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Como Identificar Comportamentos Manipuladores

Quando falamos em manipulação, estamos falando sobre o ato de tentar influenciar o comportamento ou ações de outra pessoa de forma indireta. Somos humanos, e como tais, nossas emoções muitas vezes acabam distorcendo o julgamento que fazemos da realidade, tornando difícil enxergar a verdade por trás da dissimulação (quando fingimos ou disfarçamos o que sentimos ou pretendemos) embutidos em diferentes formas de comportamento. Os aspectos controladores da astúcia somados à manipulação às vezes são tão sutis que passam despercebidos, escondidos embaixo de um manto de sentimentos como obrigação, amor ou algo que ja virou hábito. Neste artigo você vai aprender a identificar um comportamento manipulador à sua volta para que você consiga contornar a situação, e não virar um refém dela.

 
 
 

Passos

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    Entenda as características de uma personalidade manipuladora. Elas não são óbvias porque essas pessoas agem em silêncio ao construírem um muro de obrigações que temos para com elas. Esse muro acaba fazendo com que você se sinta pressionado e obrigado a continuar agindo dessa maneira por elas, mesmo que no fundo você fique se perguntando como a coisa chegou a esse ponto. Algumas das características de uma personalidade manipuladora incluem:

    • O mártir. A pessoa com esse tipo de personalidade age como se ele ou ela fossem muito legais com os outros, mas na verdade estão misturando consideração com a necessidade de serem importantes para você. Quando agem assim, eles fazem coisas pelos outros que ninguém pediu ou quis que fizessem, mas assim eles garantem uma ligação com o “favorecido”. Fazendo esse “favor” para você, eles esperam que você dê algo em troca. Outra coisa que eles costumam fazer é jogar na sua cara tudo o que já fizeram por você e quando terão o retorno para tanta “boa vontade”…
    • Os excessivamente dependentes e carentes. São pessoas que não se sentem à vontade em ser elas mesmas nem em mostrar as suas próprias idéias e opiniões. Elas acabam se escondendo por trás de uma máscara de manipulação para que você ache que está lidando com alguém normal, quando na verdade estão fazendo com que você supra a carência delas.
    • Os narcisistas. Esse é o arquétipo do manipulador e é muito difícil lidar com esse mestre da manipulação.
    • Você. Sério mesmo. Cada um de nós acaba tendo um comportamento manipulador uma vez ou outra. É que, para a maioria das pessoas, esse deslize acontece de vez em quando. Para os manipuladores, é um vício que usam como um manual para o dia-a-dia e para todos os relacionamentos.
     
     

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    Repare nas maneiras que as pessoas usam para tentar manipular umas às outras. Há alguns comportamentos básicos que acabam em manipulação, e é importante saber como identificá-los antes que virem uma dor de cabeça. Neste artigo você tem uma visão geral desses comportamentos, com os seguintes passos que dão mais detalhes e sugestões sobre como reagir da melhor forma possível (sem “perder a amizade”):

    • O peso da culpa. Esse comportamento manipulador serve para fazer com que você se sinta culpado e comece a agir como deveria, e não como você realmente quer e mantendo-se fiel ao que você acredita.
    • O dono da verdade. Essa tática manipuladora serve para fazer com que a opinião do manipulador sobre seu comportamento prevaleça sobre a realidade, o que acaba se tornando um jogo de sentimento de culpa. Não importa o que você faça ou diga, o ato de negar a opinião dele é prova de que ele está certo.
    • O telefone sem fio. Esse truque de manipulação é um tipo de pseudo-sociologia em ação. Para fazer com que você faça o que eles querem, eles alegam que “fulano disse isso” e que o certo é fazer desse jeito. Assim, eles se livram da responsabilidade e passam todo o peso dela para as suas costas.
    • Os pit bulls. Esse método de manipulação consiste em provocar brigas. Assim, eles fazem com que você se sinta mal por coisas que não fez nem disse, mas pelas quais deve se sentir culpado no final. Dessa forma eles conseguem fazer com que você sinta pena deles para que possam manipulá-lo quantas vezes quiserem.
    • Auto-piedade: Mas eu sou tão mal-amado/perturbado/vítima das circunstâncias, etc. Às vezes todos nós precisamos de um ombro amigo para chorar nossas mágoas, mas manipuladores experientes sabem como ser os “coitadinhos” que sempre precisam de mais atenção.
     

 

 

