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Vídeo: Robôs merecem direitos? E se tiverem consciência?

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Ajude alguém, mas não espere gratidão

Ajudar as pessoas é algo raro, não é atoa que honestidade vira notícia de jornal, realmente é algo difícil de se ver.

Todos nós sentimos tão injustiçados que sempre queremos nos beneficiar de alguma maneira. Precisamos recuperar o que a sociedade não nos dá, pensa o homem médio. A corrupção nasce do mesmo pensamento.

Quando se ajuda alguém se sai de uma série de movimento comportamentais automaticos. Você deixa de olhar pro umbigo e olha pro outro, para de desviar o olhar do morador de rua, se preocupa com quem não tem nada a te dar em troca.

Ajudar o próximo é um ato lindo de auto percepção e empatia. Saber entender o próximo, ou melhor, tentar entender o próximo é outra coisa raríssima no mundo.

Algumas pessoas conseguem se libertar da automaticidade e sentir a necessidade do outro, e não digo apenas de pessoas que passam fome ou não tem onde morar, esses casos devemos sempre dar atenção, pois essas pessoas batalham para ter o mínimo da sobrevivência.

Falo das ocasiões mais simples como dar uma dica de uma oportunidade ,  falar com um amigo que precisa, as vezes bastante apenas tomar uma cerveja com alguém.

Sair da zona de conforto exige mudança, e toda mudança na humanidade encontra atrito, e mesmo assim alguns de vocês ainda assim ajudaram  pensando: “vamos ver no que vai dar”.

E isso é uma grande vitória já, olha quantos níveis já passamos só para chegar aqui!

Agora é só deixar a inércia fazer seu trabalho.

Mas calma, e a pessoal que eu ajudei, não vai me agradecer?

Tenho que te dar as más notícias, mais uma: ela não vai te agradecer.

Sabe por quê?

Porque exigir ou esperar gratidão dos outros é a única e última coisa que vai destruir toda essa experiência.

Você pode ter acordado, pode ter ajudado, pode ter adquirido empatia, pode ter saído da bolha, mas a maioria das pessoas ainda não.

Lembre-se, você precisa entender os outros, como eles recebem as suas ações.

A pessoal que você ajudou não sabe do processo de ajudar os outros que falamos aqui provavelmente, não sabe da jornada e o quanto significa para você sair da zona de conforto e fazer algo que você acha que deveria ser feito por alguém.

Ela nem se questionou.

Então digo, deixa pra lá. Simples assim

Falo isso por experiência própria, não adianta se remoer não dá pra mudar as pessoas da noite pro dia.

Você deve fazer as coisas porque sentiu vontade e achava necessário, e pronto.

Falta de agradecimento vai tirar a sua tranquilidade se for isso que você espera.

Você chegou tão longe, não deixe a inatividade de alguém te fazer retroceder.

 

O Vagão Rosa, Uma Mudança Condenada ao Fracasso

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 Ontem tivemos a segunda manifestação contra o vagão rosa obrigatório em São Paulo, essa lei já existe no rio de janeiro, mas agora está vindo pra cá e já encontra muito atrito, pois além de ser uma lei ridícula não soluciona o problema das mulheres.

Nessa sociedade patriarcal as mulheres são vitimas de comentários e de toda uma necessidade criada pra elas se ocuparem apenas com sua beleza, não com sua vida e habilidades.

Vemos casos tristes como o tumblr Princesa do Busão que incentiva, mesmo dizendo que não é pra oprimir as mulheres, a muitos homens ignorantes a abusar das mulheres, mesmo que não fisicamente, só pelo fato de você carregar uma câmera pra tirar foto das pernas ou rosto de mulheres que só querem ficar tranquilas na sua ida ao trabalho ou pra casa.

Realmente a sociedade deixou de ter consciência.

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A Infância Eterna

BabyPointing_JSolisPor Paulo Ferreira
(out. 2013)

“Biologicamente, um adulto é de um ser humano ou outro organismo que é de idade reprodutiva (maturidade sexual). No contexto humano, a idade adulta, adicionalmente, tem significados associados a conceitos sociais e legais, por exemplo, um adulto legal é um conceito legal para uma pessoa que tenha atingido a idade da maioridade e, portanto, é considerada como independente, auto-suficiente, e responsável (contrastando com “menor”). Além disso, a idade adulta adulto humano engloba o desenvolvimento psicológico.

