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Esse foi um debate realizado entre Vitor e Mako à respeito da pergunta: Será que a atitude altruísta, que pensa no bem do próximo, é na realidade uma forma da pessoa pensar em si mesmo, pensando mais na sua necessidade de fazer o bem do que em satisfazer o outro?

Mako Abe:
Será essa a verdadeira força motriz de uma ação altruista? Qualquer um pode afirmar que nos sentimos bem ao ajudar alguma pessoa, mas os motivos para tal são diversos, desde culpa por ser rico, ou por aliviar uma possível consciência pesada, até simplesmente se comover com a situação de uma pessoa na rua. Mas acho que olhamos essa situação apenas de forma psicológica, sentimos um desconforto ao olhar um mendigo na rua claro (muitos já estão anestesiados com a visão rotineira), mas eu acho que muitas pessoas tem a consciência que aquilo não deveria acontecer e se ele pudesse aliviar um pouco o sofrimento dele ia ser bom, mas não pelo simples fato de se sentir bem, e sim dessa pessoa perceber que mesmo que inconscientemente que nós devemos e nos ajudamos por natureza própria, somos parte da mesma raça, do mesmo organismo planetário.

Vitor Oliveira:
Bom, Essa questão é muito confusa. Posso até ter dito sem pensar, mas no geral eu concordo com essa ideia, do fundo egoísta do altruísmo, do mesmo jeito que vejo, por outro lado, um fundo altruísta do egoísmo. Gostaria, primeiro, de passarmos a limpo o que chamamos de altruísmo e de egoísmo. Vou aqui colocar minha ideia, e acho que, antes de discutirmos esse ponto, você poderia colocar a sua. Em vez de um ping-pong direto, no qual eu falo e você rebate e fala e eu rebato, podemos construir algo juntos…
Vamos lá: As duas palavras possuem o sufixo -ismo, que é usado, desde o século XIX, para criar substantivos que designam correntes ideológicas, religiosas e filosóficas. Geralmente, esse sufixo destaca a importância do radical – o trecho da palavra que vem antes dele, e o torna representante máximo de uma forma de pensamento. Assim, o marxismo lê toda nossa história através de Marx, e geralmente se esquece de outras formas de leitura, o idealismo crê no mundo das ideias como sendo o primeiro, o verdadeiro, colocando em segundo lugar a matéria.
Bom, o mesmo acontece com essas duas palavras: egoísmo destaca atitudes e comportamentos centrados no ego, no sujeito, e quando falamos em moral, se refere a uma pessoa que pensa primeiramente em si mesma e no seu bem-estar. Altruísmo seria o oposto, ou seja, o alter (outro) estaria em primeiro plano.
Gostaria de saber se essa interpretação também é a sua, e lhe perguntar uma coisa: você acha que a natureza humana parte de qual dessas posições, ou das duas, ou de nenhuma? Além disso, gostaria que justificasse o porque de sua posição.
Tudo bem debatermos assim? Preciso de seu posicionamento para poder compreender como responder a sua questão, e assim deixar o debate mais fértil.

 

Mako Abe:
A minha visão de altruísmo e egoísmo é sim igual a sua Vitor.Respondendo a sua ótima pergunta “você acha que a natureza humana parte de qual dessas posições, ou das duas, ou de nenhuma?”, eu vejo o ser humano como um ser mutante, ele se adapta até quase sua essência dependendo das condições e filosofias em que vive e que acredita ou são impostas, mas quando toda a sujeira psicológica é limpa, toda o ambiente espinhoso é podado, veremos a verdadeira natureza do ser humano, no fundo somos animais, Freud mesmo desestabilizou o pensamento que somos seres racionais ao mostrar como tomos nossas decisões a partir das emoções como demonstrado pelo seu sobrinho com a criação da área de “Relações Públicas”.Eu penso que se deixarmos alguns seremos humanos que nunca entraram numa civilização, poluída como a nossa, sozinhos eles irão florescer como nunca, mas não necessariamente numa questão tecnológica mas na questão moral, de saber suprir todas as necessidades básicas dos seres humanos como comida, moradia, lazer, energia e claro o mais esquecido deles, um espaço para ser criativo, aí sim teremos uma sociedade moral e correta, que pela própria natureza de ser curioso iria crescer sem precisar de “ismos” para dizer para que lado andar e quais decisões tomar.