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  2. Restrinja o peso da culpa. Ela está no topo da lista de ferramentas manipuladoras. Se você consegue fazer com que alguém se sinta culpado, então você sabe do que estamos falando. O problema é que as pessoas se cansam de serem forçadas a sentir culpa o tempo todo enquanto o manipulador pensa que está levando vantagem. No final, eles acabam perdendo o respeito de todos e tornando os amigos, parentes e colegas de trabalho distantes (como não podem se livrar do manipulador, as pessoas se defendem tentando ficar o mais longe possível). Uma das regras básicas na hora de acabar com o peso da culpa é cortar o mal pela raiz, assim que começam a usar o truque em você. Lembre-se: a culpa é deles, não sua. Confira abaixo formas de se lidar com a culpa que os manipuladores empurram para cima de você:
    • Reconheça o joguinho deles. É sempre assim: “Se ligasse pra mim de verdade, você iria…”, ou “Se você fosse mais responsável, você iria…”, ou ainda, “Se me entendesse de verdade, você iria…”. Em todos esses casos, dá para substituir essas frases por “Faça o que eu quero.” Outro jeito de fazer com que você se sinta culpado é jogar na sua cara o que você nunca faz, por exemplo: “Sabia que eu tinha entendido errado! Você jamais teria feito isso sem falar comigo antes.” Traduzindo para o manipulês, isso quer dizer: “Nunca faça nada sem antes me consultar!”
    • Devolva na mesma moeda. Deixe que eles provem do próprio veneno e não deixe que a forma como eles vêem seu comportamento determinar a situação. Assim eles têm a chance de sentir na pele o que ficam jogando na cara de todo mundo. Basta repetir o que o manipulador disse e fazer o mesmo jogo deles, acusando-os de não darem valor a você. Dessa forma você se livra da obrigação que tentam empurrar para você. Por exemplo:
      • Manipulador: “Você não está nem aí para todo o esforço que lhe dedico.”
      • Você: “Claro que eu ligo para todo o esforço que você me dedica. Você está cansado de ouvir isso. Mas parece que você é que não liga muito para o quanto eu me importo com você.”
      • Manipulador: “Mentira! Eu dou valor sim!”
      • Você: “Claro, do mesmo modo que eu dou valor pro seu esforço e dedicação.”
    • Não deixe que coloquem uma “coleira” em você. Quando eles começarem a lhe jogar a culpa, se fazendo de coitadinhos, não caia nessa. Ao invés disso, rebata na hora. Por exemplo:
      • Manipulador: “Tudo bem, vai lá acampar com seus amigos enquanto eu fico aqui cuidando sozinha dos cachorros. Não se preocupe comigo.”
      • Você: “Que maravilha! Que sorte a minha ter você para cuidar dos cachorros enquanto viajo. Obrigado!”
     
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    Mantenha a arrogância deles bem longe. Uma das coisas mais irritantes em manipuladores arrogantes é que eles ficam dizendo o que você está sentindo ou fazendo, e para quê. Isso passa a impressão de que não o levam a sério, ou seja, que você é o que eles supõem que você seja, e pronto. A intenção deles é fazer com que você faça tudo que seja bom para eles, não para você. É difícil perceber onde está o truque, mas é essencial que você saiba identificar a jararaca no ninho para matá-la na hora. Eles adoram as palavras “Acho/parece que você/quem me dera”, etc: “Acho que você vai me deixar sozinho de novo”, ou “Parece que você não vê tudo o que faço por você e agora vai passar o Natal com os amigos ao invés de passar comigo.” O problema do manipulador arrogante é que ele nunca faz perguntas, pois estas fazem com que eles sintam que estão perdendo o controle sobre a “vítima”. Em um relacionamento normal, as perguntas deixariam suas intenções claras e daí daria para partir para conversas mais profundas. O manipulador arrogante prefere acreditar no que ele acha que você está fazendo; assim ele controla o você que está na cabeça dele e não precisa ouvir o você da vida real. Corte a opinião deles na hora, ignorando o que ficam insinuando, e traga o manipulador de volta à realidade, deixando claro que o que você pensa e faz tem valor também. Por exemplo:

    • Manipuladora: “Quem me dera que você entendesse como é difícil pra mim passar o Natal sem você, depois de tudo o que sempre fiz por vocês.”
    • Você: “Na verdade, eu passo tanto tempo com você quanto com os pais da Márcia. Estou achando ótimo passar a mesma quantidade de tempo tanto com a minha família quanto com a dela.”
    • Manipuladora: “É, parece que você vai me deixar sozinha de novo.”
    • Você: “Não vou te deixar sozinha. Está passando seu filme preferido na televisão, os cachorros precisam da sua atenção e até terça estarei de volta, como sempre.”
    • Manipuladora:”Se você tem coisas mais importantes para fazer, é melhor não desperdiçar seu tempo me visitando.”
    • Você: “Nossa, que bom que você entende como as coisas estão corridas para mim agora. Sai muito caro viajar de avião nessa época e eu vou poder passar mais tempo com você em maio.”
     
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    Dê o fora quando o manipulador começar a fazer o joguinho “Mas o fulano disse/acha que...”. Ao pegar alguém de fora para usar como referência, acabamos generalizando como forma de ter evidências “concretas” de que o que queremos é o correto, por mais vagos e absurdos que sejam nossos argumentos. A maioria das pessoas uma vez ou outra comete esse deslize, mas para o manipulador, isso é um meio de vida. Toda vez que ele mencionar que sua tia Rita, seu primo Paulo ou a fofa da Luciana faria ou diria isso ou aquilo, fique esperto. Eles usam essa tática para testar você e comparar a sua falta de boa vontade (na cabeça deles) com outras pessoas que são colocadas lá em cima (ou seja, que supostamente fazem tudo que o manipulador deseja), só para fazer com que você se sinta mal por não fazer o que eles querem. Os manipuladores usam esse jogo por outros dois motivos: acham que tudo na vida dos outros é sempre melhor; querem se livrar da responsabilidade do que dizem e fazem, colocando outra pessoa no meio que não tem nada a ver com a situação. De quebra, te forçam a se sentir mal por não fazer o que eles querem.

    • Manipulador: “A Fabiana disse que não é muito bom você me deixar sozinha toda hora. Ela disse que isso pode até me fazer mal.”
    • Você: “Nossa, não tinha percebido que a Fabiana era psicóloga. Agora eu tenho que falar com ela de qualquer jeito para ver se ela não pode passar mais tempo com você.”
    • Manipuladora: “Todo mundo acha que não custaria nada você me dar outro anel de diamantes, que você regula demais.”
    • Você: “Todo mundo? Nossa, preciso conhecer essa gente tão podre de rica! Você sabe que eu te compraria outro anel, mas a minha sorte é você já ter um para te distrair até a gente conseguir juntar o suficiente para incluir uma compra cara no orçamento do mês.”
     