Definições da vida adulta são muitas vezes inconsistentes e contraditórias, uma pessoa pode ser biologicamente um adulto, e têm um comportamento adulto, mas ainda ser tratado como uma criança, se eles estão abaixo da maioridade legal. Por outro lado, pode ser legalmente um adulto, mas não possuem a maturidade e responsabilidade que pode definir o caráter adulto.” (Wikipédia)

Neste mês de outubro, o conceito do potencial e da proteção dos seres que são de fato crianças, seres muito jovens; que representam toda a possibilidade do futuro e estão cheios da inocência própria da idade está bastante presente; temos muitos lembretes desse aspecto sendo feitos por muitos. Gostaria de aproveitar o destaque do tema para focar outro aspecto; que é o da “infância eterna” que aflige muitos que já não tem poucos anos de vida. A imaturidade que persiste mesmo em muitos que já não sendo tão jovens, e nem inocentes (em muitos sentidos) continuam comportando-se como crianças já tendo vivido décadas.

Maturidade é o entendimento e reconhecimento da existência e igual relevância de direitos e liberdades dos seus semelhantes. Uma criança tem uma visão limitada do mundo, no sentido que é uma visão pouco ampla. A criança coloca-se sempre no “centro do mundo” – e para a percepção infantil, as eventos só existem na medida da relação com ela mesma; portanto, todos os eventos percebidos devem ser “motivados”e “dirigidos” a ela e por ela. Por isso, a criança muito nova não reconhece, não entende a necessidade do adulto por dormir, quando ela mesma está acordada. Partindo do pressuposto infantil de que “o mundo existe PORQUE eu existo”, ela não pode conceber que alguém tenha necessidades não relacionadas a ela. Isso está fora do escopo de compreensão de uma criança de 2 anos de idade, o que, nesta fase, é apenas natural.

Agora, pense por um instante em quantas pessoas com décadas de idade você conhece que agem exatamente da mesma maneira. Incapazes de perceber que o mundo não existe “por elas”. Incapazes de conceber que outro individuo tem necessidades que não se relacionam e ela.

Mesmo que esta pessoa tenha 20, 30 ou 80 anos… sua mentalidade é imatura: esta atitude não é adulta. Esta atitude é de uma criança, mesmo que o indivíduo em questão tenha 60 anos de idade. Quando alguém age “sem reconhecer” a existência e as necessidades do outro, esta atitude é idêntica àquela da criança que ainda não sabe que não é o centro do mundo.

Quando alguém ocupa um lugar reservado num ônibus, ignora as outras pessoas e passa-lhes à frente numa fila; “atropela” descuidadamente, ignorando e empurrando as outras pessoas num lugar cheio; quando alguém ouve musica num carro ou num celular num volume alto o suficiente para afetar as atividades dos semelhantes à sua volta… todas essas atitudes denotam uma completa falta de maturidade e entendimento do mundo adulto, que demanda o reconhecimento da existência do “outro” a sua igualdade de direitos e liberdades.

Todos estes exemplos acima são bastante simples, externos e visíveis. Mas nem tudo no mundo da maturidade é tão visível e claro.

Quando alguém tenta impor a outro ser que aja de um modo específico, apenas por um desejo pessoal de que isso seja feito; qual seria a diferença real entre isto e a atitude da criança de 2 anos que não entende como a mãe possa querer dormir, se ela mesma já está acordada? Nenhuma diferença. Tentar impor a sua vontade ao outro é exatamente AGIR como uma criança de 2 anos. É um comportamento aceitável para a criança de 2 anos. E é absolutamente vergonhoso e inaceitável num ser que julgue-se adulto.

Quando alguém tenta impor que algo aconteça imediatamente, apenas para satisfazer a sua própria ansiedade; qual a diferença entre isso e a atitude de uma criança de 2 anos que chora porque a mãe foi ao banheiro?

Quando alguém se permite ofender ou ser ríspido com o outro, apenas porque algo que foi feito não lhe agrada, qual a diferença entre isso e a criança que grita com o amiguinho que não lhe dá o brinquedo?

