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O Macaco-Homem Ordena

Hoje temos rap para brancos e Hip Hop para ricos, brancos querem ser malandros e negros querem parecer com os burgueses que os condenaram caindo na armadilha social, Che Guevara é vendido nas camisetas de 15 reais, e Gandhi virou o rosto pra qualquer frase na internet.

Ser honesto virou notícia e a morte virou celebridade nas televisões, o medo encontrou seu lugar entre os braços hipotérmicos do indivíduo e entre as grades de poluição vigiamos para sermos vigiados.

A noite não dorme… ela suspira com um olho aberto…

Hoje, o amor se tornou uma porta de emergência em que ninguém grita em desespero alarmante, apenas rasteja com suas línguas cortadas engasgando em sangue seco. Venderam a solitude como solidão, e deram à vida social, o lugar irreal para sossegar. O sexo virou remédio pra alma… uma pena ser apenas placebo.

Rezamos por Deuses que não concordam com o que acreditamos, e nos flagelamos incessantemente por tal assincronia, nos ensinaram que o mundo é assim desse jeito, castrando assim nossas asas, nossas sensações, nossa harmonia.

As mentes doentes erupcionam-se todos os dias nos jornais das 8, a capa das revistas apontam os sintomas como causas e desmedem esforços para subjugar com leis vesgas os que olham para baixo.

O mundo, apesar de redondo, nos achata. A cultura da ostentação tem uma cama em todo lugar onde há um teto, alimentamos todo dia esse parasita com ração de ética de dia e do bom senso de noite.

Olhamos para o outro lado da jaula buscando as soluções dos macaco-homens, quando na verdade nós estávamos dando amendoim e banana  para eles o tempo todo.

Se ao menos olhássemos para nós mesmos para perceber…

Se ao menos…

Percebemos.

- Dedicado à Helisa Quinto Ignácio

Agora, agora, agora…

Enquanto as Trombetas não tocarem,
Enquanto o Ciclo não acabar,
Enquanto ele não Retornar,
Enquanto o mundo não Afogar,
Enquanto o Sol não apagar,

Estaremos vivendo,
estaresmo duvidando,
estaremos crescendo,
estaremos escrevendo,
estaremos apagando,
estaremos construindo,
estamores preservando
e destruindo,
tocando e silenciando.

Enfim, acontecendo..

Enquanto o mistério continuar
teremos o porquê não se preocupar
se Deus um dia irá Chegar…

O homem assim como Deus é o verbo.

A Constância

O ser humano já foi uma civilização nômade,
O ser humano já foi uma civilização guerreira,
O ser humano já foi uma civilização agrícola,
O ser humano já foi uma civilização escrava,
O ser humano já foi uma civilização meditativa,
O ser humano já foi uma civilização mágica,
O ser humano já foi uma civilização devota,
O ser humano já foi uma civilização castrada,
O ser humano já foi uma civilização de grandes monumentos,
O ser humano já foi uma civilização astronômica,
O ser humano já foi uma civilização aprendiz,
O ser humano já foi uma civilização sobrevivente,
O ser humano já foi uma civilização atroz,
O ser humano já foi uma civilização de amor,

Pra quem diz que as pessoas tem uma natureza, uma essência,
é melhor olhar para tras antes (engraçada a analogia tempo/espaço),
pois o ambiente se mostra muito mais importante do que qualquer pré-disposição. 

Pare de falar que nunca vai mudar, nós sempre mudamos.

A mudança é a única constância.

“Os Números Marcham Avante em um Máquina do Tempo.”

Os Eternos não vivem para sempre,
Os Eternos não sabem tudo, nem o que sentem
Os Eternos não demonstram sentimentos,
mas são constantes num tempo eternamente presente.

Se enxergam em terceira pessoa,
Observam tudo, tudo, tudo…
analisam tudo, tudo, tudo…

Procuram detalhes invisiveis ao mundo,
seguem uma ética simples e obscura,
mudam a realidade para o equilibrio que procuram.

Não é hoje, não vai ser amanhã,
as coisas mudaram e é difícil voltar,
o tempo mudou, sem alto nem baixo,
não existe mais como arriscar.

Voltar para hoje significa contar as possibilidades
de minha casa estar no mesmo lugar,
o que estaria de diferente?
será que eu vou notar?

