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Documentário: SOBREVIVENDO AO PROGRESSO / Surviving Progress (2011) LEGENDA PT

“A ascensão da Humanidade é geralmente medida pela velocidade do progresso. Mas e se o atual progresso estiver nos prejudicando, em direção ao colapso? Ronald Wright, autor do best-seller “A Short History Of Progress” (A Breve História do Progresso), que inspirou este documentário, mostra como as civilizações do passado foram destruídas pelas “armadilhas do progresso” – tecnologias fascinantes e sistemas de crença que atendem a necessidades imediatas, mas comprometem o futuro.
Com a pressão sobre os recursos mundiais aumentando e as elites financeiras levando nações ao fundo do poço, poderá nossa civilização globalizada escapar da catástrofe – a “armadilha do progresso” final?
Através de imagens marcantes e insights iluminadores, de pensadores que investigaram nossos genes, cérebros e comportamento social, este réquiem do modelo de progresso usual também propõe um desafio: provar que tornar macacos mais inteligentes não é um beco sem saída evolucionário.”

“Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento.”
(Carlos Bernardo González Pecotche)
“Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição.”
(Simón Bolivar)

O que é a vida? – parte 2

Desculpem a demora, mas vamos continuar a falar sobre o que é a vida, segundo o livro do Capra. Segundo ele, para haver vida deve haver três critérios fundamentais:

  • Padrão de organização: Mais do que os materiais que a compõe, o que importa é o padrão de organização dos elementos. Pensem por exemplo em uma cadeira. Ela pode ser feita de vários materiais, e pode ter design diferentes, mas ainda possui um certo padrão comum. O padrão de organização da vida é chamado de autopoiese. a palavra poiese significa criação. Ou seja, os processos que definem a vida são processos de auto-criação. Esse padrão se dá em rede, ou seja, cada componente participa da criação dos outros. a rede de processos celulares, por exemplo, atua na produção de substâncias que vão colaborar para a continuidade dos processos vitais da própria célula;
  • Estrutura: O sistema vivo é composto pelo que se chama estruturas dissipativas. Elas são baseadas na sintropia, a teoria de Prigogine, tal como discutimos no post anterior (para ver, clique aqui). Tais estruturas são fluidas, mais ou menos constantes, e dependem de um constante fluxo de matéria e energia para se manterem. Já ouviram falar que cada célula se reconstrói constantemente, e que renovamos parte dos materiais que compõe nosso corpo? Com o tempo ingerimos água e nutrientes, e eliminamos o que não é mais necessário, as células renovam suas substâncias. é como se cada dia fossemos uma pessoa diferente, mas nossa estrutura se mantém mais ou menos constante.
  • Processo vital: Capra reconhece junto com os teóricos que aborda que a vida, enquanto sistema dinâmico, e um processo de cognição, ou seja, de conhecimento. A cognição e a incorporação de um padrão autopoiético em uma estrutura dissipativa.

Creio que o sentido do que eu disse acima ficou meio complicado. Vamos dar um exemplo. Pegue várias fotos antigas de você, desde bebê até agora. coloque-as em ordem cronológica. Você é um organismo vivo, cresceu muito com o tempo. Mas se olhar bem, notará a permanência de algum padrão. O rosto, por exemplo. Se se lembrar de seu comportamento, vera que mantém alguns trejeitos desde a infância. Como isso acontece? Com o tempo, as moléculas que compunham seu corpo mudaram,e mesmo a organização dele mudou. As mudanças não são totalmente aleatórias, elas seguem um padrão, que não está totalmente pronto desde o início, mas um padrão que se recria com o tempo. É assim também que conhecemos as coisas. Vocês, por exemplo, poderiam ter chegado a esse texto procurando exatamente tais teorias, mas pode ter chegado aqui através de uma série de “acidentes”. Você poderia estar à toa no Facebook, visto algum comentário sobre a postagem e resolvido entrar. Mas isso não e totalmente aleatório, pois esse assunto talvez faça parte dos seus interesses. Você logo se sentiu atraído pelo tema.

Ou seja, há um padrão cognitivo, uma rede de informações que se recria e que a cada momento. Para Capra, baseando-se de cientistas como Maturana e Bateson, a vida é o próprio processo de cognição. Cognição é o processo de conhecimento. Conhecer não é apenas ver um mundo, mas criá-lo. Por exemplo, parem um momento de ler esse texto, olhem em volta e fixem seu olhar em um determinado objeto. Qual é seu tamanho? Você pode comparar as medidas usando uma escala universal, como o metro, ou medi-la comparando com outro objeto, ou com alguma parte de seu corpo, medindo em palmos, por exemplo. O objeto pode ser conhecido, e ter uma função comum (usado para escrever – caneta, para se tomar líquido – um copo, o que quer que seja). quanto mais olhamos para o objeto, vemos que nunca teremos uma visão pura deste, mas que  a percepção dele depende também de nosso corpo, da forma como somos compostos enquanto seres vivos. Temos boa acuidade visual, então nossa percepção desse objeto acaba sendo basicamente visual. a sensação de peso, as cores, a temperatura, tudo, todas as sensações não são objetivas, elas dão mais que o objeto para nós, elas dão também uma noção de como somos. Ou seja, em parte, criamos o objeto. É assim que acontece também no reino animal.

