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Documentário: Da Servidão Humana

A dublagem não está muito boa, mas o conteúdo do documentário é demolidor. Ele relata dolorosamente o estado servil o qual nos encontramos, e o pior, em uma servidão consentida. Aceitamos nossa prisão, pagamos por ela, a desejamos. Não que tenhamos que olhar a modernidade sempre com pessimismo, o que já nos alertou o filósofo Gilles Lipovetsky, autor do livro “A era do vazio“. Mas temos que acordar para o como nossa subjetividade, aquilo que nos tornamos enquanto seres humanos, está aprisionada às redes de exploração de capital. O documentário tem um forte tom pessimista, mas creio que seu objetivo é mobilizar-nos emocionalmente para a miséria social humana, e assim podermos tormar alguma iniciativa.

Debate: Corpo, alma e consciência: somos o mesmo depois da morte?

Para esquentar as discussões no site, começaremos a promover, esporadicamente, discussões entre os moderadores, tendo um tema em comum e buscando conflitar ideias, debater pontos opostos, para que todos possam ver os diversos lados que cada reflexão pode nos levar.

O tema desse debate, realizado entre Vitor e Mako, foi a questão da alma, da consciência e da vida após a morte. a inspiração para essa discussão está nesse texto (clique aqui) postado no site, sobre Reich.

Vitor:

Sabe q to ensaiando ler Reich? Gosto da ideia das couraças de carater, mas não entendo de onde ele tira a ideia do orgônio, essa energia única que move o individuo. Eu acredito em multiplas energias. Você já leu Frijof Capra, principalmente o livro “A teia da vida”? O interessante de sua teoria é que a vida é considerada um sistema sintrópico (o oposto da lei da entropia – enquanto a entropia fala da tendência à desordem, ao menor nível de energia, a sintropia fala das organizações que visam manter um nível estável de tensão, como os organismos vivos, que precisam constantemente de energia, senão morrem), uma organizacao contraria a entropia, e que necessita de um constante fluxo de material e energia para que mantenha a organizacao.

Entao, creio q somos, como dizem as modernas filosofias, uma “dobra”. Imagine o mundo como um conjunto de forças, que se degladiam constantemente. Em um determinado momento, essas forcas exteriores se dobram, criam um “dentro”, o sujeito. A dobra, como um espelho, reflete as forcas (Quem quiser saber mais sobre isso, leia o livro de Deleuze sobre Foucault, clique aqui, principalmente a partir da página 101)… ou seja, o sujeito adquire a capacidade de manipular o mundo, mudar suas forcas… surge uma forma de liberdade.

Entretanto, essa ideia de sujeito acaba por eliminar a vida eterna, pois a dobra se desfaz com a morte. A não ser que se considere haver um “tecido” que mantenha a forma, a dobra, sem o mundo.

Essa é a questao da alma. A alma seria compreendida como uma forma, que existiria fora da matéria. Mas na teoria do Capra, a materia que se organiza, e a forma depende do fluxo de materia. Se cessa o fluxo (ar nos pulmões, água, comida, e a saída, urina, fezes, isso sem falar na entrada e saida do fluxo de informação e de conhecimento), cessa a forma, como quando forma um redemoinho de agua na pia, que acaba quando a agua acaba.

A questao é: quem garante a forma do espirito? Teríamos que imaginar que as formas são independentes, e que elas vem de outro lugar. Esse seria um problema semelhante ao de Platão, aristóteles, Descartes, das filosofias religiosas, etc., de todos que acreditavam em algo fora da matéria.

Perguntaria pra você, como provocação: de onde vem a alma?

Mako:

 Nunca li Capra, mas milhares de pessoas ja me falaram para ler…. Reich eu acho demais, queria ler mais sobre ele, o Orgone que ele fala seria o Chi dos chineses e o Ki dos japoneses, uma energia que participa da vida e a move, seria uma energia eletromagnética de algum tipo de frequência alguns dizem, mas acho que está além do que nossa ciência consegue captar por enquanto, assim como a teoria do Campo morfogenético, algo que não compreendemos totalmente por enquanto, pelo menos a maioria das pessoas, mas que desconfiamos de sua existencia pelo simples fato de sentirmos ela…

