Tag: psicanálise

A grande mudança social do nosso século

Sei que esses vídeos são mais especializados para aqueles que estudam psicanálise, principalmente a obra de Jacques Lacan. Entretanto, Jorge Forbes, aos 11 minutos e 20 segundos do primeiro vídeo e no início do segundo, faz um resumo das grandes mudanças de nossa sociedade, entre aqueles que hoje possuem mais de 42 anos e os que tem menos que essa idade. Grandes mudanças em nossa forma de viver, de amar, de gerir e se relacionar. Essas marcas são imprescindíveis para se compreender esse momento no qual vivemos, em relação à nossos pais e avós, em relação às leis e normas sociais. jorges Forbes é do grande psicanalista e possui várias palestras no Youtube, vale a pena conferir.

Quando a alma sofre: Depressão e Sociedade

Escultura hiperrealista Man under cardigan, de Ron Muek

Estou continuando aqui o artigo anterios sobre depressão (ver aqui). A sociedade atual consegue lidar com o deprimido? Olhe nas televisões, nos espetáculos, na enchente de piadinhas sem graça do Facebook. Será que as pessoas conseguem conviver com alguém que vê tudo em tons de cinza, sem gosto, que não consegue olhar para as belezas da vida?

Não há paciência para a depressão. A tristeza do outro é sentida como algo que contamina, e então as pessoas se afastam. Ou, quando ficam perto, fazem de tudo para animá-la, mostrar que não há razão em sua tristeza. Mas depressão não é uma simples tristeza, e uma forma de percepção de mundo diferente. Como Freud falou da hibernação, o estado de desamparo absoluto e sem nome leva a pessoa a uma retirada de interesse do mundo: sem vontade de sair, de vontade de sexo, sem vontade de lutar e até de viver… Como convencer alguém de que as coisas da vida são boas se tudo o que ela vê diante de seus olhos são ruínas, internas e externas?

Ora, além disso, o portador de depressão busca um estado placentário, um retorno impossível à quietude do útero. quer sua cama, quer ficar sem nenhum estímulo a sua volta, quer eliminar os pensamentos ruins. Como pode fazer isso nessa sociedade particularmente barulhenta, com out-doors, jingles e uma torrente de informações e de opiniões.

Se a tristeza do depressivo não é compreendida nem aceita, ela não pode ser superada. Como é uma tristeza sem nome, ela precisa ser tratada de corpo e alma (assim o interessante resultado das terapias alternativas, que atingem o corpo). Forçar sua saída é enterrá-lo mais fundo. Tem que ter acolhimento e paciência.

Também não é o caso de abandoná-lo em sua tristeza. É importante mostrar calmamente seu apoio, sua compreensão, mas aos poucos estimular sua melhora, fazê-lo se mover no seu próprio ritmo lento.

Nossa sociedade atual prioriza o indivíduo produtivo, que passa 24 horas de seu dia fazendo coisas úteis, produzindo e consumindo, alimentando o sistema capitalista. a pessoa com depressão está desligada disso, mas sente essa exigência do mundo. Muitas vezes vi o sentimento de culpa pois a pessoa não conseguia trabalhar como trabalhava, cuidar da família, cumprir suas responsabilidades. Nossa sociedade eliminou a possibilidade de se afastar do mundo, de se recolher e de elaborar sua perda, sua dor. Por isso hoje a procura por terapias mais rápidas aumentou, não há disponibilidade de tempo para si mesmo.

Dar-se um tempo, fisicamente e psicologicamente, se desligar um pouco das exigências do mundo, e poder sentir realmente suas dores, e ter nesse momento alguém que o acompanhe: assim se cria a dignidade de sofrer. Não há  vacina para a depressão, mas há sim a cura, e esta está não só nos remédios, nas terapias, mas em uma mudança social que valorize  vida.

 

Quando a alma sofre: Depressão

Weight, escultura hiperrealista de Jackie K Seo

Olá pessoal, tudo bem? Há muito Mako (fundador do site) me havia pedido para escrever algo sobre casos clínicos da Psicologia, pois achava que seria muito interessante e de grande importância para os leitores. Como estudo filosofia, acabei escrevendo mais textos críticos e teóricos, e deixei esse tema meio abandonado. Bom, resolvi retomar essa ideia, e criei uma série de postagens que chamei de “Quando a alma sofre”, e falarei aqui de diversos temas de psicopatologia, ou seja, das doenças mentais que afligem milhões de pessoas. Mesmo que eu tenha alguma experiência clínica, claro que não poderei aqui citar diretamente os casos que atendo, pois isso é proibido pela ética do psicólogo. Mas irei basear-me nessa experiências e nessas leituras para falar um pouco sobre esses temas.

