No post “O Revolucionário de sofá e a síndrome do mestre“, Mako conclui muito bem sobre o que é necessário para mudar, e aponta que para se ter uma atitude revolucionária é preciso “Apenas estar disposto“. Creio que esse ponto é crucial, e por isso resolvi retomar esse post.

O que leva alguém estar disposto? Antes disso, o que é disposição? Mais uma vez entramos em uma área na qual corpo e mente atuam juntos. Disposição é uma tendência a…, ou seja, falando grosseiramente, uma motivação da pessoa a agir de determinada forma. Requer energia, um certo estado de desibinição em relação às experiências novas que a vida apresenta, o que chamamos de “estado de espírito”. Mako fala no post que até os 7 anos 90% das crianças são gênios. Diria diferente, diria que na infância as crianças estão em um estado de “polimorfismo” de suas ações, comportamentos e gostos. Isso indica que a criança é uma experimentadora natural, e que se não houver traumas graves ela poderá experimentar sem medo as diversas experiências da vida, de forma flexível. Isso sim é uma atitude genial (não confundam com esses gênios da TV, como os da série “The Big Bang Theory”, há vários tipos de genialidades).

Assim, a criança está em um estado de alta motivação, e se coloca disposta a realizar diversas atividades. O processo de socialização ocidental, quando permeado por moralismos, acaba por reprimir boa parte dessa criatividade e dessa disposição. Há teorias da psicologia escolar que dizem que o mal-comportamento dos alunos na escola não é fruto de sua criação familiar ou de genética, mas é puro tédio, pois a escola não possibilita mais que sejam criativos. A disposição é algo que não floresce sozinha, mas tem que ser cultivada, exercitada, e investida. Uma sociedade estruturada vive no fascínio do Mesmo, ou seja, busca manter a todo custo as coisas como estão. As pessoas que se enquadram no sistema acabam por crer nessa ideia, e lutam contra a rebeldia de seus filhos, e assim contra seu potencial de mudança.

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