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O mundo virtual se inscreve no corpo, e muitas vezes o anula, o reverte em códigos binários e em informações lógicas vazias...

A internet, desde seu início, criou muitos adeptos, ou melhor adictos (viciados…). Bom Muitas pessoas passaram a viver uma segunda vida, que muitas vezes chegou a dominar a primeira, e a pessoa virtual passou a viver mais que a pessoa real. Com o surgimento das redes sociais, o contato com os outros deixou de ser principalmente corpo-a-corpo, mas passou a ser por meio de mensagens, comentários, “scraps”, etc. Falamos mais por MSN do que ao vivo. Nos vemos por fotos, mas não nos tocamos. Porque isso é melhor, e muitas vezes mais atrativo.

Talvez a facilidade do encontro, a diminuição da vergonha, a rapidez e o fato de que não se precisa mais ir falar com a pessoa, é somente mandar um recado via e-mail. bom, o fato é que muitas pessoas se tornaram viciadas na net, e acabam prejudicando seu trabalho e relacionamento por causa disso. Entretanto, o computador antes ficava só em casa, ou era transportada por laptops, mas que precisavam de uma linha telefônica para se conectar… Atualmente, estamos na era dos smartphones (telefones celulares com funções do computador) e tablets (como o Ipad). A internet é 3G, e pode ser levada a qualquer lugar, sem fios…

Antes, a distinção entre os dois mundos era fácil: dentro de casa, no quarto, na escrivaninha, o mundo virtual… da porta para fora, as pessoas, as baladas, ou barzinhos, ou seja, as pessoas de carne e osso. Agora, tudo isso se misturou, e muitos grupos de pessoas se reúnem mas, em vez de conversarem, cada um fica amarrado no virtual de seu próprio celular. a cada lugar visitado, um check in, a cada momento, uma foto automaticamente publicada.

Não estou dizendo que isso é de todo ruim, mas essa revolução tecnológica revolucionou as relações sociais. E estamos vivendo as consequências disso. em muitas pessoas, a internet passou a ser obrigatória como forma de viver, de registrar sua vida, de se comunicar com os outros, mesmo estando fora de casa. Toda vida social se desdobra em uma vida virtual, e elas se entrecruzam. Aí, sem percebemos, a internet se torna vício… Mas não percebemos, até que a conexão é cortada

Aí entra meu relato. Tem também uma história de uma mãe que deixou os filhos sem internet durante seis meses e relatou isso em um livro (The Winter of Our Disconnect, de Susan Maushart). Mas vou contar a minha. Depois da internet, passei a ter a impressão que todas as ideias que tinha nunca mais seriam perdidas, pois poderia automaticamente registrar tudo, e depois pensar melhor sobre cada coisa. Odiava quando tinha uma ótima ideia e, por estar na rua, não tinha como registrar. E quando registrava, anotava em cadernos (e foram vários…), que acabavam esquecidos. Achei que com a net seria diferente… errei.

Do mesmo jeito, continuei registrando, mas não tinha tempo para pensar no que registrei. Deixava as anotações entulhadas e, depois de algum tempo, quando eu as olhava, elas já não tinham mais sentido. Sem contar que a internet oferece várias formas de nos desviar a atenção, com facebook, piadinhas meme, etc etc… chagava a passar muito tempo ali, e esquecia do resto.

Bom, até que meu celular ficou, há um mês sem sinal de internet. Vamos dizer que ele está semi-quebrado… Bom, de repente, surgiu-me um grande vazio, uma falta do que fazer, uma ansiedade por não poder ver o que os outros estavam fazendo, e até certa solidão… Essa é a abstinência, toda droga gera esse desconforto inicial quando você demora para tomar outra dose. quando em casa, usava a net, mas moderadamente, pois logo perdia a vontade de ficar muito tempo ali. a loucura do smartphoe é que você é notificado de qualquer mensagem, a qualquer hora, o que te dá a sensação de que você está acompanhando o mundo girar… sem ele, como diz os memes, você se sente um “forever alone”.

Bom, mas lentamente, você passa a reencontrar prazer em outras atividades. voltei a ler no ônibus (minha oftalmologista não recomenda, mas nesse ponto sou mais revolucionário rsrs), a prestar mais atenção ao meu redor, observações que sempre gostei de fazer. Ver paisagens, sentir o vento, sabe, coisas minúsculas, pequenos prazeres, que depois vemos fazer toda a diferença. Me sinto calmo, e percebo que 90% do que prestava atenção na internet não me faz falta.

Assim, estou agora aproveitando, enquanto não tenho outro smartphone. Espero não ficar tão obcecado quando trocar o meu (o que não vai ser tão cedo), e espero que vocês possam ter sentido um pouco do que senti com essas mudanças.

Não estamos falando aqui moralmente de certos e errados, de doentes e sãos. Não sou doente, viva sem prejuízo com meu smartphone, trabalhava e estudava. Não sofri, realmente, como sofrem alguns alcoólicos ou usuários de drogas. Estamos falando do papel do vício em nosso mundo atual, de nossas vontades e até de seu descontrole. Essa é uma questão polêmica, mas não queremos fechar o assunto, mas abrí-lo, para que vocês possam expor suas opiniões.

Pensem nisso.

 

Ler a parte 1.