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    Desvie das brigas e conflitos usados pelos manipuladores. Saiba identificar o joguinho que eles fazem ao provocar uma briga ou conflito. Isso acontece muito entre amigos ou parentes, quando um quer tentar controlar os outros. Ao provocá-lo, a intenção do manipulador é te deixar chateado e nervoso a ponto de bater boca. Por exemplo: “Que coisa, hein! Me deixando sozinho de novo hoje à noite!” ou “Puxa, achei que tínhamos combinado que essa era a melhor solução. Agora, você vem e faz algo nada a ver.” Ou ainda: “Por que você tem que fazer tudo do seu jeito? Como é que eu fico nessa história?” Às vezes esse truque vem disfarçado numa piada ou brincadeira, mas com o objetivo de te colocar para baixo. Ao invés de discutir com o manipulador, aprenda a dizer não. Mostre a ele fatos, dados concretos. Por exemplo:

    • Fique calmo, com a cabeça fria e um sorriso no rosto quando for dizer não. Não adianta fazer cara feia ou dar uma patada de volta. É importante também reagir de forma simples e simpática.
    • Use a sua linguagem corporal para ajudar a mostrar que “não” é “não”: balance a cabeça e faça cara de quem está se negando a entrar no joguinho.
    • Seja educado. Quando um manipulador pedir algo a você, experimente responder “Puxa, eu até faria isso, mas agora estou numa correria danada e só vou ter um tempinho livre daqui a uns 3 meses. Fico te devendo essa.”
     
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    Não deixe que a auto-piedade do manipulador atinja você. Ele acha que dá tudo errado para ele o tempo todo para que você fique com pena dele e faça o que ele quer. Fazendo o papel de “indefeso”, “azarado” ou “sofrido na vida”, eles estão tentando conseguir sua ajuda emocional, financeira ou outras formas de parasitar em você. Fique ligado caso você ouça um “Você é a única pessoa que tenho no mundo”, ou “Não tenho mais ninguém para conversar”, etc. Quando tiver que lidar com um ataque de auto-piedade, seja legal, mas prevenido – você não quer ter obrigação nenhuma para com ele. Algumas formas eficientes de lidar com um manipulador desse tipo:

    • Manipulador: “Eu só tenho você no mundo.”
    • Você: “Ah, lá vem você me agradando de novo! Mas tanto eu como você sabemos que isso não é verdade. Você vê a Carol no domingo e a Juju nas quintas, fora a turma do vôlei nos sábados. E aquela vez que eu te liguei na quarta à noite, você estava jogando baralho com os vizinhos!”
    • Manipulador: “Não tenho ninguém com quem conversar.”
    • Você: “Ué, você se lembra de ontem? A Tati veio na sua casa para ficar batendo papo com você a tarde inteira. E a Gabi disse que você sempre pode contar com ela toda vez que precisar de alguém para conversar no telefone. E eu estou adorando conversar com você, mas infelizmente tenho um compromisso daqui a 5 minutos que não posso desmarcar.”
     
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    Fique atento a pessoas que distorcem os fatos para parecerem que são melhores do que realmente são. Normalmente são gente que vai mentir até para o Papa para conseguir o que quer. Isso acontece muito no ambiente de trabalho, quando querem que fiquem do lado deles ou para conseguir favores da chefia. Ao topar com uma distorção dos fatos, procure deixar as coisas claras. Explique que o que eles estão lhe dizendo não corresponde ao que você se lembra e que você precisa entender melhor como eles chegaram àquela conclusão. Mantenha a calma e diga que precisa de uma explicação porque você está fazendo confusão. Faça perguntas simples, como quando vocês dois concordaram sobre um assunto, como eles acham que esse plano estratégico foi bolado, etc. Assim que vocês estiverem na mesma sintonia de novo, tome esse ponto como o de partida, ao invés de começar pela distorção do manipulador. Por exemplo:

    • Carlos (manipulador): “Eu pedi para o Marcos terminar tudo isso ainda hoje. Ele nunca entrega os relatórios em dia.”
    • Chefe: “Sério, Marcos?”
    • Marcos: “Não é bem assim. Carlos, quando foi que você me disse que esse relatório é da minha inteira responsabilidade? Da última vez que nos falamos, entendi que ele era um esforço em equipe, com você dando a palavra final antes de eu apresentá-lo para a diretoria. Mas ontem não consegui contatá-lo depois de verificar que você não estava na empresa, e vi que não tinha escolha a não ser continuar com o trabalho sozinho. O problema é que não consegui resolver as questões relacionadas a X, Y e Z, que são da sua área. E eu entreguei os últimos 6 relatórios 2 dias antes da data. Eu levo prazos muito a sério.”
    • Outro exemplo: “Você nunca me apóia durante as reuniões, só comparece para garantir o seu e me jogar para os leões.”
    • Você: “Isso não é verdade. Eu achei que você estava pronto para falar com os investidores sobre suas próprias idéias. Se tivesse suspeitado que você estava com dificuldades para se expressar, teria dado uma força, mas você se saiu muito bem sozinho.”
    • Fique esperto com gente que tem “memória seletiva”. Essa ferramenta manipuladora serve para livrá-los das obrigações indesejadas e ao mesmo tempo insinuar que quem tem que fazê-las é você (na frente do chefe).
     
