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Laços – Uma Evolução Geométrica


A vida social se mostra algo muito complexo nos dias e hoje, são muitas as variações de situações, os obstáculos e os tipos de pessoas que se encontra por aí, e essa grande teia de vidas e acontecimentos ainda aumenta muito nas grandes cidades, onde há maior impacto/atrito social, claro, nem sempre resultando em algo ruim como a palavra atrito pode sugerir, mas também em algo cheio de descobertas sobre o comportamento humano e do mundo.

Conhecer pessoas é um processo delicado, muitas pessoas levam com leviandade, outras sou espontâneas e nem se preocupam com ele, apenas agem de forma instintiva, outras, como eu,  gosta de construir/planejar essa fina linha da construção de uma amizade, não que seja algo demorado, na verdade é algo bem parecido com o espontâneo, mas mais pensado do que instintivo. Claro, existe muitos outros tipos de pessoas, mas esse na minha opinião são os que mais aparecem por aí.

E geralmente para essa inter-relação existe do que eu chamo de uma “evolução geométrica” ou “evolução de formas”, sendo essa evolução o aumento de pontas, arestas e vértices de uma forma geométrica. A maioria das pessoas passa por esse processo quando se conhece alguém ou um grupo de pessoas.

Primeiro geralmente começamos “redondos”, não nos mostramos muito e tentamos ser agradáveis a ponto de tentar não causar atrito nas outras pessoas, as vezes até aceitando certas peculiaridades que não nos agradam em primeira instância, pois queremos ser aceitos pela pessoa ou grupo social em que estamos no momento, e relevamos certas coisas que não aceitaríamos com nossos amigos mais próximos. Depois de estarmos um tempo como forma “redonda” nós começamos a mostrar nossas particularidades, e pouco a pouco mostramos nossas pontas arredondas que tem grandes chances de serem aceitas, pois não provocam nenhuma grande reação das pessoas, seria algo simples como “eu pratico esportes freqüentemente” ou “eu faço aulas de yoga e gosto de pintar” , coisas que singelamente ti definiriam, seria muitos mais coisas relacionadas a ações do que pensamentos, ou ideais, que seria a terceira parte, quando mostraríamos nossas pontas, falaríamos quem realmente somos e o que pensamos, teríamos que ter construído uma boa base nas outras duas fases para começarmos a mostras nossas pontas, algumas delas muito afiadas e cheia de espinhos, dependendo da forma que as outras pessoas estariam você poderia ser muito bem aceito e fazendo ótimos amigos que gostariam de você, mas também poderia causar uma grande aversão deles se não tomar cuidado com o modo de demonstrar tudo isso, alguns temas podem causar esse tipo de situação, como por exemplo ideais políticos, vegetarianismo, religião (altas chances), aborto, drogas, ou mesmo simplesmente o modo como você olha a vida, como você lida com situações, que tipo de humor você tem, são muitos as linhas perigosas, mas para se dar bem num grupo social não é preciso entrar em assuntos “cabeças” e sim saber lidar com eles, aposto que todos temos amigos que nunca ouvimos a opinião dele sobre assuntos importantes, mas gostamos muito de te-los ao nosso redor.

Agora, devo falar que muitas das pessoas mais interessantes que encontrei na minha vida, e acredito que seja assim em todo lugar, não tem medo de demonstrar suas pontas logo na fase Redonda (primeira fase), pois ele sabe lidar com essa situação, não é algo a se temer e esconder até se sentir confortável, e sim, faz parte dele desde o começo, e mesmo que isso não seja de agrado da maioria, o assunto (ponta específica) é apenas deixado de lado, pois não vai ser a crença em um Deus diferente, ou um ideal de vida que vai afastar pessoas que se dão bem.

O triste mesmo são as pessoas que se travam muito nas primeiras fases, e vivem/demonstram uma vida totalmente “plástica” e de pouca profundidade. Enquanto também existem pessoas que começam logo com as fases das pontas e causam grande desconforto no grupo de social, chegando até ser odiado ou simplesmente afastado, pois ele não está  em sintonia com o resto do grupo.

Saber lidar com suas pontas e chegar até elas é uma arte no meio social, é preciso um cuidado muito grande com esse percurso, pois não se pode chegar rápido demais ou estagnar em certas situações.

O ideal mesmo seria todos sabermos lidar com nossas pontas, e não haver necessidade de passar por essas fases, sermos verdadeiros no primeiro instante, e não esperar para tal, só não o fazemos por causa do pensamento alheio que pode ser gerado.

Infelizmente o fator determinante social ainda é os outros para a maioria dos casos.

Psicoterapia de Grupo

Acho que o primeiro mito que devo falar sobre a Psicoterapia de Grupo é que ela é tão ou mais efetiva quanto a terapia individual.

