Tag: Ciência (page 2 of 2)

Emoções à flor da pele….

A ciência ainda não encontrou respostas exatas para muitos problemas de saúde humana. No entanto, é impossível desprezar a observação clínica quanto a influência do emocional em algumas doenças. Fatos circunstanciais levam a acreditar que efetivamente, em certas situações, estados emocionais específicos tiveram pelo menos uma estreita relação com a doença.

A conexão corpo-psique deve começar a ser entendida através do conceito de emoção. Há um plano psíquico e outro somático pelo qual podemos perceber qualquer manifestação emocional. Juntos formam uma unidade funcional. Não existe emoção que não seja manifestação fisiológica e psíquica simultaneamente. Toda emoção acompanha-se de alterações do fluxo sangüíneo, alterações elétricas na superfície da pele, mudanças respiratórias, bioquímicas, posturais, que envolvem o corpo em seus diversos sistemas e aparelhos. Ao mesmo tempo apresentam-se como vivência psíquica, que permite a quem as sente reconhecer o que está sentindo; se raiva, medo, tristeza, alegria. Portanto, a pele tem relação estreita com a nossa mente e reflete muito do que se passa em nosso interior, pois é altamente sensível às nossas emoções.

É sabido que, fortes emoções podem resultar em náuseas, vômitos, diarréia, desmaios, crises hipertensivas, derrames cerebrais ou infartos do miocárdio. Esses fenômenos são exemplos claros da ligação entre a mente e o corpo, facilmente observáveis, sugerindo ou mesmo confirmando que mente e corpo funcionam em conjunto.

Embora a medicina ocidental tenha procurado menosprezar a ação da mente sobre o corpo, o “rubor” da pele, em situações de constrangimento ou embaraço, a sensação de frio nas mãos em situação percebida como ameaçadora, a palidez da pele em ocasiões de susto ou o aumento do suor em momentos de tensão sempre indicou haver alguma ligação entre o que ocorria nos pensamentos e o que a pele manifestava. O aparecimento de coceiras sem causa aparente, em fases de maior preocupação, ou mesmo doenças como dermatites, urticárias, alergias, psoríaseprobl, indicam o que pode a mente provocar na pele. Continue reading

Documentário: Através do Buraco da Minhoca

Sinopse da Série :

Apresentada por Morgan Freeman, “Através do Buraco de Minhoca” explora os mistérios mais profundos da existência — as perguntas que intrigam a humanidade desde o seu surgimento. Do que somos feitos? O que havia antes do princípio? Estamos realmente sós? Existe um Criador? Tais indagações foram objeto de análise das mentes mais brilhantes da humanidade. Hoje, a ciência evoluiu ao ponto onde fatos e evidências concretas podem ser capazes de nos fornecer as respostas.

Espiódio 1 – Sobreviremos ao Primeiro Contato?

O que falta não é energia, mas Teleologia!

 

Pintura de Alex Grey

Estava hoje lendo na internet sobre o conceito de energia. Para falar a verdade, não entendo nada de física, não a estudei na escola nem para o vestibular. Sempre tive problemas com cálculos, e estudar as fórmulas era inútil. Mesmo assim, sempre senti um profundo respeito por essa área, e li algumas coisas sobre vários assuntos dessa disciplina, sobretudo os livros que “romantizam” a física, ou seja, que traduzem as fórmulas em teorias mais fáceis de serem compreendidas por nós, pobres mortais…

Fico sobretudo atento aos novos avanços da ciência física, principalmente a quântica, e os efeitos que elas criam em nossa concepção de realidade. Muitos se baseiam nessas novas teorias, como o caso das ciências noéticas, que mostram o poder da consciência e do pensamento em modificar o mundo. Esse é o novo paradigma: temos o poder para mudar tudo, para criar novas realidades. O pensamento possui um poder gigantesco, que se souber ser usado daria conta dos fenômenos parapsicológicos, como mover objetos (telecinesia) ou ler pensamentos.

O conceito de energia aqui ganha um estatuto essencial: compreende-se que o corpo possui campos energéticos, alguns provados e outros a serem provados, o que daria status científico a essas explicações.

Entretanto, acho que o buraco é mais embaixo… ou seja, compreender a mecânica de como o corpo realiza esses fenômenos ainda não aceitos pela ciência oficial, compreender também que há, para além do corpo físico, um corpo energético capaz de sobreviver após sua decomposição no mundo físico, tudo isso somente possibilita para a gente dizer: tá, é assim que funciona!

Sim, esses fenômenos seriam então considerados reais, novas pesquisas seriam realizadas e o campo científico seria modificado grandemente. Sim, as religiões teriam muito de seus dogmas confirmados ou refutados, as pessoas repensariam na forma como vêem o mundo… mas ainda falta algo, que a explicação em termos da física ainda não dá conta.

- Em primeiro lugar, é o que se chama de Teleologia, o estudo das finalidades últimas das coisas. Esse mundo que temos aqui, ele é gratuito? Ele surgiu do nada, por uma explosão (Big Bang), sem causa e nem motivo? Há algo que age, como em Aristóteles, como causa final, aquilo que explica o porquê de todas as coisas?

- Em segundo lugar, a Liberdade: há alguma liberdade, ou seja, alguma escolha livre e indeterminada, que parte de algum lugar, ou de alguém, ou de algum ponto no espaço? Ou tudo tem uma determinação específica, tem uma causa e um efeito específico?

Ora, não importa que haja uma alma, ou seja, que haja uma espécie de “corpo espiritual” exterior ao corpo material, biológico. Interessa sim se essa alma, ou mesmo esse corpo biológico antes da morte, possui uma liberdade de escolha, uma individualidade que opta por algo. E, no contexto mais geral, como é que fica a questão entre o mundo ter uma finalidade, um propósito, ou em ser aleatório, determinado pela rede de causa e efeito?

Assim, a questão muda de figura. Os espiritualistas querem a física para se mostrarem reais e científicos, mas o que fica de lado é o essencial. Somos livres? somos determinados? há um propósito em tudo isso? Não posso responder diretamente a essas questões. Muito o que diria seria crença, fé, ou apenas opinião. Me entusiasmo mais em achar a verdadeira questão do que em respondê-la. Pergunto à vocês, leitores, o que acham? Qual a opinião de vocês e como vocês defendem essa opinião? Vou deixar aqui duas perguntas, e seria interessante se quiserem se envolver nesse debate.

- Existe liberdade? onde (no espiritual, no material, etc) ou em quem (no homem, em Deus, na alma, em todos os seres, etc)?

- O que existe possui finalidade, propósito? Essa finalidade, se existe, é vontade de alguém (ou seja, os homens ou Deus ou qualquer outro ser é quem deseja e faz o mundo ser o que é), ou ela é fruto do acaso, das coisas como surgiram (por exemplo, somo o que somos pois as vivências que tivemos aumentaram a possibilidade de sermos desse jeito)?

E aí, o que vocês acham?


Aprender a ver… aprenda a correr!

Continuar o caminho, sempre…

O que é uma teoria? É uma forma de conhecimento? É um passo para se alcançar a verdade? Muitas pessoas acham ao ver nas revistas, televisões e jornais a frase “cientistas descobriram que…”, o que vem a seguir é um passo a mais na verdade do mundo.

Mais que isso, as pessoas tem a idéia de que as descobertas científicas funcionam como uma luz, que cada vez fica mais forte, e aos poucos vai iluminando as áreas escuras da realidade, e nos revelando a Verdade. Ora, mas esse é um modelo religioso de verdade – Há um Deus perfeito, que contém em si toda a Verdade, e que podemos acessar ao menos uma pequena parte desse grandioso saber. O que quero dizer aqui não é que essa forma de saber está errada, mas que, no fundo, nossa visão de mundo depende de uma teoria, uma idéia do que é a realidade e o que é a verdade.

Por exemplo, se perguntarmos o que é um rio a um geógrafo, a um pescador e a um índio. Porvavelmente o geógrafo vai falar das propriedades físicas da água, do ciclo de nascimento do rio e sua formação através do relevo da paisagem, ou seja, aquilo que vemos dito nas ciências e provado em suas experiências. O pescador, por outro lado, estudou pouco mas tem uma experiência profunda de como o rio se comporta, se tem ou não muitos peixes, seus perigos e suas belezas. Seu saber só pode ser sentido por aquele que tem a mesma experiência. Já para o índio, este vai descrever o rio provavelmente através de uma mitologia, ou seja, vai tratá-lo como um deus, com suas vontades próprias.