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    Não caia na armadilha daqueles que usam o amor como moeda de troca.Esse tipo de manipulador normalmente usa frases como “Eu sei que você me ama, então por que você não …”, “Você sabe que te amo, então não custa você fazer X, Y e Z pra mim…”, com o objetivo de fazer com que você aceite o que eles querem. Isso acontece muito entre casais ou até mesmo amigos. As pessoas que agem assim vão fazer com que você sinta que tem uma dívida para com elas toda hora. Ao invés de deixar que manipulem o amor que você sente por eles, experimente mostrar que o que você está fazendo já é uma prova de amor, e se possível, mostrar que reconhece o amor que eles sentem por você também:

    • Esposa: “Se você me amasse, me levaria junto para essa viagem de negócios. Não ligo para o seu chefe pão-duro, isso é problema seu, não meu.”
    • Marido: “É claro que te amo, e por isso mesmo não quero meu chefe implicando com você. Seria péssimo para você ter que ser super legal com ele o tempo todo, e ele não gostaria nada de vê-la por ali; poderia até mesmo tirar o meu cargo por achar que não levei a viagem de negócios a sério.”
    • Marido: “Você acha que esse jardim é mais importante do que eu.”
    • Esposa: “Na verdade, meu amor, eu cuido do jardim para que você possa ter um lugar seguro e legal para fazer um churrasco com seus amigos. Eu quero que tudo fique perfeito para você, do mesmo jeito que você pinta a casa com as cores que sabe que eu gosto.”
     
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    Aprenda a identificar um falso mal-estar. Infelizmente, tem gente que chega a se fingir de doente para manipular os outros. Esse teatro pode ir desde pequenos sintomas até a Síndrome de Munchausen. Fingir que se está doente significa exagerar sintomas falsos para se conseguir o que quer. As pessoas que fazem isso estão tentando fugir de responsabilidades, ter mais tempo livre, levar vantagem em lugares públicos ou são tão preguiçosas que querem que tudo seja feito pelos outros.

    • Se a pessoa ficar o tempo todo usando esse truque, deve-se levar em consideração a possiblidade de ela precisar procurar a ajuda de um psiquiatra ou psicólogo. A parte chata para você é ter que lidar com alguém que realmente tenha uma doença, mas que consiga parecer bem na maior parte do tempo. Ela só exagera (e muito) os sintomas causados pela doença.
    • Se a pessoa realmente sofre da Síndrome de Munchausen, tente não julgá-la. O que acontece às vezes é que essa foi a maneira que a pessoa encontrou de lidar com o stress de ter uma doença crônica. O melhor a fazer nesse caso é aconselhar a pessoa a buscar ajuda psicológica. Não adianta ficar discutindo por causa da “doença de mentirinha”.
     
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    Fique atento a gente que cria fofocas. Gente assim vai lhe dizer exatamente o contrário do que você espera ouvir. Assim, para desmenti-los, você acaba entregando mais informações do que deveria na ânsia de corrigi-los ou de provar que estão errados. Muitas pessoas reservadas acabam se abrindo sem querer ao cair nessa armadilha – que é usada para trazer à tona o que estava meio que em segredo.

     
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    Ignore cenas dramáticas que visam usar suas emoções para derrubá-lo.Algumas pessoas choram, gritam, fazem o maior drama e usam outras formas de chantagem emocional para forçar os outros a fazer o que querem ou simplesmente para conseguir o que desejam. Isso é comum entre crianças e adolescentes, que querem ver até a onde eles conseguem ir com esse tipo de manipulação. Vale conferir bons livros sobre como ser bons pais na hora de lidar com crianças e adolescentes; o comportamento deles tem mais a ver com o ato de testar limites e pode ser administrado se os adultos souberem ser bons pais.

    • Se o seu filho sofre de distúrbios de comportamento, procure ajuda profissional. Distúrbios como rebeldia em excesso, conduta inadequada ou ansiedade gerada pela distância dos pais podem ser jogos de manipulação por parte dos pequenos, mas esses problemas precisam de atenção especial com a ajuda de psicólogos, além de muita paciência e amor.
     
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    Siga a sua intuição. Em todas as situações de manipulação mencionadas neste artigo, é muito importante levar a sua intuição a sério. Você se sente pressionado ou forçado a fazer algo que preferia não fazer? O comportamento deles parece lhe atingir o tempo todo? Uma vez que você oferece ajuda, eles esperam que você ajude sempre mais? Suas respostas para essas perguntas são uma boa forma de abrir seus olhos para o futuro do seu relacionamento com o manipulador.

     
     

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8 Pensamentos Sobre Você e o Trabalho

clockspor Paulo Ferreira

Ultimamente não costumo escrever com freqüência sobre o tema do trabalho tradicional, comercial, aquele que se faz tendo em mente uma troca financeira por um dado esforço ou período dedicado. Primeiro, porque fiz muito isso por muitos anos. Segundo, porque vivo no Brasil, onde a realidade do trabalho comumente é tão degradante e onde é tão comum  que seja desproporcionalmente exploratória dos seres humanos que não é muito animador abordar o tema. Talvez principalmente porque, a rigor, todos os agentes governamentais e empresariais do país estão cansados de saber perfeitamente disso, mas fingem que não sabem para manter as coisas exatamente como estão, simplesmente porque esse é o modo que interessa para maximizar o lucro das empresas que financiam as campanhas políticas, os lobbies e a corrupção. Apesar dessa introdução, e a pedido de uma leitora e amiga querida, vamos ao tema.

 

1. Suas ações no mundo

As ações no mundo são como água: procuram pelos caminhos com menos obstáculos. Entender isso, significa entender que o seu tempo e as suas capacidades e talentos são como canais por onde a “água” das atividades do dia a dia escorrem.

Muitos passam o tempo a tentar evitar a água e manter os canais secos. Isso não é possível, no mundo. Para fazer isso, você deveria optar por ficar em casa e isolar-se. Se você não quer isolar-se, desista de manter os canais secos: a água VAI correr por eles. O que você PODE e DEVE fazer, é escolher QUAL água que vai pelos seus canais.

Antes de tudo, escolhendo fazer da sua vida algo que lhe preencha e deixe feliz. Sem isso, o resto é inútil. Tudo que se faz neste mundo tem problemas e exige esforço e dedicação para ser feito; qualquer coisa. Mas se você faz algo que não lhe permite sentir-se realizado, tem todos os problemas pelos motivos errados. E isso é muito frustrante. Tenha os problemas pelos MOTIVOS certos. Aí, você vai achar que vale a pena.