Os eternos sabem contar.
Os eternos sabem mudar.
O que daria mais medo,
a possibilidade de errar ou de acertar?

Não vamos nos questionar,
Escolhamos o caminho do meio,
sem ter com o que se preocupar.
Mas existe um tempo que nunca vamos passar.
Não se sabe o porquê, mas os Eterno não conseguem alncaçar.
Ser Eterno não significa conseguir ir pra todo lugar.

Espaço e o tempo andam de mãos dadas,
controlamos o tempo, mas não saimos de casa.
Será que erramos em algo, ou cortaram nossas asas?

Quando tropeçar não se tornar algo insuportável de se pensar,
as pessoas verão as estrelas sem as nuves para atrapalhar,
vivendo nessa vizinha circular que chamamos de via lácteá.

Inspirado no Livro: O Fim da Eternidade – Isaac Asimov

Altamente recomendado.

O Herói, seu Ego e a Máscara.

Sem Rosto

A batalha contra o mal é cíclica e devastadora,
E muitas vezes ele usa golpes baixos e artimanhas,
sabendo muito bem suas fraquezas, englobando você,
como a escuridão engloba uma vela e sua fraca chama

Você pode derrotá-lo, mas só o mandará para a prisão
prisão essa que não acabará com o ciclo, herói e vilão
Mesmo preso ele entende as fraquesas humanas
e a utiliza para sair com suas manhas.

A nova ética herórica o proíbe de matar e terminar a perpetuação,
As crianças imitam seus gestos, as mulheres se interessam pelo resto
se o ciclo acabar como o herói ficará? O que ele vai ser?
Se prender o vilão, vai ter chance de usar sua máscara denovo.
Mas se o matar, condena também seu alterego mascarado.

O herói tem uma falha gigante,
Ele é louco, ele é incabível no mundo,
Ele não pode ser nada além que uma máscara,
não há mais nada além de sua capa,
seu ego já não existi mais,
Ele, agora vive a mudança que quer ver,
e ve as mudanças nas vidas de agora.

Relógio sem Ponteiros

Misterioso

Quantas coisa não sabemos ?
quantas pessoas pensam saber ?
quantos ignorantes se afirmam ?
por que começar com perguntas ?

tantas dúvidas na vida e uma certeza extrema na morte
você sempre come o pão e da as migalhas da má sorte
cada degrau em que piso é você, você serve apenas pra me elevar
se não há paz se o meio é a guerra, cansei de pensar
é muito pra mim

procuro buscar minhas oportunidades
mas como queria ser um alienado sem preocupações
pensar só em coisas fúteis as vezes
não ter minha atenção em nada, apenas respirar.

Vivendo num pensamento silencioso
que nunca me abandona, minha melhor companheira
mente, algo criado pelos orientais para representar
a sujeira entre nossos ouvidos.

Nos perdemos em lugares sem labirinto algum,
sons cavernosos ouço quando estou nele,
“minha bússola não aponta mais o norte que apontava”
e a culpa é de quem? quem devemos culpar? quem eliminar?

os cegos tem muito tempo para enxergar a verdade
olham pra dentro de si e ignoram o que sentem de fora
lixo, asneiras, conflitos, imagens, nojeiras, massacres,
medo de conhecer algo que esteja além da fronteira,
dos muros de meu castelo.

dragões podem abocanhar muitos,
mas ele continua em pé, continua firme até o fim,
caso contrário terá que ser refeito.
Erros não são feitos para serem lamentados,
apenas consertados.

meus botões podem não ter ouvidos, mas como é bom falar com eles,
o diferente é estranho e traz aversão dos mais embaralhados,
os coringas entendem que um bom momento de reflexão é muito melhor
do que festas ou algo que o valha…

O relógio gira, tic-tac, mas de que adianta se és um homem sem compromisso,
compromissos podem ser adiados, mas promessas apenas quebradas.
O relógio gira, tic-tac, mas deveriam saber que certas respostam não vem com perguntas,
mas com o tempo, com o ciclo interminável, com o futuro
que aliás, algo tão idiota, algo feito simplesmente para se evitar os momentos conflitantes
da vida pensando no futuro sem perder o presente sem perder a vida…
quebre relógios, quebre tudo que é feito pelo homem,
só fique com o que você tenha certeza que ficará para sempre em sua mente algo imortal…

Desnude sua mente dos panos da realidade plástica que ti embrulha.

