É muito interessante como as pessoas usam mal argumentos científicos hoje em dia. Quando a gente diz “cientistas afirmam que…”, as pessoas te ouvem como se dissesse uma verdade absoluta. Curioso, antes esse efeito era conseguido somente através dos livros religiosos, lidos por seus sacerdotes e profetas. Não há contestação, ninguém se pergunta se aquilo é o que chamamos de “verdade”.

Por várias razões, creio que as pessoas superestimam os argumentos científicos. Primeiro, é claro, existem formas de mostrar se a pesquisa foi rigorosa, ou se seu método é eficaz e válido para essa investigação. Muito do que se afirma ser científico hoje é na verdade baseado em dados pouco confiáveis.

Mas uma pesquisa bem feita, que usa um método rigoroso, e que diminui ao máximo as variáveis que podem distorcer seus resultados, também não pode, na minha opinião, ser chamada de verdade. Teorias possuem prazo de validade, elas vão se modificando ao longo dos anos, podem se mostrar parciais e até enganosas. Recomendo a todos os interessados em conhecer mais profundamente o que é a “ciência” que leiam os livros “O que é ciência afinal“, de Alan Chalmers, e “A Estrutura das Revoluções científicas“, de Thomas Kuhn.

Nas ciências humanas, essa dificuldade é ainda maior. Odeio principalmente quando as pessoas utilizam argumentos biológicos para explicar determinado comportamento. Lembrem-se que houve a entrevista polêmica de Silas Malafaia (assista aqui), que apelava para a genética, na tentativa de dar embasamento em suas palavras. Logo apareceu no Youtube um geneticista que contestou tais argumentos (assista aqui).

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