É claro, existem estudos sérios sobre chakras e canais de energia no corpo, mas energia que fica a solta na natureza como o orgone ainda não há estudos pelo o que eu sei.
Muitos pensadores tentam explicar a alma, mas quando se fala na alma se vê a necessidade de separá-la do corpo, e mostrar que ela pode sim existir depois do término do corpo físico. Mas ela faz parte das engrenagens da vida, eu costumo dizer para as pessoas que, quanto menos algo é sólido, mais necessitamos dele, se formos colocar em ordem, sem comida duraríamos uma semana, sem água alguns dias, sem ar, alguns minutos, sem energia, nenhum segundo.
Nos meu estudos sobre espiritismo e o mundo espiritual,percebo que a alma é algo constante, ela está entrelaçado com várias coisas e pessoas, não de um modo físico, como por exemplo você se amarra a sua TV, celular e computador na sala com linhas, mas sim algo de frequência, como na física quântica (que fótons distantes vibram na mesma frequencia e agem da mesma forma a milhões de km de distância), há uma conexão ainda não desvendada.
No espiritismo parece que vamos perdendo a “forma” com o elevar da consciência até nos tornarmos parte do todo, ainda não descobri o propósito de crescer pessoalmente, e nem de onde surgiu a iniciativa de se ajudar as pessoas para isso, mas como tudo indica que há um caminho correto, esse caminho tem que ser algo que faz parte da estrutura do universo, como o sentimento de amor ter a frequência que une pessoas, tudo é interconectado.
É como você falou de multiplas energia, eu realmente acredito que elas existam, mas tendemos a acreditar que quando falamos de algo mais “sutil” estamos determinando sua energia, como por exemplo o chakra ser um campo eletromagnético, os estudos indicam e confirmam que sim, mas se for muito mais,  e se tivermos esse véu de ignorância e limitações tecnológicas nos privando de ver um pouco mais do que chamamos de realidade?
É muito provável que sim.
Outra questão:
Como deixar de ter consciência de si mesmo com um individuo único pode significar a morte? Acho que a morte foi mal compreendida, ela é apenas uma palavra para identificarmos o fim de uma fase, não diriamos que os peixes estão mortos por não terem consciência de si próprios, eles, assim como os outros animais e plantas, fazem parte de um organismo maior, que seria o Planeta inteiro sendo um ser vivo, eles (os animais) fazem parte da mecânica, ou se preferir, consciência da Terra, acho que perdemos a capacidade de nos distinguir dos outros seres vivos é rumar em direção a fonte primordial da vida, do universo, fazer parte do todo de novo.
Realmente acho que não perdemos a consciência, e sim iremos fazer parte de outra ainda maior, que contém outras da nossa frequência, ou elevação espiritual, e todos desse nível teriam a mesma compreensão do universo, sendo assim tomando as mesmas decisões, e nunca entrando em conflito, como olhar para um cardume de sardinhas e ver que apesar da gigantesca numerosidade delas, elas nunca colidem. Acho que deixamos o que nos faz humano para tras e nos tornamos algo a mais.
Muitos escritores de ficção cientifica se deparam com algo parecido quando vão falar de vida artificial, ou seja, robôs, alguns teriam uma consciência compartilhada, um cérebro que controla todos, outros teriam a noção de indivíduo e nunca tomariam decisões contando com todos, pois ele não faz parte daquele grupo.
Mas não diria que um deles é mais evoluído que outro, mas com certeza ter uma consciência compartilhada tem suas vantagens.
Vitor:

A questão aqui, creio que não é a morte, mas a concepção de sujeito por trás de tudo. Homem e animal são vivos, mas não há como saber se o animal possui uma subjetividade.

O homem enquanto sujeito já está integrado a um todo, ele não é um indivíduo isolado. Porém, isso não tem relação com o que se chama de alma. O conceito de alma, historicamente falando, se associa a uma essencia individual, ou seja, a algo que determina a individualidade de uma pessoa. Estou falando de forma grosseira, mas a questão é: essa mudança de fase que a morte cria, ela mantem essa “individualidade”? Se unir ao todo, á consciência do todo, é se ver misturado ao outro. Ora, o que marca nossa relação com o mundo é a diferenciação/identificação: como em Espinoza – algo nos compõe e algo nos decompõe. Para ser afetado, deve haver uma relação de diferença, para haver diferença, não pode haver o todo. Ser tudo é, ao mesmo tempo, ser nada.

Como conceber que somos uma alma que se integra ao todo, e ainda tem conciência dessa união? Se não é importante ter consciência de si, o conceito de alma se torna irrelevante, pois a materia do corpo e sua energia já se integram ao todo do mundo. Nossos átomos estão por aí a bilhões de anos.