Continue reading

Prosperar: O que será Necessário na Terra? – Thrive

Esse filme é altamente recomendável para quem gosta do Zeitgeist e outros documentários que pedem por mudanças no mundo, fala muita coisa boa sobre os símbolos das religiões e cropcircles e conseguem ver aonde eles podem se aplicar e o que isso faria caso aproveitássemos esse conhecimento. Aqui mesmo no DDD já abordei várias das idéias apresentadas, por favor pesquisem no site caso queiram saber um pouco mais sobre um assunto específico.

Sinopse: Thrive é um documentário não-convencional que levanta o véu sobre o que realmente está acontecendo em nosso mundo – descobrindo a consolidação mundial do poder em quase todos os aspectos de nossas vidas. Tecendo avanços na consciência, ciência e ativismo, Thrive oferece soluções reais, capacitando-nos com estratégias inéditas e ousadas para a recuperação de nossas vidas e nosso futuro.

Agradeço ao André Graneto pela dica.

Página Oficial
Trailer
Download: FilmeLegenda

Cientistas Clonarão um Mamute

Woolly_Mammoth-RBC

Dentro de 5 anos, um mamute irá provavelmente ser clonado, de acordo com os cientistas que descobriram uma  medula óssea bem preservada. O jornal japonês Kyodo News foi o primeiro a reportar essa notícia,  você pode ver as fotos do osso na página do Jornal.

O cientista russo Semyon Grigoriev, diretor atual do museu “Sakha Republic“, e seus colegas estão agora analizando a medula, que eles extrairam do femur do mamute achado no solo congelado da Sibéria.

Grigoriev e sua equipe junto com o pessoal da universidade Kinki no Japão anunciaram que ele irão começar um projeto de pesquisa conjunta no próximo ano com o objetivo de recriar um Mamute, que foram extintos a aproximadamente 10,000 anos atrás.

Mamutes eram muito comuns na América do Norte e na Eurásia. Continue reading

Metal Moldável e Resistente

Engenheiros de Materiais da Universidade de Yale criaram um material, resultado de uma liga de metais, tão moldável quanto o plástico, mas tão forte quanto o aço. Eles podem ser moldados usando temperaturas e pressões baixas em quaisquer formatos.

Os cientistas estavam estudando as propriedades de vidros metálicos (Bulk Metallic Glasses – BMG) recém-desenvolvidos. Estes vidros são fusões metálicas cujos átomos foram arranjados aleatoriamente ao invés de estarem altamente organizados em estruturas cristalinas, ou seja, é um metal que não tem uma rede cristalina contínua. Os pesquisadores descobriram que este material pode ser moldado no sopro como o plástico, mantendo sua força e durabilidade.

Estas ligas são compostas de metais comuns como cobre, níquel, titânio, e zircônio e podem ser moldados em baixa pressão e temperatura como nos processos usados para dar forma em plásticos. Isto significa que o resultado não terá custos muito altos. De acordo com a pesquisa, a matéria prima, os metais em si, também não seriam tão mais caros que o plástico.

A mistura também será útil em diferentes escalas. O líder do estudo, Jan Schroers, e sua equipe já estão usando o novo metal para criar desde pequenos containers até garrafas para implantes médicos, além de ressonadores para sistemas microeletromecânicos. Tudo com a durabilidade do aço.

“Isto pode levar a um novo paradigma no molde de metais. As propriedades superiores do BMG, parecidas com as do plástico e as típicas do metal, combinada com a facilidade, economia e precisão da moldagem a sopro, tem o potencial de impactar a sociedade atual tanto quanto o desenvolvimento do plástico sintético fez no último século”, disse Schroers. Vamos aguardar mais notícias sobre as aplicações.

fonte: Hypescience

A Mente Ampliada

Sozinho 2

A mente ampliada
Rupert Sheldrake

Resumo
Aqui tratarei do paradoxo da consciência segundo a visão científica e a história do pensamento sobre a psique ou a alma, na Europa. E a seguir aparesentarei um exame de alguns experimentos realizados recentemente que demonstram que a consciência é muito mais abrangente que o cérebro.
***
Depois de um longo período em que os cientistas preferiam nem falar sobre ela, hoje a consciência retorna à pauta científica. E, por mais estranho que pareça, mesmo na psicologia, o estudo da consciência tem um certo ar de vanguarda um tanto perigoso. Em uma reunião na Sociedade Britânica de psicologia a que assisti recentemente haviam acabado de criar um grupo sobre consciência e todos os membros estavam temerosos de estarem no limite e se arriscando; haviam muitas pessoas contrárias porque psicólogos falavam sobre consciência. Para as pessoas alheias à psicologia, isso pode parecer um estranho paradoxo, mas o fato é que, embora a consciência tenha se transformado em um tópico de moda e realmente importante, no campo da ciência, grande parte do pensamento sobre a consciência ainda está limitado pela visão materialista que equipara consciência ao cérebro. Como cientistas, todos nós fomos criados acreditando que a consciência está localizada dentro de nossa cabeça e na ciência institucional, a maioria das pessoas acha que a consciência é apenas uma atividade do cérebro. É bom lembrar que, ao contrário, as tradições espirituais e religiosas sempre tiveram uma visão muito mais ampla da consciência e têm muito pouco contato com a visão científica muito mais restrita.
Falarei por alguns minutos sobre a história da visão científica do pensamento europeu sobre a psique ou a alma. A seguir, falarei sobre alguns experimentos que venho realizando recentemente que demonstram que a consciência é muito mais ampla que o cérebro e que a mente vai muito mais além do cérebro. Durante esta palestra, explicarei por que acho que a mente está interconectada tanto através do espaço quanto do tempo, e é muito mais extensa que os limites físicos do cérebro. A ideia de que a alma – ou a psique – é muito mais que o cérebro é obviamente aceita sem discussão em qualquer parte e essa visão ampla da psique era a visão normal na Europa. Na Grécia Antiga, Aristóteles a formulou de uma maneira mais sistemática. Para ele, todos os seres vivos tinham uma psique ou alma. A alma das plantas, a alma vegetativa organizava a forma da planta e, portanto, um carvalho em crescimento era estimulado pela psique da planta a se transformar na forma madura do carvalho. Seria algo como um plano invisível da árvore. Os animais também têm almas vegetativas, que organizam o crescimento do embrião, o desenvolvimento do corpo e sua manutenção em um estado saudável. Mas, além disso, os animais tinham almas de animais relacionadas com os movimentos, a sensibilidade e os instintos. E, é claro, a palavra animal vem do latim anima que quer dizer “um ser com alma”. Nós os seres humanos, além de termos uma alma vegetativa, que nos liga a todas as plantas, teríamos uma alma animal, que nos liga a todos os animais e uma alma intelectual, aquele aspecto especificamente humano da psique, que tem a ver com o pensamento, a razão e a linguagem. Essa era a visão adotada na Europa Medieval e por Santo Tomás de Aquino. Essa visão grega da psicologia foi incorporada pela teologia cristã. E essa foi também a visão dos seres humanos e da natureza que foi ensinada nas universidades por toda a Europa até o século dezessete.
A revolução cartesiana no século dezessete mudou o curso do pensamento acerca da psicologia na tradição científica. Para Descartes, todos os animais e plantas, como todo o universo, eram apenas máquinas. Assim, a alma foi retirada de toda a natureza, já não havia qualquer princípio dando vida aos animais e às plantas.

