O Homem Bicentenário – O que é o Ser humano?

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Estou neste momento assistindo mais uma vez a esse filme que sempre me faz pensar, “O Homem Bicentenário”, baseado na obra de Isaac Asimov. Esse filme é um profundo questionamento sobre o que nos torna humanos, desde a biologia até a psicologia, a filosofia e a ética. Refinando a trama do filme, que conta a história de um robô defeituoso, que misteriosamente nasceu com propriedades comportamentais próximas do humano, como a criatividade. Ele tem um ótimo senso artístico e cria relógios de pêndulo, com formas magníficas. Aos poucos ele revela outro potencial humano: o da interrogação sobre si mesmo. Não chamaria isso de consciência, mas se equivale a ela. Os humanos tem esse potêncial de reconhecer a si mesmos, e a comparar-se com os outros. Mais que isso, tem o potencial de questionar sobre si, suas origens e sobre o que o faz ser o que é.

A partir desses questionamentos, o robô, interpretado no filme por Robin Willians, começa uma busca pelo tornar-se humano: desde usar roupas, até comprar sua própria liberdade (o que se liga a época da escravidão, na qual os negros eram vistos como posses mas que poderiam comprar sua carta de alforria). Posteriormente, conhecendo um engenheiro de robótica, ele torna-se um andróide, ou seja, adquire feições propriamente humanas. Mas ele deseja ir a fundo nessa transformação, e concebe melhorias que tornam seu mecanismo próximo do humano, criando órgãos artificiais.

Percebe-se que a biologia tem um papel importante nessa parte do filme, pois ela é a base para a experiência do mundo. quando o andróide Andrew concebe um sistema nervoso, seu cérebro positrônico recebe uma enxurrada de estímulos (tato, paladar, dor), além da audição e da visão. Mas isso ainda não é suficiente para torná-lo humano. Andrew percebe que só seria humano se compartilhasse o destino comum a todos, aquilo que nos faz cuidar e refletir sobre nós mesmos: a morte. Assim que se programa para morrer, ele é reconhecido como humano pela sociedade.

De acordo com Asimov, a morte torna-se a marca do humano, juntamente com o fato de ter uma noção de si mesmo. Mas, se nos aprofundarmos na questão, creio que algo ficou para trás. Andrew era na verdade um superhumano, pois tinha pleno acesso às informações de sua memória – ele ainda tinha a memória computacional, e não a humana. Além disso, sua consciência era uma superconsciência, pois tinha acesso a todas as informações instantaneamente. Temos aí algo que o diferencia do homem: em vez de ter consciência, ele teria que ter, para ser humano, inconsciência.

A consciência é hoje compreendida pela filosofia e pela psicanálise como um resto: ela é o resultado de um sem-número de processos internos e externos, que são propriamente inconscientes. Algo precisaria falhar, faltar, ou ele precisaria, para ser humano, “perder a cabeça”, como fez quando sentiu ciúmes.

O que pretendo neste post é que vocês possam refletir, concordar ou discordar, comentar, mas principalmente sentir o dilema que é definir o que é o homem. Espero que tenha estimulado essa pergunta em vocês.

 

 

2 Comments

  1. Boa noite!

    Esbarrei no seu blog procurando um post sobre esse filme para a faculdade, achei seu texto muito bom, e de fácil entendimento. Irei usá-lo como base para o trabalho, se não se importar!

    Muito obrigado!

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