Quando estiver certo de que o que você faz é algo que lhe  permite sentir-se realizado, por favor, não fique sentado esperando que os outros lhe digam o que fazer. Se você escolheu, deve gostar disso. Raramente as pessoas escolhem fazer algo que elas não gostam nem fazem direito. Assim, faça. Abrace o que você faz e saia puxando.

2. Puxar é a única forma de não ser empurrado.

Se você não puxar,  se não for auto-motivado, não estiver interessado e não sair fazendo; alguém logo virá lhe empurrar e dizer o que fazer para ocupar os canais do seu tempo e energia.

Sabe qual é a coisa que todas as organizações, instituições, ONGs, empresas, start-ups de qualquer tipo mais necessitam? De alguém que saiba o que fazer e FAÇA. Mesmo que não seja perfeito. Pode dar errado? Pode. E daí? Pode dar errado de qualquer modo. Mas quase tudo pode ser consertado e corrigido. E se não puder?
E daí? Muito mais pessoas são mandadas embora pelo que DEXARAM DE FAZER.

3. Por que você está fazendo?

Antes de fazer qualquer coisa, é fundamental entender de forma clara e explícita, PORQUE você está fazendo. Se você faz algo sem saber porque está fazendo, como poderia saber se está adequado? Se é bom? Se foi bem feito? Bem feito é algo que SERVE a um propósito e colabora para resolver um problema.

E é fundamental saber PORQUE você faz algo, caso contrário, pode descobrir depois que o que você fez afetou milhares de seres; destruiu a ecologia do planeta; prejudicou, mais do que beneficiou, os outros seres que compartilham este mundo com você.

E se, apesar de SABER que o que você faz é prejudicial aos outros seres, você optar por continuar fazendo… só posso lhe desejar melhores escolhas no futuro; boa sorte e ombros fortes para quando chegar a hora da colheita… porque como já disse um sábio: “o plantio é opcional, mas a colheita, obrigatória.”

 

4. Você sabe o que você faz?

Esse é outro ponto fundamental: Há pessoas cujo trabalho é identificar problemas nas organizações. Estas, normalmente, também estão incumbidas de propor soluções.

Há outras pessoas cujo trabalho é IMPLEMENTAR as soluções. Não há demérito nenhum nisso, e a quem vai implementar também cabe questionar e contribuir, fazer o seu melhor. Se você não QUER e não é feliz implementando as soluções pensadas por outras pessoas, procure outro trabalho, onde você possa ser a pessoa designada para identificar problemas e propor soluções.

MAS quando alguém designado para IMPLEMENTAR soluções passa todo o tempo IDENTIFICANDO problemas… naturalmente, não está fazendo o seu trabalho.

 

5. Você trabalha POR seus resultados, mas PARA o bem de outros.

A razão do que você FAZ precisa estar ligada a ALGUÉM. Mas não a VOCÊ. Na maioria das profissões, você faz algo PARA alguém. Portanto, se você está sentado na sua mesa de trabalho, pensando no que fazer para SI MESMO, obviamente está TUDO errado.

Não é para você mesmo, nem deveria ser. Há alguém que deve ser BENEFICIADO pelo seu trabalho: outro ser humano, ou a pessoa que recebe o produto ou usa o serviço, ou os seus colegas que precisam do seu trabalho feito para fazer o deles. Sim, pois é: quando estamos trabalhando, devemos nos concentrar na solução de problemas. O objetivo não é que você esteja servindo a si mesmo. O objetivo é que esteja servindo a outrem. (Fique tranqüilo: mais adiante no texto vou voltar ao SEU tempo, que é imensamente importante)

Mas quando qualquer um esquece que está, no tempo do trabalho, SERVINDO como MEIO para a solução dos problemas … começa a dar tudo errado, porque ao invés de resolver os problemas, a pessoa prefere fugir deles. Se você quer fugir de problemas, fique em casa, embaixo do cobertor. Pode não te levar muito longe, mas terá sido a sua escolha. Mas se você decidiu trabalhar, entenda: este é o tempo da sua vida dedicado a ser MEIO para SOLUÇÃO dos problemas dos outros.

Entenda o que é pedido a você que faça. Se não entendeu bem, pergunte de novo, e de novo, até entender. Se achar que NÃO pode fazer isso, não faça, vá cuidar da vida em outro lugar. Mas se entendeu; e se o seu papel é fazer: não fuja, não finja, não protele, FAÇA.

6. Porque você sai de casa e vai ao trabalho?

Mesmo que você ame o que faz, você faz porque tem objetivos SEUS, para a sua vida, que quer realizar. Para as pessoas que precisam trabalhar por um pagamento, o trabalho é (também) um meio de obter recursos para realizar OUTRAS coisas que querem na vida.

Veja: todos os seus colegas fazem EXATAMENTE a mesma coisa, exatamente pelo mesmo motivo. Eles não vão ao trabalho pra atrapalhar os seus planos. Eles não vão lá para prejudicar os clientes. Eles não vão lá porque o chefe quer. Eles vão porque querem algo da vida. E se todos puderem apenas fazer a sua parte e não atrapalhar a parte do outro, certamente a vida de todos fica muito mais simples.

 

7. Finalmente, sobre o SEU tempo

O momento de servir a si mesmo é quando você está cuidando da sua vida pessoal. E é FUNDAMENTAL fazer ISSO durante o tempo dedicado à sua vida pessoal. Ela não pode ser negligenciada.