Portanto, se o mundo é uma máquina, se os animais são máquinas, podemos ter uma ciência totalmente mecânica e essa ainda é a base com que se apoia toda a ciência institucional. Se pensarmos que os animais são máquinas sem sentimento, sem pensamentos, então, é claro, podemos tratá-los de qualquer maneira: cientistas podem cortá-los para experimentos, os agricultores podem criá-los em fábricas; o fato é que muitas das bases do pensamento moderno sobre animais, agricultura e vivisseção apóiam-se nessa visão. Para Descartes, a única coisa que não se enquadrava nessa visão mecânica era a mente racional dos seres humanos. O corpo humano passou a ser uma máquina como a de qualquer animal mas, em algum lugar do cérebro, essa misteriosa mente racional interagia com o tecido nervoso de uma maneira que Descartes não conseguia entender. Ele imaginou que essa interação ocorria na glândula pineal. A teoria moderna da natureza humana e da consciência é essencialmente a mesma que a de Descartes e, a não ser pelo fato de que o local da alma andou uns 5 centímetros até o córtex cerebral, esse ainda é o tipo de visão que encontramos predominantemente hoje em dia. Os materialistas dizem: “bem, como ninguém pode dizer o que é essa misteriosa alma humana e como ninguém pode dizer como ela interage com o cérebro, vamos partir do princípio que ela simplesmente não existe, e que o cérebro é apenas maquinaria, é apenas um computador e a consciência é, de alguma forma, gerada pela atividade da maquinária computacional do cérebro”. Essa metáfora com o computador, uma versão atualizada da antiga metáfora que comparava a vida a uma máquina, passou a dominar uma grande parte do pensamento sobre consciência, particularmente nos departamentos de psicologia. Todas essas perspectivas, ou seja, tanto a visão interacionista, que diz que a consciência interage com uma parte do cérebro, como a visão materialista, localizam a consciência dentro da cabeça. O resto do corpo é apenas maquinaria, e todo o nosso sistema médico baseia-se nesse paradigma, ou nesse modelo do meio ambiente e da natureza humana.
O que vou lhes sugerir esta manhã é que essa visão é demasiado limitada. É claro, já descobrimos muita coisa sobre o funcionamento do cérebro e dos nervos e esse é um conhecimento valioso e importante, e obviamente a consciência está diretamente relacionada com o cérebro, mas acho que ela é muito mais do que isso. Para começar, gostaria que pensássemos sobre o que ocorre na consciência durante a percepção, é um começo por meio de uma experiência muito simples e direta. Usemos como exemplo vocês me vendo parado aqui. A explicação normal é que a luz, refietida de mini, viaja através do campo eletromagnético, através da lente de seus olhos, a imagem é invertida na retina, muda nas células retinianas, os impulsos seguem pêlos nervos ópticos, gerando mudanças complexas no córtex óptico e em outras partes do cérebro. Até aí tudo bem. Tudo o que pode ser analisado, foi analisado pêlos métodos da neurofïsiologia, e assim por diante. Mas então algo muito estranho ocorre: vocês formam uma imagem subjetiva de mini, em algum lugar dentro de sua cabeça. Bem, não existe nenhuma explicação para que você deva formar essa imagem, na verdade, algumas pessoas chamariam isso de ‘hard problem’, o problema difícil da consciência. Mas ainda mais misterioso é o fato de que você não sente que a minha imagem está localizada dentro de sua cabeça. O que imagino é que você vivência sua imagem de mim, como se ela estivesse localizada no lugar onde eu estou. O que vou sugerir agora é uma ideia tão simples que fica muito difícil de entender. Essa ideia é que sua imagem de mim é uma imagem – ela está na sua mente. Mas ao mesmo tempo, sua imagem de mim está localizada exatamente onde parece estar, ou seja, aqui, e não dentro de sua cabeça. Ela está localizada fora de sua cabeça, no ambiente, onde a imagem parece estar. Esse fato tão simples da experiência é algo que todos nós aprendemos a negar ou a rejeitar. Os dados mais imediatos de nossa experiência foram rejeitados a favor de uma teoria atribuída a Descartes e a outros filósofos, e o curioso é que essa visão das coisas domina nosso pensamento, e com isso faz com que neguemos nossa experiência mais imediata.
Os alunos de psicologia, pelo menos na Grã-Bretanha, que foram criados tendo essa rejeição reforçada – no primeiro ano de seu curso lhes ensinam que, no passado, pessoas burras e ignorantes pensavam que a percepção ocorria porque algo saía de seus olhos enquanto que nós, modernos, pessoas inteligentes e instruídas, sabemos que ela ocorre porque a luz entra nos olhos. A teoria da intromissão da percepção é tratada como se fosse a única verdade. É claro, as teorias tradicionais não negam que algo entra nos olhos, mas na maior parte do mundo acredita-se que a visão envolve um movimento para fora, bem assim como um movimento para dentro.

E essa ideia de que algo entra e sai é o que estou lhes sugerindo agora. Acho que quando vemos coisas nós projetamos imagens daquilo que estamos vendo, que normalmente coincidem com o lugar onde as coisas que estamos vendo estão, ou seja, sua imagem de mim projetada coincide com o lugar onde eu estou. Se não fosse assim, ela seria uma ilusão ou uma alucinação. Eu acho que, em certo sentido, nossas mentes literalmente se estendem para tocar tudo que vemos e se olhamos as estrelas no céu à noite, nossas mentes literalmente se estendem por distâncias astronómicas para tocar aquilo que estamos olhando. E se isso não é apenas um jogo de palavras, se nossas mentes realmente se estendem para tocar o que estamos olhando, nós deveríamos ser capazes de influenciar as coisas simplesmente olhando-as. Quando pensei nisso pela primeira vez, pensei, “bem, como é que podemos provar isso?” E então pensei “bem, que tal se escolhermos algo que possa ser bastante sensível, por exemplo, as pessoas”. Será que o fato de serem olhadas poderia influenciar as pessoas? É claro, se você vir que estou lhe olhando, você será influenciado pelas razões psicológicas normais, mas e se olharmos uma pessoa pelas costas e ela não souber que estamos ali? As pessoas sentem quando estão sendo olhadas pelas costas? No momento em que você faz essa pergunta, você compreende que a sensação de ser olhada fixamente pelas costas ó uma experiência cotidiana, muito comum. Levantamentos na Grã-Bretanha mostraram que 90% da população já tiveram essa experiência. Existem pequenas diferenças de género – mais mulheres do que homens tiveram a experiência de serem olhados e de se virarem e mais homens que mulheres tiveram a experiência de fazer com que outras pessoas se virassem olhando para elas. Cerca de 90 por cento da população já teve essa experiência e eu imagino que a maioria das pessoas nesta sala já vivenciou esse fenómeno de uma forma ou de outra. Temos aqui um fato muito interessante: inúmeras pessoas crêem poder influenciar outras simplesmente olhando para elas, ou que elas sabem quando uma outra pessoa está olhando para elas pelas costas.
O que é que a ciência tem a nos dizer sobre esse fato tão conhecido? A maioria dos cientistas acha que só porque a maioria das pessoas acredita nesse fato, ele deve ser falso. Isso é um argumento muito estranho: é claro que se muitas pessoas acreditam em alguma coisa isso não prova que ela é verdadeira, mas certamente também não prova que ela é falsa, e é uma boa justificativa, se ela é uma ilusão, pelo menos para examinar como surge essa ilusão. No entanto, esse fenómeno é uma espécie de tabu, e esteve totalmente fora da pauta científica. É possível ler toda a literatura publicada sobre esse assunto no espaço de uma única tarde ou, se lermos o sumário dele em meu livro Seven experiments, levaremos uns 10 minutos. Há menos que 10 trabalhos publicados sobre o assunto desde 1890 e essa é uma área que foi incrivelmente negligenciada. Acho que os psicólogos a negligenciaram porque tiveram todas essas aulas em seu primeiro ano lhes dizendo que só pessoas burras e ridículas acreditam na ideia de que algo sai do olho, e eles não querem parecer burros, é claro, e por isso nunca mencionam o fato em público. Mas penso que o verdadeiro motivo para isso ter sido um tema tabu é porque, à época do Iluminismo, quando muitos intelectuais na Europa tiveram a ideia da marcha do progresso da ciência e da razão, o que eles queriam deixar para trás eram coisas como a religião, a superstição e a irracionalidade, e esse fenómeno da influência dos olhos foi classificado como superstição e rejeitado pêlos cientistas.
Acho que uma das razões que contribuiu para que ele fosse classificado como superstição é que no mundo todo existe muito folclore sobre o poder dos olhos, do olhar. Acreditam que você pode influenciar as pessoas ou animais, ou crianças, ou coisas olhando para elas, apenas olhando para elas. Na índia, acreditam que se um homem santo ou uma mulher santa olhar para você, você recebe uma bênção desse olhar, do darchan porque darchan significa literalmente olhar, e, portanto, há um efeito positivo no olhar. Mas no mundo todo encontramos também muitas crenças populares que dizem que se uma pessoa olha para outra, ou para uma criança, ou para um animal, com raiva, ou especialmente com inveja, o olhar dela terá um efeito prejudicial naquilo que foi olhado. Em inglês, chamamos isso de evil eye (olho mau); em português diz-se “mal olhado” e há um nome em quase todas as línguas para esse fenómeno. E por que existe uma crença tão forte nisso, e por que ela era tão forte em toda a Europa e ainda é forte em muitas partes da Europa e por todo o mundo árabe, na índia e na África, encontramos essa crença em praticamente todos os lugares, eu acho que essa é uma das razões pelas quais os cientistas nunca quiseram lidar com o assunto. Eles a classificaram como superstição e a rejeitaram totalmente.

