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Vi na folha a notícia da criação de uma rede pré-social (para ler a notícia clique aqui). Essa rede mapearia seus gostos (ou seja, aquilo que eles deixam você expressar) e indicaria locais nos quais pessoas com os mesmos interesses estariam. Assim, se você gosta de assistir séries de zumbis, e estiver em um bar ou boate, poderia saber que há ali pessoas que também gostam dessas séries. O objetivo dessa rede seria o de promover encontros de pessoas com interesses parecidos.

Mas vejam o problema disso tudo: e primeiro lugar, há um controle externo sobre quem você poderia ou não conhecer. E essa pessoa, que você conheceria primeiro pela rede social, seria o avatar dela, ou seja, o que ela pode dizer de si, e o quis dizer de si. Assim, nada garante que essa pessoa seja realmente interessante para você.

Há também outras implicações nos avanços das redes sociais, por exemplo:

 – implicações econômicas: As redes sociais são hoje a forma mais fácil de ter um perfil de consumo de cada consumidor. É sabido que a Google mapeia e guarda os dados de cada usuário, e oferece em seus acessos propagandas relacionadas às palavras-chave mais presentes em suas buscas ou e-mail. Se quiser comprovar, é só abrir um de seus e-mails do Gmail e olhar para os anúncios ao redor. Geralmente eles se referem a um dos assuntos do e-mail.

 – Implicações políticas: Todo banco de informações pessoais pode ser uma arma política para auxílio ou controle dos cidadãos. A democracia implica não só liberdade, mas as pessoas tenham livre escolha dentro dos limites que a lei determina.

A diferença no caso das redes sociais é que esse controle não é sentido pelas pessoas. Baseando-se em Foucault, podemos dizer que há um controle negativo, ou seja, aquele que se exerce pelo “não”, que proíbe ou impede a pessoa de fazer algo. Só que essa forma de poder é mais visível, tal como as placas de “NÃO pise na grama”. Há outra forma de controle, invisível, que é o que chamamos de positivo: temos liberdade, mas essa liberdade é a que Eles (governo, empresas, escolas, etc.) querem que teremos.

Novamente cito a vocês o tão querido Steve Jobs: sua filosofia era não a de atender nossos desejos, mas o de criar desejos.

CRIAR DESEJOS.

O capitalismo não tem mais o que vender. Não há mais grandes necessidades de consumo, que possam atrair os consumidores. Vejam as propagandas: por exemplo as marcas de escovas dentárias, a cada vez lança uma nova escova que diz ser a melhor, que faz algo a mais, e acaba tendo de competir com uma outra escova da mesma marca, e não mais com as marcas concorrentes.

Na internet é o mesmo. Cada vez mais criam novidades que se tornam necessidades. Antes ninguém precisava do celular, depois não precisavam do smartphone, depois não precisavam o tablet… mas agora, quem não tem, sente falta.

Não é a toa que a internet é chamada de web, teia. É nela que a aranha captura seu almoço. E não existem mais cadeias, estamos presos por vontade!

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