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“A melhor clínica (melhor que a psicologia) é o romance” – Deleuze do livro é “Crítica e clínica”

“Um Leitor vive centenas de vidas antes de morrer. Um homem que nunca lê vive apenas uma” - George R.R. Martin

Queria falar aqui da importância da leitura, ou melhor, da experiência, como adquirir experiência? A primeira coisa que tem que fazer para entender coisas ou tirar sentido de coisas banais até é estar disposto a aprender, tomar a posição de que o mundo realmente é cheio de informação e não digo de forma leviana, mas com relação as pessoas, as coisas, como são construídas como foram pensadas, fazer as perguntas certas é um serviço que quase ninguém faz.

Muitas pessoas desistem antes de tentar, ou já logo falam “como você consegue fazer isso”, quando se você parar 5 minutos você pode ver que é só seguir uma série de ações.

A idéia de que temos quando alguém fala em aprender geralmente é a da escola, a escola para muitos foi a única fonte de informação para ela, o que é muito triste, pois na escola não se ensina a pensar, e sim o que pensar. E o formato com que isso é dado é desanimador, todos já passamos por isso, e infelizmente o ato de aprender fica carregado com vários significados como tedioso, chato, trabalhoso, individualista e por aí vai.

O por da história é descoberto nos primeiros seres humanos, eles queriam ensinar e percebiam que quando contavam suas histórias as pessoas prestavam atenção, e se contassem de forma diferente, utilizando vozes diferentes, efeitos sonoros, e pausas, isso poderia ajudar na compreensão e imersão na história.

Podemos ver isso em todos os livros sagrados, como personagens são utilizados para servirem de alavanca para o herói principal. Todos queremos um herói, independente de ser alguém moral ou não.

Contar história é sim uma arte, existe até profissão disso, o contador de história, o bardo era uma profissão respeitada antigamente, ele contava história em forma de música e poesia. Vemos até hoje o poder que história cantadas, as músicas tem hoje em nossas vidas, muitas pessoas se identificam demais com algumas bandas, tanto pela letra quanto pela melodia que pega o lado emocional mais cru.

Sem contar os filmes e documentários, hoje em dia o mercado de cinema no mundo gera bilhões de dólares, todos exaltam os atores e diretores, há um culto aos contadores de história, uma idolatração, pois eles conseguem te entender, pensa o expectador, ele consegue dizer aquilo que você esperava ou precisava ouvir, esse diretor ou músico tem a sensibilidade suprema de tocar o âmago das pessoas, sem defesas e barreiras, apenas o ser frágil e delicado.

Somos facinados pelo ato de nos deixar tocar, sendo ele tão raro no mundo real que precisamos tirar um tempo do dia para que isso aconteça, alugamos um filme, ou vamos ao teatro, ou a um show.

A vida que vivemos nos afasta da vida, mas as histórias nos puxam de volta.

Elas nos ensinam coisas questões morais e comportamentais, nos fazem prever reações das pessoas, e como lidar com situações que não estamos acostumados.

Enfim, aprendemos, e de forma emocionante e algumas vezes até participativa como nos videogames. Dificilmente na nossa vida chegamos a conhecer pessoas tão bem, seus medos, seus desejos, suas manias, mas nas histórias tudo fica claro, gostamos de big brother, queremos ver o que acontece, o suspense nos prende, mesmo que seja o monótono do filme “Atividade Paranormal”, ou o confuso da série “Lost”, ou mesmo o eletrizante do “Jogos Mortais”, sempre queremos saber o que vai acontecer depois.

Quem conta histórias geralmente tem muitos ouvintes, e que as ouve geralmente tem mais consciência e um certo tipo de inteligência que é raro hoje em dia, a inteligência emocional.

É preciso saber o que estamos sentindo, se gostamos de alguém ou não, se estamos nervosos com alguém ou decepcionados conosco.

As histórias nos ajudam e melhoram de tantas formas que não consigo apenas explicar pra vocês, teria que contar algumas histórias.