Acho que essa criação de tabus e rejeição de áreas inteiras de investigação é uma das maneiras de limitar o conhecimento científico. O que quero dizer agora é que esse fenómeno, se é verdadeiro, tem muita coisa a nos dizer sobre a natureza da mente. Sugere que nossa mente realmente se estende para influenciar aquilo que estamos olhando. Se nossa mente pode influenciar outras pessoas ou outras coisas à distância, isso é uma coisa muito, muito importante a ser levada em consideração, porque mostra que a mente pode ter efeitos não-locais.
Será, então, que as pessoas realmente sabem quando estão sendo olhadas pelas costas? É possível elaborarmos experimentos extremamente simples para testar essa ideia. Em meu livro ‘Seven experiments that could change the world’ um de meus experimentos está voltado para esse fenómeno, a sensação de estar sendo olhado pelas costas. Meu objetivo no livro era pensar sobre experimentos radicais que pudessem mudar nossa visão da realidade e que pudessem ser realizados com orçamentos de 20 dólares ou menos porque, a não ser pela oferta maravilhosa que tivemos essa manhã da Fundação Bial, normalmente não é possível conseguir fundos para pesquisas científicas radicais. Portanto, a forma de lidar com essa situação é realizar experimentos tão baratos que não necessitem de doações. E o experimento para testar a sensação de estar sendo olhado fixamente é praticamente grátis – esse, na verdade, é de graça. É algo que todos nesta sala podem fazer e tem as mais profundas consequências. Já foi realizado em grande escala: os resultados foram extraordinariamente positivos e significativos; é um experimento que pode ser facilmente repetido. Eu o descreverei para vocês rapidamente. Nesse experimento básico, as pessoas trabalham em pares. Uma pessoa senta de costas para a outra; as duas usam uma venda – eu uso essas vendas da Virgin Atlantic Airways, uma forma conveniente de venda. A outra pessoa senta atrás da primeira e, em uma sequência aleatória, elas ou olham para a nuca da outra ou não. Há uma série de 20 tentativas. Para indicar o começo de uma tentativa elas dão um sinal, que é feito com um clique mecânico, para evitar que sejam dadas deixas – eu uso essas coisas de plástico que tiro de cabides que vêm das lojas de roupas Marks and Spencer e eles indicam o começo de um teste. A pessoa que está sentada ali tem de adivinhar se está ou não sendo olhada. Nos testes de olhar, a pessoa olha fixamente para a nuca da outra e nos testes de não olhar olha para o outro lado e pensa em outra coisa. Esses experimentos muito simples são os testes básicos, que eu tenho realizado. Mais tarde falarei sobre versões mais sofisticadas. Mas esses experimentos dão resultados incrivelmente consistentes.
Vocês podem ver aqui os resultados da percentagem de suposições correias em alguns experimentos. Esses foram os primeiros experimentos que fiz com grupos de adultos em oficinas e seminários. Os resultados gerais – 50% é o nível de probabilidade e normalmente 55% das suposições estavam corretas e 45% erradas. Não é um efeito muito grande, mas algumas pessoas são muito mais sensíveis que outras. Esse é um efeito médio em grandes grupos de sujeitos não selecionados, com observadores também não selecionados, porque algumas pessoas olham melhor que as outras, têm um olhar mais intenso. Mas aqui vocês vêem uma marca muito característica desse efeito. Nos testes de olhar, os sucessos eram cerca de 60% e nos testes de não olhar é mais ou menos no nível da probabilidade. Esses experimentos foram repetidos em uma série de escolas na Alemanha e na América, realizados por professores sob minha orientação. Nesse caso vocês vêem exatamente o mesmo padrão outra vez, só que o efeito é maior. As crianças são mais sensíveis a esse teste do que os adultos e agora faço esses experimentos principalmente com crianças, porque elas são melhores.
Aqui vocês vêem uma vez mais que o efeito do olhar nos testes é grande, e que não há nenhum efeito nos testes de não olhar; os totais são a média dos dois. A princípio, quando pensamos nisso, fiquei intrigado, mas faz sentido: se realmente existe uma sensação de ser olhado, é de se esperar que a sensação funcione quando a pessoa está sendo olhada. Nos testes de não olhar, nos testes de controle, você está pedindo aos participantes que descubram a ausência de uma sensação. Na vida real, normalmente não temos prática em descobrir quando não estão nos olhando. Essa é uma situação completamente artificial e irrealista, e nos testes de não olhar as pessoas estão apenas adivinhando, os resultados não são melhores que a probabilidade. Esse padrão, que é uma marca característica desses resultados experimentais, é interessante de outro ponto de vista, porque também atua como um controle interno contra fraudes ou deixas sutis.

Se os alunos estivessem trapaceando falando baixinho um com o outro, ou fazendo sinais, seria de se esperar que melhorassem sua contagem no caso de olhar, e também no caso de não olhar, não se poderia esperar um efeito seletivo indicando que eles só teriam trapaceado nos testes de olhar e, de alguma forma, fosse lá qual fosse o sinal, as pessoas não reconheceriam a ausência nos testes de não olhar. Isso não seria coerente nem com trapaça nem com deixas sutis. Ora, esses experimentos já foram feitos em uma escala gigantesca e eu sintetizei os resultados cumulativos, até agora, um total de cerca de 18.000 suposições. Aqui estão os testes de não olhar e esses são os totais de suposições, corretas e incorretas.
Essa aqui é uma outra maneira de fazer a contagem dos resultados. Aliás, estatisticamente essa é melhor, ela me foi sugerida por um cético, o Professor Nicholas Humphrey, um dos mais importantes estudiosos do assunto, mas, como ele também é amigo meu, nós muitas vezes discutimos esses resultados. Ele sugeriu que a melhor maneira de fazer a contagem é a seguinte: pegar cada um dos participantes que faz 20 testes, descobrir quantos participantes obtêm 11 ou mais suposições corretas, pessoas que acertam mais vezes do que erram – quantos participantes obtêm 9 ou menos corretas – pessoas que erram mais do que acertam – e ignorar as pessoas que obtêm exatamente meio a meio. Quando examinamos os testes dessa maneira, os participantes que acertaram mais do que erraram por comparação aos que erraram mais do que acertaram são os dos testes de olhar.
A signifïcância estatística desse efeito é l em 10 elevado a 37 que representa uma probabilidade de trilhões e trilhões contra um. São efeitos incrivelmente significativos. No caso dos testes de não olhar, a signifícância foi nula. Então, nesse caso, temos uma enorme signifícância e no outro nenhuma signifícância, essa é uma diferença dramática. E nesses resultados aqui, que, é claro, são a combinação dos outros dois, o efeito geral, a signifícância é de IO2 para l, contra a possibilidade de casualidade. Portanto, aqui temos um método experimental que é extremamente fácil de ser repetido, que não custa nada, que pode ser feito nas salas de aula dos colégios ou universidades e já está sendo realizado em escolas em todo o sistema escolar do estado de Connecticut na América, e na Grã-Bretanha em escolas no norte da Inglaterra como uma aula prática padrão para as crianças explorarem fenómenos que não estão no mapa psicológico comum. As crianças adoram fazer esses experimentos porque estão interessados no fenómeno, todas elas já ouviram falar dele. Os professores também gostam porque as crianças têm um experimento que realmente querem fazer. Todo o mundo gosta porque é de graça, e eu gosto porque obtenho muitos dados produzidos de graça, porque as pessoas me enviam seus dados. Se algum de vocês quiser fazer esses experimentos, com seus amigos ou alunos, pode baixar o procedimento completo, inclusive as folhas para a contagem dos pontos já ponderadas, do meu site na Internet e eu gostaria de encorajá-los a tentar fazer o experimento porque é um procedimento que pode ser repetido. É claro, para obter resultados estatísticos são necessárias amostragens bem grandes. O resultado não seria estatisticamente significativo com apenas dez ou vinte pessoas fazendo o teste uma única vez, seria preciso um pouco mais do que isso, mas se alguém aqui fizer o experimento, por favor, me mande os resultados. Sobre os dados que eu incluí aqui, os céticos dizem: “Bem, se as pessoas mandaram os resultados, então elas só irão mandar se obtiverem resultados positivos, e com isso você teria um viés”. Na verdade, os dados que incluí aqui são aqueles em que eu tinha séries completas. Em Connecticut, a universidade estadual fez com que os professores realizassem esse experimento como parte do curso e com isso eu tenho todos os dados de lá, e em meus próprios experimentos eu incluí todos esses dados. Portanto, esse fenómeno é realmente passível de repetição.
Recebi muitos comentários de célicos sobre isso e um desses comentários é um argumento sutil, que diz que se as pessoas estão na mesma sala poderia haver mudanças na respiração, pequenos sons, etc. Portanto, para testar essa possibilidade, fizemos os últimos experimentos através de janelas. Colocamos as crianças em uma sala de aula e as outras crianças sentadas na outra direção, a uns lOOm de distância, usando aquelas máscaras, portanto não há possibilidade de que elas possam ouvir ou ver as crianças na sala de aula ou sentir o cheiro delas e esses efeitos funcionam através de janelas, funcionam através de espelhos, e até mesmo através da televisão de circuito fechado. Esses experimentos agora já foram realizados em um número de universidades através da televisão de circuito fechado e em vez de perguntarem às pessoas se elas estão sendo olhadas ou não, monitora-se a resistência de sua pele automaticamente. E há mudanças na resistência da pele quando as pessoas estão sendo olhadas de uma tela de televisão por alguém numa outra sala. O interessante é que na vida real há muito conhecimento sobre esse efeito.