Os filósofos citam como exemplar dessa questão da construção do mundo pelo ser vivo o carrapato. Ele possui órgãos sensoriais para somente três coisas: a variação de luz, a temperatura e o odor do animal. Ele recria um mundo único para sua espécie a partir dessas três sensações. Nada fora disso o afeta (claro que podemos pegá-lo e espremê-lo entre os dedos, mas esse fato não conta diretamente em seu mundo, não existe para seu mundo). ser vivo é cognição, ou seja, nas palavras de Capra, “autogeração e autoperpetuação de redes autopoiéticas”.

Um exemplo: a célula absorve nutrientes e expele toxinas, cria e recria substâncias que lhe são necessárias, readapta-se quando sobre danos, regenera-se quando o dano não é grave, se duplica, e tem certo poder de adaptação a mudanças ambientais. Está ai o que Capra quis dizer nesse trecho.

Compreender a vida dessa maneira é mudar totalmente o paradigma pelo qual compreendemos nossa forma de viver. Somos seres vivos, e estamos, juntos com os outros animais e plantas, conectados a uma gigante rede autopoiética, Gaia. a hipótese Gaia sugere que todos os seres vivos do planeta compõem um ser maior, e que as redes de relações entre todos são responsáveis pela manutenção da vida em todo o planeta. Logo, se Gaia é um Imenso organismo, e o homem poderia ser considerado um tipo de célula inserida nesse processo, só podemos chegar a conclusão de que Gaia está com câncer, e que este somo nós. Crescemos desordenadamente e absorvemos recursos de forma descontrolada, desequilibrando tudo. que essas novas concepções possam servir de aviso a todos, pois assim podemos nos enxergar como parte de todo um conjunto  interdependente entre si.

 

O que é a vida? – parte 1

Olá a todos, peço desculpas pois dessa vez vou me meter a falar um pouco sobre biologia. Espero que os biólogos leitores possam contribuir com a discussão, e apontar os erros, inconsistências e mesmo discordâncias. Na verdade, não vou aqui definir o que é a vida, mas falar de um conjunto de teorias muito interessantes que, além de esclarecerem aspectos interessantes sobre o que define a vida, contribuem muito para a psicologia, mesmo que não haja muitos estudos nesse sentido. Como sempre, não consigo fazer textos muito curtos, então dividi o tópico em partes.

Muita gente conhece Fritjof Capra, físico que escreveu “O ponto de Mutação” e “O Tao da Física”, que falam principalmente da influência das filosofias orientais na ciência ocidental. Mas pouco ouvi na internet se falar do seu livro “A teia da Vida” (para ler, clique aqui), que mostra diversas pesquisas e teorias importantes sobre como definir isso que chamamos de vida, cujo surgimento fez de nosso planeta algo raro no universo (claro que há aqui controvérsias, para quem estuda sobre vidas extra-terrenas. Mas  mesmo que haja muita vida fora daqui sua ocorrência ainda é muito pequena, dada a imensidão do universo). ele nos mostra uma nova compreensão dos processos inerentes à vida.

Quando Vemos uma célula em funcionamento, percebe-se que nela ocorrem várias reações químicas. Por muito tempo a vida foi compreendida como sendo na verdade um conjunto de reações físicas e químicas, e que era só compreender essas que entenderíamos o que era a vida. Mas estudos mostraram que as leis de causa e efeito, que se percebe nas reações químicas, não são suficientes para compreendermos a vida.

Pensem na Segunda lei da termodinâmicaque diz que a entropia de um sistema tende a um valor máximo. Entropia significa a forma como a energia e a matéria se encontram distribuídas em um sistema. Um aumento da entropia, até seu desequilíbrio, indica um aumento da “desordem” do sistema, ou seja, aumenta-se o nível de energia que não pode ser mais convertida em trabalho, e o sistema entra em equilíbrio. Quando eu jogo uma bolinha para o alto, ela está carregada de energia potencial, que é convertida em cinética. Ao cair, parte da energia vira reação ao choque, outra parte barulho, outra parte calor, até que a bolinha para. O sistema está em equilíbrio, e se deixarmos el lá, nada acontecerá, a não ser que outra força aja sobre ela.

Na química também é assim, o sistema tende para uma maior entropia, até que a reação cessa. Dessa forma, a entropia não permitiria a formação da vida. a célula mantém reações químicas constantes, necessita de uma grande entrada de energia no sistema, mas consegue por si própria “buscar” essa energia no ambiente e manter suas reações.

Segundo o químico ganhador do Nobel Ilya Prygogine, além da entropia existe a sintropia, princípio oposto, no qual determinado sistema, se energizado, tende a níveis de organização mais complexos. Na natureza, temos essa estruturação no redemoinho de água que desce por uma pia. As forças físicas e gravitacionais entram em uma relação que chamamos de retroalimentação (a reação estimula sua própria continuidade). Enquanto houver um determinado nível de água, a estrutura do redemoinho se mantém, depois disso, a entropia domina, e ele se desmancha.

