O poder da coincidência

O ser humano deu significado a tudo que não entendia, sua compreensão do mundo era baseado nas lacunas que sua imaginação teve que preencher.

A estações, colheitas, eventos astronômicos, morte, vida e todas as grandes questões foram pensadas por nossos antepassados que ainda não tinham as respostas, e ainda não temos, para muitas dessas questões.

O universo é feito das consequências de eventos passados, esses eventos se iniciaram no Big Bang ou ainda antes disso, tudo de forma lento e buscando um equilíbrio.

Nas vidas humanas temos diferentes acontecimentos que buscamos significado neles, como se eles tivessem sido programados por alguém,  como no espiritismo ou na ideia de karma, a ideia de presságio ou de eventos que irão nos guiar está na nossa história há muito tempo, e esse entendimento da dinâmica do universo cria um outro entendimento: O de que as coisas acontecem para gente, ou que não acontecem para gente.

E essa visão vai inspirar nossas ações, como por exemplo, alguém que nasceu em família rica, não vai entender ou vai ter grande dificuldade de entender as peculiaridades de alguém que nasceu numa família pobre, as questões de racismo e etc.

Uma pessoa que passou nas 3 entrevistas de emprego que fez pode acreditar que é fácil arranjar emprego, e que não entende o desemprego a não ser por existir pessoas preguiçosas.

Um discurso violento que causa falta de empatia e consciência de classe, por apenas ter dado significado a alguns eventos de sua vida.

Outras pessoas acreditam em um Deus por ter acontecido algo específico em suas vidas que fosse raro ou difícil de acontecer, como ser curado de uma doença.

Antigamente o nascer do sol tinha um motivo divino, para os romanos era Apolo andando com a sua carruagem  e isso determinou a visão de milhões de pessoas sobre como entendiam o mundo.

Passamos como damos significado para as pessoas ao nosso redor, e isso irá determinar como elas agem no mundo, e como tratam o próximo.

Ainda não há na humanidade uma linha de como entender o universo, a ciência vem perdendo força com governos de extrema direita e isso afasta para o realmente entendimento da realidade.

O dever da morte e dos que ficaram

O que se deve fazer?

A morte para muitos é um tema distante, ficcional até, só existe nas telas e nas notícias, mas quando ela se torna presente na maioria das vezes é instantâneo, e apesar de ser meteórico ele não faz barulho, muito pelo contrário, sua presença traz o silêncio.

Após a ausência de som, assim como a calmaria antes da tempestade, vem o caos, a falta de ordem, um choro e sofrimento que nos pega além da forma racional, é um som que nos alerta, desorganizado, fora do tom, o som do muito, do demasiado, uma represa abrindo as comportas de tanto sofrimento que esse momento acumulou e tudo o que a ausência do ente representa.

E como disse, a ausência nos desconcerta, cria um vácuo, e ninguém sabe como preencher, pouca gente sentiu a gravidade forte desse buraco negro, não se sabe o que há lá, e nada o escapa.

A morte é assim.

E para ela não há remédio, pelo menos até agora, apesar de procurarmos ele desde que adquirimos consciência.

Mas há remédio para o buraco negro, não que seja possível evitá-lo, mas com certeza é possível evitar mais sofrimento criado por ele.

A morte é algo que é sentido de várias formas, e todas diferentes, envolve relações, tempo e significado.

Mas quando ela acontece é preciso estar lá, por você, pelo outro, não é preciso dizer nada, até porque ninguém está escutando direito, é preciso estar presente, apesar de sua inconveniência, pois ela não escolhe hora para acontecer, não esperava as você terminar a jornada de trabalho.

A morte não avisa, ela é como uma visita indesejada, mas que nunca mais vai embora, deixa seu rastro, e quem sofre vai determinar se esse rastro vai fazer doer mais que o necessário, pois não existe morte não doída, existe morte não sentida agora, mas sua presença será percebida.

E a presença de amigos traz um conforto, não para o morto, é claro, mas para quem sofre, quem se importa, quem está perto do evento do horizonte desse buraco negro, e isso, é importante, você direciona os olhos dessas pessoas para todo o universo, as estrelas que o falecido tocou, em vez do abismo que uma ausência criou.

Hipnotizante escuridão.

Por isso fale tudo que precisar, não há tempo como o agora para expressar o que é preciso.

Não pude confortar do jeito que gostaria algumas ausências da minha vida, mas talvez seja assim para todos, mesmo pensando estar fazendo o bem, não temos a perspectiva de quem mais sente a escuridão.