Bom, após essa introdução, vamos entrar no tema desse post, que é a depressão. As pesquisas mostram que essa é uma das doenças que mais afligem a população mundial. Segundo o CID10 (o manual de classificação internacional de doenças) A depressão encontra-se entre os transtornos de humor,  ou seja, modificações patológicas do humor da pessoa, que possui dois extremos (mania, estado de euforia incontrolável, e a depressão). Há desde estados depressivos leves até os mais graves, acontecendo somente em algum momento da vida da pessoa ou sendo mais duradouro (distimia).

Em geral, o que acontece é uma diminuição do humor, da energia e da atividade. O deprimido sente-se em ânimo e disposição para exercer as atividades mais cotidianas, e dependendo da gravidade acaba passando muitas horas deitado. Passa por angústias terríveis, às vezes têm insônia, ideias frequentes de culpa, de ser inútil, baixa auto-estima. Em casos mais graves, o paciente chega a ter ideações suicidas, e o risco de morte aumenta.

Caso tenham vontade de conhecer mais a fundo os diferentes estados depressivos, consultem o CID aqui (capítulo V, F32). Esse artigo é o que me baseei para o que vou falar a seguir. A depressão, segundo a visão psicanalítica, tem relação com a própria formação do nosso sistema psíquico. Para Freud, o sistema psíquico se formou com a catástrofe da era glacial. É um modelo especulativo, ou seja, ele não parte de provas concretas, mas reconstrói o fato a partir das evidências que tem na clínica, e aí testa se o modelo consegue explicar o que ele pretende.

Com a era glacial, houve escassez de alimentos, e o homem, assim como os animais, entrou em um estado de hibernação, se desligando do mundo exterior, passando a dormir mais. Para a psicanálise, há aí uma experiência catastrófica que marca a mentalidade do homem. Caso este passe por uma experiência semelhante (não precisa ser algo grave, muitas pessoas tem uma vida relativamente confortável e mesmo assim entram em depressão, o que importa é o sentido que a experiência tem para a pessoa), seu corpo volta a recusar o mundo, e o deprimido centra-se em si mesmo, sofrendo uma angústia que não consegue dar nome.

Muitas vezes a depressão é acompanhada do que Freud chamou de Melancolia, e que não se fala muito hoje. Melancolia é uma espécie de luto patológico. Quando perdemos alguém amado, ou algo muito importante para nós, é normal sentirmos uma tristeza e ficarmos alguns dias assim. Mas quando não conseguimos sair dessa tristeza, e ela dura meses, aí ela se tornou patológica. A  pessoa entra em depressão, mas com um forte sentimento de culpa, como se fosse o grande causador da perda.

Quando atendo pacientes deprimidos, a sensação que tenho é de que minha energia está sendo sugada, e que no fim do atendimento fico cansado, com sono. Isso é devido ao fato de que o deprimido, em seu estado de hibernação, busca sugar o máximo de alimentos (por isso muito comem demais), e também da energia psíquica das pessoas, mas fazem isso inconscientemente. Talvez esteja ligado a isso a sensação muito comum que elas tem de estar nos prejudicando, ou de estar prejudicando a todos os que a rodeiam.

Na próxima postagem, eu quero mostrar para você a dificuldade que se é estar em depressão nos dias atuais, mostrando como nossa sociedade vê as pessoas com essa doença, que é grave e trás muito sofrimento.  Quero já indicar para vocês darem uma olhada no site Pensamentos Filmados, onde nossa parceira Ana Maria Saad faz um importante trabalho de apoio e esclarecimento dessa doença, além de contar suas experiências pessoais. Ela, mais que eu, tem muita autoridade para falar do que é sofrer com a depressão.

Corpo, Mente e Experiência mística – parte 3

EAGLE VISION, Susan Seddon-Boulet

Se a união com o todo é impossível de ser experimentada em sua plenitude, ela não está totalmente perdida, se seguirmos o modelo de pensamento que segui nos posts anteriores (parte 1 e parte 2). Vejam bem:

 – Se o indivíduo é um “dentro”, que é uma dobra do “fora”, então ele não está desligado do fora, mas é uma estrutura desse. De certa forma, estamos todos conectados, sempre. Mas quanto mais nos concentramos nas estruturas de nossa individualidade, quanto mais nossa cultura a valoriza e discrimina as diferenças, mais deixamos de sentir essa ligação original, e assim não temos acesso a essa sensação de união.

