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Qual a real diferença?

 Olá Leitores deste blog. Sei que meus últimos posts mostravam algumas de minhas especulações teóricas próprias. Creio que esse não vai ser diferente, e peço desculpas, já que especulações não são teorias fundamentadas, mas acredito que elas podem nos fazer pensar, por isso continuo nessa onda.

O capitalismo é um regime que se mantém pelo desequilíbrio. Não mantém um nível de produção equivalente com a capacidade de consumo, mas aprendeu muito bem a criar desejos, a fazer com que as pessoas busquem consumir cada vez mais, aumentando assim sua produção, seus investimentos e consequentemente seu lucro. Quando pensávamos que o capitalismo ia consumir desenfreadamente nossos recursos naturais, vemos surgir uma nova forma de lucrar, sob o nome do “sustentável”. Já deixo claro aqui que esse “sustentável” que vemos nos produtos vendidos e nas sacolas plásticas reutilizáveis nada tem de sustentabilidade, pois a lógica da produtividade constantemente em alta ainda é válida. Entretanto, não podemos pensar que o sistema capitalista seja tão ingênuo de deixar que os recursos naturais se acabem, já que é o que ele explora para se mantém dominante.

Bom, mas não é de sustentabilidade que quero falar aqui. Quero falar sobre uma nova consequência do capitalismo, que é a escassez de novidades. O capitalismo precisa criar cada vez mais novos campos de exploração. É como a extração de petróleo. Para dar conta do aumento de número de carros nas ruas, tem que ser encontradas novas formas de exploração de petróleo. Entretanto, cada vez mais esses poços vão se acabando, o que coloca a economia em crise. Entretanto, o que está acabando não são as fontes naturais (claro que elas estão diminuindo, mas como eu disse não é disso que irei falar), mas o que está escasso é a novidade, são as novas idéias para se vender.

 Claro que há produtos muito frutíferos, como os eletroeletrônicos. Mas em outras áreas não há mais grandes novidades que façam que determinado produto seja melhor do que o da concorrência. Vou citar dois exemplos aqui:

  – Higienizador de vaso sanitário: As propagandas desses produtos visam mostrar determinado problema com a concorrência, para deixar claro porque o seu produto é melhor. Esses higienizadores só tem uma função – manter o vaso sanitário limpo e com um bom cheiro. Pronto, é só isso. Mas as propagandas, sem ter o que oferecer de diferente, inventam especialidades imaginárias, que pouco ou em nada alteram a funcionalidade do produto em relação à concorrência. Por exemplo, produtos que não necessitam de “cestinha”, então o cliente não tem o trabalho desagradável de pegar em algo sujo (luvas sempre cumpriram bem essa função…). Produtos maiores, ou com algum poder anti-bactericida diferente (como se sempre fosse necessário um bactericida melhor – o que acaba por acelerar a mutação das bactérias e torná-las mais resistentes…).

  – Escova de dentes: Esse outro produto é campeão de novidades inúteis. Se você conversar com qualquer dentista sério, não financiado por nenhuma companhia de produtos dentários, vai dizer que o necessário para a higiene bucal é uma escova não muito velha, fio dental e enxaguante bucal. Não há necessidade de limpadores de língua (já que você pode muito bem esfregá-la com as cerdas da escova), nem de qualquer tipo de cerda em uma posição diferente. Escovando diariamente seus dentes você já está protegido contra as cáries.

Podemos aqui levantar muitos mais produtos que precisam inventar novidades e benefícios, que examinados de perto só aumentam o custo desse produto, com um benefício imaginário. Há, é claro, outros benefícios aí incluídos: um produto social, ou seja, aquilo que muitos chamam de “diferenciado”, produto que se destaca dos outros por pertencer a uma classe social mais alta, são os signos de classe. São as marcas, as etiquetas de grife, e o mercado de atribuir valor social a objetos que em si cumpririam muito bem seus valores… Indico aqui, a quem se interessar, a leitura de Jean Baudrillard, sociólogo francês que estou de perto como os objetos são valorizados dentro de nossa cultura.

PS: desculpem meu sumiço, estou amanhã defendendo minha dissertação de mestrado, mas logo retomarei posts com mais frequencia!