Se nem você quer cuidar de si mesmo, como pode esperar que alguém mais queira? CUIDE muito bem da sua vida pessoal e jamais aceite viver de um modo que não permita cuidar de si e de quem você ama. Ninguém vai lhe dar sua vida de volta, ninguém vai lhe dar de volta os dias que já foram. Sim, pode haver exceções, emergências, momentos onde isso não é possível.

Mas você ainda sabe o que é uma exceção?

8. Exceção é EXCLUSIVAMENTE algo que acontece tão ESPORADICAMENTE que não pode ter uma freqüência identificada.

Se algo acontece semanalmente, não é uma exceção. Temos revistas semanais há décadas. Você chamaria o fato da revista semanal sair no próximo domingo de EXCEÇÃO? Se algo acontece mensalmente, também não é uma exceção: você recebe seu salário todo mês. Chamaria o fato dele cair na sua conta de “uma exceção”?

E muito definitivamente: o que acontece várias vezes por mês ou por semana, mas é chamado de exceção apenas porque é “imprevisto” NÃO pode ser qualificado como exceção. A completa falta de planejamento que domina a quase totalidade das organizações brasileiras faz com que, aqui, praticamente TUDO seja imprevisto. Se você trabalha, no Brasil, numa organização que é diferente disso, parabéns: ela é justamente a EXCEÇÃO que confirma a regra.

Para o bem de quem precisa trabalhar; o trabalho jamais acaba – nós é que paramos num dado momento e retomamos no dia seguinte. É assim, e só assim que funciona, em qualquer lugar do mundo, exceto nos sistemas escravagistas; oficialmente banidos da sociedade desde o século 19. Mas que continuam acontecendo, até mesmo disfarçados de “trabalho intelectual” em prédios envidraçados, enquanto houver pessoas dispostas a se submeter a eles. (SIM, esta é a parte mágica: no exato dia em que ninguém mais se submeter a isso, esse capítulo degradante da humanidade estará encerrado. Obviamente que o “esquemão” vai sempre tentar lhe convencer de que não é possível ser de outro modo, porque se você acordar para esta mentira, isso compromete o próprio lucro do “esquemão”)

Novamente: Exceção é algo que acontece tão ESPORADICAMENTE que não pode ter uma freqüência identificada.

Qualquer coisa que acontece toda semana ou todo mês e lhe exige abandonar a sua vida por períodos diferentes da carga horária originalmente combinada não se chama exceção. Chama-se mentira mesmo.

 

A Agressão é o discurso dos Incapazes.

Fronteiras do Século XX, Idade das Trevas.

Por Paulo Ferreira

 

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“Há poucas coisas mais bizarras do que ver as pessoas defenderem que outro país seja bombardeado, mesmo reconhecendo que não haverá outro resultado positivo exceto salvaguardar a “credibilidade” dos que fazem o bombardeio. É difícil imaginar um sinal mais claro de um império fraco e decadente do que sua “credibilidade” depender de bombardear periodicamente outros países.” ~Glenn Greenwald (traduzido do artigo Obama, Congress and Syria, publicado no The Guardian de 1o de Setembro de 2013)

A Idade das Trevas é uma periodização histórica utilizada para a Idade Média, que enfatiza a deterioração cultural e econômica que ocorreu na Europa Ocidental após a queda do Império Romano. O rótulo tradicional emprega imagens de luz versus escuridão por contraste da “escuridão” do período com períodos anteriores e posteriores de “luz”.  O termo “Idade das Trevas” em si deriva do latim saeculum obscurum. (traduzido da Wikipédia, sob o titulo Dark Ages)

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Emoções – Expressões

Quantas expressões faciais você já deu hoje?

Dá pra contar? Provavelmente foram muitas. Fazemos expressões a todo instante e com bem mais frequência do que imaginamos, pois é algo automático.

Mas alguns pesquisadores tinham dúvidas sobre elas, e Paul Ekman foi um dos primeiros pesquisadores e ir visitar tribos que tiveram nenhum ou pouquíssimo contato com a sociedade para descobrir se nossas expressões são universais.

“Como assim?” – Você deve estar se perguntando.

Uma pessoa quando ri vai ter sempre a mesma expressão com um sorriso e bochechas pra cima? Uma pessoa com raiva sempre comprimirá os lábios, irá comprimir a sobrancelha e arregalar os olhos?

Todos teriam as mesmas expressões em todo o mundo ou as expressões seriam uma bagagem cultural que nós temos levado conosco desde a muito tempo atrás?

Perguntas importantíssimas que Paul Ekman e outros procuraram achar suas respostas.

A Carta Roubada –  Edgar Allan Poe

“Quando desejo descobrir quão sábia ou quão estúpida ou quão boa ou quão má é uma pessoa, ou quais são seus pensamentos no momento, amoldo a expressão da minha face tão perfeitamente quanto possível, de acordo com a expressão dessa outra pessoa, e, em seguida, espero pra ver quais pensamentos ou sentimentos resultam em minha mente ou coração, como se para combinar ou corresponder com a expressão.”

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Mais do que simples imagem de nós mesmos

Estava passando pelo corredor de meu apartamento e levei um baita susto, olhei de lado, para o espelho no fundo do corredor, e vi uma sombra. Pela posição, a sombra parecia ser de alguém vindo do quarto, mas na verdade era somente minha sombra, que no jogo de posições do espelho ganhou, por um momento, vida própria.