Entrevistei alguns detetives particulares, pessoal da vigilância na polícia, pelotões antiterrorismo da Irlanda do Norte e outras pessoas cujo negócio é olhar outras pessoas. A maioria das pessoas fica constrangida de olhar fixamente para outra pessoa durante muito tempo, mas há pessoas cujo trabalho é fazer exata-mente isso o dia todo e, é claro, elas têm muito mais experiência que a maioria. A maior parte dessas pessoas que são observadores profissionais dos demais está muito consciente desse fenómeno, e alguns daqueles que operam sistemas de segurança em shoppings, edifícios, aeroportos e hospitais também estão muito conscientes desse efeito. Em uma das principais lojas de departamento de Londres, os detetives da loja disseram que podiam olhar as pessoas na loja através de uma TV e quando viam alguém roubando, um gatuno, muitas vezes perceberam que se olhassem para essa pessoa muito intensamente pela tela da TV, a pessoa começava a olhar a seu redor procurando as câmeras escondidas e depois devolvia o que tinha tirado e saía da loja. Um segurança em um hospital disse que onde isso dava mais certo era com uma câmera oculta que cobria uma área onde as pessoas iam fumar, embora não fosse permitido fumar no hospital, mas quando ele observava os fumantes através da televisão de circuito fechado eles imediatamente começavam a parecer constrangidos e apagavam seus cigarros e saíam dali. Portanto, há muitas experiências práticas. No SÃS britânico, que são as forças especiais usadas para tomar de assalto terroristas em embaixadas e lugares semelhantes, parte do treinamento ensina que se você está se aproximando cuidadosamente de uma pessoa por trás, para esfaqueá-la nas costas, você não deve olhar fixamente para as costas dela, porque é quase certo que, se o fizer, ela vai se virar e lhe fazer alguma coisa horrível. E a primeira lição que um detetive particular aprende sobre seguir alguém é que você não olha para quem está seguindo, porque se olhar ele vai se virar e seu disfarce terá sido descoberto, a pessoa o verá e você já não poderá segui-la. Por isso, não se deve olhá-los fixamente.
Existe uma enorme quantidade de experiências práticas sobre esse fenómeno. Pessoas comuns já o vivenciaram, e existe também muita experiência individual. Tenho coletado relatos que as pessoas fazem desse fenómeno. Portanto há uma grande quantidade de história natural, há forte evidência experimental, e acho que se existem no reino humano, também existem entre os animais. Comecei recentemente alguns experimentos nos quais examino pássaros e outros animais para ver se eles sabem quando estão sendo olhados. Parece que sim. Acabei de mencionar o procedimento que elaboramos para isso: temos uma câmera de vídeo, para uma situação real, que fica ligada continuamente observando pássaros, por exemplo; a seguir, um observador se esconde em algum lugar, ou fica atrás de um espelho de duas faces ou de vidro enfumaçado, e esse observador fica olhando os pássaros por um minuto e depois não olha por um minuto; com isso você terá uma sequência aleatória de testes de um minuto. Ao analisar o vídeo depois, que pode ser contado por uma terceira pessoa neutra, você descobre se os pássaros ficaram mais agitados durante os períodos em que estavam sendo olhados do que quando não estavam. Os resultados preliminares sugerem que ficam. Animais parecem ser sensíveis ao olhar e, no momento em que você pensa nisso, você vê que os animais sabem quando outros animais estão olhando para eles, e se uma presa souber quando um predador está olhando para ela, isso teria valor evidente para a sobrevivência. E isso é de importância fundamental no reino animal provavelmente porque as pressões da seleção seriam muito fortes para que eles desenvolvessem essa sensibilidade. Ela poderia estar presente por pelo menos cem milhões de anos, ou, talvez, 200 milhões de anos, desde a evolução dos olhos. Eu acho que o que a princípio parece uma curiosidade, um fenómeno secundário na vida humana, essa sensação de ser olhado pêlos outros, pode ter uma importância biológica significativa. É claro, na evolução dos relacionamentos presa/predador, se as presas ficassem boas demais na arte de saber quando os predadores estavam olhando para elas, os predadores passariam fome. Portanto, é de se esperar que os predadores desenvolvem meios de não se trair, talvez eles possam atuar como os membros do SÃS britânico, ou como deteti-ves particulares, não olhando demasiado. Mas, essa é uma área a qual não se dá muita atenção, a etologia animal, portanto só podemos depender de relatos de naturalistas. Mas aqui há uma enorme área de biologia, de história natural, de psicologia que não foi explorada cientificamente e que poderia ser explorada sem grandes gastos e que tem imensas consequências para nossa compreensão da natureza da mente.

Acho que essas áreas são a conexão entre a pessoa que está olhando e aquilo que está sendo olhado, o que ocorre através daquilo que poderíamos chamar de campo perceptual, e no meu caso, eu penso neles como sendo campos mórficos e são um aspecto da minha hipótese geral sobre campos mórfícos, campos que conectam coisas que formam um todo. O observador e o observado, como os físicos muitas vezes nos dizem, estão conectados um ao outro. Na física já não é heresia dizer que o observador e o observado têm uma conexão entre eles. Na biologia, é claro, isso ainda é herético, mas, é claro, isso é realmente senso comum. E esses experimentos ajudam bastante a trazer o fenómeno para a biologia oficial e penso, portanto, que a ideia da mente, da percepção, precisa ir mais além da noção de que tudo se passa dentro da cabeça, e precisamos ver o processo como um processo muito mais amplo.
Bem esse é meu primeiro argumento, a primeira noção que aponta para a ideia da mente ampliada. O segundo ponto que eu quero expor sobre a mente ampliada é que nossa mente não está simplesmente localizada dentro de nossa cabeça. Acho que a ideia de que a mente está dentro de nossa cabeça nos dá uma ideia falsa de nosso relacionamento com nossos próprios corpos. As psicologias tradicionais achavam que a psique ou alma estavam espalhadas pelo corpo todo e até mesmo ao redor dele, conectando com o ambiente e até com os ancestrais. Portanto as psicologias tradicionais têm a ideia de que existem muitos centros psíquicos, não só a cabeça ou o córtex cerebral, mas que existem centros no coração, por exemplo. Os sistemas hindus e budistas falam de chacras, como sendo os centros psíquicos através do corpo. Na Europa Ocidental existia também uma ideia semelhante, nas liturgias cristãs, por exemplo ainda falamos dos “pensamentos do coração”, as pessoas falam de “sentimentos viscerais”. Portanto, a ideia de centros psíquicos ainda sobrevive e muito bem no Ocidente, embora não na agenda oficial. A partir de Descartes e da visão mecanicista, o coração passou simplesmente a ser uma bomba, não um centro de pensamentos. A ideia da psique permeando o corpo é fundamental na visão tradicional no mundo todo.
Acho que, de várias maneiras, no mundo moderno, o conceito científico que nos permite nos aproximarmos mais da ideia tradicional da alma é o conceito de campos. No mundo antigo as pessoas acreditavam que o universo inteiro mantinha-se unido graças à alma do mundo, a anima mundi. Hoje acreditamos que tudo se mantém unido graças ao campo gravitacional universal, que é o que mantém as estrelas em seu lugar, e mantém o universo integrado, portanto o campo gravitacional de Einstein ocupou o lugar da alma do mundo. Até o século dezessete as pessoas pensavam que os fenómenos elétricos e magnéticos dependiam da alma do imã. O campo magnético da Terra era considerado um aspecto da alma da Terra. Hoje os chamamos de campos magnéticos e elétricos, e assim como a alma que organizava as plantas e os animais que Aris-tóteles chamava de “alma vegetativa”, uma ideia muito parecida foi incorporada desde a década de 1920 ao termo “campo morfoge-nético”, campos formativos que organizam o embrião em desenvolvimento, e o corpo, e ajudam a manter o corpo saudável, e são a base de seus processos regenerativos. Corno biólogo, comecei com biologia do desenvolvimento e passei uns vinte anos trabalhando com esse tipo de biologia e a ideia dos campos morfogenéticos foi meu ponto de partida para essa investigação mais ampla.
Quando começamos a tratar da relação do campo do corpo, que, a meu ver, podíamos imaginar como sendo uma espécie de psique, realidade psíquica, no velho sentido de alma, e, é claro, o campo do corpo e o próprio corpo, normalmente são relacionados, da mesma maneira que um campo magnético é relacionado com um imã. O campo magnético está dentro do imã, e também a seu redor, mexendo-se o imã, o campo se mexe. Penso, por exemplo, que o campo de meu braço está dentro de meu braço e ao redor dele. Mas, o que é interessante é que se eu perdesse meu braço, se ele tivesse sido cortado como resultado de um acidente ou uma operação, eu ainda sentiria o braço. Pessoas que tiveram suas pernas ou braços amputados têm membros fantasmas, quase todas elas, e esses membros fantasmas parecem reais. Um dos grandes problemas em hospitais onde são feitas amputações de membros é que alguns dias depois da operação a pessoa tenta se levantar e andar, porque a perna ainda parece tão real que ela tenta andar apoiando-se nela, e cai no chão. Essas pernas e braços, esses fantasmas, continuam parecendo verdadeiros por muito tempo, na verdade, duram indefinidamente. Há pessoas ainda vivas hoje que têm braços e pernas fantasmas de membros que perderam na Segunda Grande Guerra, há mais de 50 anos. Quando alguém tem um braço ou uma perna falsa, uma prótese, na literatura médica o termo que usam para isso é dizer que, quando colocam um braço falso, o fantasma do braço dá vida à prótese, encaixa-se como uma mão em uma luva.