A terapia de grupo funciona com grupo pequenos de até 7 pessoas ou com grupo grandes também de um pouco mais de 10 pessoas, em sua composição deve-se levar em consideração o tipo de pessoas em que se coloca no grupo, visando proporcionar experiências no relacionamento entre os pacientes, para isso deve-se conhecer bem as possíveis ações e reações de certos tipos-psicologicos de pessoas.

A maioria das pessoas tem a idéia errada de como ela funciona, qual é sua mecânica de procura da cura para o paciente. Digo procura, pois claramente nem todos acham, e isso depende do terapeuta e do paciente, não é o terapeuta que vai dar ou achar uma cura para o paciente, ele vai apenas direcionar a atenção do paciente para que ele tenha insights sobre seu atual estado psicológico, ou muitas vezes sobre o estado de outro paciente, e é por causa disso que a psico-terapia de grupo da tão certo, pois consegue proporcionar novas experiências, atritos e reflexões sobre vários aspectos seus e de outras pessoas.

No começo da psicoterapia de grupo alguns terapeutas faziam viagens com seus pacientes para uma fazendo ou algo do tipo, para forçar insights dos pacientes, sendo que alguns chegavam a ficar até uma semana isolados tendo que encarar de frente seus medos e os medos dos outros, proporcionando muita experiência de vida e é nessa recepção de novas informações e reflexões/interpretações em que o paciente vai encontrando um para “curar” o que lhe incomoda. Vou citar um exemplo infeliz sobre isso que acontece em menor escala hoje em dia em um programa de Tv chamado BigBrother, os participantes saem de lá sempre falando as mesmas frases: “foi uma grande experiência” ou “só de estar lá já valeu a pena” ou até “mudou minha vida estar aqui”, mas conseguimos ver algo pessoal nessas frases, realmente quando somos postos de frente com o inimigo sendo ele nós mesmo ou não nós evoluimos, aprendemos como o participante/pessoa se comporta e ficamos um pouco mais consciente do comportamente humano.

E ao contrário do que pensam é a disposição/capacidade de interpretar ações dos outros ou nossas que irá nos guiar no caminho da cura, um paciente “travado” ou infeliz com o tratamente, pensando que não fará diferença e que é um disperdício de tempo dificilmente irá aproveitar o tratamento. Além do terapeuta, sempre há o líder do grupo que na maioria dos casos é o que melhor responde a terapia e consequentemente tem a melhor chance de se recuperar.

Qualquer coisa conta para ser interpretada numa sessão terapeutica, desde sua posição sentado ou perto do terapeura (buscando apoio) ou mais perto da porta (desejando sair ou incomodado) até se ele atrasa ou não nas sessões(podendo ser interpretado como falta de comprometimento), ou então se ele senta entre homens ou mulheres, ou se evita falar de si mesmo, ou se gosta de ser dono da verdade, ou até da maneira como fala certas coisas, como: “você poderia fechar a janela por favor”, “está frio aqui né?”, “vocês não estão sentindo o frio aqui dentro”, ou simplesmente colocando um blusa, muitos são as dicas que as pessoas deixam para a interpretação de sua psico, e a melhor compreensão disso dará ao terapeuta um melhor planejamento/estratégia para guiar o grupo a assuntos/lugares que farão eles terem seus insights.

Insight é uma palavra nova, mas seu significado não é tanto, Kierkegaard falava de um “salto” a um tempo atrás, ele falava que uma pessoa a partir de certo momento ela só mudaria através de um salto de percepção, que é o que acontece na terapia, as vezes pode ser uma construção de argumentos, mas geralmente é esse Salto.

Lendo os livros de Amit goswami e suas metáfora quânticas, acho que pude desenvolver uma para explicar esse fato que também acontece quando surge uma idéia criativa, mas vamos explicar o salto. Imagine que você é um elétron rodando em uma orbita, agora imagine que sua doença psicológica está na mesma altura orbital que você, mas com seu salto/insight você simplesmente pula para outra camada orbital e deixa sua doença para trás. Quando há uma mudança orbital é liberado luz e há um “teletransporte” do elétron para outra camada, digo com aspas, pois não se sabe se é isso mesmo, mas o fato é que ele aparece lá de repente.

E não pense que essas coisas acontecem apenas num grupo de terapia, tudo isso acontece de forma menos óbvia no mundo “real” também, e nós trocamos de papel entre paciente e terapeuta, sendo sempre quando terapeuta os nossos amigos os pacientes, e sempre quando pacientes o mundo como terapeuta, que nos orienta, mas depende da sua disposição para aproveitar o que ele diz.

fonte de pesquisa: Psitoterapia de grupo: teoria e prática – Irvin D. Yalom
e outros do mesmo autor.

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