Desde cedo, a maioria dos pais busca ensinar, de algum modo, que não se deve “impor” a sua vontade ao outro; e essa atitude tem muitos nomes: é chamada birra, mimo, descontrole. O termo em inglês para isso é bastante interessante: spoiled. A mesma palavra usada para dizer que algo está estragado. Um ser humano que age assim, está, de fato, estragado.

Mas o que dizer de alguém que exige que outro ser cumpra um prazo insensato para a entrega de um trabalho, apenas porque a falta de planejamento ou a sua vontade pessoal assim deseja? É absolutamente a mesma coisa. O que dizer de alguém que altera ou frauda uma licitação, roubando o dinheiro dos contribuintes, apenas para guardar para si mesmo ou seus amigos? E absolutamente a mesma coisa. É somente a incapacidade de entender que o mundo não gira ao seu redor. Que há outros seres no mundo, e que estes tem o mesmo direito e merecem a mesma liberdade. O que dizer de um ser que destrói uma floresta para ali fazer um empreendimento particular que dará lucros e benefícios a uns poucos?

Na mesma medida em que devemos proteger e cuidar da verdadeira infância, daqueles que são de fato pequenos e inocentes, devemos exigir de nós mesmos uma atitude adulta e madura em TODOS os aspectos da nossa vida, uma vez que deixemos os primeiros anos de vida.

O estado atual da maioria dos governos, que age apenas por interesses próprios, econômicos e de curto prazo, jamais pensando no bem comum; assim como o estado atual do ambiente no planeta, são um exemplos claros de que temos sido crianças soltas numa loja de doces: bagunçando tudo, experimentando tudo, absolutamente indiferentes ao que pode acontecer, absolutamente ignorantes do fato que estamos destruindo, inclusive, a nós mesmos, através da destruição da nossa casa.

Mais dia, menos dia (como sabe qualquer adulto) a vida manda a conta por todas as nossas atitudes.

A Repetição do Erro e a Memória Genética

Por que a civilização humana acaba cometendo sempre os mesmos erros?

Muitos devem se perguntar isso, e realmente parece não ter lógica, será que estaremos destinados ao eterno retorno? Devemos sempre cometer os mesmos erros, terá a resposta um por que espiritual, de que devemos nós mesmos cometer o erro, e não os outros?

Realmente acredito que não é bem assim, e que um dia pararemos de repetir o ciclo da decisões ruins, pois apesar de realmente repetirmos decisões como acreditar em líderes iguais aos do passado, acreditar em propagandas iguais, em políticas iguais, em amores iguais.

Mas acho que a resposta está muito mais arraigada do que parece a princípio.

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O Som de uma Folha Caindo e o Medo da Inexistência

Essa foi uma conversa que tive no começo do ano no Facebook.
Glenda: acho que as pessoas estão levando cada vez mais a serio aquela questão : ” se uma árvore cair numa floresta vazia, ela faz barulho?”. A maioria aqui no facebook , pelo jeito acredita que não
Mako: Adoro esse assunto, e a questão tem uma resposta.
Ela faz e nao faz barulho ao mesmo tempo.
Glenda: Se elas pintarem as unhas dos pés e não postarem uma foto, ou fizerem uma gelatina e não postarem uma foto, dar um beijo no namorado e não postarem uma foto, etc etc etc, é como se elas duvidassem da própria existência.
Mako: É preciso provar, é preciso que alguém observe, bem engraçado isso, pois a resposta pra a questão tem tudo a ver com isso. Apenas se alguém observar é que se verá se a árvore caiu ou não, até então ela é uma multiplicidade de possibilidades indefinidas, ou seja, algo não identificável.
*
A experiência da Fenda Dupla deixa a entender que no mundo subatômico as partículas se comportam como se fossem onda quando não há observador e como partícula quando há um observador.
E quem diria que até as pessoas tem esse mesmo comportamento?
Muitas pessoas se sentem sozinhas e tentam registrar suas ações, pois parece que a única maneira de validar suas experiências é com a observação de terceiros. E infelizmente foi construída uma cultura de compartilhar momentos e que isso está acima de viver eles.
Será que realmente somos uma multiplicidade de possibilidades até alguém observar, alguém interagir?
Talvez, já foi observado pela física quântica que objetos estão micromilimetricamente  em lugares diferentes quando temos observadores diferentes, o objeto está em um lugar para cada pessoa, mesmo que seja de forma minúscula.
Mas o que faz a gente existir? Sempre há observadores?
Precisamos de algo para existir?
Creio que não, na nossa sociedade há uma idéia implantada de que quem não aparece não existe, há a celebração do palhaço e dos 15 minutos de fama e por mais que saibamos no fundo que tudo isso é ridículo de tanto ver no nosso dia-a-dia acabamos por ceder mentalmente a isso.
Mas se pararmos para pensar ninguém disse que a partícula de fóton  no experimento não existe quando não há observador, mas sim ela é várias coisas ao mesmo tempo.
Nós também somos várias coisas ao mesmo tempo, mas porque queremos mostrar que somos uma? Por que queremos projetar apenas uma idéia de quem somos e não nossa complexa multiplicidade?
Porque queremos que outros pensem algo bom de nós, queremos ser aceitos, queremos que os outros nos vejam como quem gostaríamos de ser, e é aí o erro colossal de nossa sociedade.
Preferimos mentir a ser quem gostaríamos.
E uma imagem faz isso.
Tudo isso para fazer um som…
Apeas um som.

