Rolezinho Pra Ratoeira.

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Não gosto de falar de temas que estão na moda, mas percebi algo falho nos comentários de muita gente, o que não é incomum hoje em dia que todos querem dar impressões de tudo.

Vemos esses dias, e o que também foi registrado no documentário Hiato há alguns anos, que o povo de classe C e D demonstra uma vontade de frequentar os mesmos lugares da classe média, esse povo (que também faz parte de nós) que vive nas bordas de nossa cidade quer se sentir parte da sociedade, o “rolê ostentação” que tanto falam é bem isso, como pode ser visto no vídeo sobre as “Rolezetes”, nesse meio se valoriza o que o Funk engrandece, que é exatamente o que a mídia tenta nos vender.

Não é só uma vontade de se ambientar na cidade.

Numa tentativa de auto-inclusão social essas crianças e adultos acabam desejando o que a classe média sem poder de questionamento quer, que é justamente obedecer os parâmetros estabelecidos pelo governo, pela mídia e pela classe alta.

E isso é algo ruim? No final, sim.

Não há questionamento que esses jovens merecem transitar por todo o mundo se possível, aliás, a época da escravidão onde negros tinha que ir em suas próprias igrejas e banheiros já se foi, e está óbvio que o Rolezinho não foi algo para questionar a muralha social que existe no Brasil, e no mundo inteiro também, eles querem é diversão, querem sexo, querem encontrar pessoas que nos valores deles são as melhores, pessoas que seguem as idéias do funk prega, infelizmente, pode parecer generalização, talvez até seja ignorância minha, mas é isso que vejo por enquanto.

Não é preconceito falar que o funk é algo negativo, qualquer um com bom senso e consciência de valores morais pode ver que o que eles pregam não é saudável, é uma auto-ilusão disfarçada de diversão, pois quando não se alimenta a alma, o corpo fica satisfeito com o que vem,  e no caso, vem muita coisa.

Não há nada de belo nisso, não é um grito de liberdade que vemos/ouvimos nas telas, eles nem se preocupam se atingem a classe média, nem tem consciência como a classe média pensa, querem completar o vazio que sentem, querem se descobrir, querem aproveitar a vida do jeito que lhe parecem cabido, assim como todos nós.

Não há diferença.

E descobriram que isso assusta e muito a classe média.

Mas o que me deixa triste é que eles estão batalhando para entrar na ratoeira, querem seguir o caminho dos abestalhados da classe média, lutam para serem entorpecidos também, para ver novelas e acreditar que ter mais é ser também mais feliz.

Claro, foi uma surpresa ver toda os lojistas e freqüentadores do shopping fugindo deles, preconceito acontece sem a gente querer, mas quem não ia correr de 3 mil moleques no mesmo ambiente que você?! Difícil responder sem estar lá. E não vá cuspindo a palavra PRECONCEITO por aí, ele existe, e usamos ele para julgar várias situações de perigo e dúvida, a questão é saber quando ele é benéfico ou não.

Assim como nas passeatas, nos rolezinhos também há os arruaceiros, e como podemos ver, as vezes são classe média, as vezes classe baixa, e na política classe alta.

Sempre há o espertinho, o que se sente injustiçado socialmente, e o que vai na pressão social em todos os lugares.

O que peço no final desse texto é que não vá julgando tudo de uma só vez, tentamos ser seres livres, mas com certeza alguns são mais que outros, e isso por enquanto vai durar mais um pouco infelizmente, mas estamos todos aqui para fazer nossas mudanças, e só assim para podermos guiar os que se encontram perdidos para um caminho melhor, um caminho deles, um caminho equilibrado.

Espero que concordem comigo nisso, mas gostaria de saber suas opiniões.

1 Comment

  1. Mako, acho que a parte mais importante está toda resumida nesta sua frase perfeita: “estão batalhando para entrar na ratoeira, querem seguir o caminho dos abestalhados da classe média, lutam para serem entorpecidos também, para ver novelas e acreditar que ter mais é ser também mais feliz.”

    A ilusão de conquistar um lugar dentro da ilusão. Muito mais complexo do que despertar quem está dentro é buscar alertar quem ainda nem entrou devidamente. Como explicar “olha, você acha que quer isso, mas te convenceram a querer isso para submeter e sujeitar você a esta bobagem.” No momento em que se diga isso, a resposta virá inexorável: “bom, seja como for, quero entrar pra ver com meus próprios olhos. ” ou ainda: “quer sair, saia, mas me deixe entrar no seu lugar”. Isso ainda vai dar muitíssimo pano pra manga. E no fim, sempre repito: o caos tem sido a resposta para toda indiferença. Nada vai acalmar o caos, exceto o fim da indiferença.

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