Ter uma boa vida com a pessoa nos garante uma tranquilidade, uma sensação de existência completa, e de que fizemos tudo o que era necessário, o que podia ser feito.

Garante uma recuperação rápida também, e a lembrança de bons momentos em vez de arrependimentos.

A morte não é culpa de ninguém, não há justiça divina e nem porquê dela acontecer.

Tudo é passageiro na vida até ela própria.

Damos significado a esse sopro e a sua inexistência, assim nos impulsionamos , e como o vento não tem controle de onde vai apenas aceita seu movimento e perpetua a ideia de que tudo continua e vai continuar apesar de tudo.

A ideia de inexistência surgiu e é dever dos que ficam relembrar que existe um grupo em que os que sofrem fazem parte e o que deixou de existir deixou sua marca, ela ainda vive e é nosso dever continuar o movimento que um dia ela criou.

O covarde só se revela quando exigido coragem

Esse texto é sobre todos os seres vivos que sentem medo.

Por vivermos em uma sociedade estável muitas vezes não sentimos o medo como ele é de verdade. Estamos acostumados a aquele medo tímido sempre presente, que questiona nosso futuro e nossas decisões, nada entre a vida e a morte, esse medo, inunda o nosso corpo de stress, nos tensiona para o abate como última forma de defesa. Claro, existem também condições psicológicas que simulam tamanho stress.

O medo é uma sensação biológica, evolutiva, tem sua função de avisar o corpo do perigo eminente e assim perpetuar nossos genes, que no final das contas é o objetivo da nossa existência biologicamente falando.

E muitas pessoas tem um grande desejo de sobrevivência dentro de si, claro, existe um elemento social também que pode potencializar o medo.

A falta de medo pode nos colocar em situações frágeis,  e delicadas, o medo nos alerta pelo o que está por vir, e isso é ótimo para nos sairmos bem de qualquer situação.

O medo na natureza serve como defesa, animais fingem de mortos, porcos espinhos se fecham, assim como as tartarugas e se protegem, gatos acionam um reflexo tão grande que pulam de forma desajeitada apenas para sair do mesmo local que estavam e assim continuar a jornada de sobrevivência.

Um dos personagens mais medrosos que apareceu nesses últimos anos é Arthurito, de La Casa de Papel, uma pessoa que abusa de seu poder, e visa apenas proteger o seu lado, essa atitude covarde visa garantir a sua sobrevivência e assim perpetuar seus genes futuramente. Pensa em abandonar a todos para sobreviver sozinho, e são inúmeras as vezes que isso teve sucesso no curso da história Humana.

Vamos dizer que é uma estratégia válida para sobreviver, não que eu concorde, ou que eu incentive, mas ela tem sua chance de dar certo caso todos estejam condenados.

Por isso a coragem é algo incrível, pois quando se tem coragem se tem medo, mas há movimento e impulso apesar do medo estar ali, o medo não o paralisa.

E estamos em constante medo, são tantas as pressões em nossas vidas, para dar certo na carreira, nos romances, nos projetos pessoais, família, autoestima e por aí vai.

Estamos sobrecarregados de medos.

Bene Brown, uma psicóloga que estuda a coragem e vulnerabilidade (tem vídeo no netflix) fala muito bem sobre como é preciso se deixar vulnerável para ter coragem, vocês acaba se expondo, não é atoa que em assaltos eles falam:  – Não banque o herói.

O herói fica sempre em perigo, quem tem coragem se expõe pelo bem dos outros, ele tem outra lógica, não é a mesma que a do covarde que pensa apenas em perpetuar seus genes, ficar vivo, ele pensa no grupo, sua preocupação está no meio social, nas pessoas que quer proteger.

Temos umas palavra até para o herói que morre nesse ato de coragem, o mártir.

Resta saber que tipo de pessoa você é, ou que tipo de pessoa você pretende ser.

Não há vergonha em ser covarde, é uma resposta natural do corpo, ter medo.

Mas, como o título desse post diz, é preciso o momento exato em que vai ser exigido que tipo de pessoa você é de verdade.

Não quer dizer que você não possa mudar.

Por que ir em eventos motivacionais?

Todo mundo quer dar uma guinada na vida, esperamos o momento certo que muitas vezes demora demais para chegar e acabamos nos desanimando com a vida, com as oportunidades, e aí surge um amigo seu que indica um evento motivacional, com mestres do coach, programação neurolingüística ou hipnose, todos tendo o seu foco específico para se destacar no mercado, e você aceita ir, afinal, o que pode piorar?

