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As autoridades japonesas estão batalhando para tentar minimizar a  radiação da usina nuclear de Fukushima Daiichi. Apesar de os níveis de radiação terem diminuído após o pico de terça-feira, não há garantia de que não vão subir novamente. O local ainda está muito instável.

Foi imposta a evacuação imediata da zona dentro de um raio de 20 quilômetros da usina e os moradores que vivem dentro da faixa de 30 quilômetros foram aconselhados a deixar a área. Quem resolveu ficar, teve de permanecer nas residências e tentar deixá-las hermeticamente fechadas.

Especialistas salientam que uma ação rápida deve ser capaz de minimizar qualquer impacto sobre a saúde humana.

Quais são os efeitos imediatos para a saúde da exposição à radiação?

A exposição a níveis moderados (1 gray) pode resultar em contaminação por radiação, que produz uma variedade de sintomas. Náuseas e vômitos geralmente começam após algumas horas de exposição, seguidos por diarréia, dores de cabeça e febre.

Depois da primeira etapa de sintomas, pode haver um breve período sem a manifestação da doença. Porém, os sintomas costumam voltar ainda mais graves dentro de algumas semanas.

Em níveis mais altos de radiação, todos esses sintomas podem ser imediatamente aparente, juntamente com generalizada danos aos órgãos internos, o que é potencialmente fatal.
A exposição a uma dose de radiação de quatro grays é o bastante para matar cerca de metade de todos os adultos saudáveis.

Níveis de radiação e efeitos:

2 milisieverts por ano (mSy/a) ; Típica radiação a que todos estamos expostos. A média na Austrália é de 1,5 mSy/a e 3 mSy/a na América do Norte. Sem perigo.

9 mSy/a; Exposição da tripulação de um voo de Nova Iorque a Tóquio

20 mSy/a ; Limite médio para trabalhadores de indústrias nucleares. Início da zona de atenção quanto à radiação.

50 mSy/a ; Limite antigo para trabalhadores de indústrias nucleares. Nível apresentado naturalmente em lugares do Irã, Índia e Europa.

100 mSy/a ; Mais baixo nível em que é notado aumento expressivo na ocorrência de câncer. Início da zona de perigo quanto à radiação.

350 mSy/vida ; Critério para realocação de pessoas após o desastre em Chernobyl.

400 mSy/hora ; Nível registrado na usina nuclear japonesa em 15 de março.

1.000 mSy – dose única ; Causa (temporário) mal-estar como náusea e queda no número de células de defesa do sangue, mas não leva à morte. Além desse nível, a intensidade dos sintomas aumenta junto com a dose.

5.000 mSy – dose única; Mataria metade dos expostos dentro de um mês.

Quais riscos Fukushima apresenta atualmente?

As autoridades japonesas detectaram uma radiação de 400 milisieverts por hora no local da usina nuclear. Segundo Richard Wakeford, professor da Universidade de Manchester, Inglaterra, e especialista em exposição à radiação, o nível apresentado não deve causar efeitos em humanos. “Seria necessária uma dose ao menos duas vezes e meia maior (um sievert/um gray) para causar danos imediatos”, garante.

Porém, o nível já pode diminuir a quantidade de células produzidas pela medula óssea, além de aumentar o risco de câncer fatal durante a vida em de 2% a 4%. Para um japonês típico, essa porcentagem é de 20% a 25%.

Wakeford salienta que apenas trabalhadores da usina possuem o risco de terem sido submetidos a tal dose – e mesmo assim durante curtos períodos de tempo.

E se a situação piorar?

No caso de um acidente ou incêndio na usina, aliado a fortes ventos, o material radioativo poderia atingir Tóquio, localizado a 241 quilômetros de distância. Porém, mesmo nesse cenário hipotético, os níveis de radiação seriam tão baixos que atitudes simples como permanecer em casa com as janelas fechadas já seria o suficiente para estar fora de perigo.

Como a radiação é tratada?

A primeira coisa a ser feita é minimizar a contaminação futura removendo roupas e sapatos, assim como lavando a pele com água e sabão.

Algumas drogas podem ser usadas no tratamento. Existem as que aumentam a produção de células de defesa do sangue para conter danos à medula óssea, além de reduzir as chances de infecções autoimunes.

Outros medicamentos ajudam a reduzir os danos aos órgãos internos, causados por partículas radioativas.

Quais são os prováveis efeitos a longo prazo na saúde?

Câncer é a maior ameaça. Em um corpo sadio, as células atingem seu “prazo de validade” e cometem suicídio. O câncer é o resultado da falta de comando do organismo – as células se tornam imortais e continuam a se dividir desenfreadamente. A exposição excessiva à radiação acaba por bloquear esse processo de controle, o que facilita a ocorrência de câncer.

Outra possível consequência é a mutação no material genético. As mudanças no DNA podem afetar os filhos e netos dos expostos à radiação. A lista de efeitos passa por problemas físicos, como a má-formação de membros e do cérebro, e mentais, como diversas dificuldades de aprendizagem.

As crianças correm mais perigo?

Sim. Devido ao fato de estarem crescendo, mais células estão se dividindo, o que aumenta as chances de algo sair errado. Após o acidente no reator atômico da usina de Chernobyl em 1986, por exemplo, houve um crescimento significativo no registro de câncer infantil nas redondezas.

Existem evidências de alimentos contaminados?

Sim. O Ministro da Saúde do Japão alertou habitantes de perto da usina para deixarem de beber a água local após pesquisas apontarem níveis de iodo três vezes acima do normal.

Altos índices de radiação também foram encontrados em amostras de leite e espinafre, até 20 quilômetros distante da usina. Entretanto, não há indícios de que esses números causem algum mal à saúde de seres humanos.