O Macaco-Homem Ordena

Hoje temos rap para brancos e Hip Hop para ricos, brancos querem ser malandros e negros querem parecer com os burgueses que os condenaram caindo na armadilha social, Che Guevara é vendido nas camisetas de 15 reais, e Gandhi virou o rosto pra qualquer frase na internet.

Ser honesto virou notícia e a morte virou celebridade nas televisões, o medo encontrou seu lugar entre os braços hipotérmicos do indivíduo e entre as grades de poluição vigiamos para sermos vigiados.

A noite não dorme… ela suspira com um olho aberto…

Hoje, o amor se tornou uma porta de emergência em que ninguém grita em desespero alarmante, apenas rasteja com suas línguas cortadas engasgando em sangue seco. Venderam a solitude como solidão, e deram à vida social, o lugar irreal para sossegar. O sexo virou remédio pra alma… uma pena ser apenas placebo.

Rezamos por Deuses que não concordam com o que acreditamos, e nos flagelamos incessantemente por tal assincronia, nos ensinaram que o mundo é assim desse jeito, castrando assim nossas asas, nossas sensações, nossa harmonia.

As mentes doentes erupcionam-se todos os dias nos jornais das 8, a capa das revistas apontam os sintomas como causas e desmedem esforços para subjugar com leis vesgas os que olham para baixo.

O mundo, apesar de redondo, nos achata. A cultura da ostentação tem uma cama em todo lugar onde há um teto, alimentamos todo dia esse parasita com ração de ética de dia e do bom senso de noite.

Olhamos para o outro lado da jaula buscando as soluções dos macaco-homens, quando na verdade nós estávamos dando amendoim e banana  para eles o tempo todo.

Se ao menos olhássemos para nós mesmos para perceber…

Se ao menos…

Percebemos.

- Dedicado à Helisa Quinto Ignácio

É errado olhar nos olhos?

Sim, as pessoas temem isso como o demônio da cruz, apesar de não perceberem muitas vezes.

Elas se incomodam quando alguém olha muito tempo para os seus olhos, em alguns lugares é considerado até um ato rude do observador. Os olhos são onde os sentimentos e pensamentos se expressam com grande força, como diz o velho clichê “o olho é a janela da alma”, e tenho que dizer que é mesmo, por isso essa frase se tornou tão famosa, pois ela tem um fundo de verdade, e todos sentimos isso de uma forma ou de outra.

 Analisemos algumas situações em que os olhos são os protagonistas.

Quando uma pessoa mente, uma criança principalmente, ela costuma desviar o olhar, jogadores de Poker escondem suas emoções e fazem a famosa “pokerface” pra isso, alguns até usam óculos escuros (em uma sala fechada) para mesmo que ainda assim alguma emoção escape pelos olhos ele já vai estar protegido contra isso. Continue reading

A Fama do Mendigo de Curitiba

Na falta de uma palavra melhor que Preconceito, usarei “Ignorância” para descrever o que aconteceu com as pessoas que viram e se expressaram com relação à esse mendigo que ficou famoso esse mês passado, em sua maioria.