Mas realmente funciona?

Primeiro devemos entender o seu público.

As pessoas que buscam um evento ou curso desse gênero pelo o que pude observar em um ano é: pessoas depressivas ou frustradas com a vida, adultos acima dos 35 anos já bem de vida e carreira que tem um pé de meia bom para mudar de carreira e dar “propósito” em sua vida,  porém muitas vezes falham, pois gastaram anos da vida trabalhando e deixaram de ter experiências, são muitas vezes imaturos emocionalmente e não possuem bagagem cultural. Outro grupo é o de psicólogos que querem se reinventar usando técnicas não cientificamente comprovadas para se atualizarem. Existe também o grupo de pastores, pois esses líderes religiosos descobrem que os pastores famosos usam sugestão e oratória para terem mais sucesso e consequentemente ganharem mais.

E claro, há o falidos financeiramente também.

É um grupo variado, e posso dizer que buscam mudança, pois muitos estão fragilizados e querem o pulo do gato.

Pode parecer unilateral essa observação, mas foi exatamente isso que encontrei.

Lembra daquela frase do Arquivo X?

– Eu quero acreditar.

E essa frase é uma constante nesse universo, as pessoas na maioria das vezes não se questionam sobre a veracidade das técnicas, muitos já chegam idolatrando o professor, que muitas vezes sabe menos que o aluno.

E apesar disso devemos nos perguntar, funciona mesmo?

E tenho que dizer, sim e não.

Muitas vezes são operados “milagres” no palco, igual um culto evangélico mesmo, a pessoa acredita que foi curada, há uma comoção real, as pessoas sentem a mudança, o calor, igual evangélicos sentem o espírito santo.

O artifício áudio visual é usado a todo instante visando manipular a percepção do público, muitas vezes de forma efetiva, eles acham que descobriram uma mina de ouro, muitas vezes literalmente, pois realmente acham que vão ganhar dinheiro com isso.

E é nisso que os “profissionais” se apoiam, essa sensação de milagre, de mudança passa com o tempo e a pessoa sente um vazio, ou, muitas vezes , prevendo uma necessidade futura de mais sensações de mudanças eles caem no chamado Funil, a venda no final do evento de um curso muito caro.

A pessoa fragilizada está disposta a qualquer coisa para melhorar, para sentir-se viva de novo.

E ela vai comprar cada vez mais cursos, achando que assim se motivará, ou que mudará o rumo de sua vida, ou resolverá algum problema.

Confesso que existe uma porcentagem que sim, começa um nova fase da sua vida, a pessoa só precisava mudar seu humor, mentalidade para mudar sua rotina, e seu hábitos .

Mas a maioria das vezes se vende uma caixa vazia, e a pessoa compra outra caixa esperando ter algo, assim como na igreja evangélica acontece com as campanhas de fé.

Eu, eticamente não posso indicar a alguém ir em um evento desse, não acho que de longe é a melhor solução para a pessoa aflita, até porque o conhecimento dessas pessoas muitas vezes é muito raso, o que pode ser perigoso e se tornam vítima de um sistema de sequestro emocional que vai custar muito dinheiro a elas.

Eu já vi acontecer muita coisa ruim, e as próprias pessoas negam que aconteceu por vergonha ou pressão social.

Mas já vi coisas boas também, pude trabalhar com essas coisas boas algumas vezes, mas são raras, são mais emocionais. O problema delas como disse é que no evento você se sente no alto, voando, mas não há estrutura para te deixar lá, você acaba caindo de novo muitas vezes.

O melhor caminho para mudança é traçar um plano, mudar hábitos, procurar um terapeuta, e hackear o seu corpo com meditação, relaxamento, atividades físicas,

Tenha muito cuidado com gente que vende fórmula mágica.

Ela, infelizmente, não existe.

Uma nova visão de homem pode salvar o mundo.

Nossa sociedade cria pessoas para ficarem doentes, acho que isso todo mundo já está a par, mas por quê?

Se você não está agora, provavelmente já esteve ou vai ficar estatisticamente falando.

É muito difícil atingir um equilíbrio em nossas vidas, há muito o que  fazer, muita coisa pra pagar e pouco tempo para recuperar as energias.

São desejos implantados em nós toda nossa vida, vontades/necessidades essas que não buscam uma vida equilibrada, não pensaram nisso na sua criação, o que acontece é uma busca incansável por algo que muitas vezes não existe, ou é simplesmente impossível.

