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Mais do que simples imagem de nós mesmos

Estava passando pelo corredor de meu apartamento e levei um baita susto, olhei de lado, para o espelho no fundo do corredor, e vi uma sombra. Pela posição, a sombra parecia ser de alguém vindo do quarto, mas na verdade era somente minha sombra, que no jogo de posições do espelho ganhou, por um momento, vida própria.

 É incrível a vivacidade psicológica que nossa imagem especular e nossa sombra possuem. Quando somos bebês, vêmo-nos no espelho quase que como os animais: a imagem parece ser outra pessoa. Entretanto, há uma enorme diferença entre o bebê e o animal, pois este se sente muito feliz ao brincar com sua imagem no espelho. Esta lhe desperta grande interesse, ele ri, toca a imagem com a mão, e com o tempo tenta buscar a pessoa que está ali atrás.
Psicologicamente, dizemos que a criança está no estádio do espelho. Ele está aprendendo que possui um corpo completo, que pode ser visto pelo outro. Ao mesmo tempo que aprende a ser ver completo, ele vai entendendo que existem outras pessoas, diferente dela, e que podem ver seu corpo de uma posição diferente da sua.
Aos poucos, adquirimos um saber que se torna racional, de que a imagem é uma ilusão, e que só existe na superfície do espelho.
Só que nunca nos tornamos totalmente racionais, felizmente. Nossa imagem e nossa sombra carregam um imaginário e um sentimento forte, são quase independentes, são quase um parte de nós fora de nós mesmos. Isso é mostrado pelas diversas fábulas e fantasias de um mundo dentro do espelho, as imagens de terror de nossa imagem se movendo sozinha, etc.
Ver a si mesmo no espelho significa, na filosofia de Merleau-Ponty, que temos um sentimento de união com o mundo profunda. Só nos completamos no mundo, e esse circuito nunca termina.

Deus Fez Tudo que Existe?

Alemanha, Inicio do século XX. Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim, desafiou os seus alunos com esta pergunta:

– Deus fez tudo que existe?

Um estudante respondeu corajosamente:

– Sim, fez!

– Deus fez tudo, mesmo?

– Sim, professor. – respondeu o jovem.

– Se Deus fez todas as coisas, então Deus fez o mal, pois o mal existe, e considerando-se que nossas acções são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau.

O estudante calou-se diante de tal resposta e o professor, feliz, se vangloriava de haver provado uma vez mais que a Fé era um mito. Outro estudante levantou sua mão e disse:

– Posso lhe fazer uma pergunta, professor?

– Sem dúvida – respondeu o professor.

– Professor, o frio existe?

– Mas que pergunta é essa? Claro que existe, você por acaso nunca sentiu frio?

– Na verdade, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é ausência de calor. Todo corpo ou objecto pode ser estudado quando tem ou transmite energia, mas é o calor e não o frio que faz com que tal corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Criamos esse termo para descrever como nos sentimos quando nos falta o calor.

E continuou o estudante:

– E a escuridão, existe?

O professor respondeu:

– Mas é claro que sim.

– Novamente o senhor se engana, a escuridão tampouco existe. A escuridão é na verdade a ausência de luz. Podemos estudar a luz, mas a escuridão não. O prisma de Newton decompõe a luz branca nas várias cores de que se compõe, com seus diferentes comprimentos de onda

A escuridão não. Um simples raio de luz rasga as trevas e ilumina a superfície que a luz toca. Como se faz para determinar quão escuro está um determinado local do espaço? Apenas com base na quantidade de luz presente nesse local, não é mesmo? Escuridão é um termo que o homem criou para descrever o que acontece quando não há luz presente.

Finalmente, o jovem estudante perguntou ao professor:

– Diga, professor, o mal existe?

– Claro que existe. Como eu disse no início da aula, vemos roubos, crimes e violência diariamente em todas as partes do mundo, essas coisas são o mal.

– O mal não existe, professor, ou ao menos não existe por si só. O mal é simplesmente a ausência de Deus. É, como nos casos anteriores, um termo que o homem criou para descrever essa ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a Fé ou o Amor, que existem como existe a Luz e o Calor. O mal resulta de que a humanidade não tenha Deus presente em seus corações. É como o frio que surge quando não há calor, ou a escuridão que acontece quando não há luz.

O professor sentou-se.
Qual o seu nome rapaz?
O jovem respondeu : Albert Einstein

Obs: Sei que isso é obviamente antigo, mas gostaria de compartilhar esse pensamento com vocês.

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