Tag: freud (page 1 of 2)

Quando a alma sofre: Depressão e Sociedade

Escultura hiperrealista Man under cardigan, de Ron Muek

Estou continuando aqui o artigo anterios sobre depressão (ver aqui). A sociedade atual consegue lidar com o deprimido? Olhe nas televisões, nos espetáculos, na enchente de piadinhas sem graça do Facebook. Será que as pessoas conseguem conviver com alguém que vê tudo em tons de cinza, sem gosto, que não consegue olhar para as belezas da vida?

Não há paciência para a depressão. A tristeza do outro é sentida como algo que contamina, e então as pessoas se afastam. Ou, quando ficam perto, fazem de tudo para animá-la, mostrar que não há razão em sua tristeza. Mas depressão não é uma simples tristeza, e uma forma de percepção de mundo diferente. Como Freud falou da hibernação, o estado de desamparo absoluto e sem nome leva a pessoa a uma retirada de interesse do mundo: sem vontade de sair, de vontade de sexo, sem vontade de lutar e até de viver… Como convencer alguém de que as coisas da vida são boas se tudo o que ela vê diante de seus olhos são ruínas, internas e externas?

Ora, além disso, o portador de depressão busca um estado placentário, um retorno impossível à quietude do útero. quer sua cama, quer ficar sem nenhum estímulo a sua volta, quer eliminar os pensamentos ruins. Como pode fazer isso nessa sociedade particularmente barulhenta, com out-doors, jingles e uma torrente de informações e de opiniões.

Se a tristeza do depressivo não é compreendida nem aceita, ela não pode ser superada. Como é uma tristeza sem nome, ela precisa ser tratada de corpo e alma (assim o interessante resultado das terapias alternativas, que atingem o corpo). Forçar sua saída é enterrá-lo mais fundo. Tem que ter acolhimento e paciência.

Também não é o caso de abandoná-lo em sua tristeza. É importante mostrar calmamente seu apoio, sua compreensão, mas aos poucos estimular sua melhora, fazê-lo se mover no seu próprio ritmo lento.

Nossa sociedade atual prioriza o indivíduo produtivo, que passa 24 horas de seu dia fazendo coisas úteis, produzindo e consumindo, alimentando o sistema capitalista. a pessoa com depressão está desligada disso, mas sente essa exigência do mundo. Muitas vezes vi o sentimento de culpa pois a pessoa não conseguia trabalhar como trabalhava, cuidar da família, cumprir suas responsabilidades. Nossa sociedade eliminou a possibilidade de se afastar do mundo, de se recolher e de elaborar sua perda, sua dor. Por isso hoje a procura por terapias mais rápidas aumentou, não há disponibilidade de tempo para si mesmo.

Dar-se um tempo, fisicamente e psicologicamente, se desligar um pouco das exigências do mundo, e poder sentir realmente suas dores, e ter nesse momento alguém que o acompanhe: assim se cria a dignidade de sofrer. Não há  vacina para a depressão, mas há sim a cura, e esta está não só nos remédios, nas terapias, mas em uma mudança social que valorize  vida.

 

Quando a alma sofre: Depressão

Weight, escultura hiperrealista de Jackie K Seo

Olá pessoal, tudo bem? Há muito Mako (fundador do site) me havia pedido para escrever algo sobre casos clínicos da Psicologia, pois achava que seria muito interessante e de grande importância para os leitores. Como estudo filosofia, acabei escrevendo mais textos críticos e teóricos, e deixei esse tema meio abandonado. Bom, resolvi retomar essa ideia, e criei uma série de postagens que chamei de “Quando a alma sofre”, e falarei aqui de diversos temas de psicopatologia, ou seja, das doenças mentais que afligem milhões de pessoas. Mesmo que eu tenha alguma experiência clínica, claro que não poderei aqui citar diretamente os casos que atendo, pois isso é proibido pela ética do psicólogo. Mas irei basear-me nessa experiências e nessas leituras para falar um pouco sobre esses temas.

Bom, após essa introdução, vamos entrar no tema desse post, que é a depressão. As pesquisas mostram que essa é uma das doenças que mais afligem a população mundial. Segundo o CID10 (o manual de classificação internacional de doenças) A depressão encontra-se entre os transtornos de humor,  ou seja, modificações patológicas do humor da pessoa, que possui dois extremos (mania, estado de euforia incontrolável, e a depressão). Há desde estados depressivos leves até os mais graves, acontecendo somente em algum momento da vida da pessoa ou sendo mais duradouro (distimia).

