A epistemologia do armário – Eve Sedgwick

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Estou postando aqui um artigo muito interessante, de Eve Sedgwick (leia aqui), sobre o que ela chama de “epistemologia do armário”. Essa ideia é muito comum em nossa sociedade, para compreender quem são os LGBTT (Lésibcas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros). Esse assunto pode parecer meio diferente do que é proposto aqui no site, mas temos que nos alertar para todas as formas de dominação às quais somos submetidos. Como alerta Foucault, o discurso sobre a sexualidade é um dos meios de subjetivação aos quais estamos submetidos. Em todo lugar se fala disso, e cada vez mais a questão da homossexualidade ganha espaço nas mídias de massa. Assim, temos que ter cuidado, pois podemos parecer ser revolucionários, dizermos por aí que não temos nenhum preconceito, mas muitas vezes estamos somente reproduzindo um discurso tão prejudicial quanto a homofobia.

A epistemologia do armário refere-se à crença que temos de que gays e lésbicas possuem essa opção sexual desde que nascem, e que são reprimidos até que se “aceitem” e se revelem à sociedade, podendo assim “sair do armário”. Ora, quando pensamos assim, estamos dizendo que toda a vida sexual do gay ou lésbica foi uma mentira até que ele ou ela se assumam perante a sociedade. É também acreditar que o homossexual só pode ter uma vida sexual homossexual, e que o héterossexual só pode ter relações heterossexuais.

Desde quando assumir-se gay é condição para que se tenha uma vida sexual plena? Os gays precisam ficar por aí dizendo “oi todo mundo, eu sou gay!“? Muitos preferem manter um duplo papel, manter uma vida sexual secreta. Outros se casaram com pessoas do sexo oposto, tiveram filhos, mas depois dos 40 anos passam a ter outros desejos. Alguns (ou muitos) heterossexuais já tiveram na infância ou na adolescência alguma experiência sexual com uma pessoa do mesmo sexo, como homossexuais tiveram experiências com pessoas do sexo oposto. Toda experiência sexual é valida, se as pessoas envolvidas querem e sentem-se bem com elas.

Muitos acham que a condição de vida do homossexual só melhora após ele “se assumir”. Com isso, as pessoas estão confundindo o sentimento de “estar bem consigo mesmo” com o “ser publicamente o que você é”, ou seja, é a ideia de que somente sou feliz quando expresso aos outros o que sou. Vivemos uma sociedade da exposição do privado, e qualquer pessoa que busque ser mais reservado é tido como alguém que “tem algo a esconder”, e marca o privado como algo do pecado, do errado, do imoral e ilegal. Só é permitido aquilo que posso compartilhar no Facebook? Não há vida real dentro do armário, longe das vistas dos outros?

Interessante que no Filme “As crônicas de Nárnia” escolha-se um armário como portal para um outro mundo, um mundo fantástico. Mas é isso mesmo que as pessoas fazem quando vê alguém “vivendo dentro do armário”, mantendo parte de sua vida oculta dos outros, imaginam que essa pessoa seja de outro mundo, e que sua vida seja muito diferente do que ela faz.  A Sexualidade fala do corpo, da intimidade, da forma como cada um vive seu prazer e seus desejos. Atualmente confiamos nossas vidas à sexólogos de revista, que  dizem o que é certo e o que é errado, verdadeiros juízes de nossa vida sexual. Espero que leiam o artigo e possam comentar suas opiniões sobre esse tema tão polêmico.

1 Comment

  1. amei! Realmente, é impressionante como se não está postado em alguma rede social, não valeu a pena, não foi tão bom assim, é preciso provar a todo tempo como quem estou, o que estou fazendo, do contrário não faço parte do “grupo”.

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