Se Beber, Não Dirija.

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São milhares os tipos de campanhas que tentam tratar de modo falho os sintômas da sociedade, mas peguei especificamente essa, pois li ela outro dia na marginal pinheiros, e ela tem tantas implicações.

Primeiro seria a base do problema de acordo com a sociedade, a bebida, ela tem vários efeitos claro (sendo uma delas a alteração de julgamento)*, mas porque no mundo isso de nada importa quando começamos?! Porque nosso julgamente já é afetado, e tudo parece ok, para muitas pessoas, até estão melhores, quem nunca ouviu aquela frase “eu dirijo melhor bêbado”, mas isso só demonstra uma clara falta de auto-conhecimento, no sentido de conhecer seus limites, e algo que eu acho ser o verdadeiro fator para isso, uma boa parte da população hoje em dia não está nem aí pra ninguém! E essa é uma realidade extremamente triste, vemos alguns tentando mudar o mundo (como nós aqui do DDD), mas outras simplesmente não foram tocados pela força da mudança, ainda vivem suas vidas determinadas por terceiros, e tem as reações também previstas pelos mesmos.

O que eu acho que leva a esse pensamento, além da sociedade capitalista que cultiva individualismo e aplaude a competição, é o distanciamento criado pela tecnologia e a sociedade trazem, em prol do sucesso devemos abandonar o nossas raízes e nos transformarmos no que chamam de “humano”, um ser plástico, inventado, algo que não conseguimos ser, pois quebramos tudo o que acreditamos com o que nos apontam como coisas importantes.

Essas regras impostas a nós, as sociais e as invisíveis (como falar no facebook antes de ligar pra pessoa, coisas banais) nos afastam de tal forma que as pessoas não sabem se comportar mais em público, não sabem sair com sua namorada(o), encontram o tédio facilmente a cada esquina, as pessoas esqueceram como viver. Se há algo errado ela deixa estar errado e reclama, se pode muito bem ir lá e separar uma briga, ou ajudar alguém que deixou cair suas coisas. O medo foi implantado e o conforto vendido em promoção como algo ótimo e essencial, o que importa agora é o seu bem estar, evitar conflitos é a nova estratégia e rumamos em linha reta ao abismo da VIDA, desviando das experiências, sendo elas as únicas capazes de elevar o ser e o caráter que há em nós, não o humano.

As ferramentas que temos hoje em dia só potencializa essa situação, pois nossa mentalidade está condicionada para isso, mas elas (internet, games, telefone, etc) pode também agir ao nosso favor, caso contrário estaremos condenados a seguir as histórias de ficção científica como o Surrogates (Subtitutos), que conta a história de pessoas que não vivem mais suas vidas no mundo real, elas controlam robôs com a estética humana, sendo que muitos mudam de sexo nessa escolha e consequentemente aparência, viveremos nossa vida por terceiros!

Quando olhamos para o passado nossa sociedade se torna tão ridícula, temos medo de sair na rua, temos medo de dirigir de noite, temos medo de não ser aceitos, temos medo de postar algo no facebook e ninguém curtir! São incontáveis as cordas dos ventrílocos que nos controlam sem percebermos, e nosso papel é percebê-las para nos libertar pouco a pouco.

Peço para que reflitam sobre suas ações banais do dia-a-dia e percebam o quão sem sentido algumas de nossas ações são.

Não podemos elogiar outras pessoas mais sem pensarmos que ela pode se achar perante isso, não há liberdade, há medo.

Nota: Altamento Recomendo que leiam o Quadrinho Surrogates e não o filme. Uma das obras mais completas que tive o prazer de ler.

Dedicado a Bruna Nardeli e nossas conversas.
*Carlos Henrique

9 Comments

  1. Carlos Henrique de Bastos Otto Franco

    23 de novembro de 2011 at 1:18 PM

    Acho que essa questão no início do texto sobre beber e dirigir começa bem antes de sabermos nossos limites. Álcool é uma droga, assim como cocaína ou maconha, drogas são substâncias que alteram nosso funcionamento físico e mental e isso altera o nosso funcionamento psicológico. Desde cedo aprendemos que a palavra DROGA simboliza algo ruim e pesado e o que está legalmente liberado não faz mal, no caso o cigarro e o álcool. Logo com esse pensamento nós temos a falsa sensação de que beber não é errado e não trás mal, e juntamos com o conhecimento sobra a impunidade brasileira em atos ilegais, resultando em pequenos delitos considerados normais, ou porque todo mundo faz ou porque a pessoa acha que nunca vai acontecer nada. O problema principal do álcool é aonde ele age, na parte frontal do cérebro, que controla nosso alto julgamento do certo e do errado, uma vez alterado facilita uma maior aceitação a uma situação que antes era vista como errada. As campanhas devem ser feitas para dar impacto nas pessoas antes de beber e não depois de fazer, por isso são falhas.

