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Olá a todos, peço desculpas pois dessa vez vou me meter a falar um pouco sobre biologia. Espero que os biólogos leitores possam contribuir com a discussão, e apontar os erros, inconsistências e mesmo discordâncias. Na verdade, não vou aqui definir o que é a vida, mas falar de um conjunto de teorias muito interessantes que, além de esclarecerem aspectos interessantes sobre o que define a vida, contribuem muito para a psicologia, mesmo que não haja muitos estudos nesse sentido. Como sempre, não consigo fazer textos muito curtos, então dividi o tópico em partes.

Muita gente conhece Fritjof Capra, físico que escreveu “O ponto de Mutação” e “O Tao da Física”, que falam principalmente da influência das filosofias orientais na ciência ocidental. Mas pouco ouvi na internet se falar do seu livro “A teia da Vida” (para ler, clique aqui), que mostra diversas pesquisas e teorias importantes sobre como definir isso que chamamos de vida, cujo surgimento fez de nosso planeta algo raro no universo (claro que há aqui controvérsias, para quem estuda sobre vidas extra-terrenas. Mas  mesmo que haja muita vida fora daqui sua ocorrência ainda é muito pequena, dada a imensidão do universo). ele nos mostra uma nova compreensão dos processos inerentes à vida.

Quando Vemos uma célula em funcionamento, percebe-se que nela ocorrem várias reações químicas. Por muito tempo a vida foi compreendida como sendo na verdade um conjunto de reações físicas e químicas, e que era só compreender essas que entenderíamos o que era a vida. Mas estudos mostraram que as leis de causa e efeito, que se percebe nas reações químicas, não são suficientes para compreendermos a vida.

Pensem na Segunda lei da termodinâmicaque diz que a entropia de um sistema tende a um valor máximo. Entropia significa a forma como a energia e a matéria se encontram distribuídas em um sistema. Um aumento da entropia, até seu desequilíbrio, indica um aumento da “desordem” do sistema, ou seja, aumenta-se o nível de energia que não pode ser mais convertida em trabalho, e o sistema entra em equilíbrio. Quando eu jogo uma bolinha para o alto, ela está carregada de energia potencial, que é convertida em cinética. Ao cair, parte da energia vira reação ao choque, outra parte barulho, outra parte calor, até que a bolinha para. O sistema está em equilíbrio, e se deixarmos el lá, nada acontecerá, a não ser que outra força aja sobre ela.

Na química também é assim, o sistema tende para uma maior entropia, até que a reação cessa. Dessa forma, a entropia não permitiria a formação da vida. a célula mantém reações químicas constantes, necessita de uma grande entrada de energia no sistema, mas consegue por si própria “buscar” essa energia no ambiente e manter suas reações.

Segundo o químico ganhador do Nobel Ilya Prygogine, além da entropia existe a sintropia, princípio oposto, no qual determinado sistema, se energizado, tende a níveis de organização mais complexos. Na natureza, temos essa estruturação no redemoinho de água que desce por uma pia. As forças físicas e gravitacionais entram em uma relação que chamamos de retroalimentação (a reação estimula sua própria continuidade). Enquanto houver um determinado nível de água, a estrutura do redemoinho se mantém, depois disso, a entropia domina, e ele se desmancha.

Na vida também é assim. A célula, ao receber glicose, oxigênio e outras substâncias, consegue por si própria manter e aumentar mais sua estrutura, conforme seu código genético. Se não há mais água e comida, a entropia domina, e ela morre. Porém, há uma grande diferença entre o redemoinho de água e a vida. A vida tem o que se chama de autopoiese. significa que ela, por si mesma, cria novas formas, se recria constantemente. Essa noção é essencial par compreendermos o que é a vida, e o que Capra diz em seu livro. Mas vamos continuar isso em outro post (para ler, clique aqui).