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Weight, escultura hiperrealista de Jackie K Seo

Olá pessoal, tudo bem? Há muito Mako (fundador do site) me havia pedido para escrever algo sobre casos clínicos da Psicologia, pois achava que seria muito interessante e de grande importância para os leitores. Como estudo filosofia, acabei escrevendo mais textos críticos e teóricos, e deixei esse tema meio abandonado. Bom, resolvi retomar essa ideia, e criei uma série de postagens que chamei de “Quando a alma sofre”, e falarei aqui de diversos temas de psicopatologia, ou seja, das doenças mentais que afligem milhões de pessoas. Mesmo que eu tenha alguma experiência clínica, claro que não poderei aqui citar diretamente os casos que atendo, pois isso é proibido pela ética do psicólogo. Mas irei basear-me nessa experiências e nessas leituras para falar um pouco sobre esses temas.

Bom, após essa introdução, vamos entrar no tema desse post, que é a depressão. As pesquisas mostram que essa é uma das doenças que mais afligem a população mundial. Segundo o CID10 (o manual de classificação internacional de doenças) A depressão encontra-se entre os transtornos de humor,  ou seja, modificações patológicas do humor da pessoa, que possui dois extremos (mania, estado de euforia incontrolável, e a depressão). Há desde estados depressivos leves até os mais graves, acontecendo somente em algum momento da vida da pessoa ou sendo mais duradouro (distimia).

Em geral, o que acontece é uma diminuição do humor, da energia e da atividade. O deprimido sente-se em ânimo e disposição para exercer as atividades mais cotidianas, e dependendo da gravidade acaba passando muitas horas deitado. Passa por angústias terríveis, às vezes têm insônia, ideias frequentes de culpa, de ser inútil, baixa auto-estima. Em casos mais graves, o paciente chega a ter ideações suicidas, e o risco de morte aumenta.

Caso tenham vontade de conhecer mais a fundo os diferentes estados depressivos, consultem o CID aqui (capítulo V, F32). Esse artigo é o que me baseei para o que vou falar a seguir. A depressão, segundo a visão psicanalítica, tem relação com a própria formação do nosso sistema psíquico. Para Freud, o sistema psíquico se formou com a catástrofe da era glacial. É um modelo especulativo, ou seja, ele não parte de provas concretas, mas reconstrói o fato a partir das evidências que tem na clínica, e aí testa se o modelo consegue explicar o que ele pretende.

Com a era glacial, houve escassez de alimentos, e o homem, assim como os animais, entrou em um estado de hibernação, se desligando do mundo exterior, passando a dormir mais. Para a psicanálise, há aí uma experiência catastrófica que marca a mentalidade do homem. Caso este passe por uma experiência semelhante (não precisa ser algo grave, muitas pessoas tem uma vida relativamente confortável e mesmo assim entram em depressão, o que importa é o sentido que a experiência tem para a pessoa), seu corpo volta a recusar o mundo, e o deprimido centra-se em si mesmo, sofrendo uma angústia que não consegue dar nome.

Muitas vezes a depressão é acompanhada do que Freud chamou de Melancolia, e que não se fala muito hoje. Melancolia é uma espécie de luto patológico. Quando perdemos alguém amado, ou algo muito importante para nós, é normal sentirmos uma tristeza e ficarmos alguns dias assim. Mas quando não conseguimos sair dessa tristeza, e ela dura meses, aí ela se tornou patológica. A  pessoa entra em depressão, mas com um forte sentimento de culpa, como se fosse o grande causador da perda.

Quando atendo pacientes deprimidos, a sensação que tenho é de que minha energia está sendo sugada, e que no fim do atendimento fico cansado, com sono. Isso é devido ao fato de que o deprimido, em seu estado de hibernação, busca sugar o máximo de alimentos (por isso muito comem demais), e também da energia psíquica das pessoas, mas fazem isso inconscientemente. Talvez esteja ligado a isso a sensação muito comum que elas tem de estar nos prejudicando, ou de estar prejudicando a todos os que a rodeiam.

Na próxima postagem, eu quero mostrar para você a dificuldade que se é estar em depressão nos dias atuais, mostrando como nossa sociedade vê as pessoas com essa doença, que é grave e trás muito sofrimento.  Quero já indicar para vocês darem uma olhada no site Pensamentos Filmados, onde nossa parceira Ana Maria Saad faz um importante trabalho de apoio e esclarecimento dessa doença, além de contar suas experiências pessoais. Ela, mais que eu, tem muita autoridade para falar do que é sofrer com a depressão.