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A internet possibilita hoje que nos dupliquemos dentro da rede, e tenhamos assim um “avatar”. Essa palavra é interessante. Em seu sentido original, avatar significa a manifestação corporal de um ser imortal, segundo o hinduísmo. Já na linguagem da internet, o avatar é uma representação que as pessoas fazem de si mesmo. Essa representação não precisa ser fiel, uma foto de si mesmo, mas é através dela que interagimos com os outros na rede. Toda vez que você se cadastra em algum site, você preenche uma série de informações pessoais: nomes, endereços, e-mails, etc. É assim que os sistemas informatizados e as pessoas do outro lado vão conhecer você.

Mas e suas emoções, suas vivências pessoais, suas reações corporais quando você fica surpreso ou leva um susto? Isso também faz parte de você, mas ainda não pode ser completamente “informatizado”, ou seja, transformado em informação da internet.

Uma das coisas interessante que se encontra na internet é a construção de avatares gráficos, ou seja, você faz um desenho de si mesmo, escolhendo como será cada parte (cabelo, cor da pele, etc), e os coloca como se fosse você mesmo. Em um artigo que escrevi (e que você pode acessar aqui), analisei o processo de construção dessas figuras, percebi que elas controlam nossa forma de expressão. Isso quer dizer: você pode fazer um boneco de si mesmo, mas ele só pode ter essas roupas, esses cabelos, essas formas que o site disponibiliza.

Dá para entender o que quero dizer? A liberdade que você ganha na internet de se descrever, de se incluir na rede, tem um preço: você só pode ser definir através dos atributos que ELES querem. Nada que você queira expressar, e que não for incluído no sistema, pode ser expresso.

Assim também são os perfis que colocamos nas redes sociais. Muitas vezes escrevemos sobre nós mesmos como se aquilo que está escrito representasse fielmente o que somos, o que é falso. Primeiro, porque as pessoas nem sempre vão dizer tudo sobre si mesmas. Mas, mais que isso, aquelas informações que colocamos representa apenas uma parte, filtrada pelo site, do que seria interessante aos outros. Nossa vontade não conta.

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