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A memória humana é registrada de várias maneiras, mas todas envolvem os sentidos. Sentimos o cheiro de cachoeira e lembramos aquela em que fomos aos 8 anos com a família em uma cidade já esquecida do interior, um dia sentindo o sol forte do meio dia lembramos dos dias em que jogávamos o dia inteiro sem pensar no amanhã em algum lugar com os amigos.

Eu, por ter um irmão gêmeo, posso ainda acrescentar algo muito palpável a como a memória funciona. Já que a memória funciona através de sentidos e sentimentos, logo as pessoas que tiveram as sensações parecidas ao passar por um mesmo cheiro, ou situação por exemplo, iria lembrar das mesmas coisas se elas tivessem tido a mesma experiência lembrada, como no programa infantil Bananas de Pijama, quando o B1 perguntava para o B2 se ele estava pensando o mesmo que ele. Isso realmente acontece em gêmeos, pois são tantas as memórias que se tem parecidas, por crescereem juntos e acaba que suas lembranças são as mesmas em muitas ocasiões.

Outro fato relevante é ver como esquecemos memórias recém adquiridas de coisas que fazemos todos os dias como por exemplo trancar a porta de casa, fechar o carro, puxar o freio de mão, e por aí vai.

Envelhecer seria um pouco disso tudo.

Quando fizermos nossos 70 anos teremos vivido demais, sentido demais, visto demais, experimentado demais, ouvido demais, cheirado demais, e se não mudarmos nossa rotina ou mesmo o lugar onde moramos não criaremos novos sistemas de memorias para termos cada vez mais assimilações. Aos 70 anos muitas coisas lembrariam muitas coisas, talvez até no ponto de vista de vários velhinhos se teria acabado as possibilidades de eventos vividos na região.

Talvez por isso idosos contam muitas histórias, pois deixam de criar momentos novos e agora tudo lembra tudo.

Muitos idosos agem que nem crianças, e não podemos culpá-los, eles querem emoção, querem aventuras, querem fazer as descobertas como as que faziam quando crianças, na época em que o mundo ainda era apresentado a eles e não existia limites para o que se podia aprender.

Querem estar na ponta do pêlo do coelho branca, como descrito no Mundo de Sofia.

É incrível como muita gente não está disposta a criar momentos, pois a única imortalidade que o ser humano alcançou por enquanto são as historias contadas, os antigos sabiam disso quando buscavam a “Glória” e queria que cantassem histórias sobre eles em várias cidades, até pagavam bardos para criar algumas.

Aquele que não perder esse olhar de criança nunca vai deixar de aprender, e vai ser visto como estranho pela sociedade infelizmente.