Creio que ai está um problema: de que tipo de sujeito falamos? Um sujeito, totalmente consciente de si, cuja unidade persiste depois da materia, ou uma subjetividade momentânea, que depende das relações que traça com as coisas e com os outros?

A ideia de alma perde sentido quando se fala em uma consciencia partilhada. Aliás, consciência de si implica em um poder de conhecimento para além do que o homem pode ter, e por isso hoje vemos tantas críticas as teorias de Descartes.

Creio que a ideia de se sentir parte de um todo maior é somente pensar numa consciencia em grande escala. Um Deus formado por todos os seres unidos. Aí, a individualidade e a consciência de si, que não sentimos no unico homem, passa a fazer parte da Terra, um ser cósmico.

Então, a questão seria: há um ser cósmico? Bom, essa e outra questão, e não cabe aqui, talvez para uma próxima conversa…

Do Panóptico para as Redes Sociais: quem controla quem?

Banksy

Acho importante compartilhar com vocês um filósofo importante para compreendermos os dias atuais, Michel Foucault. Francês, nascido em 1926, contribuiu intensamente para o exame das formas de poder de nossa sociedade. Em uma de suas obras, Vigiar e Punir (que você pode ler clicando aqui), ele examina sistemas prisionais, de punição de condenados, entre outros temas na área.

O que acho mais interessante nesse livro é como ele descreve os efeitos subjetivos desses sistemas e instituições. Com efeito subjetivo quero dizer: a forma como uma sociedade trata as pessoas forma seu modo de ver o mundo, ou seja, você nem sempre é livre nas opiniões ou nas coisas que você pensa, existe um poder invisível, porém muito presente, das instituições sociais, que controlam nossa vida. Claro que é bem mais complicado, não somos cordeirinhos que seguem o que nos dizem para seguir. É bem mais assombroso: nos fazem crer que o que escolhemos foi por nossa liberdade, quando na verdade estamos sendo controlados!

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O Homem e a Queda de seu Pedestal

Falar sobre o homem, a humanidade, é uma tarefa complicada. Isso, pois não estamos falando de um objeto visível à nossa frente, ou de uma bactéria em um microscópio ou qualquer fenômeno a ser testado. Nem mesmo do corpo enquanto esse conjunto de células que os biólogos e médicos tratam. Falar do homem é tornar-se objeto a si mesmo. Ou seja, é olharmo-nos no espelho, é ver o que somos, mas sabendo que somos nós mesmos quem questiona. Somos o ponto de partida e de chegada dessa questão.

O texto que escrevo aqui é introdutório dos temas que irei tratar com mais cuidado ao longo de minha contribuição para o blog. Assim, já destaco os riscos que correremos nesse caminho, preparando-nos para as discussões já feitas e para as que virão. Destruir dogmas, essa tarefa não é fácil. Temos que abalar suas estruturas, para que elas caiam por conta própria, caso o leitor assim o queira. Se estamos na física, na biologia, na química, etc., eliminar dogmas seria mais fácil, isso no sentido de que, assim que uma teoria se confirma ao longo dos estudos, pouco resta aos outros cientista senão adotar esse ponto de vista, nem que seja para tentar provar seu erro. Assim foi com as grandes viradas de nosso conhecimento, Galileu, Newton, Einstein, e isso para ficar nos mais conhecidos da física.

Agora, e quando nos passa pela cabeça aquelas perguntinhas já piegas de tão repetidas: o que somos? de onde viemos? Onde estamos? Por mais que pareçam ridículas, elas refletem algo que sempre nos incomoda. Respondê-las é difícil, pois se tratam de coisas que não estão facilmente a nosso alcance, e que não nos fornece dados diretos na realidade que vivemos. Assim, várias correntes, abordagens e teorias se formam na busca dessa explicação. Mostrar o erro de alguns pontos de vista depende cada vez mais da crença de cada um, ou dos poucos dados que pode obter. Principalmente quando perguntamos sobre nós mesmos. A Psicologia, que se propõe a estudar o sujeito humano (definindo-o de acordo com sua posição teórica e ideológica, mas que em geral refere-se a nós mesmos, pessoas, indivíduos, etc), é composta por inúmeras abordagens diferentes, cada um dando conta de alguns fenômenos sobre nosso psiquismo, mas deixando de compreender outros. Cada um prega um tipo de homem diferente, e fica difícil a tarefa de criticar cada corrente.

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