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O futuro da Personalização: quando o perigo é o excesso de mim mesmo

Esta semana assisti por acaso a partes de um programa da Discovery, o 2111, no qual futurólogos fazem previsões sobre como o mundo estará daqui a quase um século. Bom, boa parte de nós poderemos talvez ver alguns desses avanços, se a expectativa de vida continuar a aumentar. O que achei interessante nesse episódio foi a pesquisa de identificador de passos. Desculpem falar assim vagamente, mas não encontrei o episódio na internet ara mostrar a vocês. A questão é, os pesquisadores acham que a forma mais fácil de identificar as pessoas é por seu jeito de andar. O passo é com uma digital, e pode ser utilizado como forma de identificação, com sensores instalados no chão da entradas de prédios. Ao entrar, já vão saber que você é, quais seus dados básicos, suas preferências comerciais… O intuito mais visado dessa tecnologia, pelo menos o que foi apontado pela série, é a personalização do marketing e da propaganda. Claro que esse tipo de identificação global e involuntária trás problemas políticos, e quem assiste a série “Person of Interest”, ou mesmo quem se lembras dos identificadores por leitura de íris do filme “Minority Report”, sabe bem sobre o que estou dizendo.

O que achei mais interessante e fundamental de comentar na série foram as previsões sobre essa tecnologia de personalização de atendimento. Os avanços previstos são mais sobre uma forma rápida de identificar a pessoa, ou de integrar essa personalização em anúncios, eletrodomésticos, etc. Mas o que não se disse foi que essa personalização já existe e está em um estágio avançado. Até poderia dizer que o início de nosso século foi palco de uma revolução posterior a da Era da Informação. O que Aconteceu foi o advento das redes sociais.

à primeira vista, muitos devem achar inocentes o poder de tais sites como o Google e o Facebook. Entretanto, Tais empreendimentos da internet vem revolucionando os algoritmos de busca, filtragem e cruzamento de dados pessoais, o que possibilita um maior monitoramento de gostos pessoais. As propagandas do Google e do Facebook são direcionadas através de uma leitura de seus dados pessoais, de suas postagens. E a Psicologia sempre foi uma das mães da propaganda. Principalmente a Psicanálise.

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Qual é o preço do futuro? – Parte 2: O Outro “eu” na Internet

A internet possibilita hoje que nos dupliquemos dentro da rede, e tenhamos assim um “avatar”. Essa palavra é interessante. Em seu sentido original, avatar significa a manifestação corporal de um ser imortal, segundo o hinduísmo. Já na linguagem da internet, o avatar é uma representação que as pessoas fazem de si mesmo. Essa representação não precisa ser fiel, uma foto de si mesmo, mas é através dela que interagimos com os outros na rede. Toda vez que você se cadastra em algum site, você preenche uma série de informações pessoais: nomes, endereços, e-mails, etc. É assim que os sistemas informatizados e as pessoas do outro lado vão conhecer você.

Mas e suas emoções, suas vivências pessoais, suas reações corporais quando você fica surpreso ou leva um susto? Isso também faz parte de você, mas ainda não pode ser completamente “informatizado”, ou seja, transformado em informação da internet.

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Qual é o Preço do Futuro? – Parte 1: Internet e controle

Big Brother, do filme 1984, baseado na obra homônima de George Orwell

As redes sociais são hoje uma das maiores formas de se manter contato com diversas pessoas, próximas ou distantes, e de reencontrar pessoas que há tempo não se vê. Facebook, Orkut, Twitter, entre outras, elas estabelecem diversas formas de contato entre as pessoas, e se tornaram uma febre mundial, uma nova forma de se relacionar com as pessoas. Entretanto, a maioria das pessoas não compreende o potencial de controle das redes sociais. Se pararmos para pensar, a informatização da vida (ou seja, o quanto dependemos da tecnologia para viver) já controla nosso corpo: Por exemplo, em vez de escrevermos cartas à mão, ter de ir até o correio para enviá-la, aguardar dias por uma resposta, precisamos somente acessar a internet, digitar e clicar em “enviar”.

Digitar significa que você não precisa de uma boa caligrafia, pois todas as letras seguem os padrões definidos pelo programa de edição de textos. O corpo muda assim sua forma de interagir com o mundo: é mais fácil, ágil e econômico. O contato à distância também fica mais fácil. Cada vez mais podemos falar e ver o outro. E ainda sonhamos com o dia em que poderemos sentir o outro, com novas tecnologias que possibilitarão a criação de um mundo virtual e de instrumentos para codificar o tato, o cheiro, o gosto. Desejamos isso.

Desejamos entrar na Matrix.

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Do Panóptico para as Redes Sociais: quem controla quem?

Banksy

Acho importante compartilhar com vocês um filósofo importante para compreendermos os dias atuais, Michel Foucault. Francês, nascido em 1926, contribuiu intensamente para o exame das formas de poder de nossa sociedade. Em uma de suas obras, Vigiar e Punir (que você pode ler clicando aqui), ele examina sistemas prisionais, de punição de condenados, entre outros temas na área.

O que acho mais interessante nesse livro é como ele descreve os efeitos subjetivos desses sistemas e instituições. Com efeito subjetivo quero dizer: a forma como uma sociedade trata as pessoas forma seu modo de ver o mundo, ou seja, você nem sempre é livre nas opiniões ou nas coisas que você pensa, existe um poder invisível, porém muito presente, das instituições sociais, que controlam nossa vida. Claro que é bem mais complicado, não somos cordeirinhos que seguem o que nos dizem para seguir. É bem mais assombroso: nos fazem crer que o que escolhemos foi por nossa liberdade, quando na verdade estamos sendo controlados!

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