E as poucas pessoas que não tem fantasmas tem muita dificuldade de se adaptar à prótese, portanto, essa animação do membro artificial – animação é o próprio termo usado pêlos médicos – acho que nos diz algo sobre a natureza do fantasma.
A visão médica, é claro, é que o fantasma é produzido dentro do cérebro e é meramente referido ou projetado para o lugar do bra¬ço, mas ainda está no interior do cérebro. Eu acredito que é possível que o braço ou perna fantasma está, na verdade, onde parece estar, é o campo do braço ou da perna. Normalmente não é possível sepa¬rar o braço verdadeiro do campo do braço, mas no fenómeno do membro fantasma é possível separá-los, você tem o campo sem o braço ou perna materiais. Portanto, será que esse campo está real¬mente lá? Como podemos detectar esse campo? Essa é a maneira perfeita de detectar o campo do corpo, é uma situação extraordiná¬ria, maravilhosa para fazê-lo. É muito triste para os que tiveram seus membros amputados, mas é uma sorte para nós que estamos interessados nessas questões mais amplas, porque aqui temos uma separação clara entre a experiência subjetiva, o que eu chamaria de campo do membro, e a estrutura material. O que é que está real¬mente lá? Há algumas pessoas que afirmam serem capazes de ver corpos sutis, auras, há outras envolvidas na chamada medicina energética, ou medicina da energia sutil, que afirmam serem capa¬zes de sentir esses campos corporais. Há até algumas pessoas que praticam a técnica chamada de “toque terapêutico”, que desco¬brem que podem aliviar a dor nos membros fantasmas massagean-do-os. É claro, eles estão massageando um membro que não está lá, mas eles afirmam que podem sentir o membro que, com a prática, podem realmente detectar o membro.
Bom, eu desenvolvi um experimento muito simples para testar os membros fantasmas. Esse é um experimento que desenvolvi muito recentemente. Mencionei uma versão mais antiga dele no meu livro, mas recentemente elaborei uma versão melhor que, por enquanto, só tive tempo de experimentar uma vez e o experimento não deu certo. Mencionei isso porque a técnica é simples, e é algo que alguns de vocês podem querer tentar se tiverem a oportunida¬de. Acho que não funcionou porque eu estava trabalhando com um vedor, uma pessoa que normalmente procura água subterrânea ou tesouros enterrados, e ele nunca tinha feito esse tipo de coisa antes, teria sido melhor fazê-lo com algum terapeuta ou praticante de energia sutil. O experimento foi feito na casa de uma pessoa, atrás da porta pusemos pedaços de papel, seis pedaços de papel colados atrás da porta, numerados. A seguir a pessoa sem braço ficou atrás da porta com meu assistente, que jogou um dado, obtendo um nú¬mero de um a seis, e a pessoa colocou o braço fantasma através da almofada da porta com o número correspondente. Imagine, então, que eu sou uma pessoa que amputou o braço e agora estou passan¬do meu braço fantasma através de uma dessas almofadas, e você é um vedor ou um terapeuta de energia sutil, e você tem que me dizer o número da almofada. Se você puder fazer isso corretamente vá¬rias vezes, isso seria uma boa evidência tanto para a existência de braços fantasmas quanto para o resultado dessas técnicas de diag¬nósticos sutis. Portanto, é um procedimento bastante simples. No entanto, há um problema com isso: quando fizemos o experimento o vedor ficou dando as respostas erradas, que eram as respostas certas no teste anterior. Ele disse que a memória se agarrava à por¬ta. Esses vedores muitas vezes dizem que a memória das coisas é um problema para eles, portanto, a solução para isso teria sido reti¬rar os pedaços de papel e colocá-los em outra porta, e como a maio¬ria das casas e instituições tem muitas portas, é possível usar uma porta nova para cada experimento.
Outro método seria tentar detectar o fantasma por meio de ins¬trumentos. Se o fantasma interagir com qualquer tipo de instru¬mentação, haveria uma forma de colocar isso sobre uma base cien¬tífica muito mais rigorosa, porque mostraríamos que essas coisas poderiam ser detectadas não só por pessoas, mas também por meio de instrumentos. O método mais simples seria se as pessoas com membros fantasmas os colocassem dentro de vários tipos de apare¬lhos científicos, por exemplo, um aparelho de televisão: se alguém colocasse seu braço fantasma no tubo catódico de um aparelho de televisão e se uma sombra de sua mão aparecesse na tela, isso seria muito dramático. Se eles os colocassem em um detector de cintila¬ção ou em um espectrômetro de massa e se, em um deles, houvesse uma mudança no ponteiro, isso seria uma descoberta muito produ¬tiva. Infelizmente, ainda não consegui convencer nenhuma pessoa com um membro amputado a fazer isso, porque, embora os médi¬cos lhes tenham dito que é tudo imaginação e que o fantasma é uma ilusão, quando você lhes pede que coloquem o braço fantasma den¬tro de um aparelho de TV eles ficam com medo de levar um choque elétrico.

E as poucas pessoas que não tem fantasmas tem muita dificuldade de se adaptar à prótese, portanto, essa animação do membro artificial – animação é o próprio termo usado pêlos médicos – acho que nos diz algo sobre a natureza do fantasma.
A visão médica, é claro, é que o fantasma é produzido dentro do cérebro e é meramente referido ou projetado para o lugar do braço, mas ainda está no interior do cérebro. Eu acredito que é possível que o braço ou perna fantasma está, na verdade, onde parece estar, é o campo do braço ou da perna. Normalmente não é possível separar o braço verdadeiro do campo do braço, mas no fenómeno do membro fantasma é possível separá-los, você tem o campo sem o braço ou perna materiais. Portanto, será que esse campo está realmente lá? Como podemos detectar esse campo? Essa é a maneira perfeita de detectar o campo do corpo, é uma situação extraordinária, maravilhosa para fazê-lo. É muito triste para os que tiveram seus membros amputados, mas é uma sorte para nós que estamos interessados nessas questões mais amplas, porque aqui temos uma separação clara entre a experiência subjetiva, o que eu chamaria de campo do membro, e a estrutura material. O que é que está realmente lá? Há algumas pessoas que afirmam serem capazes de ver corpos sutis, auras, há outras envolvidas na chamada medicina energética, ou medicina da energia sutil, que afirmam serem capazes de sentir esses campos corporais. Há até algumas pessoas que praticam a técnica chamada de “toque terapêutico”, que descobrem que podem aliviar a dor nos membros fantasmas massagean-do-os. É claro, eles estão massageando um membro que não está lá, mas eles afirmam que podem sentir o membro que, com a prática, podem realmente detectar o membro.
Bom, eu desenvolvi um experimento muito simples para testar os membros fantasmas. Esse é um experimento que desenvolvi muito recentemente. Mencionei uma versão mais antiga dele no meu livro, mas recentemente elaborei uma versão melhor que, por enquanto, só tive tempo de experimentar uma vez e o experimento não deu certo. Mencionei isso porque a técnica é simples, e é algo que alguns de vocês podem querer tentar se tiverem a oportunidade. Acho que não funcionou porque eu estava trabalhando com um vedor, uma pessoa que normalmente procura água subterrânea ou tesouros enterrados, e ele nunca tinha feito esse tipo de coisa antes, teria sido melhor fazê-lo com algum terapeuta ou praticante de energia sutil. O experimento foi feito na casa de uma pessoa, atrás da porta pusemos pedaços de papel, seis pedaços de papel colados O problema com a maioria das pesquisas parapsicológicas é que ela envolve tarefas bastante sem sentido. Ou seja, influenciar a direção de um gráfico no computador não é muito importante para a maior parte das pessoas e adivinhar cartas de um tipo totalmente insignificante que estão sendo olhadas por um estranho em uma outra sala, pensem bem, não poderíamos imaginar uma situação em que a probabilidade da coisa funcionar fosse menor. É surpreendente que eles consigam qualquer resultado, porque os fenómenos da vida real dependem de coisas que realmente importam para as pessoas. Se estamos procurando efeitos da mente sobre a matéria, o melhor lugar para procurá-los seria nos laboratórios científicos, especialmente laboratórios químicos, físicos e biológicos. Os cientistas têm fortes expectativas sobre o que querem encontrar. Eles têm um tabu extraordinariamente forte contra a possibilidade de que possam ter qualquer influência paranormal sobre aquilo que acontece em seus experimentos e têm uma crença ingénua em sua total obje-tividade. Isso cria condições ideais para a manifestação de fenómenos psicocinéticos. Ora, sabemos que no domínio da psicologia e da medicina os efeitos do pesquisador são bem descritos e documentados. Na medicina, o efeito placebo ocorre quando as pessoas esperam que uma pílula nova tenha poderes de cura maravilhosos, e médicos e pacientes acreditam isso. Se eles não sabem qual é a pílula falsa, e qual é o remédio, o efeito placebo muitas vezes funciona bem. É claro, se você disser às pessoas “essa é o placebo, é uma pílula falsa, e essa é o remédio maravilhoso”, as pessoas que tomarem o placebo não se beneficiam dele. Só funciona se você não souber o que está tomando. De qualquer forma, os testes duplo-ce-gos são padrão na medicina clínica. Na psicologia, a importância de técnicas experimentais cegas é amplamente reconhecida, e há livros inteiros sobre o efeito experimental. Isso mostra que as pessoas, os pesquisadores, podem influenciar o que ocorre. Ninguém jamais explicou por que eles têm uma influência assim tão forte sobre o resultado de testes médicos e psicológicos, e, é claro, isso também funciona com animais.

