0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Email -- Filament.io 0 Flares ×

Big Brother, do filme 1984, baseado na obra homônima de George Orwell

As redes sociais são hoje uma das maiores formas de se manter contato com diversas pessoas, próximas ou distantes, e de reencontrar pessoas que há tempo não se vê. Facebook, Orkut, Twitter, entre outras, elas estabelecem diversas formas de contato entre as pessoas, e se tornaram uma febre mundial, uma nova forma de se relacionar com as pessoas. Entretanto, a maioria das pessoas não compreende o potencial de controle das redes sociais. Se pararmos para pensar, a informatização da vida (ou seja, o quanto dependemos da tecnologia para viver) já controla nosso corpo: Por exemplo, em vez de escrevermos cartas à mão, ter de ir até o correio para enviá-la, aguardar dias por uma resposta, precisamos somente acessar a internet, digitar e clicar em “enviar”.

Digitar significa que você não precisa de uma boa caligrafia, pois todas as letras seguem os padrões definidos pelo programa de edição de textos. O corpo muda assim sua forma de interagir com o mundo: é mais fácil, ágil e econômico. O contato à distância também fica mais fácil. Cada vez mais podemos falar e ver o outro. E ainda sonhamos com o dia em que poderemos sentir o outro, com novas tecnologias que possibilitarão a criação de um mundo virtual e de instrumentos para codificar o tato, o cheiro, o gosto. Desejamos isso.

Desejamos entrar na Matrix.

Só conseguimos ver desse mundo as boas possibilidades que ele nos proporciona, mas e o preço que pagamos por elas? Reparem que está ficando cada vez mais fácil e barato ter acesso à internet, e as redes sociais são geralmente “gratuitas”. Tudo muito fácil e acessível, e até inocente. Mas é importante pensarmos no quanto mudamos ao passarmos tanto tempo nos dedicando a elas. Como falei acima sobre a digitação, o próprio computador modificou nossa forma de escrever e se comunicar.

Falei da caligrafia. Ao escrever, nós colocamos um pouco e nós mesmos em cada palavra, nas curvas, nos erros, e não é à toa que existe a grafologia, que busca compreender como é nossa personalidade por meio de nossa letra. Mas essa expressão pessoal desaparece quando passamos, em vez de empunhar uma caneta, apertar teclas e escrever conforme a padronização do computador.

Claro que a invenção da da imprensa por Gutenberg já fazia isso. Entretanto, a facilidade do computador tornou muito mais fácil essa troca da caneta pelo teclado, de forma que hoje o exercício de escrita é muito menor.

Não que seja algo muito ruim. O que quero é mostrar que toda padronização acaba por diminuir as formas de expressão da individualidade, e se torna uma forma de controle. Nos artigos seguintes, irei falar desse efeito na internet, e das conseqüências isso em nossas vidas.