 – O sentimento oceânico é real, relatado por muitos místicos e pessoas com uso de alucinógenos. Um ramo da psicologia, a Transpessoal, mostra esse “além da pessoa”, já fez pesquisas com LSD e a sensação de sentimento oceânico que ela proporciona. Entretanto, ele só é sentido em estados de alteração da consciência. A consciência alterada é, de certa forma, um modo de se abrir a dobra, olhar para fora sem as estruturas mentais que controlam nossa percepção, e ver essa união. Mas a experiência só pode adquirir sentido depois, quando ela acaba, pela consciência. Ou seja, ela é realmente sentida depois que termina, que saímos dessa união. Enquanto estamos mentalmente unidos com o todo, não existimos enquanto pessoa, então é como se estivéssemos mortos, temporariamente.

Espero que esse post tenha intrigado vocês, a se pensarem que ALMA E CORPO NÃO SÃO TÃO DISTANTES UM DO OUTRO, e que o mundo chamado de místico pode estar mais perto de você do que parece…

Corpo, Mente e Experiência mística – parte 2

JOURNEY HOME (PSYCHE), Susan Seddon-Boulet

2 – O universo psíquico e a experiência mística

No post anterior (ver aqui), vimos que a física e a química, funciona por causa e efeito, mas a biologia tem normas mais flexíveis. O que isso tem a ver com a psicologia? Voltando a Freud, ele compara nossa mente àquele organismo vivo. Quando percebemos ou sentimos algo, tentamos dar um sentido para isso. Essa energia psíquica é então ligada e controlada. Se ela for muito intensa, a mente vai tentar ou se desfazer dela (fingir que algo ruim não aconteceu), reprimir (daí esquecemos, mas na verdade aquela lembrança fica dentro de nós e volta de outra forma, distorcida, em sonhos por exemplo), entre outras formas de dar controle a ela. Mas, se ele recebe uma energia muito forte, um estímulo muito doloroso, a dor é tanta que rompe essa camada protetora. Se uma bala atinge nossa pele, sua força é tanta que ela entra e rasga, se um acontecimento doloroso é muito forte, ele não pode ser controlado pela mente.

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Corpo, Mente e Experiência mística – parte 1

ATHENA, Susan Seddon-Boulet

Desculpem, mas peço que vocês me deixe viajar um pouco em algumas meditações que eu estou fazendo. O que quero aqui é buscar, na biologia e na psicologia, o fundamento da experiência mística, que geralmente colocamos em nosso espírito, em algo que é diferente do corpo. A experiência que falo é a do sentimento oceânico, ou a sensação de união espiritual com algo maior. Muitos místicos preconizam que se pode acessar essa conexão com as coisas, com Deus ou o Universo. Não quero desmerecer ninguém, nem explicar porque essa experiência acontece, mas dar uma visão de como nosso corpo e nosso psiquismo tem relação com esse sentimento.

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Temos total conhecimento daquilo que sentimos?

Você já olhou para dentro de si?

Desde Descartes, um dos maiores filósofos da Idade Moderna, A racionalidade humana, centrada no cogito (que significa “Eu penso”), achava que sabia tudo sobre si mesma. As pessoas acreditavam que o poder da razão era o suficiente para que o ser humano se conhecesse por inteiro, podendo assim dominar-se e utilizar seu poder físico e racional para construir uma civilização forte. Todos os que fugiam ao controle (os loucos, os criminosos, os perversos e também os revolucionários), de alguma forma não tinham ou não queriam controlar a si mesmos, ou tinham algum “defeito” em sua racionalidade, e deviam ser controlados por aqueles que tinham o controle racional.

Ora, essa teoria racional, dava nas mãos daqueles que detinham o poder e o acesso ao conhecimento a força para controlar a sociedade, e assim eliminar aquilo que julgavam ser diferente. Porém, alguns grandes pensadores, desde antes mesmo de Descartes, foram quebrando o pedestal em que o ser humano se colocou (Copérnico revelou que o planeta Terra não era o centro do universo, Darwin mostrou a conexão entre íntima humanos e animais). Mas quero destacar aqui o que fez Freud com sua Psicanálise. É certo que ele não foi o primeiro a fazer isso, mas foi sua corrente de pensamento que tornou essa ideia conhecida ao mundo: o homem não é dono de si, de seus pensamentos nem de suas emoções.

