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Já vem acontecendo faz alguns anos, mas está bombando agora, principalmente na minha aqui em São Paulo.

Todo mundo quer ser fotógrafo, mas não pelo motivos certos, claro todo mundo tem liberdade de escolher a futilidade que quiser, mas queria parar para pensar um pouco sobre isso.

A fotografia é o ato de registrar e guardar algo, há também como se expressar através dela com idéias criativas ou não, mas hoje em dia ela serve para tudo. Com o BOOM das mídias sociais elas tomaram uma nova função, a de vitrine pessoal. Até já existe um novo ramo de trabalho para fotógrafos que em vez de fazerem “books”, fazem albuns de facebook, especializados nisso.

A necessidade de mostrar o que está fazendo, de parecer “legal”, bonita (também parecer safada(o)), de que faz coisas que as pessoas tem vontade, e o pior de tudo isso é que há um retorno, as pessoas engolem tudo isso e perpetuam esse tipo de ação vazia. Um bom exemplo de tudo isso é quando alguém vai comer algo, antigamente era totalmente normal você saber cozinhar e sair para jantar, parece que isso foi ficando raro pra umas pessoas e para outras isso foi exaltado, é motivo de festa e exibição de seu contentamento por fazer algo que aos olhos sociais parece incrível.

Mas claro, um dos motivos principais que todos quererem ser fotógrafos é porque é taxado como “Cool” agora, hipster (novos hippies) já aderiram ao saudosismo e só tiram fotos com câmeras analógicas como a Lomo, que é uma espécie de câmera antiga com design moderno. Não é preciso estudar fotografia para tirar “fotos bonitas”, agora com os filtros do instragram tudo fica “ótimo”, basta ter dinheiro para comprar um celular caro ou uma câmera cara e enganar todos os amigos dizendo que você é um ótimo fotógrafo.

Não digo que se deve parar de fazer tudo isso, afinal isso já é uma realidade bem presente no dia-a-dia de todos, mas devemos parar para pensar e ver que não é tão necessário nos tornamos vitrines ambulantes, tudo tem que ser exposto?! Não há mais memória, há apenas uma necessidade, um preocupação em registrar, pois existe um pensamento invisível de que “algo vivido não registrado não é tão bom quanto uma foto” mesmo que não represente realmente a cena experienciada.

Aliás, tocando na palavra representação real, uma foto nunca é uma representação por natureza é um frame de um video, de uma vida acontecendo, não há como tantos sentimentos, situações, desejos caberem numa simplesmente imagem, quando o acontece é chamado de algo artístico, algo belo. Com isso queria citar uma outra moda que é o Instagram, que resumindo seria uma rede social de pessoas que colocam fotos que não representam nada com filtros que fazem as fotos parecerem velhas e por consequência “estilosas”, as fotos geralmente são de pessoas e muitas vezes nem aparece o rosto delas, o intuito é tentar ser fotógrafo se utilizando como modelo, e MUITA gente faz isso, até porque fotografar é divertido. Mas de um tempo pra cá a classe baixa começou a se infiltrar e as fotos que apareciam para todos verem na página principal começou a ter fotos “ruins”, com pessoas “feias”, e aí nasceu um pequeno movimento jovem burguês de ir “contra a orkutização do Instagram”, simplesmente o maior absurdo que eu já vi, até o mundo virtual está sendo elitizado, o que é ridículo.

Resumindo, há uma necessidade de enganar, pois o Mentiroso sabe que é muito mais fácil contar uma história boa do que realmente tê-la vivido, e essa filosofia corre por vários setores, como em bandas que estão começando por exemplo, que primeiro contratam fotógrafos, fazem uma arte legal no Myspace, camisetas, até cartões de visita para banda, e tem um som muito fraco, infantil até, há uma valorização pelo conceito de Vitrineprimeiro temos que parecer para depois sermos.

Termino aqui com uma frase de uma das bandas que formou o meu pensamento na minha adolescência.

    “Ser racional é ter um ego enorme, progresso significa tecnologia, se estamos no auge dos tempos, por que tanta angustia?” – Dead Fish