Na primeira palestra do curso de psicologia que participei um dos palestrantes mencionou estudar a psicologia positiva, que seria uma nova, mas na verdade esquecida visão do homem, ou melhor, de seu entendimento, ele focaria apenas em melhorar o indivíduo e não tratar a doença em si.

Depois de um tempo comecei a pensar que tipo de visão de homem deixaria a humanidade equilibrada, existem armadilhas que são óbvias para muitos, como por exemplo a busca do príncipe encantado, o corpo perfeito, uma vida materialista, mas mesmo assim, talvez pela falta de julgamento ou senso crítico, quase nunca trabalhada nas crianças, ainda temos uma grande porção da população que acredita nesse, vamos dizer assim, conto de fadas, nesse plano belo, porém irreal.

Na psicologia é chamado de Shouldism ou deverismo quando acreditamos no que deveríamos acreditar e não no que de fato nos satisfaz.

Acreditamos em muitas ilusões e muitas delas nos satisfazem por um tempo, mas a falta de enfrentamento e atrito com essas realidades nos causa angústia.

Vivemos em um mundo que nos adoece, que demanda tempo demais, esforço demais, e nos deixa em alerta o tempo inteiro, criando poucas oportunidades para sermos nós mesmos, de tirar todo o peso que colocam em nós e os que deixamos colocar também, até acrescentamos nós mesmos.

É peso demais.

 

Autoconhecimento é algo fundamental na vida de qualquer um, mas para isso é preciso pausar, desacelerar, olhar para dentro, mas hoje em dia trabalhamos mais para ganhar o mesmo que nossos pais, tudo ficou mais caro, principalmente no Brasil, e o custo da sobrevivência aumentou.

Quando se está encurralado você não pensar em resolver suas questões, há muitas preocupações, e o ciclo continua, e todos deixam a saúde mental de lado, o autoconhecimento e a satisfação de ser quem você gostaria de ser é deixado de lado e gradativamente esquecido.

Para o ser humano do futuro nascer, ou melhor, ser projetado, seria preciso criar uma sociedade, uma cultura em que a necessidade de se preocupar com a sobrevivência fosse vencida, e a partir daí outras questões e desafios entrariam na vida dessa pessoa, veja você, como é diferente a vida dos europeus e outros países de primeiro mundo, as prioridades são totalmente outras.

Viés otimista é o nome dado para quando imaginamos algo, um mundo, um homem, e tentamos construir essa ideia que não é realidade ainda e essa qualidade é encontrada em todos os líderes.

Essa mudança já começou, mas vai demorar bastante até alcançar metade da população, ela deve ser projeto, assim como os acordos ambientais, a humanidade deveria se juntar para criar o ser humano do futuro também, espalhando conhecimento e fórmulas que dão certo.

Talvez com a colonização de Marte e a Lua enxergaremos a noção de planeta, de raça humana, de que não dá pra colonizar Marte do jeito que fizemos na Terra. Temos que ser o melhor de nós lá e em tantas outros lugares que a humanidade ainda irá explorar.

Qual será a economia em Marte?

Na próxima década já está marcado que iremos para Marte, colonizar o planeta vermelha nomeado com o nome do Deus da Guerra, centenas ou milhares de pessoas irão ter o trabalho árduo de lentamente terraformar o planeta, podendo ficar apenas alguns anos por causa da radiação e gravidade muito menor que a Terra.

E como Philip k. Dick prevê em seus livros, e eu concordo, haverá de alguma maneira contrabando, ou, no melhor dos casos, apenas comércio, mesmo que as pessoas tenham tudo nas mãos, como é na estação internacional, mas com tantas pessoas acredito que haverá desejo por coisas, seja para passar tempo ou para gerar prazer/interesse.

E como precisarão disso num mundo de tédio e atividade repetitivas.

Mas que tipo de economia será implantada mesmo que não oficial?

Será que começará com o escambo e a partir daí surgirá a necessidade de uma moeda marciana?

Talvez.

Ou será que criarão uma moeda desde o início e transportaremos o capitalismo para o lugar mais distante de sua origem?

Imagino que nenhuma dessas opções seja a ideal.

Muitos falam que no planeta Terra o melhor seria começar do Zero, alguns países mostraram que é possível uma grande revolução e ascensão de uma sociedade através de planejamento.

Mas começar do zero dá uma oportunidade jamais vista na humanidade.

Finalmente será possível como sociedade sem dinheiro? Se há um primeiro bom momento para isso será agora em alguns anos.

Mas talvez o investimento de países diferentes na colonização impeça esse sonho.

