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Esta semana assisti por acaso a partes de um programa da Discovery, o 2111, no qual futurólogos fazem previsões sobre como o mundo estará daqui a quase um século. Bom, boa parte de nós poderemos talvez ver alguns desses avanços, se a expectativa de vida continuar a aumentar. O que achei interessante nesse episódio foi a pesquisa de identificador de passos. Desculpem falar assim vagamente, mas não encontrei o episódio na internet ara mostrar a vocês. A questão é, os pesquisadores acham que a forma mais fácil de identificar as pessoas é por seu jeito de andar. O passo é com uma digital, e pode ser utilizado como forma de identificação, com sensores instalados no chão da entradas de prédios. Ao entrar, já vão saber que você é, quais seus dados básicos, suas preferências comerciais… O intuito mais visado dessa tecnologia, pelo menos o que foi apontado pela série, é a personalização do marketing e da propaganda. Claro que esse tipo de identificação global e involuntária trás problemas políticos, e quem assiste a série “Person of Interest”, ou mesmo quem se lembras dos identificadores por leitura de íris do filme “Minority Report”, sabe bem sobre o que estou dizendo.

O que achei mais interessante e fundamental de comentar na série foram as previsões sobre essa tecnologia de personalização de atendimento. Os avanços previstos são mais sobre uma forma rápida de identificar a pessoa, ou de integrar essa personalização em anúncios, eletrodomésticos, etc. Mas o que não se disse foi que essa personalização já existe e está em um estágio avançado. Até poderia dizer que o início de nosso século foi palco de uma revolução posterior a da Era da Informação. O que Aconteceu foi o advento das redes sociais.

à primeira vista, muitos devem achar inocentes o poder de tais sites como o Google e o Facebook. Entretanto, Tais empreendimentos da internet vem revolucionando os algoritmos de busca, filtragem e cruzamento de dados pessoais, o que possibilita um maior monitoramento de gostos pessoais. As propagandas do Google e do Facebook são direcionadas através de uma leitura de seus dados pessoais, de suas postagens. E a Psicologia sempre foi uma das mães da propaganda. Principalmente a Psicanálise.

O sobrinho de Freud, Edward Bernays, utilizou os conceitos do tio dentro da propaganda, e foi um dos homens mais influentes do século XX, segundo a Life Magazine (afirmação extraída do site “O Randômico“). Suas ações publicitárias foram uma das que popularizaram o consumo de cigarro entre as mulheres nos EUA. Bernays também foi influenciado pelas ideias de Gustave le Bon e de Wilfred Trotter, que acreditavam haver no homem um instinto de massa, uma tendência a seguir irracionalmente o grupo.

Edward Bernays, famoso pela publicidade de cigarros que associou a imagens de mulheres poderosas ao ato de fumar, aumentando consideravelmente o consumo.

O mais interessante nas redes sociais e na propaganda e que no estágio atual, ninguém é mais forçado diretamente a ceder informações sobre sua vida, elas está lá, expostas, codificadas pela rede que cruza seus dados e calcula formas de te atrair ao consumo, de te manter cada vez mais amarrado à própria rede. Identificar as pessoas pela passada, ou pela íris, ou mesmo pelo rosto, o que já está ocorrendo também, é só um meio de aumentar a funcionalidade dessa personalização que a internet já nos proporciona. Já disse uma vez sobre os smartphones, e do quanto eles nos mantém conectados, ou seja, dependentes dessa rede “pessoal” de informações.

Surge aí o novo sujeito dessa década. cada vez mais preso às suas escolhas de preferências, aos seus gostos, sem nunca dar chance ao acaso, à diferença, a um esbarrão que de repente te mostra um mundo novo, além de nossa vontade, além de nós mesmos.  Personalizar é controlar os estímulos que nos afetam. Quanto mais tais estímulos são filtrados, só recebemos aquilo que queremos ver, sentir e conhecer. O risco é nos fecharmos em uma bolha de plástico, sem contato com o diferente. Assim, somos mais influenciados. O corpo precisa de ter contato com bactérias e vírus, o que fortalece o sistema imunológico, e torna o corpo forte. Também a mente precisa se confrontar con ideias estranhas, diferentes das nossas, para se tornar mais crítica e forte. Cuidado com o mundo que você cria…