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Scarlett Johansson, vítima de roubo virtual de suas fotos

A atriz reclama e ganha publicidade por algo corriqueiro: ter a intimidade exposta na internet. A questão não é a ilegalidade do fato, mas a problematização do fenômeno. Por ser uma atriz, tudo o que acontece a ela cai em domínio público. É acompanhada por paparazzis, sua vida é devassada e exposta em revistas que se dedicam em vender a vida alheia. Ora, no reino da imagem, a nudez corporal mostra-se mais íntima do que a nudez do pensamento, da vida diária. Essa onda de celebridades e sub-celebridades expostos não começou com Dieckmann, nem terminará com ela. Scarlett Johansson Passou pelo mesmo problema, vários “BBB’s” e jogadores de futebol foram expostos masturbando-se em webcams, etc, etc.

Creio que a questão aqui, o que incomoda é mais a invasão do que a imagem. Uma coisa seria Dieckmann posar nua para a Playboy, outra coisa seriam um hacker roubar fotos particulares. Assim, mais do que a exposição de si, que é na verdade a profissão dela, é a invasão de privacidade que conta, que incomoda, e que é hoje problematizada.

A internet é o reino das interconexões. Sendo assim, é também a quebra da privacidade. As redes sociais inauguraram o maior fenômeno da rede, a publicidade do particular, cada acontecimento de nossas vidas podem ser publicados e expostos, filmados, fotografados, discutidos em fóruns. Mas, até onde se tem conhecimento, é a própria pessoa que se expõe. Mas temos os efeitos em rede, como no Google. O cruzamento de informações, feito sem cuidado, pode levar à exposição despercebida de fatos particulares. quando se contrata o serviço, eles perguntam se você aceita as regras do serviço e as condições de privacidade: um texto enorme, que poucos lêem. Assim, mais para frente, ao modificar sua conta ou agregar novos serviços, esquecemos dessas condições e aí deixamos de avaliar as condições de privacidade que ele nos dá. Como exemplo, posso falar com vocês do susto que levei quando descobri que, quando fotografava qualquer coisa pelo meu celular Android, com o aplicativo do Google+ instalado, as fotos iam direto para a internet. Não que não houvesse sido avisado, mas não li nada sobre essa função, não sabia que as fotos eram carregadas automaticamente, e ainda não sei se todas as fotos carregadas são públicas, ou se apenas ficam salvas na internet.

Toda conexão fere a privacidade. Conversar com o outro é de uma forma ou outra expor seus sentimentos. Ter um relacionamento, amizade, namoro, filiação, é abrir suas fraquezas e desejos, de uma forma ou outra, aos outros. Desde muito tempo atrás às pessoas buscavam uma forma de expressar seus sentimentos íntimos e mantê-los reservados e seguros, como é o caso do diário. Hoje, a complexidade das conexões na internet tornou difícil essa tarefa. O HD não é sempre um lugar seguro…

 Quem ficou nua? A atriz, cuja nudez, não do corpo, mas da vida, é a condição de sua vida profissional hoje? Ou nossa sociedade inteira está se despindo, tirando as roupas, vestindo outras, expondo uma falsa nudez. Lembro agora de um blog, onde um grupo de amigos publicaram fotos de nudez como forma de protesto pela exposição de fotos íntimas de uma das amigas na internet (o blog era este aqui, mas todos os posts foram retirados do ar…). Vi as fotos, e reparei em uma coisa. Primeiro, ninguém estava totalmente nu, todos tampavam seus genitais. Algumas mulheres exibiam os seios, homens as nádegas. Somente um homem, ao longe, deixou-se entrever em um nu quase frontal. Todos divulgavam uma mensagem contra o preconceito e a “caretice” das pessoas, mostrando que a nudez é natural e não artigo de vergonha pública.

 Primeiro, ninguém estava realmente nu. Não somente porque tampavam seus genitais, mas sim porque faziam poses, como fotos de instangram, pseudo-artísticas. Era mais uma exibição de si próprio do que uma compaixão pela amiga. Suas peles eram como uma segunda máscara, e não uma exposição de si. A nudez de Carolina Dieckmann, toda revolvida em polêmica e processos criminais, cria uma máscara sobre essa mesma nudez, uma exposição falsa, ela desfoca o assunto da questão principal, que é, na minha opinião, a questão sobre qual é o tipo de privacidade que podemos e que queremos ter hoje?