Afinal de contas, Marte precisará de uma constante e enorme necessidade de suprimentos que serão mandados pelos terráqueos.

Caso realmente aconteça como Marcianos e terráqueos se sentirão com essa grande diferença de estilo de vida?

Talvez um inicie a mudança no outro, estou sendo bem otimista aqui.

Não tem como dar previsões, mas com certeza seria incrível a humanidade dar esse passo nesse momento, não seria?

Comente abaixo o que acha que acontecerá ao colonizarmos Marte.

O futuro sem dinheiro de Star Trek

Alguns anos atrás, Manu Saadia, um fã de longa data de Star Trek, foi à procura de um livro sobre a economia de Star Trek. Quando ele não conseguiu encontrar um, ele decidiu escrever o seu próprio. O resultado, Trekonomics, atraiu elogios de economistas como Brad DeLong e Joshua Gans. Saadia diz que Star Trek é um dos poucos universos de ficção científica que lidam com a ideia de que o dinheiro pode algum dia se tornar obsoleto.

“É claro e enfatizado várias vezes no decorrer do programa que a Federação não tem dinheiro”, diz Saadia no episódio 205 do podcast do Guia do Geek para a Galáxia. “Você tem o capitão Picard dizendo: ‘Nós superamos a fome e a ganância, e não estamos mais interessados ​​no acúmulo de coisas’“.

Saadia é fascinada pela ideia de uma sociedade na qual a riqueza material tornou-se tão abundante que possuí-la não tem mais apelo. Em tal mundo, a única maneira de ganhar status seria cultivando talento e intelecto.

“O que realmente faz sentido no universo de Star Trek e na sociedade Star Trek é competir por reputação”, diz ele. “O que não é abundante no universo de Star Trek é a cadeira do capitão.”

Ele aponta para tecnologias como GPS e internet como modelos de como podemos nos estabelecer no caminho para um futuro de Jornada nas Estrelas.

“Se decidirmos, como sociedade, disponibilizar mais dessas coisas cruciais para todos como bens públicos, provavelmente estaremos indo bem para melhorar as condições de todos na Terra”, diz ele.

Mas ele também adverte que a tecnologia por si só não criará um futuro pós-escassez. Se não tivermos cuidado, poderemos acabar como o ganancioso Ferengi, que cobra dinheiro pelo uso de seus replicadores em vez de disponibilizá-los para todos.

“Isso não é algo que será resolvido por mais aparelhos ou mais iPhones”, diz Saadia. “Isso é algo que tem que ser tratado em um nível político, e nós temos que enfrentar isso.”

Ouça nossa entrevista completa com Manu Saadia no episódio 205 do Geek’s Guide to the Galaxy (acima). E confira alguns destaques da discussão abaixo.

Manu Saadia em Isaac Asimov:

“Em 1941, ele publica sua primeira história sobre robôs e sua grande ideia e insight é que os robôs não serão nossos inimigos ou nossa desgraça como uma sociedade, como os robôs geralmente eram retratados, como Frankensteins. Os robôs nos libertarão, e assim Asimov está tentando descobrir um mundo onde o trabalho humano não seja mais necessário para a sobrevivência. E isso é algo que você vê ao longo de Star Trek, muito mais em The Next Generation do que na série original. Em The Next Generation, você tem essas máquinas incríveis que farão qualquer coisa para você no local e sob demanda – os replicadores – e, de certa forma, o replicador é uma metáfora para a automação universal da maneira descrita nas histórias dos robôs de Asimov. ”

Manu Saadia em personagens de Star Trek:

“Eles são consistentes com as circunstâncias econômicas em que vivem. Imagine-se crescendo em uma sociedade onde nunca há necessidade ou insegurança financeira de qualquer espécie. Você será uma pessoa muito diferente. Você estará absolutamente desinteressado em consumo conspícuo. … Você provavelmente estará interessado em coisas de natureza superior – o cultivo da mente, educação, amor, arte e descoberta. E assim, essas pessoas são muito estóicas nesse sentido, porque não têm interesses mundanos com os quais nos relacionamos hoje. Eu costumo dizer que eles são todos alienígenas, de certa forma. Meu amigo Chris [Black], que escreveu no programa, disse que foi muito difícil para os roteiristas, porque é um drama no ambiente de trabalho, mas não há drama. ”

Manu Saadia no Ferengi:

“Eu amo os Ferengi porque eles são uma espécie de paródia dos anos 90 ou dos anos 2000 do empresário aquisitivo americano. … Os Ferengi são realmente ignóbeis, pessoas realmente terríveis, e eles são muito engraçados como resultado. Mas eles mudam com o tempo. Quando você assiste a todo o arco dos Ferengi em Deep Space Nine, os Ferengi, apenas por contato com a Federação, se tornam mais parecidos com a Federação, eles se tornam social-democratas Keynesianos, no final. De repente você tem o direito de ter sindicatos e greves, e há cuidados de saúde para todos. … Eu sempre achei que essa história do Ferengi se tornando mais humanitária apenas pelo contato com a Federação era uma metáfora para todos nós nos tornarmos melhores assistindo Star Trek. ”

Manu Saadia no Borg:

“Os borgs são ótimos vilões porque são muito parecidos com a federação, quando você pensa sobre isso. Os borgs têm perfeita alocação de bens, e oferta e demanda, e todos estão conectados a todos na colmeia, e eles parecem ser extremamente eficientes. Eles também são a outra sociedade em Star Trek que poderia ser caracterizada como “pós-escassez”. Qualquer drone Borg nunca quer ou precisa de nada, é sempre fornecido pelo Coletivo. Assim, é a imagem espelhada – e quase a imagem perigosa – de como uma sociedade redistributiva e saciada poderia parecer. É quase como se os escritores tentassem incorporar as críticas à sociedade que propuseram. ”

Fonte: www.wired.com

 

A aceitação budista e o quanto não somos especiais

Faça esse teste comigo.

Perceba o seguinte, nós fazemos parte do universo, universo esse que foi criado bilhões de anos atrás, tudo perfeitamente alinhado e organizado, e isso demorou uma grande quantidade de tempo, mas agora há equilíbrio.

Somos consequência desse movimento inicial que foi ficando cada vez mais complexo, ao ponto de acharmos que tudo é caos de tão difícil que é compreender a escala do espaço em que vivemos.

Nessa equação nasceu a vida, somos o que há de mais complexo em centenas de milhões de anos de vida na Terra, e assim como outros animais nos organizamos para criar um equilíbrio, garantir sobrevivência, e depois que ela foi mais ou menos garantida começamos a nos comunicar, criar regras, vilas, cidades, comércio e aí o ser humano começou a ficar bem complexo, assim como o universo já o é.

Agora vamos lá, imagine os eventos da sua vida, tudo que aconteceu na sua vida, os momentos bons e ruins que a marcaram, eles aconteceram, muitos deles tinha uma alta chance de acontecer, não havia como evitá-los, faziam parte desse movimento inicial que começou bilhões de anos atrás, também fazemos parte desse universo, apesar de sempre queremos ser diferentes, a mais.

Tudo que acontece conosco deve ser aceito, pois é preciso viver com tudo, quem disse para você que a vida deve ser só felicidade? A vida nunca fui só felicidade, essa afirmação é irreal assim como as fotos das pessoas do instagram.

A vida, assim como o universo é cheio de nuances, e pode haver momentos de caos, como na explosão de uma supernova (a morte de uma estrela), outras situações são lentas e acabam com a gente pouco a pouco, como um buraco negro, ao ponto de nem saber que nos perdemos até desaparecer.

A vida  contemporânea quer que nos vejamos como especiais, únicos, somos únicos, mas nem de perto especiais, somos pó estelar, como diria Carl Sagan, e somos parte do universo, pois somos composto pela exata proporção de matéria que existe no universo.

Agora lembra dos acontecimentos da sua vida?

Aceite eles, já aconteceram, alguns ruins vão acontecer de novo, você não se livrou deles, mas saiba que é libertador saber que você não é especial, sua vida talvez não chegue nesses sonhos absurdos que nos vendem, e com isso com certeza você tirará o peso que não te deixa ser todo o seu potencial.

Não ser especial é libertador.

Por que mesmo pessoas que são ameaçadas pelo Bolsonaro votam nele?

Durante todos os milênios que a humanidade viveu ela teve que ter apenas algumas coisas para garantir a sua segurança no dia a dia, comida, moradia, água e não confiar em estranhos, outros grupos de humanos, sua família era o núcleo, sua cultura estava ali e sua ética também, um estrangeiro que se aproximasse seria abalar tudo isso, não era atoa que comerciantes eram os poucos que viajavam.

Era preciso ser minimalista, seguir poucas regras que garantiriam sua sobrevivência.

O incesto era uma delas, procriar dentro da mesma família criava humanos com deficiência, diminuindo as chances de sobrevivência, muitas vezes até exterminando o grupo de dentro pra fora.