Como aqueles entre vocês que estudaram psicologia provavelmente sabem, Robert Rosenthal e outros fizeram experimentos em que as pessoas testam ratos ou outros animais, e se eles acreditam que os ratos que estão sendo testados são inteligentes, astutos, os ratos têm resultados melhores no teste do que no caso em que eles acreditam que os ratos são burros, mesmo que os ratos tenham sido tirados de um mesmo grupo e selecionados aleatoriamente. Portanto, existem grandes efeitos da mente sobre a matéria na psicologia e na medicina.
E nas demais ciências? Bom, ninguém sabe. Ninguém jamais testou a influência do pesquisador nas ciências físicas e aqueles que praticam a física e a química, normalmente consideradas as mais objetivas das ciências, são totalmente ignorantes de técnicas de simulação. A fim de examinar até que ponto elas são levadas em consideração na prática da ciência normal, eu fiz um levantamento recentemente de publicações científicas importantes para ver quantos trabalhos publicados envolviam o uso de técnicas cegas. No primeiro grupo de publicações importantes de física e química do tipo Journal ofthe American Chemical Society, dos 237 trabalhos que examinamos nenhum deles envolvia técnicas de simulação. Nas ciências biológicas, dos 914 trabalhos que examinamos apenas 7 envolviam essas técnicas. Em coisas como o Biochemical Journal, CellHeredity, nenhum deles. Nas ciências médicas 5,9% dos experimentos publicados envolviam técnicas cegas. Mais do que a biologia, mas mesmo assim abaixo daquilo que seria de se esperar. Na psicologia e no comportamento animal, 4,9%, também muito menos do que seria de se esperar, considerando-se a consciência que os psicologistas têm desse fenómeno. Na parapsicologia foram 85%, portanto a parapsicologia está bem na frente de todas as outras ciências no uso de metodologias objetivas e rigorosas, e nas ciências físicas as técnicas são praticamente desconhecidas. Quando fizemos um levantamento das universidades, nas onze melhores universidades na Grã-Bretanha, Oxford, Cambrid-ge, Londres, Edinburgh, e assim por diante, para ver quantos departamentos usavam métodos cegos em pesquisa ou os ensinavam a seus alunos, o resultado foi o seguinte: na química inorgânica, nenhum em 7; na química orgânica, nenhum em 7; na física l em 9 e esse departamento de física só os usava porque tinham um contrato industrial que estipulava seu uso.
Não sou o tipo de pessoa que diga “vamos falar mal dos outros”, acho que devemos sempre tentar encontrar uma abordagem positiva, e o experimento que estou sugerindo aqui é para ver se existem efeitos da mente sobre a matéria na ciência regular. O experimento que proponho é o seguinte: em aulas práticas laboratoriais normais, do tipo que os estudantes fazem normalmente, digamos, uma aula prática de bioquímica – normalmente, numa aula prática desse tipo as pessoas comparam uma amostra do teste com uma amostra de controle, por exemplo, uma enzima ativada com uma enzima de controle – eu sugeriria que nessas aulas práticas metade dos alunos fizesse tudo como sempre faz, sabendo o que é o quê, e a outra metade faça um teste cego, e as amostras sejam rotuladas de A e B. Você verá que não há qualquer custo envolvido nisso; estamos fazendo a aula prática normal, a única diferença é a eti-quetagem dos tubos. A seguir você faz uma análise da divergência entre os resultados para ver se há alguma diferença dos resultados do teste cego e do teste feito em condições abertas. Se os resultados nas condições cegas forem diferentes, isso mostraria a existência de um efeito do pesquisador. Essa técnica simples pode ser utilizada em qualquer ramo da ciência, e pode ser que em alguns ramos da física e da química não haverá efeitos do pesquisador, e então, pela primeira vez, haveria evidência experimental para a suposta objeti-vidade das ciências físicas. Mas, se existirem efeitos do pesquisador, o que eu acho que haveria, então temos que ver o porquê. Será apenas tendência do observador? É porque as pessoas registram os dados de uma maneira tendenciosa, de acordo com suas expectativas? Ou são os próprios sistemas que dão resultados diferentes de acordo com suas expectativas? Poderia haver uma espécie de efeito psicocinético real nas enzimas ou nos próprios sistemas sob investigação, afinal de contas, já ficou demonstrado que eles influenciam os processos de decaimento radioativo.
Acho que esses efeitos da mente sobre a matéria, a interação entre o observador e a coisa observada, podem desempenhar um papel essencial na ciência. É claro, quando muitas pessoas esperam um resultado específico, quando se constrói um consenso científico, há uma tendência para que o resultado apareça repetidamente nos experimentos. Mas até que ponto a construção de consenso científico é a descoberta de uma realidade objetiva e até que ponto é a criação ou uma moldagem da realidade de acordo com nossas expectativas. Ninguém sabe a resposta para essa pergunta até o momento porque ninguém fez os experimentos. Acho que a mente ampliada poderia se ampliar até o próprio coração da ciência. Publiquei um trabalho recentemente com esses resultados no Journal ofScientific Exploration e tenho cópias se alguém quiser.
Entro agora em uma outra área de experimentação que acho particularmente importante e interessante.