 É incrível a vivacidade psicológica que nossa imagem especular e nossa sombra possuem. Quando somos bebês, vêmo-nos no espelho quase que como os animais: a imagem parece ser outra pessoa. Entretanto, há uma enorme diferença entre o bebê e o animal, pois este se sente muito feliz ao brincar com sua imagem no espelho. Esta lhe desperta grande interesse, ele ri, toca a imagem com a mão, e com o tempo tenta buscar a pessoa que está ali atrás.
Psicologicamente, dizemos que a criança está no estádio do espelho. Ele está aprendendo que possui um corpo completo, que pode ser visto pelo outro. Ao mesmo tempo que aprende a ser ver completo, ele vai entendendo que existem outras pessoas, diferente dela, e que podem ver seu corpo de uma posição diferente da sua.
Aos poucos, adquirimos um saber que se torna racional, de que a imagem é uma ilusão, e que só existe na superfície do espelho.
Só que nunca nos tornamos totalmente racionais, felizmente. Nossa imagem e nossa sombra carregam um imaginário e um sentimento forte, são quase independentes, são quase um parte de nós fora de nós mesmos. Isso é mostrado pelas diversas fábulas e fantasias de um mundo dentro do espelho, as imagens de terror de nossa imagem se movendo sozinha, etc.
Ver a si mesmo no espelho significa, na filosofia de Merleau-Ponty, que temos um sentimento de união com o mundo profunda. Só nos completamos no mundo, e esse circuito nunca termina.

O que é a vida? – parte 2

Desculpem a demora, mas vamos continuar a falar sobre o que é a vida, segundo o livro do Capra. Segundo ele, para haver vida deve haver três critérios fundamentais:

  • Padrão de organização: Mais do que os materiais que a compõe, o que importa é o padrão de organização dos elementos. Pensem por exemplo em uma cadeira. Ela pode ser feita de vários materiais, e pode ter design diferentes, mas ainda possui um certo padrão comum. O padrão de organização da vida é chamado de autopoiese. a palavra poiese significa criação. Ou seja, os processos que definem a vida são processos de auto-criação. Esse padrão se dá em rede, ou seja, cada componente participa da criação dos outros. a rede de processos celulares, por exemplo, atua na produção de substâncias que vão colaborar para a continuidade dos processos vitais da própria célula;
  • Estrutura: O sistema vivo é composto pelo que se chama estruturas dissipativas. Elas são baseadas na sintropia, a teoria de Prigogine, tal como discutimos no post anterior (para ver, clique aqui). Tais estruturas são fluidas, mais ou menos constantes, e dependem de um constante fluxo de matéria e energia para se manterem. Já ouviram falar que cada célula se reconstrói constantemente, e que renovamos parte dos materiais que compõe nosso corpo? Com o tempo ingerimos água e nutrientes, e eliminamos o que não é mais necessário, as células renovam suas substâncias. é como se cada dia fossemos uma pessoa diferente, mas nossa estrutura se mantém mais ou menos constante.
  • Processo vital: Capra reconhece junto com os teóricos que aborda que a vida, enquanto sistema dinâmico, e um processo de cognição, ou seja, de conhecimento. A cognição e a incorporação de um padrão autopoiético em uma estrutura dissipativa.

Creio que o sentido do que eu disse acima ficou meio complicado. Vamos dar um exemplo. Pegue várias fotos antigas de você, desde bebê até agora. coloque-as em ordem cronológica. Você é um organismo vivo, cresceu muito com o tempo. Mas se olhar bem, notará a permanência de algum padrão. O rosto, por exemplo. Se se lembrar de seu comportamento, vera que mantém alguns trejeitos desde a infância. Como isso acontece? Com o tempo, as moléculas que compunham seu corpo mudaram,e mesmo a organização dele mudou. As mudanças não são totalmente aleatórias, elas seguem um padrão, que não está totalmente pronto desde o início, mas um padrão que se recria com o tempo. É assim também que conhecemos as coisas. Vocês, por exemplo, poderiam ter chegado a esse texto procurando exatamente tais teorias, mas pode ter chegado aqui através de uma série de “acidentes”. Você poderia estar à toa no Facebook, visto algum comentário sobre a postagem e resolvido entrar. Mas isso não e totalmente aleatório, pois esse assunto talvez faça parte dos seus interesses. Você logo se sentiu atraído pelo tema.

Ou seja, há um padrão cognitivo, uma rede de informações que se recria e que a cada momento. Para Capra, baseando-se de cientistas como Maturana e Bateson, a vida é o próprio processo de cognição. Cognição é o processo de conhecimento. Conhecer não é apenas ver um mundo, mas criá-lo. Por exemplo, parem um momento de ler esse texto, olhem em volta e fixem seu olhar em um determinado objeto. Qual é seu tamanho? Você pode comparar as medidas usando uma escala universal, como o metro, ou medi-la comparando com outro objeto, ou com alguma parte de seu corpo, medindo em palmos, por exemplo. O objeto pode ser conhecido, e ter uma função comum (usado para escrever – caneta, para se tomar líquido – um copo, o que quer que seja). quanto mais olhamos para o objeto, vemos que nunca teremos uma visão pura deste, mas que  a percepção dele depende também de nosso corpo, da forma como somos compostos enquanto seres vivos. Temos boa acuidade visual, então nossa percepção desse objeto acaba sendo basicamente visual. a sensação de peso, as cores, a temperatura, tudo, todas as sensações não são objetivas, elas dão mais que o objeto para nós, elas dão também uma noção de como somos. Ou seja, em parte, criamos o objeto. É assim que acontece também no reino animal.

Os filósofos citam como exemplar dessa questão da construção do mundo pelo ser vivo o carrapato. Ele possui órgãos sensoriais para somente três coisas: a variação de luz, a temperatura e o odor do animal. Ele recria um mundo único para sua espécie a partir dessas três sensações. Nada fora disso o afeta (claro que podemos pegá-lo e espremê-lo entre os dedos, mas esse fato não conta diretamente em seu mundo, não existe para seu mundo). ser vivo é cognição, ou seja, nas palavras de Capra, “autogeração e autoperpetuação de redes autopoiéticas”.

