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Se há um assunto a se comentar hoje em dia pela psicologia, é o quanto nossa subjetividade (o que somos enquanto sujeitos, pessoas com escolhas) foi trancafiada no mundinho bidimensional dos bytes. O que era para ser um meio tecnológico se tornou forma de subjetivação.

O que quero dizer com isso?

Simples… antes a internet era somente uma necessidade técnica, pura forma de se comunicar mais rápido com os outros. Hoje, cada vez mais ela substitui ou complementa o papel que foi e ainda é da televisão: formar mentes.

Formar mentes não significa melhorar sua capacidade, transmitindo-lhes cada vez mais informação. Como diz Foucault, todo saber está vinculado a um poder. Mas esse poder não significa “quanto mais conhecimento, mais poder”. Não é como o Charada no filme “Batmans Forever” (com direção de Tim Burton), interpretado por Jim Carrey, que dizia: “se informação é poder, eu sou Deus”.

Não. O conhecimento ocupa espaço em nossas vidas, muda nossa forma de pensar e até controla nossas vidas. O sistemas de mídia de massa forneciam entretenimento para as pessoas, mas embutido nessa diversão encontram-se os valores individualistas do capitalismo: Consumo, status, crescer financeiramente na vida… e o principal, o de que todas as coisas boas da vida (desde passeios até os sentimentos, o amor por alguém, a família, etc) só se realizam por meio do dinheiro (dos bens que você consume).

Como na propaganda: X não tem preço, mas para todas as outras coisas existe Mastercard. Na imagem da propaganda tem SEMPRE alguém comprando algo.

Porém, tudo o que eu disse até agora está atrasado, e não vale totalmente para a internet. Temos maior controle sobre as propagandas que queremos ou não ver, podemos simplesmente fechar a janela ou acionar o bloqueador de pop-ups. Estão livres os internautas da ideologia capitalista, dessa forma de conhecimento que nos prende pelo desejo?

Creio que não. Lembram-se daquele experimento sobre os macacos que com o tempo foram aprendendo que se subissem em uma escada para pegar uma banana todos levavam um jato d’água?

Foram colocados 5 macacos em uma jaula, com uma escada e uma banana pendurada. Cada vez que tentavam pegar a banana todos levavam um jato d’água. com o tempo, todos aprenderam a não subir a escada. Depois trocaram um dos macacos por outro que não havia aprendido nada disso. Quando este tentou subir a escada, os outros macacos bateram nele, e ele aprendeu a não subir a escada. Logo trocaram um segundo macaco, e este tentou fazer o mesmo, mas apanhou dos outros macacos, inclusive daque que havia apanhado. Com o tempo, foram substituídos todos os macacos, e, apesar de nunca terem levado um jato d’água, aprenderam a não subir a escada.

Vamos nos colocar nessa jaula então. Há tempos, os grandes sistemas de mídia vem jogando jatos de informação em nossas cabeças, nos ensinando a DESEJAR (tudo aquilo que o capitalismo pode nos proporcionar pelo consumo). Com o tempo, os pais ensinam os filhos, e estes seus filhos… por fim, os grandes sistemas de mídia não precisam fazer tanta força para manter-nos dentro dessa “prisão sem grades”.

A internet, tal como está agora, vive em um sistema de pessoas cuja ideologia de consumo já está mais do que naturalizada. O que eles precisam é continuar a fornecer informação sem conteúdo. O que se vê nas redes sociais, em sua grande maioria, é isso, um grande vazio informacional, que visa ocupar um espaço em nossas vidas, e nos impede de pensar e até de viver.

Uma autora da Nova Zelândia publicou um livro falando de um castigo que deu aos filhos. Ela os deixou seis meses sem acesso à internet. Ela conta então como foi a reação deles e a mudança de seu estilo de vida. Foi uma mudança drástica. No início, eles relutaram, ficaram entediados e irritados. Entretanto, aos poucos foram se interessando por outras atividades, esportes, música, etc, e acabaram redescobrindo a relação entre eles, e a passarem mais tem juntos.

Façam isso. Muitas vezes eu percebi isso, quando temos acesso fácil à internet, acabamos tentados a esquecer as pessoas ao lado e se fixar na telinha. Com os smartphones e tablets, a jogada é maior, pois você pode levar a rede para onde quiser. Quantas vezes já estive com grupos de amigos e teve momentos em que cada um estava, em vez e conversar com o outro, olhando para seus aparelhos celulares. Veja se isso acontece com seu grupo de amigos, família, etc.

NADA É INOCENTE NA INTERNET. Sempre há jogos de poder. Não que tenhamos de fugir de tudo isso, mas temos que ter em mente que em cada clique que damos estamos sendo guiados para algo. Cabe-nos ter ciência de nosso poder de escolha.