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Personalidade Obsessiva

Estou lendo um caso de Freud, que comumente é chamado de caso do “Homens dos ratos” (baixar aqui). Esse caso é sobre uma doença que ainda é presente hoje, o TOC, Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Essa doença é caracterizadas geralmente por obsessões, que são ideias que vêm repentinamente na cabeça das pessoas, desagradáveis, e que a pessoa não consegue se livrar. Devido à ansiedade, ela acaba executando atos compulsivos, que são comportamentos estranhos ou repetitivos, para aplacar a ansiedade desses pensamentos.

Claro que existem pessoas que tem mais as ideias obsessivas, e não tem comportamento compulsivo. O contrário às vezes ocorre. E há também o que a gente chama de caráter obsessivo, ou seja, pessoas que não possuem a doença, mas tem uma personalidade parecida com a do doente.
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Espiritismo e psicanálise

Salvador Dali

O que venho escrever aqui é mais uma reflexão, uma especulação, do que um conceito estruturado e pesquisado pela ciência… estou viajando, se é que me entendem… O que me leva a pensar nisso é um fato (vou mudar a história de forma a guardar a identidade dos envolvidos) que ouvi há muito tempo, sobre uma mulher cliente de minha mãe, que trabalhou na área de estética. Era uma senhora espírita, casada e com uma filha única. Sua personalidade era um tanto narcísica, ou seja, ela tinha uma demasiada atenção voltada para si mesma, sua superioridade e seus prazeres. Mantinha em seu casamento uma relação na qual o marido permanecia submisso e este sofria as ofensas e descasos da mulher. Entretanto, ambos os pais eram de certa forma submissos à filha, que tinha um gênio dominador e enfrentava a mãe constantemente. Já o pai sempre satisfazia os desejos dessa.

O caso aqui é que a mãe sempre se queixou da incompatibilidade de gênio entre ela e a filha. Frequantando sessões de regressão, ela descobriu que, em suas vidas passadas, ela e a filha haviam sido rivais por um mesmo homem, e que o “carma” delas nessa vida era de terem de ser mãe e filha, e aprender a superar essa rivalidade existencial.

Ora, vamos deixar as explicações religiosas de lado por um minuto, e vamos nos atentar a vida atual dessas pessoas. Temos aqui um triângulo familiar: pai, mãe e filha. Segundo a psicanálise e sua teoria do Complexo de Édipo, o filho, na relação com os pais, chaga a sentir desejo pelo pai de sexo oposto e raiva do pai do mesmo sexo, que se constitui como seu rival. Esse processo atua na formação da identidade sexual da criança. Vamos ver um pouco como se dá essa dinâmica, à grosso modo: O filho se identifica com o pai, e assim à sua posição de marido da mãe, passando a desejá-la. Mas nessa posição, o pai é rival, e então merece sua raiva. O oposto acontece de forma mais ou menos igual com a menina. Claro que isso é uma simplificação, o processo é mais complicado e alterna-se com o que se chama de Édipo inverso, quando, por exemplo, o filho se identifica com a mãe e passa a desejar o pai. A criança alterna nessas posições, construindo assim sua escolha objetal (a escolha de seu objeto e desejo – homem ou mulher basicamente mas não exclusivamente).

Não é incomum vermos pais mais próximos de suas filhas e mães de seus filhos. Na minha família mesmo é assim. Questões não resolvidas durante essa fase (traumas, dificuldades, entre outras coisas) causam o que se chama de fixação, ou seja, a pessoa não supera totalmente esses sentimentos, e fica de certo modo preso a esse passado, que fica inconsciente. Um dia explico melhor como isso funciona.

O que temos aí, entre espiritismo e psicanálise: um passado conflitante, que fica marcado, e que retorna “em outra vida” (seja ela outro corpo ou a adolescência e maturidade, que na verdade é um corpo de certa forma diferente do infantil). A diferença é que, para a psicanálise, o inconsciente é parte dessa vida, e fica como que dentro de nossa mente e invisível aos outros, enquanto que no espiritismo há outra vida anterior.

