Falar sobre o homem, a humanidade, é uma tarefa complicada. Isso, pois não estamos falando de um objeto visível à nossa frente, ou de uma bactéria em um microscópio ou qualquer fenômeno a ser testado. Nem mesmo do corpo enquanto esse conjunto de células que os biólogos e médicos tratam. Falar do homem é tornar-se objeto a si mesmo. Ou seja, é olharmo-nos no espelho, é ver o que somos, mas sabendo que somos nós mesmos quem questiona. Somos o ponto de partida e de chegada dessa questão.

O texto que escrevo aqui é introdutório dos temas que irei tratar com mais cuidado ao longo de minha contribuição para o blog. Assim, já destaco os riscos que correremos nesse caminho, preparando-nos para as discussões já feitas e para as que virão. Destruir dogmas, essa tarefa não é fácil. Temos que abalar suas estruturas, para que elas caiam por conta própria, caso o leitor assim o queira. Se estamos na física, na biologia, na química, etc., eliminar dogmas seria mais fácil, isso no sentido de que, assim que uma teoria se confirma ao longo dos estudos, pouco resta aos outros cientista senão adotar esse ponto de vista, nem que seja para tentar provar seu erro. Assim foi com as grandes viradas de nosso conhecimento, Galileu, Newton, Einstein, e isso para ficar nos mais conhecidos da física.

Agora, e quando nos passa pela cabeça aquelas perguntinhas já piegas de tão repetidas: o que somos? de onde viemos? Onde estamos? Por mais que pareçam ridículas, elas refletem algo que sempre nos incomoda. Respondê-las é difícil, pois se tratam de coisas que não estão facilmente a nosso alcance, e que não nos fornece dados diretos na realidade que vivemos. Assim, várias correntes, abordagens e teorias se formam na busca dessa explicação. Mostrar o erro de alguns pontos de vista depende cada vez mais da crença de cada um, ou dos poucos dados que pode obter. Principalmente quando perguntamos sobre nós mesmos. A Psicologia, que se propõe a estudar o sujeito humano (definindo-o de acordo com sua posição teórica e ideológica, mas que em geral refere-se a nós mesmos, pessoas, indivíduos, etc), é composta por inúmeras abordagens diferentes, cada um dando conta de alguns fenômenos sobre nosso psiquismo, mas deixando de compreender outros. Cada um prega um tipo de homem diferente, e fica difícil a tarefa de criticar cada corrente.

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