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O que se deve fazer?

A morte para muitos é um tema distante, ficcional até, só existe nas telas e nas notícias, mas quando ela se torna presente na maioria das vezes é instantâneo, e apesar de ser meteórico ele não faz barulho, muito pelo contrário, sua presença traz o silêncio.

Após a ausência de som, assim como a calmaria antes da tempestade, vem o caos, a falta de ordem, um choro e sofrimento que nos pega além da forma racional, é um som que nos alerta, desorganizado, fora do tom, o som do muito, do demasiado, uma represa abrindo as comportas de tanto sofrimento que esse momento acumulou e tudo o que a ausência do ente representa.

E como disse, a ausência nos desconcerta, cria um vácuo, e ninguém sabe como preencher, pouca gente sentiu a gravidade forte desse buraco negro, não se sabe o que há lá, e nada o escapa.

A morte é assim.

E para ela não há remédio, pelo menos até agora, apesar de procurarmos ele desde que adquirimos consciência.

Mas há remédio para o buraco negro, não que seja possível evitá-lo, mas com certeza é possível evitar mais sofrimento criado por ele.

A morte é algo que é sentido de várias formas, e todas diferentes, envolve relações, tempo e significado.

Mas quando ela acontece é preciso estar lá, por você, pelo outro, não é preciso dizer nada, até porque ninguém está escutando direito, é preciso estar presente, apesar de sua inconveniência, pois ela não escolhe hora para acontecer, não esperava as você terminar a jornada de trabalho.

A morte não avisa, ela é como uma visita indesejada, mas que nunca mais vai embora, deixa seu rastro, e quem sofre vai determinar se esse rastro vai fazer doer mais que o necessário, pois não existe morte não doída, existe morte não sentida agora, mas sua presença será percebida.

E a presença de amigos traz um conforto, não para o morto, é claro, mas para quem sofre, quem se importa, quem está perto do evento do horizonte desse buraco negro, e isso, é importante, você direciona os olhos dessas pessoas para todo o universo, as estrelas que o falecido tocou, em vez do abismo que uma ausência criou.

Hipnotizante escuridão.

Por isso fale tudo que precisar, não há tempo como o agora para expressar o que é preciso.

Não pude confortar do jeito que gostaria algumas ausências da minha vida, mas talvez seja assim para todos, mesmo pensando estar fazendo o bem, não temos a perspectiva de quem mais sente a escuridão.

Ter uma boa vida com a pessoa nos garante uma tranquilidade, uma sensação de existência completa, e de que fizemos tudo o que era necessário, o que podia ser feito.

Garante uma recuperação rápida também, e a lembrança de bons momentos em vez de arrependimentos.

A morte não é culpa de ninguém, não há justiça divina e nem porquê dela acontecer.

Tudo é passageiro na vida até ela própria.

Damos significado a esse sopro e a sua inexistência, assim nos impulsionamos , e como o vento não tem controle de onde vai apenas aceita seu movimento e perpetua a ideia de que tudo continua e vai continuar apesar de tudo.

A ideia de inexistência surgiu e é dever dos que ficam relembrar que existe um grupo em que os que sofrem fazem parte e o que deixou de existir deixou sua marca, ela ainda vive e é nosso dever continuar o movimento que um dia ela criou.