Existem psicólogos espíritas, que atendem e se baseiam tanto na ciência psicológica quanto nos dogmas do espiritismo. Não sei de sua eficácia, mas sei que, tanto no caso do espiritismo quanto na psicanálise, a catarse (ou seja, a mobilização emocional, o reviver essas emoções antigas e que nos mantém “presos” a esse passado) é um fator de cura. Tomo como base aqui o excelente texto de Claude Levi-Strauss, “A eficácia simbólica” (para ler, clique aqui), compara o xamanismo à psicanálise, mostrando como o símbolos, a ação simbólica, o ritual, o mito, tem ação catártica e auxilia na cura de sintomas psíquicos.

 Aí entra talvez em discussão os rituais de possessão, de exorcismo, tanto nas religiões afro-brasileiras quanto nas evangélicas, e outros fenômenos onde nossa consciência se apaga, e entramos em contato com outra sensibilidade do mundo. Espiritualistas chamam isso de consciência universal, quando ampliamos nossa consciência e nos unimos à consciência do mundo. Eu acho essa descrição parcial e que induz ao erro. Ter consciência de algo é ter um certo isolamento, um sentido mais separado, distinto. Quando estamos nesses rituais de possessão, a ideia que se tem é que a pessoa perdeu sua consciência, e somente depois da experiência, quando a consciência retorna, é que ela percebe o quanto essa experiência ampliou seus horizontes, Entretanto, no momento de surto, de contato com o Mundo, de possessão, a sensação é de apagamento, de fuga de ideias, de perda da separação do corpo com o mundo.

É portanto uma experiência sensível, da percepção, do corpo, da sensualidade da matéria, mais do que de uma alma desencarnada. Entretanto, é mais que isso, é quando corpo e alma não se distinguem mais, quando o corpo fica etéreo e a alma fica sensível, quando um passa no outro.

Bom, falei demais aqui. Espero que isso cutuque vocêm em algum ponto, e que possamos conversar mais sobre.

O Homem e a Queda de seu Pedestal

Falar sobre o homem, a humanidade, é uma tarefa complicada. Isso, pois não estamos falando de um objeto visível à nossa frente, ou de uma bactéria em um microscópio ou qualquer fenômeno a ser testado. Nem mesmo do corpo enquanto esse conjunto de células que os biólogos e médicos tratam. Falar do homem é tornar-se objeto a si mesmo. Ou seja, é olharmo-nos no espelho, é ver o que somos, mas sabendo que somos nós mesmos quem questiona. Somos o ponto de partida e de chegada dessa questão.

O texto que escrevo aqui é introdutório dos temas que irei tratar com mais cuidado ao longo de minha contribuição para o blog. Assim, já destaco os riscos que correremos nesse caminho, preparando-nos para as discussões já feitas e para as que virão. Destruir dogmas, essa tarefa não é fácil. Temos que abalar suas estruturas, para que elas caiam por conta própria, caso o leitor assim o queira. Se estamos na física, na biologia, na química, etc., eliminar dogmas seria mais fácil, isso no sentido de que, assim que uma teoria se confirma ao longo dos estudos, pouco resta aos outros cientista senão adotar esse ponto de vista, nem que seja para tentar provar seu erro. Assim foi com as grandes viradas de nosso conhecimento, Galileu, Newton, Einstein, e isso para ficar nos mais conhecidos da física.

Agora, e quando nos passa pela cabeça aquelas perguntinhas já piegas de tão repetidas: o que somos? de onde viemos? Onde estamos? Por mais que pareçam ridículas, elas refletem algo que sempre nos incomoda. Respondê-las é difícil, pois se tratam de coisas que não estão facilmente a nosso alcance, e que não nos fornece dados diretos na realidade que vivemos. Assim, várias correntes, abordagens e teorias se formam na busca dessa explicação. Mostrar o erro de alguns pontos de vista depende cada vez mais da crença de cada um, ou dos poucos dados que pode obter. Principalmente quando perguntamos sobre nós mesmos. A Psicologia, que se propõe a estudar o sujeito humano (definindo-o de acordo com sua posição teórica e ideológica, mas que em geral refere-se a nós mesmos, pessoas, indivíduos, etc), é composta por inúmeras abordagens diferentes, cada um dando conta de alguns fenômenos sobre nosso psiquismo, mas deixando de compreender outros. Cada um prega um tipo de homem diferente, e fica difícil a tarefa de criticar cada corrente.

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