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Sim, No Fundo Nos Importamos

Sim, nós nos importamos no final, podemos evitar mostrar isso em público por questões sociais e culturais, mas no fundo quando alguém ofende nosso grupo ou os não privilegiados não deixamos barato, pois todos sofremos juntos num país desorganizado e injusto, e no fundo queremos que esse sofrimento gratuito acabe, pois todos nós, ou a maioria pelo menos, já sofreu e não tinha ninguém para ajudar nessa hora.

Veja uma outra atitude linda:

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A Fama do Mendigo de Curitiba

Na falta de uma palavra melhor que Preconceito, usarei “Ignorância” para descrever o que aconteceu com as pessoas que viram e se expressaram com relação à esse mendigo que ficou famoso esse mês passado, em sua maioria.

Pra quem não sabe, ele é de Curitiba, ex-modelo e atual mendigo usuário de drogas (crack ao que tudo indica) que ficou famoso após pedir para alguém tirar uma foto dele, e esse usuário divulgar essa foto no facebook. Resultando em mais de 17 mil compartilhamentos.

Foram milhares as pessoas que soltaram comentários como: “Que mendigo bonito. Precisa de um caça-talentos”; “Mendigo bonito… Vai ficar famoso rapidinho”; “Da até vontade de levar pra casa”; “Traz pra Goiás que pra esse ai dou casa, comida e roupa lavada”, dizem alguns dos comentários.

Ele virou Meme por dias sem saber, viraria notícia nos maiores sites e jornais (globo, uol, folha), viraria conversa de bares, e seria discutido sobre como ele teria virado um mendigo. “-Mendigo? Bonito assim? De olhos azuis?” foi o hino de outubro de 2012. Continue reading

O Ego é a Fonte da Atitude Altruísta?

Esse foi um debate realizado entre Vitor e Mako à respeito da pergunta: Será que a atitude altruísta, que pensa no bem do próximo, é na realidade uma forma da pessoa pensar em si mesmo, pensando mais na sua necessidade de fazer o bem do que em satisfazer o outro?

Mako Abe:
Será essa a verdadeira força motriz de uma ação altruista? Qualquer um pode afirmar que nos sentimos bem ao ajudar alguma pessoa, mas os motivos para tal são diversos, desde culpa por ser rico, ou por aliviar uma possível consciência pesada, até simplesmente se comover com a situação de uma pessoa na rua. Mas acho que olhamos essa situação apenas de forma psicológica, sentimos um desconforto ao olhar um mendigo na rua claro (muitos já estão anestesiados com a visão rotineira), mas eu acho que muitas pessoas tem a consciência que aquilo não deveria acontecer e se ele pudesse aliviar um pouco o sofrimento dele ia ser bom, mas não pelo simples fato de se sentir bem, e sim dessa pessoa perceber que mesmo que inconscientemente que nós devemos e nos ajudamos por natureza própria, somos parte da mesma raça, do mesmo organismo planetário.

Vitor Oliveira:
Bom, Essa questão é muito confusa. Posso até ter dito sem pensar, mas no geral eu concordo com essa ideia, do fundo egoísta do altruísmo, do mesmo jeito que vejo, por outro lado, um fundo altruísta do egoísmo. Gostaria, primeiro, de passarmos a limpo o que chamamos de altruísmo e de egoísmo. Vou aqui colocar minha ideia, e acho que, antes de discutirmos esse ponto, você poderia colocar a sua. Em vez de um ping-pong direto, no qual eu falo e você rebate e fala e eu rebato, podemos construir algo juntos…
Vamos lá: As duas palavras possuem o sufixo -ismo, que é usado, desde o século XIX, para criar substantivos que designam correntes ideológicas, religiosas e filosóficas. Geralmente, esse sufixo destaca a importância do radical – o trecho da palavra que vem antes dele, e o torna representante máximo de uma forma de pensamento. Assim, o marxismo lê toda nossa história através de Marx, e geralmente se esquece de outras formas de leitura, o idealismo crê no mundo das ideias como sendo o primeiro, o verdadeiro, colocando em segundo lugar a matéria.
Bom, o mesmo acontece com essas duas palavras: egoísmo destaca atitudes e comportamentos centrados no ego, no sujeito, e quando falamos em moral, se refere a uma pessoa que pensa primeiramente em si mesma e no seu bem-estar. Altruísmo seria o oposto, ou seja, o alter (outro) estaria em primeiro plano.

Abstenho do Orgulho em Prol do Meu Amor

“- Gente estou aqui porquê estou desempregado e me vejo nessa situação de estar aqui pedindo algo pra vocês, pois tenho filhos doentes e não consigo comprar um saco de arroz pra minha família, quero ver se consigo pelo menos 10 reais até as 6 horas para eu conseguir comprar algum alimento”

Esse tipo de frase chega a ser um hino ouvido a cada vez que se pega um trem ou um ônibus em São Paulo,  a comoção das palavras e a sinceridade explicíta muitas vezes alcança as pessoas, mas muitas apenas encontra o olhar de canto já calejado de pessoas que suplicam por ajuda em cidades grandes.

É como um mosaico da Metrópole e várias pedaços são essas pessoas.

O que acho muito interessante e triste ao mesmo tempo, é a jornada de desprendimento do orgulho, como um ser humano que valoriza o status e começar a pensar e agir de uma maneira/fonte de causa triste, o amor por seus entes queridos, claro, não preciso nem falar que a maioria das vezes  o exilamento do seu orgulho é causado por um amor irracional de família ou mesmo um peso de responsabilidade muito grande implantado na pessoa.