Acho que o ser humano tem por natureza a bondade e o desejo de se mover como um organismo junto com seu povo e seu planeta, a sociedade nos faz esquecer isso, pois faz mal para o nosso status quo e sucesso financeiro (um absurdo indivulgável). Podemos ver em vários lugares na europa que se recebe gente naturalmente em suas casas, e são tratados muito bem, na Índia é a mesma coisa, o visitante para eles é um deus praticamente, tratado como se fosse um rei, é muito questão de costume regional e filosofias pessoais, mas acho que elas nasceram do reconhecimento do que é certo, ou melhor dizendo, do que é natural do ser humano.

Gosto sempre de dizer que o “Humano” é algo criado por nós mesmo, tentamos ser isso esse alterego, quando na verdade essa idéia de alguém natural está em perfeita dissincronia com a sociedade, talvez por isso o número alarmante de pessoas com depressão e outras doenças e mal estares psicológicos.

É indubtável o fato de que os animais são bondosos, cães fémeas criam gatos filhotes, porcos se dão bem com cachorros, leões são amigos de biológos, tudo é questão do ambiente, é preciso apenas saber aflorar essa condição que já existe em nós.

Por isso acredito que somente a pessoa que se encontra “Suja” mentalmente faria algo altruísta pensando em si mesma.

(Eu, Mako, demorei muito tempo para responder)

Vitor Oliveira:
Olá. Bom, o tempo me fez perder um pouco do raciocínio hehehe. Assim, terei que seguir outro ponto de vista, pois acho que o que eu queria dizer já se esvaiu kkkkk.

Bom, quando definimos o conceito de egoísmo e de altruísmo, na verdade não estava falando de um conceito meu, ou algo no qual acredito. Tentei seguir certa lógica, raciocinar um caminho, para podermos dialogar de um ponto em comum. Acho que foi benéfico, pois suas opiniões giraram em torno desses conceitos, já claro para mim e para todos. Duas questões logo saltam do seu texto, aliás ótimo, bem claro nos objetivos. A primeira e a ideia de homem como um animal, contaminado por diversas “sujeiras psicológicas”, que o tornam egoísta até no altruísmo. Bom, Você viu que quando falamos de egoísmo, definimos um conceito geral (tudo aquilo que se centra no ego), e sua versão moral (o indivíduo que age moralmente pensando somente em si mesmo). Bom, Podemos falar então de uma questão ética, como as ações morais egoístas, mas também de um egoísmo psicológico, que é simplesmente o comportamento em que o indivíduo fica no centro.
O egoísmo moral e humano. não sei se pode-se falar em moral animal. O animal não seria então bondoso nem malvado, mas se comportaria segundo suas necessidades vitais, e o outro faz parte dessas necessidades. Moral implica haver uma parcela de vontade livre, que já é difícil de apontar no humano, quanto mais no animal. Assim, se há egoísmo ou altruísmo no animal, este é aqueles conceitos gerais, onde o animal cuida em parte da preservação de seu organismo (egoísmo) e em parte da presenvação do bando, e de sua espécie (altruísmo).
Mas acho que esse conceitos não se aplicam bem aos animais. Mas vejo nos homens muito bem a dinâmica dos dois: Cuidar de si é, em parte, e sob determinadas condições, cuidar do outro (e isso é um egoísmo altruísta – como o filho que cuidaria de si para diminuir a responsabilidade de seus pais no seu sustento). Como também o cuidar do grupo é uma forma de cuidar de si, já que o indivíduo depende dos outros para viver bem (Altruísmo). Ou seja, não há como deixar de levar em conta sua relação com os outros. Até um mendigo desconhecido pode ter ligações psicológicas com determinados afetos seus.
Agora, quando se trata de moral, estamos falando de um esquema de regras sociais que regulam nossa convivência, e vivemos numa sociedade na qual egoísmo é ruim e altruísmo é bom.
Agora, se há uma “Natureza Humana”, e se ela é boa ou má, isso é uma outra discussão. Eu realmente não creio em essência do homem, e acho que a humanidade é um estado de coisas, que pode muito bem ser ultrapassado. Nietzsche mesmo falava na vinda do super-homem, algo além da humanidade. Bom, mas isso é para outra conversa!

Mako Abe:
No fundo eu acho que o ser humano é sim esse ser com infinitas possilidades, mas como todos sabem, depende do ambiente, da predisposição e claro da consciência da pessoa fazer disso algo bom ou ruim.