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O único alívio é a conexão verdadeira. Como conseguir entender o que o outro sente? Pra muitas pessoas isso simplesmente é bruxaria, são apenas simpáticas dizendo frases feitas, outras ficam impressionadas de como elas conseguiram ser entendidas por alguém, mostrando ser raras as ocasiões que isso acontece.

Veja o Vídeo e um texto do Vitor Oliveira sobre isso.  

Simpatia: sim= com, phatos= paixão (no sentido de ser afetado por) – com sentimento por

Empatia: em=em – em sentimento com
A grande diferença entre as duas palavras está na forma pela qual nos sentimos afetados (phatos) pelo outro. Ser simpático a alguém é sentir algo por ele, no sentido comum do termo, sentir uma afeição por alguém mesmo sem conhecê-la mais profundamente. Quando se é simpático, você está de fora, você se envolve somente superficialmente com o sentimento e com o que ocorre com o outro.
Já a empatia é algo totalmente diferente. Ela remete a uma identificação com o que o outro é. Ou seja, na empatia, saímos de nós mesmos, vemos não o outro, mas como o outro vê e sente. O poema abaixo, escrito pelo psicólogo e psicodramatista Jacob Levy Moreno, traduz de forma clara o que é o sentimento de empatia:
“Um encontro entre dois: olho a olho, cara a cara E, quando estiveres perto, arrancarei teus olhos E os colocarei no lugar dos meus E tu arrancarás meus olhos E os colocarás no lugar dos teus Então te olharei com teus olhos E tu me olharás com os meus.” 
Percebe-se que, na empatia pelo outro, eu passo a conhecer sua realidade, suas dificuldades e seu ponto de vista sobre as coisas e sobre o mundo. Na simpatia, tenho apenas o sentimento irrefletido de afeição, sem nem ao menos entrar em contato com ele.
É imprescindível refletirmos sobre nossa capacidade de ser empático. Quando sou simpático, geralmente me aproximo do outro pelo que temos de semelhante. É na simpatia que conhecemos as diferenças, a diversidade, que temos a real experiência de que não estamos sozinhos e que nossas ideias e opiniões são somente nossas, e não são nada universais.
Ser empático não significa aceitar a opinião do outro, mas reconhecer o sentido profundo dessa opinião, para assim podermos respeitar, e até questionar o outro com mais propriedade.
Nossa sociedade atual preza pela manutenção de uma simpatia discriminativa (sou simpático à aqueles que fazem parte de meu grupo), e uma simpatia simulada pelos “outros” (os que não fazem parte da “maioria”). Se faz a política da “boa vizinhança”, na qual é de bom tom conviver com o diferente, mas sem se aproximar deles. É assim que cada vez mais surgem as barreiras sociais invisíveis, que mantém as diferenças encerradas em locais invisíveis. Como por exemplo na distância dos bairros populares e dos bairros de classe média e alta (cabe aqui ressaltar que essa barreira aparece quando o espaço fica compartilhado – como no caso dos “rolezinhos” das amadas populares pelos shoppings).
Há também a inclusão maquiada, quando a diferença tem de se adaptar às normas sociais vigentes para que seja aceita publicamente. é o que aconteceu com a cultura hippie, com o homossexual “de novela” e atualmente com o “novo nerd”, que ganha espaço na internet. Os que antes eram tidos como a “escória social” são lavados, maquiados, e assim podem entrar na sociedade dita “normal”.
Essas seriam, a meu ver, formas atuais de simpatia. elas anulam a diferença. Quando há empatia, o choque com o diferente é direto. O estranhamento é grande, a sensação de mal-estar muitas vezes está presente. Mas esse desconforto, é sinal de que algo pode mudar. Pois é nesse momento que entramos em contato com o que está fora de nosso mundo egocêntrico, e nos abrimos ao realmente novo. Ampliamos nossa visão de mundo, e podemos realmente compreender o outro, o diferente de nós.