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O Som de uma Folha Caindo e o Medo da Inexistência

Essa foi uma conversa que tive no começo do ano no Facebook.
Glenda: acho que as pessoas estão levando cada vez mais a serio aquela questão : ” se uma árvore cair numa floresta vazia, ela faz barulho?”. A maioria aqui no facebook , pelo jeito acredita que não
Mako: Adoro esse assunto, e a questão tem uma resposta.
Ela faz e nao faz barulho ao mesmo tempo.
Glenda: Se elas pintarem as unhas dos pés e não postarem uma foto, ou fizerem uma gelatina e não postarem uma foto, dar um beijo no namorado e não postarem uma foto, etc etc etc, é como se elas duvidassem da própria existência.
Mako: É preciso provar, é preciso que alguém observe, bem engraçado isso, pois a resposta pra a questão tem tudo a ver com isso. Apenas se alguém observar é que se verá se a árvore caiu ou não, até então ela é uma multiplicidade de possibilidades indefinidas, ou seja, algo não identificável.
*
A experiência da Fenda Dupla deixa a entender que no mundo subatômico as partículas se comportam como se fossem onda quando não há observador e como partícula quando há um observador.
E quem diria que até as pessoas tem esse mesmo comportamento?
Muitas pessoas se sentem sozinhas e tentam registrar suas ações, pois parece que a única maneira de validar suas experiências é com a observação de terceiros. E infelizmente foi construída uma cultura de compartilhar momentos e que isso está acima de viver eles.
Será que realmente somos uma multiplicidade de possibilidades até alguém observar, alguém interagir?
Talvez, já foi observado pela física quântica que objetos estão micromilimetricamente  em lugares diferentes quando temos observadores diferentes, o objeto está em um lugar para cada pessoa, mesmo que seja de forma minúscula.
Mas o que faz a gente existir? Sempre há observadores?
Precisamos de algo para existir?
Creio que não, na nossa sociedade há uma idéia implantada de que quem não aparece não existe, há a celebração do palhaço e dos 15 minutos de fama e por mais que saibamos no fundo que tudo isso é ridículo de tanto ver no nosso dia-a-dia acabamos por ceder mentalmente a isso.
Mas se pararmos para pensar ninguém disse que a partícula de fóton  no experimento não existe quando não há observador, mas sim ela é várias coisas ao mesmo tempo.
Nós também somos várias coisas ao mesmo tempo, mas porque queremos mostrar que somos uma? Por que queremos projetar apenas uma idéia de quem somos e não nossa complexa multiplicidade?
Porque queremos que outros pensem algo bom de nós, queremos ser aceitos, queremos que os outros nos vejam como quem gostaríamos de ser, e é aí o erro colossal de nossa sociedade.
Preferimos mentir a ser quem gostaríamos.
E uma imagem faz isso.
Tudo isso para fazer um som…
Apeas um som.

Mais do que simples imagem de nós mesmos

Estava passando pelo corredor de meu apartamento e levei um baita susto, olhei de lado, para o espelho no fundo do corredor, e vi uma sombra. Pela posição, a sombra parecia ser de alguém vindo do quarto, mas na verdade era somente minha sombra, que no jogo de posições do espelho ganhou, por um momento, vida própria.

 É incrível a vivacidade psicológica que nossa imagem especular e nossa sombra possuem. Quando somos bebês, vêmo-nos no espelho quase que como os animais: a imagem parece ser outra pessoa. Entretanto, há uma enorme diferença entre o bebê e o animal, pois este se sente muito feliz ao brincar com sua imagem no espelho. Esta lhe desperta grande interesse, ele ri, toca a imagem com a mão, e com o tempo tenta buscar a pessoa que está ali atrás.
Psicologicamente, dizemos que a criança está no estádio do espelho. Ele está aprendendo que possui um corpo completo, que pode ser visto pelo outro. Ao mesmo tempo que aprende a ser ver completo, ele vai entendendo que existem outras pessoas, diferente dela, e que podem ver seu corpo de uma posição diferente da sua.
Aos poucos, adquirimos um saber que se torna racional, de que a imagem é uma ilusão, e que só existe na superfície do espelho.
Só que nunca nos tornamos totalmente racionais, felizmente. Nossa imagem e nossa sombra carregam um imaginário e um sentimento forte, são quase independentes, são quase um parte de nós fora de nós mesmos. Isso é mostrado pelas diversas fábulas e fantasias de um mundo dentro do espelho, as imagens de terror de nossa imagem se movendo sozinha, etc.
Ver a si mesmo no espelho significa, na filosofia de Merleau-Ponty, que temos um sentimento de união com o mundo profunda. Só nos completamos no mundo, e esse circuito nunca termina.

