A Peste Emocional

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Esse texto, com a autoria de Elisabeth Cavalcante, foi-me enviado por e-mail, sem fontes. Como é um texto interessante, com uma temática muito importante para o site, decidimos postá-lo aqui para que todos tenham acesso às contribuições proporcionadas por Reich, um dissidente da psicanálise que deu atenção ao corpo e suas energias na constituição de nossas vidas.
A peste Emocional
A maior contribuição que Wilhelm Reich, – um dos gênios que a existência enviou a este planeta – deu à humanidade, foi a forma brilhante com que ele definiu as raízes da insanidade humana, a qual chamou de “a peste emocional”.

Para Reich, ela é o resultado da maneira como, ao longo da história, o ser humano foi se afastando cada vez mais de sua verdadeira natureza, livre, inocente, espontânea. E um dos motivos que mais contribuiu para isto foi a repressão da sexualidade, que passou a ser condenada e vista como algo pecaminoso.

As emoções e impulsos naturais do corpo se reprimidos, acabam por se manifestar como violência, ambição, busca de poder sobre o outro, enfim, pela mais diversas manifestações de inconsciência.

Em seu livro “O Assassinato de Cristo”, Reich faz um paralelo entre a perseguição a Jesus, – um ser que era a expressão plena do divino,- e o que acontece cotidianamente com todos os seres humanos, que têm a sua consciência crística reprimida desde muito cedo.Fazer o caminho de volta e resgatar o divino em nós, libertando-nos do jugo daqueles que ainda vivem sob o domínio da peste emocional, é a única maneira de construímos uma nova humanidade e consolidarmos ainda mais as mudanças que já se encontram em andamento no planeta.” Muitas pessoas que estão em um estado mental extremamente confuso começam a ajudar outras e começam a propor soluções. Estas pessoas têm criado mais problemas do que os tem resolvido. Elas ainda não resolveram sua própria consciência interna e se acham prontas para se deparar com todo mundo e para resolver os problemas das outras pessoas.Na verdade, desta maneira estão evitando a sua própria realidade; não querem enfrentá-la. Querem permanecer engajadas em algum outro lugar, com outras pessoas – isto lhes proporciona uma boa ocupação, uma boa distração.Sim, há problemas, eu concordo. Há grandes problemas. O mundo é um inferno. Na vida encontramos a infelicidade, a pobreza, a violência, todos os tipos de loucuras – isso é verdade – mas, ainda assim, eu insisto que o problema está na alma do indivíduo.

O problema existe porque os indivíduos estão vivendo um caos internamente. O caos total não é nada além de um fenômeno combinado: todos nós derramamos o nosso caos nele.

O mundo não é nada além de um relacionamento; estamos conectados um com o outro. Se eu sou um neurótico e você é um neurótico, então o relacionamento será ainda mais neurótico – a neurose será multiplicada, não apenas duplicada. E todo mundo é neurótico; por isso o mundo é neurótico. Adolf Hitler não surgiu de repente – nós o criamos. O Vietnã não surgiu de repente – nós o criamos. É o nosso pus que supura; é o nosso caos que custa caro.

O início tem de estar com você: você é o “problema do mundo”. Portanto, não evite a realidade do seu mundo interior – essa é a primeira coisa.

Você é o problema, e a menos que você seja resolvido, qualquer coisa que faça irá tornar as coisas mais complicadas. Primeiro coloque sua casa em ordem – crie um cosmos lá.( j. )

Como você está, quando está interessado nos problemas da humanidade, está interessado nos sintomas. Você pode não concordar, porque não consegue enxergar a raiz, você só enxerga o sintoma. Um Buda está interessado – mas ele sabe onde está a raiz, e se esforça muito para mudar essa raiz.

A pobreza não é a raiz, a raiz é a ambição. A pobreza é o resultado. Você continua lutando contra a pobreza e nada vai acontecer. A raiz é a ambição; a ambição tem de ser extirpada.

A guerra não é o problema; o problema é a agressividade individual – a guerra é apenas a acumulação da agressividade individual. Você continua participando de passeatas de protesto, e a guerra não vai ser detida. Isso não faz nenhuma diferença – suas passeatas de protesto, tudo isso.

O problema não é a guerra. O problema é a agressão que está dentro dos indivíduos. As pessoas não estão em paz consigo mesmas, por isso a guerra tem de existir. do contrário, essas pessoas vão enlouquecer.

A cada década, uma grande guerra é necessária para descarregar a humanidade de suas neuroses. O problema não é a guerra; o problema é a neurose individual.

Aqueles que se tornaram iluminados buscam as causas profundas das coisas. Buda, Cristo, Khrisna, eles examinaram as raízes e tentaram lhe dizer: Mude a raiz – é necessária uma transformação radical; as reformas comuns não vão funcionar.

Mas você pode não entender… você não pode ver a relação, não percebe como a meditação está relacionada com a guerra.

O meu entendimento é o seguinte: se pelo menos um por cento da humanidade se tornar meditativo, as guerras vão desaparecer. E não há outra maneira de pôr fim às guerras. Esse tanto de energia meditativa tem de ser liberado.

Se um por cento da humanidade – isso significa uma entre cem pessoas – se tornar meditativa, as coisas terão de ser totalmente diferentes. A ambição será menor e, naturalmente, a pobreza será menor. A pobreza não está aí porque as coisas são escassas; a pobreza está aí porque as pessoas estão acumulando, porque as pessoas são ambiciosas.

Viver o momento, viver no presente, viver amorosamente, viver em amizade, cuidar… e o mundo será totalmente diferente. O indivíduo tem de mudar, porque o mundo não é nada além de um fenômeno projetado da alma individual”.


3 Comments

  1. Esse texto representa muita coisa do que eu penso, fico feliz de saber que existem pessoas com tamanha clareza de pensamento.

    valeu victor pela dica.

  2. Utopia,
    Não eh porque tenho que cuidar dos meus conflitos emocionais, que vou deixar de ajudar as pessoas que precisam, isso fortaleceria a ‘peste emocional’ nas pessoas desfavorecidas.

    • Boa tarde Rodrigo,

      O que acho que a autora gostaria de apresentar, se baseando em Reich, não é que temos primeiro que cuidar de nossos conflitos pessoais para depois ajudarmos aos outros, mas ela quer dizer que é necessário cuidar também da forma como lidamos com nosso caos interno. Se apenas ajudarmos aos outros, sem levar em conta o que vivemos por dentro, tal ajuda não teria tanto efeito benéfico. Tal como alguém que ajuda os outros somente por status, e não por se sentir bem em ajudar. Claro que toda ajuda tem um fundo egoísta, mas se só ajudamos para aparecer, essa ajuda não mudará o mundo. ´
      E necessário que comecemos por dentro, mas sem nos descuidarmos de fora.

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