A Marcha da Metrópole

Manequins

Não saia da linha!
Não Seja um Vagabundo!
Não, você não pode apenas viver!
Tem que ser Alguém, fazer algo de construtivo!
Em Plenos Século 21 você quer ser você mesmo?!

Não percebemos, mas seguimos um ritmo.
Ritmo esse estabelecido a muito tempo.
Seu limite é o anunciado no jornal.
As notícias podem não dizer a verdade,
Mas quem se importa se funciona?!

Todos seguimos a mesma melodia
Dia esse que se repetirá com o tempo.
Até que ultrapasse seu limite e você fique mal.
As pessoas podem não dizer a verdade,
Mas quem se importa se você também não diz?!

Verdade pode começar a sair,
Alguém pode se incomodar, pode ti chamar de louco.
Porque alguém não ia querer beber a cerveja da propaganda,
Comprar um carro com as mulheres que ti mandam?!

Essa pessoa teria que ser doido, ou assim como Zaratustra
estar muito além de sua época, totalmente culpado de sua insensatez com a realidade
sair das ruas escuras da cidade, da violência das vielas,
Da Hostilidade natural das pessoas,
Ajudar uma face desconhecida, enxugar uma lagrima seca.
Como sair?! Como Suicidar necessidades e tic-tacs imaginarios?
Não quero me vestir igual, não quero andar igual, não quero olhar igual.

Apenas saindo da Marcha da Metrópole.

Sobreviventes do Capitalismo

Anorexo

Vou vender minhas antigas construções
eu tenho que sobreviver,
Vou vencer meus novos campeões
alguém tem que me dizer,
Sou eu quem morrerá com grilhões
Você, tenho que vencer.

Estou subindo, estou subindo
Cada degrau é você
Meu suor irá dificultar o caminho dos próximos
Estou perdendo minha vida
cada mortal é você
Meu sangue irá influenciar os córregos
que de vermelho sofrido irão preencher
com o sofrimento alheio as tubulações desse esgoto
Somos Sobreviventes
Sobreviventes do capitalismo.

Minha dignidade está em promoção
já não me iludo com fé,
Minha coragem ilustra esse chão
que ontem andei a pé,
e Quem vai viver só de pão?!
você, já se integrou né?

Faz parte da realidade
Pouco se importa com a maldade
Nem pensa sobre justiça
são dimensões da vida que são como o ar,
Ou não podemos tocar, ou nos envolve a todo instante.

Dite Suas Regras, Jogarei Com as Minhas.

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Somos desclassificados de peneiras que nunca vemos
Somos marcados a ferro os diplomas que teremos
Somos jogados na teia de aranhas, dormimos junto ao feno
Somos castrados viris, ilusionistas, enganadores de nós mesmos

Peixes fora d’água asfixiando
Cavalos numa escada tropeçando
Elétrons fora da camada saltando
Humanos sem mapa vagueando

Os Números, as estatísticas, as empresas,
as revistas, os jornais, as notícias,
as mentiras, as intrigas, as fofocas,
Vamos desquantificar seu ser.
Você não é mais isso,
é apenas a incompreensão detalhada nesse papel.

Deixamos de ser iguais,
Somos diferentes,
você é o chefe, mas sou o Ubermensch.
Se o humano fosse tão simples para se mensurar
Nunca conseguiríamos calcular as variações da mente.

Somos muito Além
Já somos Ubermensch.

Notícias de Ontem e Ontem e Ontem.

morto

Uma pessoa perde um parente e passa no jornal
depois de um dia só passa outras tragédias

Minha irmã morre e microfones vão
entrevistar, não socorrer
os olhares se atraem para a tragédia
não para uma normal situação

Um, Dois.
NO AR! NO AR!

Vamos olhar, vamos chorar
o sofrimento vindo da televisão
não desligue, não troque de canal
eles querem você, querem sua atenção

Vamos matar, vamos deixar morrer
vidas são de menos, ninguém importa
Minha irmã passou no jornal, ela se foi
o ibope aumentou seus números com a morta

Deixe cair, Pode pisar
vidas são mais importantes, o terror não alcançou sua meta
onde está a moral? ela foi tão importante
a reportagem terminou, corta!

Temos outra morta.

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