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Todo mundo quer dar uma guinada na vida, esperamos o momento certo que muitas vezes demora demais para chegar e acabamos nos desanimando com a vida, com as oportunidades, e aí surge um amigo seu que indica um evento motivacional, com mestres do coach, programação neurolingüística ou hipnose, todos tendo o seu foco específico para se destacar no mercado, e você aceita ir, afinal, o que pode piorar?

Mas realmente funciona?

Primeiro devemos entender o seu público.

As pessoas que buscam um evento ou curso desse gênero pelo o que pude observar em um ano é: pessoas depressivas ou frustradas com a vida, adultos acima dos 35 anos já bem de vida e carreira que tem um pé de meia bom para mudar de carreira e dar “propósito” em sua vida,  porém muitas vezes falham, pois gastaram anos da vida trabalhando e deixaram de ter experiências, são muitas vezes imaturos emocionalmente e não possuem bagagem cultural. Outro grupo é o de psicólogos que querem se reinventar usando técnicas não cientificamente comprovadas para se atualizarem. Existe também o grupo de pastores, pois esses líderes religiosos descobrem que os pastores famosos usam sugestão e oratória para terem mais sucesso e consequentemente ganharem mais.

E claro, há o falidos financeiramente também.

É um grupo variado, e posso dizer que buscam mudança, pois muitos estão fragilizados e querem o pulo do gato.

Pode parecer unilateral essa observação, mas foi exatamente isso que encontrei.

Lembra daquela frase do Arquivo X?

– Eu quero acreditar.

E essa frase é uma constante nesse universo, as pessoas na maioria das vezes não se questionam sobre a veracidade das técnicas, muitos já chegam idolatrando o professor, que muitas vezes sabe menos que o aluno.

E apesar disso devemos nos perguntar, funciona mesmo?

E tenho que dizer, sim e não.

Muitas vezes são operados “milagres” no palco, igual um culto evangélico mesmo, a pessoa acredita que foi curada, há uma comoção real, as pessoas sentem a mudança, o calor, igual evangélicos sentem o espírito santo.

O artifício áudio visual é usado a todo instante visando manipular a percepção do público, muitas vezes de forma efetiva, eles acham que descobriram uma mina de ouro, muitas vezes literalmente, pois realmente acham que vão ganhar dinheiro com isso.

E é nisso que os “profissionais” se apoiam, essa sensação de milagre, de mudança passa com o tempo e a pessoa sente um vazio, ou, muitas vezes , prevendo uma necessidade futura de mais sensações de mudanças eles caem no chamado Funil, a venda no final do evento de um curso muito caro.

A pessoa fragilizada está disposta a qualquer coisa para melhorar, para sentir-se viva de novo.

E ela vai comprar cada vez mais cursos, achando que assim se motivará, ou que mudará o rumo de sua vida, ou resolverá algum problema.

Confesso que existe uma porcentagem que sim, começa um nova fase da sua vida, a pessoa só precisava mudar seu humor, mentalidade para mudar sua rotina, e seu hábitos .

Mas a maioria das vezes se vende uma caixa vazia, e a pessoa compra outra caixa esperando ter algo, assim como na igreja evangélica acontece com as campanhas de fé.

Eu, eticamente não posso indicar a alguém ir em um evento desse, não acho que de longe é a melhor solução para a pessoa aflita, até porque o conhecimento dessas pessoas muitas vezes é muito raso, o que pode ser perigoso e se tornam vítima de um sistema de sequestro emocional que vai custar muito dinheiro a elas.

Eu já vi acontecer muita coisa ruim, e as próprias pessoas negam que aconteceu por vergonha ou pressão social.

Mas já vi coisas boas também, pude trabalhar com essas coisas boas algumas vezes, mas são raras, são mais emocionais. O problema delas como disse é que no evento você se sente no alto, voando, mas não há estrutura para te deixar lá, você acaba caindo de novo muitas vezes.

O melhor caminho para mudança é traçar um plano, mudar hábitos, procurar um terapeuta, e hackear o seu corpo com meditação, relaxamento, atividades físicas,

Tenha muito cuidado com gente que vende fórmula mágica.

Ela, infelizmente, não existe.