Em geral, o que acontece é uma diminuição do humor, da energia e da atividade. O deprimido sente-se em ânimo e disposição para exercer as atividades mais cotidianas, e dependendo da gravidade acaba passando muitas horas deitado. Passa por angústias terríveis, às vezes têm insônia, ideias frequentes de culpa, de ser inútil, baixa auto-estima. Em casos mais graves, o paciente chega a ter ideações suicidas, e o risco de morte aumenta.

Caso tenham vontade de conhecer mais a fundo os diferentes estados depressivos, consultem o CID aqui (capítulo V, F32). Esse artigo é o que me baseei para o que vou falar a seguir. A depressão, segundo a visão psicanalítica, tem relação com a própria formação do nosso sistema psíquico. Para Freud, o sistema psíquico se formou com a catástrofe da era glacial. É um modelo especulativo, ou seja, ele não parte de provas concretas, mas reconstrói o fato a partir das evidências que tem na clínica, e aí testa se o modelo consegue explicar o que ele pretende.

Com a era glacial, houve escassez de alimentos, e o homem, assim como os animais, entrou em um estado de hibernação, se desligando do mundo exterior, passando a dormir mais. Para a psicanálise, há aí uma experiência catastrófica que marca a mentalidade do homem. Caso este passe por uma experiência semelhante (não precisa ser algo grave, muitas pessoas tem uma vida relativamente confortável e mesmo assim entram em depressão, o que importa é o sentido que a experiência tem para a pessoa), seu corpo volta a recusar o mundo, e o deprimido centra-se em si mesmo, sofrendo uma angústia que não consegue dar nome.

Muitas vezes a depressão é acompanhada do que Freud chamou de Melancolia, e que não se fala muito hoje. Melancolia é uma espécie de luto patológico. Quando perdemos alguém amado, ou algo muito importante para nós, é normal sentirmos uma tristeza e ficarmos alguns dias assim. Mas quando não conseguimos sair dessa tristeza, e ela dura meses, aí ela se tornou patológica. A  pessoa entra em depressão, mas com um forte sentimento de culpa, como se fosse o grande causador da perda.

Quando atendo pacientes deprimidos, a sensação que tenho é de que minha energia está sendo sugada, e que no fim do atendimento fico cansado, com sono. Isso é devido ao fato de que o deprimido, em seu estado de hibernação, busca sugar o máximo de alimentos (por isso muito comem demais), e também da energia psíquica das pessoas, mas fazem isso inconscientemente. Talvez esteja ligado a isso a sensação muito comum que elas tem de estar nos prejudicando, ou de estar prejudicando a todos os que a rodeiam.

Na próxima postagem, eu quero mostrar para você a dificuldade que se é estar em depressão nos dias atuais, mostrando como nossa sociedade vê as pessoas com essa doença, que é grave e trás muito sofrimento.  Quero já indicar para vocês darem uma olhada no site Pensamentos Filmados, onde nossa parceira Ana Maria Saad faz um importante trabalho de apoio e esclarecimento dessa doença, além de contar suas experiências pessoais. Ela, mais que eu, tem muita autoridade para falar do que é sofrer com a depressão.

Corpo, Mente e Experiência mística – parte 3

EAGLE VISION, Susan Seddon-Boulet

Se a união com o todo é impossível de ser experimentada em sua plenitude, ela não está totalmente perdida, se seguirmos o modelo de pensamento que segui nos posts anteriores (parte 1 e parte 2). Vejam bem:

 – Se o indivíduo é um “dentro”, que é uma dobra do “fora”, então ele não está desligado do fora, mas é uma estrutura desse. De certa forma, estamos todos conectados, sempre. Mas quanto mais nos concentramos nas estruturas de nossa individualidade, quanto mais nossa cultura a valoriza e discrimina as diferenças, mais deixamos de sentir essa ligação original, e assim não temos acesso a essa sensação de união.

 – O sentimento oceânico é real, relatado por muitos místicos e pessoas com uso de alucinógenos. Um ramo da psicologia, a Transpessoal, mostra esse “além da pessoa”, já fez pesquisas com LSD e a sensação de sentimento oceânico que ela proporciona. Entretanto, ele só é sentido em estados de alteração da consciência. A consciência alterada é, de certa forma, um modo de se abrir a dobra, olhar para fora sem as estruturas mentais que controlam nossa percepção, e ver essa união. Mas a experiência só pode adquirir sentido depois, quando ela acaba, pela consciência. Ou seja, ela é realmente sentida depois que termina, que saímos dessa união. Enquanto estamos mentalmente unidos com o todo, não existimos enquanto pessoa, então é como se estivéssemos mortos, temporariamente.