Na vida também é assim. A célula, ao receber glicose, oxigênio e outras substâncias, consegue por si própria manter e aumentar mais sua estrutura, conforme seu código genético. Se não há mais água e comida, a entropia domina, e ela morre. Porém, há uma grande diferença entre o redemoinho de água e a vida. A vida tem o que se chama de autopoiese. significa que ela, por si mesma, cria novas formas, se recria constantemente. Essa noção é essencial par compreendermos o que é a vida, e o que Capra diz em seu livro. Mas vamos continuar isso em outro post (para ler, clique aqui).

O que são os campos morfogenéticos?

Como vocês devem ter lido no post sobre o centésimo macaco (Ver aqui), e também podem ler essa interessante reportagem sobre os campos morfogenéticos, feita pela Galileu (ver aqui). Bom, resumindo, Sheldrake, criador dessa teoria, busca responder a furos na teoria reducionista da vida, que diz que o DNA é a fonte de toda informação necessária para a constituição da vida.

Por exemplo, como, um embrião, que vem de apenas uma só célula, consegue se diferenciar em um ser complexo como o homem? E pior, como que isso pode acontecer inúmeras vezes, quase sempre do mesmo jeito (não podemos esquecer dos bebês que nascem com alguma deficiência, onde o processo é diferente)?
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O Homem Bicentenário – O que é o Ser humano?

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Estou neste momento assistindo mais uma vez a esse filme que sempre me faz pensar, “O Homem Bicentenário”, baseado na obra de Isaac Asimov. Esse filme é um profundo questionamento sobre o que nos torna humanos, desde a biologia até a psicologia, a filosofia e a ética. Refinando a trama do filme, que conta a história de um robô defeituoso, que misteriosamente nasceu com propriedades comportamentais próximas do humano, como a criatividade. Ele tem um ótimo senso artístico e cria relógios de pêndulo, com formas magníficas. Aos poucos ele revela outro potencial humano: o da interrogação sobre si mesmo. Não chamaria isso de consciência, mas se equivale a ela. Os humanos tem esse potêncial de reconhecer a si mesmos, e a comparar-se com os outros. Mais que isso, tem o potencial de questionar sobre si, suas origens e sobre o que o faz ser o que é.

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Massa Crítica e Mudanças Sociais: O Centésimo Macaco

Macaco Japonês da ilha de Koshima

Cerca de meio século atrás, um jovem macaco Japonês da ilha de Koshima desenvolveu o hábito de lavar suas batatas-doces. O hábito se desenvoveu por todo o restante da população de macacos. Nenhum deles está vivo atualmente, mas seus descendentes ainda lavam as batatas-doces.


Este post foi anteriormente publicado no meu blog particular, mas a audiência é   muito menor que a do Destruidor de Dogmas, e dada a natureza da mensagem  neste texto, considero muito importante que ele seja divulgado o máximo possível. 

Atualmente, em termos da primavera árabe, o poder de mudança criado pela massa crítica dos cidadãos comuns do mundo já é bem mais fácil de ser percebido. Ainda assim, vale destacar o embasamento científico do fato:

“O Centésimo Macaco” é um livro onde o autor Ken Keyes Jr. pede que se divulgue a mensagem ao maior número possível de pessoas. Transcreverei aqui trechos do livro:

(…)
“Há uma história que eu gostaria de lhe contar. Sua mensagem pode conter a única esperança de um futuro para a nossa espécie!É a história do centésimo macaco:
O macaco japonês da vem sendo observado há mais de trinta anos em estado natural. Em 1952, os cientistas jogaram batatas-doces cruas nas praias da ilha de Kochima para os macacos. Eles apreciaram o sabor das batatas-doces, mas acharam desagradável o da areia. Uma fêmea de um ano e meio, chamada Imo, descobriu que lavar as batatas num rio próximo resolvia o problema. E ensinou o truque à sua mãe. Seus companheiros também aprenderam a novidade e a ensinaram às respectivas mães. Aos olhos dos cientistas, essa inovação cultural foi gradualmente assimilada por vários macacos.
Entre 1952 e 1958, todos os macacos jovens aprenderam a lavar a areia das batatas-doces para torná-las mais gostosas. Só os adultos que imitaram os filhos aprenderam esse avanço social. Outros adultos continuaram comendo batata-doce com areia.
Foi então que aconteceu uma coisa surpreendente. No outono de 1958, na ilha de Kochima, alguns macacos – não se sabe ao certo quantos – lavavam suas batatas-doces.
Vamos supor que, um dia, ao nascer do sol, noventa e nove macacos da ilha de Kochima
já tivessem aprendido a lavar as batatas- doces. Vamos continuar supondo que, ainda nessa manhã, um centésimo macaco também tivesse feito uso dessa prática.

 

ENTÃO ACONTECEU !
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