Mas quero tentar detalhar um pouco essa jornada que acho muito heróica, pois é o auto-sacríficio altruísta em busca do bem de mais pessoas, e isso pra quem não passou por provas de auto-superação não sabe o quão difícil pode ser se expor a olhares de escárnio, para muitas pessoas são como se cada olhar fosse um facada de tão humilhante que pode ser para essa pessoa, e devo ressaltar que não é o herói que escolhe a jornada e sim a jornada que muitas vezes cai sobre o herói, portanto muitas das pessoas não estão nenhum pouco preparadas para tal radicalização de seu modo de viver e de encarar as suas necessidades com relação ao seu ego.

Muitas pessoas podem pensar que nós causamos nossa realidade e portanto quem se encontra nessa situação “fez por merecer” tudo isso, mas com certeza essa é uma certeza muito forte para qualquer um ter, o melhor seria nos manter na dúvida e aceitar como possibilidade que muitas vezes coisas acontecem, e o fato de ser ruim ou bom depende da pessoa interpretar, muitas vezes depois de uma fase de caos em nossas vidas não nos imaginamos não passando por aquilo, pois nos ajudou/melhorou de tal maneira que seria melhor que tivesse acontecido esse “algo ruim” que nos possibilitou tirar coisas boas e nos fortalecer.

Para deixar o orgulho de lado é preciso dar um salto, dar um movimento em que haverá uma mudança drástica no modo de agir/pensar, salto esse que poucas pessoas dão, que seria uma atitude determinada de mudança quando se vê algo errado acontecendo, atitude essa heróica que poucos temos consciência que podemos ter e muito menos os que as tem.

Se não me engano a jordana do herói é composta pelas seguintes fases: o problema é apresentado, há a negação do herói do problema, em seguida ele se vê impossibilitado de escapar da busca pela solução, passa pela prova, e o auto-sacrifício finaliza a jornada ou um ato de igual valor. Infelizmente muitas vezes ficam presas em um desses estágios, pois não conseguem pensar em modos de superá-los adequadamente.

O que quero dizer e tentar proporcionar aqui é nova visão sobre esse tipo de pessoa, não com um olhar de dó e pena e sim com o olhar de alguém que sabe que todos passamos por provas, sendo elas por consequências nossas mesmas ou não.

Um novo olhar para tudo é urgente.

Pseudo Anti-Comodismo

Esses dias ouvi a frase ” Eu não quero que mendigos durmindo na rua sejam percebidas como coisas naturais e sem impacto ao meu olhar, quero sempre me indignar quanto a isso”, a frase foi algo assim.

Essa é uma frase muito falada por pessoas que acham que podem mudar o mundo com apenas seu pensamento.
Você não se se acomodar é muito bom, mas está na mesma posição no mundo físico do que um acomodado.

Uma árvore que pensa continua não mudando nada a sua volta a não ser pelos seus ciclos naturais que não exigem nada além do natural.

A indignação deve se materializar em ação para ter seu efeito real, se não é apenas pensamento.

Cito um exemplo, preconceito e discriminação, as pessoas usam essas palavras de modo errado. Preconceito todo mundo tem, é natural e involuntário, acontece sem  a gente perceber, já discriminar é botar esse pensamento mesmo que não natural para fora. Uma situação que isso pode acontecer é quanto vemos pessoas vestidas de forma muito suja e andando rapido em nossa direção, o medo ou preocupação vem rapidamente em nossa mente, fazendo-nos muitas vezes ir para o outro lado da rua.

É algo natural, acontece.Mas devemos lutar contra os preconceitos ruins.

Vou citar um acontecido dessa semana que aconteceu comigo; tinha um cara com o carro quebrado na marginal pinheiros e estava tendo uma puta chuva, tinha uma pessoa acenando para parar, e decidi parar, ele estava precisando de 36 reais para comprar uma peça do carro que quebrou, e eu só tinha duas notas de 20, e dei pra ele, instantaneamente meus amigos me olharam com a cara (você vai fazer isso mesmo?!), ele me prometeu ligar e depositar o dinheiro pra mim, o que não aconteceu ainda.

É esse tipo de mudança que devemos viver, simplesmente ação, não adianta nada você simplesmente ver alguém precisando de ajuda e se sentir mal, se sentir mal é assumir uma derrota ao estilo de vida capitalista, e esse estilo preve uma acomodação, ser ativo

É quebrar um ciclo.

É acordar do modo zumbi,

É ser um dos poucos sóbrios do bar.

Portanto, não fique aí sentindo a realidade, vá e a modele ao seu modo.

Invisível Ficarei

invisivel

Na invisibilidade ativa
constantemente passo
através de corpos e olhares
que não focalizam nada
além de si mesmos
me fazem desaparecer
me fazem não merecer
minha existência insconstante
minha consciencia errante
ao som da multidão não percebo
o barulho de seus passos
outros invisiveis outros viciados
perambulam nesse Mundo chamado rua
e com esses pólos de visiveis e não
caminharei nas falhas de suas passadas
tentando encontrar uma sombra onde me esconder,
onde me safar
no refresco entre a penumbra e a sombra
permanecerei parte do todo camuflado de ambiente
acomodado espero alguém jogar água no verde e marrom de minha roupa
pois não tenho coragem suficiente pra gritar
e atitude para me ouvirem.

na falta de luz, esperança, agitação, coragem, meios
sentarei e lerei o jornal de ontem.
e amanhã o de hoje.

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