos. Na natureza, temos essa estruturação no redemoinho de água que desce por uma pia. As forças físicas e gravitacionais entram em uma relação que chamamos de retroalimentação (a reação estimula sua própria continuidade). Enquanto houver um determinado nível de água, a estrutura do redemoinho se mantém, depois disso, a entropia domina, e ele se desmancha.

Na vida também é assim. A célula, ao receber glicose, oxigênio e outras substâncias, consegue por si própria manter e aumentar mais sua estrutura, conforme seu código genético. Se não há mais água e comida, a entropia domina, e ela morre. Porém, há uma grande diferença entre o redemoinho de água e a vida. A vida tem o que se chama de autopoiese. significa que ela, por si mesma, cria novas formas, se recria constantemente. Essa noção é essencial par compreendermos o que é a vida, e o que Capra diz em seu livro. Mas vamos continuar isso em outro post (para ler, clique aqui).

Uma Engraçada e Ótima Entrevista com o Astrofísico Neil deGrasse Tyson

Tenha muitas dúvidas suas eliminadas pelo Astrofísico com muito humor.

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