Espero que esse post tenha intrigado vocês, a se pensarem que ALMA E CORPO NÃO SÃO TÃO DISTANTES UM DO OUTRO, e que o mundo chamado de místico pode estar mais perto de você do que parece…

Corpo, Mente e Experiência mística – parte 2

JOURNEY HOME (PSYCHE), Susan Seddon-Boulet

2 – O universo psíquico e a experiência mística

No post anterior (ver aqui), vimos que a física e a química, funciona por causa e efeito, mas a biologia tem normas mais flexíveis. O que isso tem a ver com a psicologia? Voltando a Freud, ele compara nossa mente àquele organismo vivo. Quando percebemos ou sentimos algo, tentamos dar um sentido para isso. Essa energia psíquica é então ligada e controlada. Se ela for muito intensa, a mente vai tentar ou se desfazer dela (fingir que algo ruim não aconteceu), reprimir (daí esquecemos, mas na verdade aquela lembrança fica dentro de nós e volta de outra forma, distorcida, em sonhos por exemplo), entre outras formas de dar controle a ela. Mas, se ele recebe uma energia muito forte, um estímulo muito doloroso, a dor é tanta que rompe essa camada protetora. Se uma bala atinge nossa pele, sua força é tanta que ela entra e rasga, se um acontecimento doloroso é muito forte, ele não pode ser controlado pela mente.

Continue reading

Corpo, Mente e Experiência mística – parte 1

ATHENA, Susan Seddon-Boulet

Desculpem, mas peço que vocês me deixe viajar um pouco em algumas meditações que eu estou fazendo. O que quero aqui é buscar, na biologia e na psicologia, o fundamento da experiência mística, que geralmente colocamos em nosso espírito, em algo que é diferente do corpo. A experiência que falo é a do sentimento oceânico, ou a sensação de união espiritual com algo maior. Muitos místicos preconizam que se pode acessar essa conexão com as coisas, com Deus ou o Universo. Não quero desmerecer ninguém, nem explicar porque essa experiência acontece, mas dar uma visão de como nosso corpo e nosso psiquismo tem relação com esse sentimento.

Continue reading

O dilema do ouriço

Esse é um famoso texto do filósofo Schopenhauer, sobre o modo pelo qual nos relacionamos com os outros:

“Um grupo de porcos-espinhos apinhou-se apertadamente em certo dia frio de inverno, de maneira a aproveitarem o calor uns dos outros e assim salvarem-se da morte por congelamento. Logo, porém, sentiram os espinhos uns dos outros, coisa que os levou a se separaremnovamente. E depois, quando a necessidade de aquecimento os aproximou mais uma vez, o segundo mal surgiu novamente. Dessa maneira foram impulsionados, para trás e para frente, de um problema para o outro, até descobrirem uma distância intermediária, na qual podiam mais toleravelmente coexistir”
Schopenhauer, Parerga e Paralipomena

O que esse trecho mostra é o fato de que toda proximidade com outra pessoa nunca é totalmente confortável, pois todos tem espinhos, todos possuem algo que nos machuca. Freud, em “Psicologia das Massas e a análise do eu” (que em português também foi traduzido como “Psicologia de grupo e análise do ego”), mostra que em todo relacionamento prolongado entre duas pessoas não há somente amor, amizade, ou outros sentimentos de união, mas também aparecem sentimentos negativos, como a raiva, a inveja, a hostilidade. Geralmente, uma relação muito duraduora se mantém quando esses sentimentos negativos são reprimidos, deixados de lado, mas não é sempre que isso é possível. Assim, a qualquer momento uma pessoa espeta a outra, e elas tem que negociar uma distância razoável para quen não se machuquem, e também para que não se sintam sozinhas.

Para quem gosta de anime, Evangelion é uma série que aborda muito bem esse tema, dando muita ênfase a psicologia dos personagens, chegando quase a criar esteriótipos. Shinji Ikari, protagonista da série, não tem nada de herói: mostra-se covarde, obediente, mas incapaz de ter uma relação efetiva com outra pessoa. Sente-se facilmente machucado, e acaba machucando os outros.

Na vida atual, achamos que ficar quietos no nosso canto é o suficiente para fazermos bem ao próximo. Não comentar da vida alheia, não criticar, evitar nossa própria agressividade. Entretanto, quando fazemos isso, acabamos vivendo uma fantasia de que em nada prejudicamos nos outros.