Fotografia e a Necessidade de Virar Vitrine

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Já vem acontecendo faz alguns anos, mas está bombando agora, principalmente na minha aqui em São Paulo.

Todo mundo quer ser fotógrafo, mas não pelo motivos certos, claro todo mundo tem liberdade de escolher a futilidade que quiser, mas queria parar para pensar um pouco sobre isso.

A fotografia é o ato de registrar e guardar algo, há também como se expressar através dela com idéias criativas ou não, mas hoje em dia ela serve para tudo. Com o BOOM das mídias sociais elas tomaram uma nova função, a de vitrine pessoal. Até já existe um novo ramo de trabalho para fotógrafos que em vez de fazerem “books”, fazem albuns de facebook, especializados nisso.

A necessidade de mostrar o que está fazendo, de parecer “legal”, bonita (também parecer safada(o)), de que faz coisas que as pessoas tem vontade, e o pior de tudo isso é que há um retorno, as pessoas engolem tudo isso e perpetuam esse tipo de ação vazia. Um bom exemplo de tudo isso é quando alguém vai comer algo, antigamente era totalmente normal você saber cozinhar e sair para jantar, parece que isso foi ficando raro pra umas pessoas e para outras isso foi exaltado, é motivo de festa e exibição de seu contentamento por fazer algo que aos olhos sociais parece incrível.

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A Mídia Está Nos Deixando Loucos!!!

 

A comida que você come, não é o que você acha, ela tem imperfeições, toda carne tem fezes, gelatina tem osso, fanta uva usa uvas estragadas, mas quem liga?!

Tudo isso parece muito bom nos comerciais, engolimos imagens, tocamos imagens, compramos imagens, sentimos imagens, somos línguas gigantes experimentando o valor do artificial e agradecendo por não sentir a diferença do real sabor.

Somos enjaulados por fora de caixas luminosas aprisionadoras, nos mandam correntes via wireless, via cabo ou satélite, somos controlados por sinais invísiveis, postos em nós sem nos conscientizarem.

É a prisão outorgada, implatada por cirurgiões fantasmas.

Sentimos que há algo errado, mas nunca percebemos o que.

Andamos nessa desconfiança, sobre um gelo fino que se não acreditarmos que ele vai ficar firme, ele estourará.
Olhamos para frente com medo de ver aonde vai dar se cairmos, estamos todos assustados.

Queremos viver sempre vidas que não são as nossas, há uma coisa incomodando debaixo dos 100 colchões, mas não sabemos que é uma ervilha.

Como escapar?! os pintores da realidade contidiana não se iludem com seus proprios quadros disfarçados de paredes?!
Como construir uma realidade se ao construir você acaba entrando nela? São realidades criadas de realidades, ou seja a farsa da farsa.
Quadros pintandos com quadros dentro, ad infinitum.

Como fazer nós, bonecos de madeira, virarmos meninos de verdade?!

Onde está a fada azul?

Será ela algo que tirei de minha imaginação para tomar lugar a situação desconfortável que qualquer vida respirante se encontra nesse segundo?!

Mas espero um pouco, se é algo imaginário, se a saída está na minha imaginação, dentro de mim…

Vou iluminar essa escuridão externa de objetos luminosos atraentes ligando o interruptor dentro de mim.

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