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Banksy

Acho importante compartilhar com vocês um filósofo importante para compreendermos os dias atuais, Michel Foucault. Francês, nascido em 1926, contribuiu intensamente para o exame das formas de poder de nossa sociedade. Em uma de suas obras, Vigiar e Punir (que você pode ler clicando aqui), ele examina sistemas prisionais, de punição de condenados, entre outros temas na área.

O que acho mais interessante nesse livro é como ele descreve os efeitos subjetivos desses sistemas e instituições. Com efeito subjetivo quero dizer: a forma como uma sociedade trata as pessoas forma seu modo de ver o mundo, ou seja, você nem sempre é livre nas opiniões ou nas coisas que você pensa, existe um poder invisível, porém muito presente, das instituições sociais, que controlam nossa vida. Claro que é bem mais complicado, não somos cordeirinhos que seguem o que nos dizem para seguir. É bem mais assombroso: nos fazem crer que o que escolhemos foi por nossa liberdade, quando na verdade estamos sendo controlados!

Bom, voltando ao Foucault. Uma das coisas mais interessantes que ele examina no livro é o modelo de prisão criado por J. Bentham, o Panóptico, que chegou a ser utilizado nos Estados Unidos, mesmo no século XX. A foto abaixo é uma prisão que segue o modelo de Panóptico. Essa palavra significa pan=todo e ótico=visão, ou seja, uma visão total. Notem a torre central, e que as celas se distribuem circularmente em torno dela. Dessa forma, cada preso fica em sua cela separada, sem contato com os prisioneiros da cela do lado. Os policiais, ocultos na torre central, conseguem ver a todos de forma fácil, e assim controlar o que fazem.

Modelo de prisão criada por J. Bentham

Foucault aponta dois efeitos desse modo de construção: um, é o controle das massas de prisioneiros, controlando-os de forma mais eficaz e organizada. Já o segundo efeito é importante: o detento estará o tempo todo consciente de que alguém o está vigiando. Se as janelas da torre central forem espelhadas, então ele não saberá se há alguém ou não na torre, e sempre terá dúvida se está sendo ou não vigiado. A vigilância permanente torna-se o meio mais efetivo de controle. Mas mais que isso, os presos subjetivam o controle: eles vão se sentir o tempo todo controlados, vistos, nunca se sentirá sozinho, nem que terá privacidade.

Ora, é aí que podemos olhar assustados para nossa sociedade atual! A nova série “Person of Interest”, que passa no Brasil pela Warner Channel,é produzida por J.J. Abrams, que criou Alias, Lost e Fringe. Ela fala de um bilionário que criou um programa que consegue capturar as imagens gravadas pelas diversas câmeras de segurança dos Estados Unidos e cruza seus dados, na tentativa de deter criminosos. Essa série, mais do que nos gerar um sentimento de medo pela possibilidade de estarmos sendo vigiados por alguma instituição oculta, deve nos gerar uma reflexão sobre a forma como estamos vivendo hoje: vigiados por todos os lados.

Aliás, devemos ir mais longe: estamos mais subjetivados que os prisioneiros dos Panópticos, pois escolhemos, por “vontade própria”, ser vigiados e vigiar os outros. E isso tem nome: rede social. Twitter, Facebook, Orkut, etc, por mais que possam ser ferramentas importantes de trocas de ideias e de contato com pessoas distantes, são também formas de subjetivação. Basta ver como mudou o comportamento de muitas pessoas hoje, que não conseguem ficar um dia sem expor na rede algo que aconteceu consigo mesmo, e o quanto que a vida privada passou rapidamente para a esfera pública. Assim, antes de postar algo hoje na Internet, de falar de sua vida, olhe para a figura acima.

Aqueles prisioneiros, não podem escolher serem vigiados… você ainda pode.