Há uma grande mentira aí…

A omissão é uma das formas mais cruéis de relação. Quando, por medo de nos machucarmos, evitamos dizer aquilo que sentimos, acabamos por criar uma fantasia de que tudo vai bem. As relações acabam vazias (no caso do ouriço, só há calor quando se espeta, e só para de espetar quando se sente frio – nunca se está totalmente bem, mas também nada é totalmente ruim). Fugir, não enfrentar os outros e as dificuldades dos relacionamentos, torna-se muito mais cruel que a violência das palavras sinceras.

O que eu estou dizendo parece ter saído de um texto de auto-ajuda… Mas reflitam nas suas atitudes, percebam que amor e agressividade andam juntos, e só convivem se há uma negociação sincera entre si.

Um ouriço sozinho morre de frio.

Personalidade Obsessiva

Estou lendo um caso de Freud, que comumente é chamado de caso do “Homens dos ratos” (baixar aqui). Esse caso é sobre uma doença que ainda é presente hoje, o TOC, Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Essa doença é caracterizadas geralmente por obsessões, que são ideias que vêm repentinamente na cabeça das pessoas, desagradáveis, e que a pessoa não consegue se livrar. Devido à ansiedade, ela acaba executando atos compulsivos, que são comportamentos estranhos ou repetitivos, para aplacar a ansiedade desses pensamentos.

Claro que existem pessoas que tem mais as ideias obsessivas, e não tem comportamento compulsivo. O contrário às vezes ocorre. E há também o que a gente chama de caráter obsessivo, ou seja, pessoas que não possuem a doença, mas tem uma personalidade parecida com a do doente.
Continue reading

Livros Para despertar: A Interpretação dos sonhos, Sigmund Freud

"Sem dúvida nos terá surpreendido a todos saber que os sonhos não passam de realizações de desejos" S. Freud

Bom dia a todos,

Estava aqui estudando, quando e dei conta de que necessitava de ler um dos que eu considero maiores livros da história da Psicologia, e do pensamento moderno. Essa obra é o “A Interpretação dos Sonhos”, de Sigmund Freud. O mérito desse livro foi o de ter mostrado, por debaixo do sonho – um fenômeno ainda hoje tratado por neurocientistas como simples resíduos de pensamentos diurnos, um sentido que pertence à nossa vida. Se bem interpretado, o sonho é hoje uma das melhores vias de autoconhecimento, pois ele revela uma forma de contato com o mundo anterior à todos esses preconceitos e conceitos que o conhecimento nos impôs.

Aqui vai o link, disponibilizado gratuitamente pelo Plano Nacional de Leitura do governo brasileiro:

Parte 1

Parte 2

Documentário: O Século do Ego

Mas é simplesmente um documentário fantástico, tanta pesquisa e informação, e O diretor consegue passar tudo isso com uma sutileza absurda, entenda como o trabalho de relações públicas nasceu e como é a raiz desse problema, o marketing do mal. – Mako

Sinopse:

“Esta é a história do surgimento de uma idéia que veio para dominar nossa sociedade. É a crença de que a satisfação dos sentimentos e desejos individuais é a nossa maior prioridade.”

Um documentário brilhante que fala sobre como nasceu a propaganda para a “paz”, para vender produtos e lucrar, o sobrinho de Freud pegou suas idéias e pois elas na ofensiva para controlar as massas, seu primeiro trabalho foi para fazer as mulheres fumarem em público, invertendo os valores da época e trazendo consigo símbolos e desejos ele conseguiu fazer com que fumar fosse uma atitude de independência, “a tocha da liberdade”. Logo depois todas as industrias de comércio começaram a ditar que era melhor comprar o que se deseja, pois você se sentirá melhor do que o que precisa, roupas tornaram-se expressões de sua personalidade, carros símbolos da masculinidade, e a era do consumismo nasce a todo vapor.

Este polêmico documentário é dividido em 4 episódios: (1) Máquinas de felicidade; (2) Engenharia do consenso; (3) Há um policial dentro de nossas cabeças. Ele deve ser destruído; (4) Oito pessoas bebericando vinho em kettering. Cada epsódio dividido em quatro ou cinco partes, todos legendados e com duração total de cerca de 240 minutos.

Torrent – Legendas pt-br (REVISADAS)

Subtitles ENG 

Todos os filmes e as Legendas

Ver no Youtube

Ver no Vimeo

Fonte: Docverdade

Older posts
Facebook