Com relação a efeitos psíquicos – efeitos da mente à distância – a maior parte das pesquisas até o momento foram feitas na área de parapsicologia humana. Na verdade, alguns parapsicólogos definem sua disciplina como o estudo das capacidades humanas extraordinárias. A meu ver, no entanto, estamos olhando no local errado se quisermos realmente descobrir mais sobre esses fenómenos. Acho que se essas coisas existem, elas provavelmente serão muito mais frequentes em animais do que em seres humanos. Pessoas urbanas e modernas são provavelmente o último lugar onde devemos procurar fenómenos passíveis de repetição como esses. Quando comecei a pensar no assunto, pensei “como estudaríamos esses fenómenos nos animais?” É claro, os comportamentalistas de animais têm os tabus normais e não estudam essas coisas em animais selvagens. As pessoas que verdadeiramente as observam são as que têm animais domésticos. Metade dos domicílios na Grã-Bretanha, provavelmente um pouco menos em Portugal, tem animais domésticos, as pessoas têm animais porque gostam de tê-los por perto, têm algum tipo de ligação com eles. O relacionamento entre humanos e animais é algo muito antigo, e é claro, sociedades rurais tradicionais estão sempre envolvidas com animais, gatos, cachorros, carneiros, cavalos, burros, galinhas, etc. e antes disso, nas sociedades dos caçadores-coleto-res, as atividades xamânicas eram em grande parte relacionadas com animais e espíritos de animais. Portanto, acho que essa conexão com animais é essencial para nossa humanidade. Tem sido assim por toda a história humana, e creio que nossa consciência evoluiu junto a esse relacionamento com animais. Nas sociedades urbanas modernas as pessoas não têm necessidade de animais que trabalhem, como no caso dos agricultores, mas, apesar disso, elas têm animais domésticos em casa, embora seja um hábito caro, eles dão trabalho, têm cheiro forte, etc. As pessoas realmente querem esses relacionamentos com animais. As pessoas que têm animais domésticos os observam dia a dia, semana a semana, ano a ano, muito mais do que cientistas e laboratórios que apenas os examinam durante algumas horas. Donos de animais e agricultores estão estudando seus animais o tempo todo, e há um enorme corpo de informações sobre o comportamento animal entre esses donos. Mas essa informação foi completamente negligenciada pela ciência organizada, porque acham que não pode ser levada a sério e, uma vez mais, há a questão do tabu, essa arrogância que, a meu ver, foi um mal da ciência por tanto tempo: as mentalidades arrogantes dizem: “não escutem o que dizem os donos de animais, eles são apenas pessoas ignorantes e sem instrução que querem acreditar nessas coisas sobre seus animais, porque têm esse relacionamento emocional antinatural com eles”. É muito fácil para as pessoas dizerem isso, e rejeitarem esse conhecimento, e esse tabu significa que uma fonte preciosa de informação que pode ser oferecida pêlos donos de animais foi completamente menosprezada. Nas escolas e universidades veterinárias existe hoje uma área em crescimento chamada de “estudos de animais companheiros” mas o único financiamento para isso, na verdade, busca examinar o benefício que animais domésticos trazem para os seres humanos. Essa área estuda como ter animais domésticos reduz a probabilidade de ataques cardíacos ou faz as pessoas idosas se sentirem menos sozinhas, e assim por diante. Mas, na verdade, ela não examina os animais.
Portanto, essa área foi completamente menosprezada. Há um tabu sobre levar animais domésticos a sério, assim como sobre levar paranormais a sério. Mas quando examinamos as coisas que os donos de animais dizem, há uma fonte preciosa de informação. A maioria dos donos de animais acredita ter uma ligação telepática com seus cães ou gatos. Isso foi descoberto através de levantamentos, e há inúmeras histórias que podem ser coletadas, como eu venho coletando, de donos de animais sobre coisas que seus animais fazem, que sugerem uma sensibilidade para com o pensamento e a intenção humanos, que podem funcionar à distância. Por exemplo, a capacidade que muitos cães ou gatos têm de saber quando seus donos estão vindo para casa. Muitas pessoas observaram que cães, gatos ou outros animais, especialmente papagaios, ficam nervosos 10,15 minutos, meia hora, às vezes até uma hora antes de seu dono chegar em casa. Os cães normalmente vão esperar perto da porta, ou os gatos vão olhar por uma janela, ou mostrar algum comportamento característico que significa que parece que sabem quando seu dono está a caminho de casa. A primeira vez que eu ouvi essa história fiquei muito surpreso. Pessoalmente eu nunca tinha observado isso com nenhum de meus animais, mas comecei a perguntar a amigos e parentes e descobri que isso é extremamente comum.

Então fiz um apelo nos Estados Unidos para que as pessoas enviassem histórias sobre isso e colecionei muitas delas, o que me fez pensar que era um fenómeno que realmente merecia ser investigado. Desde então venho colocando anúncios em jornais e revistas na Grã-Bretanha, na Alemanha, na Suíça e na França solicitando histórias desse tipo. Hoje tenho mais de 2.000 histórias, classificadas cm várias categorias, em um banco de dados informatizado e isso me dá uma história natural básica desses fenómenos com animais domésticos. Deixe-me dar um exemplo, do tipo de histórias que recebemos neste banco de dados, sobre um cachorro que sabe quando seu dono está chegando em casa. Essa é de uma pessoa no Havaí: “Meu cachorro Debby sempre fica esperando na porta uma meia hora antes de meu pai chegar em casa do trabalho. Como meu pai estava no exército, ele tinha um horário de trabalho muito irregular. Não fazia diferença se meu pai ligava antes, e uma época eu achei que o cachorro reagia à chamada telefónica, mas isso obviamente não era o caso porque às vezes meu pai dizia que estava vindo para casa mais cedo, mas tinha que ficar até mais tarde. Às vezes ele nem telefonava. O cachorro nunca se enganava, portanto eu eliminei a teoria do telefone. Minha mãe foi a primeira pessoa que notou esse comportamento. Ela estava sempre preparando o jantar quando o cachorro ia para aporta. Se o cachorro não fosse até aporta, nós sabíamos que papai ia chegar mais tarde. Se ele chegasse tarde, o cachorro mesmo assim o esperava, mas só quando ele já estivesse no caminho de casa”. Como vocês podem ver, temos agora em nosso banco de dados cerca de 580 relatos de cachorros que fazem isso, cerca de 300 relatos de gatos que fazem isso, com esse tipo de qualidades.
O cético de carteirinha irá dizer “bem é apenas uma rotina” mas na maioria dos casos não é uma rotina, se fosse as pessoas nem notariam. A maioria das pessoas não é idiota, e se fosse apenas uma rotina, elas estariam conscientes dessa possibilidade. Na maior parte dos casos é óbvio que não é uma rotina. O próximo argumento do cético de carteirinha é “bom, o que deve acontecer é que as pessoas da casa sabem quando o dono está vindo e com isso seu estado emocional muda, e o animal capta essa mudança através de deixas sutis”. Bem, é claro que isso é possível se as pessoas realmente prevêem que alguém está vindo para casa, seu estado emocional pode mudar, elas podem ficar excitadas ou talvez deprimidas e o animal pode captar essa mudança emocional e reagir a ela. Mas, em muitos dos casos, as pessoas na casa não sabem quando a outra está vindo para casa, é o animal que lhes diz e não elas que dizem ao animal.
Quando eu estava discutindo esse assunto com Nicholas Humphrey, meu amigo cético disse: “bem, tudo isso ainda não elimina a possibilidade de que eles ouvem o barulho do motor do carro, um motor de carro familiar a 30,40 quilómetros de distância”, e eu disse: “isso é obviamente impossível”. E ele: “pelo contrário, apenas demonstra como a audição dos cachorros é aguçada”. Foi essa discussão que levou à ideia de fazer um experimento. Eu disso: “OK, e se eles vierem para casa de táxi, ou no carro de um amigo, ou de trem, ou de bicicleta da estação em uma bicicleta emprestada, para que não haja sons familiares?” E ele disse: “nesse caso, o cachorro não reagiria”, e desde a publicação deste livro eu já descobri muitos cachorros, gatos e outros animais que fazem isso. Eu falarei do experimento em um momento, mas, primeiro, direi alguma coisa sobre o levantamento que fizemos. Já fizemos quatro levantamentos domiciliares usando amostras aleatórias que perguntavam aos donos de animais a respeito das habilidades de seus animais. Vemos aqui o resultado de dois levantamentos na Grã-Breta-nha e dois nos Estados Unidos, um nos subúrbios de Los Angeles e um em Santa Cruz, Califórnia, um em Londres e outro em Rams-bottom, uma cidadezinha perto de Manchester, no nordeste da Inglaterra. Telefonamos para pessoas escolhidas aleatoriamente usando técnicas padronizadas de amostragem e perguntamos se elas tinham animais. Dos donos de animais, havia mais donos de cachorros do que de gatos na maior parte das localidades, a não ser em Santa Cruz onde havia mais donos de gatos do que de cachorros. Perguntávamos: então “seu animal parece saber previamente quando um membro da família está vindo para casa?” Aproximadamente 50% dos donos de cachorro em todas as localidades disseram que sim – em Los Angeles foram mais de 60% – e podemos ver através desses resultados que os gatos em todas as localidades fazem isso menos que os cachorros. Portanto há uma diferença clara entre gatos e cachorros, mas eu acho que não é necessariamente porque os gatos sejam menos sensíveis que os cães, apenas que a maior parte deles simplesmente está menos interessada. Portanto, há uma diferença óbvia entre gatos e cães, os gatos também fazem, mas no caso dos cachorros são muitos, pois cerca de 50% dos cachorros parecem mostrar esse comportamento prévio. Estamos falando de milhões de cães só na Europa. Todas as cidades e aldeias provavelmente têm um cão que faz isso, ou vários deles.

Fonte: http://www.projetoockham.org/cgi-bin/yabb/YaBB.cgi?board=ferramentas;action=display;num=1110308791;start=

Wilhelm Reich, o Gênio negado

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=A_yhTvZJ_K4&feature=channel]

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Man´s Right to Know legendado

Dividido em 4 partes algumas das experiência de Wilheim Reich junto com o resumo de sua biografia.
Espero que após ver o vídeo, possam também conhecer Nikola Tesla, Outro Gênio Negado, além de sua época.

Newer posts