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“- Gente estou aqui porquê estou desempregado e me vejo nessa situação de estar aqui pedindo algo pra vocês, pois tenho filhos doentes e não consigo comprar um saco de arroz pra minha família, quero ver se consigo pelo menos 10 reais até as 6 horas para eu conseguir comprar algum alimento”

Esse tipo de frase chega a ser um hino ouvido a cada vez que se pega um trem ou um ônibus em São Paulo,  a comoção das palavras e a sinceridade explicíta muitas vezes alcança as pessoas, mas muitas apenas encontra o olhar de canto já calejado de pessoas que suplicam por ajuda em cidades grandes.

É como um mosaico da Metrópole e várias pedaços são essas pessoas.

O que acho muito interessante e triste ao mesmo tempo, é a jornada de desprendimento do orgulho, como um ser humano que valoriza o status e começar a pensar e agir de uma maneira/fonte de causa triste, o amor por seus entes queridos, claro, não preciso nem falar que a maioria das vezes  o exilamento do seu orgulho é causado por um amor irracional de família ou mesmo um peso de responsabilidade muito grande implantado na pessoa.

Mas quero tentar detalhar um pouco essa jornada que acho muito heróica, pois é o auto-sacríficio altruísta em busca do bem de mais pessoas, e isso pra quem não passou por provas de auto-superação não sabe o quão difícil pode ser se expor a olhares de escárnio, para muitas pessoas são como se cada olhar fosse um facada de tão humilhante que pode ser para essa pessoa, e devo ressaltar que não é o herói que escolhe a jornada e sim a jornada que muitas vezes cai sobre o herói, portanto muitas das pessoas não estão nenhum pouco preparadas para tal radicalização de seu modo de viver e de encarar as suas necessidades com relação ao seu ego.

Muitas pessoas podem pensar que nós causamos nossa realidade e portanto quem se encontra nessa situação “fez por merecer” tudo isso, mas com certeza essa é uma certeza muito forte para qualquer um ter, o melhor seria nos manter na dúvida e aceitar como possibilidade que muitas vezes coisas acontecem, e o fato de ser ruim ou bom depende da pessoa interpretar, muitas vezes depois de uma fase de caos em nossas vidas não nos imaginamos não passando por aquilo, pois nos ajudou/melhorou de tal maneira que seria melhor que tivesse acontecido esse “algo ruim” que nos possibilitou tirar coisas boas e nos fortalecer.

Para deixar o orgulho de lado é preciso dar um salto, dar um movimento em que haverá uma mudança drástica no modo de agir/pensar, salto esse que poucas pessoas dão, que seria uma atitude determinada de mudança quando se vê algo errado acontecendo, atitude essa heróica que poucos temos consciência que podemos ter e muito menos os que as tem.

Se não me engano a jordana do herói é composta pelas seguintes fases: o problema é apresentado, há a negação do herói do problema, em seguida ele se vê impossibilitado de escapar da busca pela solução, passa pela prova, e o auto-sacrifício finaliza a jornada ou um ato de igual valor. Infelizmente muitas vezes ficam presas em um desses estágios, pois não conseguem pensar em modos de superá-los adequadamente.

O que quero dizer e tentar proporcionar aqui é nova visão sobre esse tipo de pessoa, não com um olhar de dó e pena e sim com o olhar de alguém que sabe que todos passamos por provas, sendo elas por consequências nossas mesmas ou não.

Um novo olhar para tudo é urgente.