Um exemplo: a célula absorve nutrientes e expele toxinas, cria e recria substâncias que lhe são necessárias, readapta-se quando sobre danos, regenera-se quando o dano não é grave, se duplica, e tem certo poder de adaptação a mudanças ambientais. Está ai o que Capra quis dizer nesse trecho.

Compreender a vida dessa maneira é mudar totalmente o paradigma pelo qual compreendemos nossa forma de viver. Somos seres vivos, e estamos, juntos com os outros animais e plantas, conectados a uma gigante rede autopoiética, Gaia. a hipótese Gaia sugere que todos os seres vivos do planeta compõem um ser maior, e que as redes de relações entre todos são responsáveis pela manutenção da vida em todo o planeta. Logo, se Gaia é um Imenso organismo, e o homem poderia ser considerado um tipo de célula inserida nesse processo, só podemos chegar a conclusão de que Gaia está com câncer, e que este somo nós. Crescemos desordenadamente e absorvemos recursos de forma descontrolada, desequilibrando tudo. que essas novas concepções possam servir de aviso a todos, pois assim podemos nos enxergar como parte de todo um conjunto  interdependente entre si.

 

Corpo, Mente e Experiência mística – parte 3

EAGLE VISION, Susan Seddon-Boulet

Se a união com o todo é impossível de ser experimentada em sua plenitude, ela não está totalmente perdida, se seguirmos o modelo de pensamento que segui nos posts anteriores (parte 1 e parte 2). Vejam bem:

 – Se o indivíduo é um “dentro”, que é uma dobra do “fora”, então ele não está desligado do fora, mas é uma estrutura desse. De certa forma, estamos todos conectados, sempre. Mas quanto mais nos concentramos nas estruturas de nossa individualidade, quanto mais nossa cultura a valoriza e discrimina as diferenças, mais deixamos de sentir essa ligação original, e assim não temos acesso a essa sensação de união.

 – O sentimento oceânico é real, relatado por muitos místicos e pessoas com uso de alucinógenos. Um ramo da psicologia, a Transpessoal, mostra esse “além da pessoa”, já fez pesquisas com LSD e a sensação de sentimento oceânico que ela proporciona. Entretanto, ele só é sentido em estados de alteração da consciência. A consciência alterada é, de certa forma, um modo de se abrir a dobra, olhar para fora sem as estruturas mentais que controlam nossa percepção, e ver essa união. Mas a experiência só pode adquirir sentido depois, quando ela acaba, pela consciência. Ou seja, ela é realmente sentida depois que termina, que saímos dessa união. Enquanto estamos mentalmente unidos com o todo, não existimos enquanto pessoa, então é como se estivéssemos mortos, temporariamente.

Espero que esse post tenha intrigado vocês, a se pensarem que ALMA E CORPO NÃO SÃO TÃO DISTANTES UM DO OUTRO, e que o mundo chamado de místico pode estar mais perto de você do que parece…

Corpo, Mente e Experiência mística – parte 2

JOURNEY HOME (PSYCHE), Susan Seddon-Boulet

2 – O universo psíquico e a experiência mística

No post anterior (ver aqui), vimos que a física e a química, funciona por causa e efeito, mas a biologia tem normas mais flexíveis. O que isso tem a ver com a psicologia? Voltando a Freud, ele compara nossa mente àquele organismo vivo. Quando percebemos ou sentimos algo, tentamos dar um sentido para isso. Essa energia psíquica é então ligada e controlada. Se ela for muito intensa, a mente vai tentar ou se desfazer dela (fingir que algo ruim não aconteceu), reprimir (daí esquecemos, mas na verdade aquela lembrança fica dentro de nós e volta de outra forma, distorcida, em sonhos por exemplo), entre outras formas de dar controle a ela. Mas, se ele recebe uma energia muito forte, um estímulo muito doloroso, a dor é tanta que rompe essa camada protetora. Se uma bala atinge nossa pele, sua força é tanta que ela entra e rasga, se um acontecimento doloroso é muito forte, ele não pode ser controlado pela mente.

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Corpo, Mente e Experiência mística – parte 1

ATHENA, Susan Seddon-Boulet

Desculpem, mas peço que vocês me deixe viajar um pouco em algumas meditações que eu estou fazendo. O que quero aqui é buscar, na biologia e na psicologia, o fundamento da experiência mística, que geralmente colocamos em nosso espírito, em algo que é diferente do corpo. A experiência que falo é a do sentimento oceânico, ou a sensação de união espiritual com algo maior. Muitos místicos preconizam que se pode acessar essa conexão com as coisas, com Deus ou o Universo. Não quero desmerecer ninguém, nem explicar porque essa experiência acontece, mas dar uma visão de como nosso corpo e nosso psiquismo tem relação com esse sentimento.

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O Homem Bicentenário – O que é o Ser humano?

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Estou neste momento assistindo mais uma vez a esse filme que sempre me faz pensar, “O Homem Bicentenário”, baseado na obra de Isaac Asimov. Esse filme é um profundo questionamento sobre o que nos torna humanos, desde a biologia até a psicologia, a filosofia e a ética. Refinando a trama do filme, que conta a história de um robô defeituoso, que misteriosamente nasceu com propriedades comportamentais próximas do humano, como a criatividade. Ele tem um ótimo senso artístico e cria relógios de pêndulo, com formas magníficas. Aos poucos ele revela outro potencial humano: o da interrogação sobre si mesmo. Não chamaria isso de consciência, mas se equivale a ela. Os humanos tem esse potêncial de reconhecer a si mesmos, e a comparar-se com os outros. Mais que isso, tem o potencial de questionar sobre si, suas origens e sobre o que o faz ser o que é.

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