  2. E ae mako, gostaria de faze um contraponto.

    Primeiro que é claro que eu, por estar em uma formação de negócios, não tenho tantos problemas com o capitalismo em si, e sim com o que as pessoas transformaram o capitalismo (assim como o comunismo teórico é muito diferento com o que foi praticado no mundo)

    mas enfim, o que eu acho é que é equivocado olhar pra sociedade no passado e dizer que era muito melhor, ou que tenha mais valor. Pense bem, muita gente, e eu me incluo nisso, não tem “medo de sair na rua, medo de dirigir de noite, medo de não ser aceitos, medo de postar algo no facebook e ninguém curtir”. E mesmo assim pense nos medos de sociedades passadas: medo da escravidão, medo da igreja, da máfia, dos imperadores, das pestes, doenças, e até mesmo de medos que ainda existem hoje como medo da violencia (ainda mais que justiça, polícia eram ineficientes ou inexistentes), etc, etc etc… Sem contar que não haviam direitos para quase ninguem, em boa parte da sociedade nem democracia existia (mesmo os gregos que inventaram a democracia, esta só era válida para homens nobres, ignorando mulheres, escravos e plebeus). Na minha opinião, apesar de continuarmos com muitos problemas, o mundo avança cada vez mais. Veja a primavera árabe, a quantidade de paises com democracia estabelecida, a preucupação de boa parte de sociedade com sustentabilidade, apoio aos mais pobres, etc.

    Claro que meu argumento correo risco de cair nas mãos de pessoas acomodadas, e não é isso o que eu quero passar, acho que melhorar o mundo é uma batalha contínua que muitos não o fazem e outros sequer pensam nisso, mas não podemos simplesmente dizer que o passado era uma maravilha, pois não era. Era bem pior que hoje.

    Abraço mako!

    • Concordo com você, se deixei a entender isso vou me corrigir ou melhor apontar minha idéia, hoje o mercado vive a base do medo, vendemos medo na tv e nos jornais, jovens como nós não podemos ser exemplos do resto da sociedade, pois temos consciência do que ela é capaz e das engranagens que estão rodando pos trás dela.

      O passado com certeza tinha coisas ruins, mas hoje há um foco nisso, e isso é inegável, podemos pegar nosso grnade amigo estados unidos e ver as prisões privadas que deixam as pessoas lá por xingarem professores, ou simplesmente fazer uma piada de mal gosto, o medo dá lucro e controla, isso todo mundo sabe, mas a extensão de seus tentáculos que é difícil enxergar.
      Apesar de sempre ter existido coisas que nos assustam hoje eu acredito que essas coisas são tratadas diferentes.

      Um grande abraço, carlos e tales.

  3. Muito bom o texto mako!
    O autor e mais especificamente o capitulo do livro que eu comentei no dia que falamos sobre esse assunto é o cap 3 (Narciso ou a estratégia do vazio), do livro A era do vazio, do autor Gilles Lipovetsky vale a pena…
    agradecida pela dedicação!

  4. Na pedagogia Waldorf, desenvolvida por Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia, aborda-se uma parte da psicologia da criança que tem muito haver com esse post.

    A criança não cria vínculo com aquilo que ela não tem contato direto ou uma interação a um nível pessoal mais prolongado, por exemplo, podemos mostrar todos os filmes e documentários sobre animais que existem no mundo, se a criança não tiver uma proximidade com esses animais, tocar, sentir o cheiro e etc, não criará um vínculo duradouro com ela, e isso ocorre muito hoje em dia, principalmente nas grandes cidades, sendo trocado a interação das crianças com a natureza pelo tecnologia.

    Os pais não deixam nem as crianças subir em árvores, pela paranóia de cairem, a minha geração (tenho 31 anos), vivia em árvores.

    Para quem se interessar pelo assunto procure “Pedagogia Waldorf” e Rudolph Steiner

  5. Rudolf Steiner, desculpa, falha nossa.

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