Pra quem não sabe, ele é de Curitiba, ex-modelo e atual mendigo usuário de drogas (crack ao que tudo indica) que ficou famoso após pedir para alguém tirar uma foto dele, e esse usuário divulgar essa foto no facebook. Resultando em mais de 17 mil compartilhamentos.

Foram milhares as pessoas que soltaram comentários como: “Que mendigo bonito. Precisa de um caça-talentos”; “Mendigo bonito… Vai ficar famoso rapidinho”; “Da até vontade de levar pra casa”; “Traz pra Goiás que pra esse ai dou casa, comida e roupa lavada”, dizem alguns dos comentários.

Ele virou Meme por dias sem saber, viraria notícia nos maiores sites e jornais (globo, uol, folha), viraria conversa de bares, e seria discutido sobre como ele teria virado um mendigo. “-Mendigo? Bonito assim? De olhos azuis?” foi o hino de outubro de 2012. Continue reading

Quando a alma sofre: Depressão e Sociedade

Escultura hiperrealista Man under cardigan, de Ron Muek

Estou continuando aqui o artigo anterios sobre depressão (ver aqui). A sociedade atual consegue lidar com o deprimido? Olhe nas televisões, nos espetáculos, na enchente de piadinhas sem graça do Facebook. Será que as pessoas conseguem conviver com alguém que vê tudo em tons de cinza, sem gosto, que não consegue olhar para as belezas da vida?

Não há paciência para a depressão. A tristeza do outro é sentida como algo que contamina, e então as pessoas se afastam. Ou, quando ficam perto, fazem de tudo para animá-la, mostrar que não há razão em sua tristeza. Mas depressão não é uma simples tristeza, e uma forma de percepção de mundo diferente. Como Freud falou da hibernação, o estado de desamparo absoluto e sem nome leva a pessoa a uma retirada de interesse do mundo: sem vontade de sair, de vontade de sexo, sem vontade de lutar e até de viver… Como convencer alguém de que as coisas da vida são boas se tudo o que ela vê diante de seus olhos são ruínas, internas e externas?

Ora, além disso, o portador de depressão busca um estado placentário, um retorno impossível à quietude do útero. quer sua cama, quer ficar sem nenhum estímulo a sua volta, quer eliminar os pensamentos ruins. Como pode fazer isso nessa sociedade particularmente barulhenta, com out-doors, jingles e uma torrente de informações e de opiniões.

Se a tristeza do depressivo não é compreendida nem aceita, ela não pode ser superada. Como é uma tristeza sem nome, ela precisa ser tratada de corpo e alma (assim o interessante resultado das terapias alternativas, que atingem o corpo). Forçar sua saída é enterrá-lo mais fundo. Tem que ter acolhimento e paciência.

Também não é o caso de abandoná-lo em sua tristeza. É importante mostrar calmamente seu apoio, sua compreensão, mas aos poucos estimular sua melhora, fazê-lo se mover no seu próprio ritmo lento.

Nossa sociedade atual prioriza o indivíduo produtivo, que passa 24 horas de seu dia fazendo coisas úteis, produzindo e consumindo, alimentando o sistema capitalista. a pessoa com depressão está desligada disso, mas sente essa exigência do mundo. Muitas vezes vi o sentimento de culpa pois a pessoa não conseguia trabalhar como trabalhava, cuidar da família, cumprir suas responsabilidades. Nossa sociedade eliminou a possibilidade de se afastar do mundo, de se recolher e de elaborar sua perda, sua dor. Por isso hoje a procura por terapias mais rápidas aumentou, não há disponibilidade de tempo para si mesmo.

Dar-se um tempo, fisicamente e psicologicamente, se desligar um pouco das exigências do mundo, e poder sentir realmente suas dores, e ter nesse momento alguém que o acompanhe: assim se cria a dignidade de sofrer. Não há  vacina para a depressão, mas há sim a cura, e esta está não só nos remédios, nas terapias, mas em uma mudança social que valorize  vida.

 

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