Apesar de ter passado milhares de anos desde que morávamos nas cavernas ou que éramos caçadores coletores, antes da revolução agrícola, ainda temos isso dentro de nós .

Ainda queremos sobreviver.

Claro, o desejo de sobreviver mudou enormemente de escala, mas ainda existe bem forte em nós, e é fortalecido durante a vida dependendo das suas experiências.

As emoções tem grande responsabilidade na sobrevivência também, a empatia permitia cuidar das crianças, idosos e feridos, mas isso só acontecia quando realmente pudesse acontecer.

Na natureza a raiva e o medo tem um maior poder defensivo e agressivo, essas emoções liberam altas quantidades de adrenalina e prepara o indivíduo para lutar ou fugir.

É possível observar o discurso de ódio no candidato Bolsonaro, ele mesmo falou que irá governar para as maiorias, ou seja, excluindo os fracos, algo muito semelhante ao o que o nazismo fazia o mesmo.

O seu grupo deve sobreviver, deve florescer, e isso aconteceu em vários momentos da humanidade, um dos primeiros que se sabe foi quando o ser humano atual aprendeu a se comunicar, a chamada Revolução Cognitiva, isso deu a ele um poder estratégico para derrotar as outras raças irmãs da humanidade, hoje em dia elas não existem mais, o último morreu a mais de 10 mil anos atrás.

Tudo isso era pra sobrevivência claro, na época não tinham uma mente afiada como a nossa hoje em dia.

E isso pode parecer chocante para muitos, mas somos animais, nos comportamos com um ainda, apesar de sabermos fazer coisas incríveis, ainda nos comportamos como animais, temos medo, ansiedade, fome, sentimos carinho pelos outros e ódio também, tudo depende do ambiente, da cultura e das experiências dadas.

Por exemplo, os cachorros viraram amigos do homem, pois o homem domesticou o lobo, um animal feroz, que ataca quando sua matilha está em perigo e para caçar, mas o humano começou a domesticar só os que eram mais calmos, e foi fazendo uma espécie de seleção inteligente das espécies, que fazemos até hoje, cachorro que morde muitas vezes é morto, e isso se fazia antigamente também, até termos hoje em dia apenas bolas de pelo felizes.

Não necessidade de ser feroz mais.

Mas hoje em dia há uma onda de querer voltar a ser lobo de novo, de tratar o outro como inimigo, de querer sobreviver quando sua sobrevivência nem está em risco.

E para resolver tudo isso o candidato quer dar possibilidade das pessoas terem armas.

“Com um martelo na mão se enxerga tudo como prego, com um arma na mão, se enxerga tudo como inimigo.”

Não é preciso ter inteligência aguçada para ver que liberar armas só cria mais crimes e satisfaz o ego dos homens que querem se defender de criminosos que não vêem, de golpes comunistas que não existe, e de tudo que ameace sua masculinidade.

Claro, já existiu muitas vezes na história da humanidade momentos em que todos andavam armados, e até mulheres tiveram que assumir posições militares, como no Japão feudal, Dinamarca antiga, Armênia, mas esses povos estavam em risco direto, podendo ser mortos a qualquer ataque, o que não é o caso do Brasil, felizmente.

O nacionalismo também se trata desse protecionismo com o grupo em que você se identifica, mudar significa abalar, gera fragilidade, por isso o militarismo é tão atraente, deve seguir regras, nada de inovar, discutir gênero na escola ou mesmo abortar, assumir feminicidio, essas coisas já acontecem a anos, não há porque discutir eles.

Aprendemos tantas coisas com os nossos milênios de existência, conseguimos de certa maneira deixar o modo animal para trás e sermos humanos, criar uma sociedade que funciona, e infelizmente esse candidato simboliza a nossa volta aos desejos mais primitivos, um retrocesso.

Antigamente tudo era simples, tinha poucas opções para resolver problemas, a violência era uma delas, talvez a mais recorrente, mas não somos mais animais selvagens, não precisamos nos render ao sentimento de sobrevivência, de medo e raiva, somos seres humanos, podemos ter empatia pelo próximo, podemos abraçar nossos irmão, não disputamos comida, água, moradia, e nem território (a não ser no caso dos índios e do MST).

Há soluções inteligentes que não precisam de violência, e toda decisão tomada com raiva é uma decisão ruim.

Existe até uma história de samurais antiga que fala que o samurai que ataca com raiva é um samurai que perdeu a batalha.


“Agarrar-se à raiva é como segurar um carvão quente com a intenção de jogá-lo em alguém; você mesmo se queima”.
– Buda –


E queria finalizar dizendo que essas pessoas que votaram no Bolsonaro, não são pessoas ruins muitas vezes, vemos hoje que nossa família vota, amigos, namorados, gays, negros, não é uma questão de ética muitas vezes, apesar que muitas vezes é, e sim uma questão mais intrínseca, se deixaram levar pelo seu lado animal, ainda está forte neles, mas ainda podem ter controle de suas percepções e reflexões, mas para isso é preciso ter experiências e mudanças de perspectivas.

Não excluam essas pessoas de suas vidas, elas são as que mais precisam de vocês, e talvez vocês delas.

Ninguém sai perdendo com a riqueza de olhares e percepções, por isso é tão bom viajar.

E ter Bolsonaro como presidente seria um retrocesso, justamente por voltar milênios de avanço civilizatório e ameaçar muitas das pessoas que você ama, e como falei, só há espaço para empatia quando deixamos o medo e a raiva de lado.

Os psicólogos identificaram o tipo de inteligência emocional que faz com que os trolls da Internet sejam maus


O que há com o comportamento das pessoas online? Por que a prontidão para atacar, o tom sarcástico, a falta de cortesia inerente a tantos comentários? 
A internet pode trazer à tona o pior das pessoas, que quando levado a extremos se transforma em trolling - aquele bizarro hábito impulsivo de prejudicar os outros na internet, sem serem punidos.

Pesquisadores na Austrália começaram a descobrir quais características em pessoas “normais” (usuários de mídias sociais acima de 18 anos que não pareciam ser trolls) poderiam torná-las suscetíveis ao comportamento de trollagem. 
Usando um questionário online, os pesquisadores da Escola de Ciências da Saúde e Psicologia da Federation University em Mount Helen testaram 415 homens e mulheres para uma série de traços de personalidade, bem como para comportamento online que indicava uma propensão ao troll - como concordar com a declaração, "Embora algumas pessoas pensem que minhas postagens / comentários são ofensivos, eu acho que eles são engraçados".

Os pesquisadores estavam procurando características particulares, incluindo habilidades sociais, psicopatia, sadismo e dois tipos de empatia: afetiva e cognitiva. Ter alta empatia cognitiva significa simplesmente que eles podem entender as emoções dos outros. Ter alta empatia afetiva significa que uma pessoa pode experimentar, internalizar e responder a essas emoções. Os “trolls” no estudo pontuaram acima da média em dois traços: psicopatia e empatia cognitiva.

Assim, mesmo que os “trolls” exibam um tipo de empatia, acoplá-lo à psicopatia acaba por torná-los desagradáveis, sugeriram os pesquisadores. A psicopatia, que inclui a falta de cuidado com os sentimentos dos outros, foi medida usando uma escala em que os participantes foram solicitados a concordar ou discordar com um conjunto de declarações como “o retorno precisa ser rápido e desagradável”.

Altos níveis de empatia cognitiva tornam essas pessoas acostumadas a reconhecer o que vai aborrecer alguém e saber quando pressionaram os botões certos. A falta de empatia afetiva permite que os trolls não experimentem ou internalizem a experiência emocional de suas vítimas.

“Os resultados indicam que, quando se trata de psicopatia de alto traço, os trolls empregam uma estratégia empática de prever e reconhecer o sofrimento emocional de suas vítimas, enquanto se abstêm da experiência dessas emoções negativas”, escreveram os pesquisadores. Eles acrescentaram que, como a psicopatia está associada à busca de adrenalina e à impulsividade, é possível que “criar o caos on-line seja um motivador central para trollar”. Eles também descobriram que os trolls provavelmente eram ricos em sadismo – a vontade de ferir os outros – e mais provável que seja do sexo masculino.

O estudo é publicado na revista Personality and Individual Differences. Ele não oferece conselhos sobre como interromper o comportamento de pesca esportiva, mas adiciona uma ruga ao nosso conhecimento de por que as pessoas agem on-line. Em pesquisas anteriores, pessoas que exibem traços psicopáticos mostraram um desequilíbrio de empatia similar: falta de empatia afetiva, mas níveis normais de empatia cognitiva. Este estudo ligou os traços psicopáticos e os níveis mais altos de empatia cognitiva às pessoas que provavelmente trilham.

Explorar a ligação entre psicopatia, alta empatia cognitiva e trolling poderia ajudar a aprofundar nossa compreensão dos tipos de personalidade que gravitam em torno desse comportamento e potencialmente ajudar a detê-los.

Fonte: Quartz
tradução Destruidordedogmas

 
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